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Olá!
Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".
Esta semana, quando este episódio for publicado, vou estar em Macau, a convite da Casa de Portugal em Macau e a propósito do “Livro do Não” e das suas ilustrações bordadas. Neste episódio conto-vos tudo sobre esta viagem de sonho, para uma terra que, para mim, é uma terra dos afectos.
Espero que desfrutem.
Neste episódio mencionamos:
George Chinnery
Os Parses em Macau
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Casa de Portugal em Macau
Livro do Não
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação.
Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Esta semana, quando este episódio for publicado, vou estar em Macau, a convite da Casa de Portugal em Macau e a propósito do “Livro do Não” e das suas ilustrações bordadas. Nem imaginam o meu total excitex em relação a esta viagem, em relação a voltar a Macau e lá poder apresentar o meu trabalho.
Macau é casa para mim. Para quem não sabe, vivi lá nove anos da minha vida, dos nove aos dezoito. Foi lá que vivi a minha adolescência, que fiz quase todo o percurso escolar e que fiz amigos para a vida. Quer queira, quer não, a vivência de Macau marcou a minha personalidade, e Macau ficou-me entranhado na pele para sempre.
Por isso, é com enorme alegria que agora volto, e mais: volto com a família, para lhes mostrar onde vivi quando era miúda.
Quando penso em Macau, penso nas sensações exacerbadas. Num território tão pequeno em termos de área, Macau tem tudo com fartura: os cheiros, a fruta tropical e a peixe seco, são fortes e inundam o nariz; a visão é estimulada para onde quer que olhemos; os sons, intensos e característicos. E as saudades estão sempre presentes.
Em Macau descobri que gosto de desenhar. Um dia, numa visita de estudo da disciplina de Educação Visual, fomos ao templo de A-Ma e aí sentei-me numa rocha a fazer um desenho. Lembro-me de me deliciar a fazer os detalhes de um pormenor decorativo. Enquanto observava e tentava reproduzir as formas no papel, o tempo parou para mim. Já lá fora, o mundo continuava a girar, e eu sem dar conta de nada.
Deve ter sido das primeiras vezes que senti essa sensação de “flow”, como dizem os anglófonos, em que estamos tão absortos no que estamos a fazer que perdemos a noção do mundo que nos rodeia.
Talvez também nesse momento se tenha começado a definir em mim a direcção que a minha vida profissional tomaria. Artes, design, desenho. Aí por essas bandas.
Vivi em Macau entre os nove e os dezoito anos, como vos contei, e deixei Macau para vir estudar na Faculdade, em Portugal. Depois de Lisboa, a vida já me levou a viver noutras cidades, noutro continente, mas apesar da distância, a ligação a Macau mantém-se: nos afectos, nos sabores, nas memórias.
E é com muita alegria que volto agora, para uma Macau que já muito mudou, mas que, não duvido, muitas memórias guarda dos tempos felizes que lá vivi.
Uma das coisas que mais vontade tenho de fazer é de – e acho que não é surpresa para ninguém – desenhar. Tenho vontade de voltar ao templo de A-Ma e rever esses edifícios e pormenores decorativos que tanto me encantaram há 35 anos atrás. Tenho vontade de me sentar num banco de jardim e desenhar as pessoas, as árvores, tentar captar a atmosfera.
Enquanto escrevo isto, penso em George Chinnery, pintor inglês do século XIX que passou 25 anos em Macau e que documentou a cidade e os seus habitantes, em desenhos, aguarelas e pinturas a óleo. Nas notas do episódio deixo-vos um link que vos dará um cheirinho do seu incrível trabalho.
Quando vi, pela primeira vez, um livro sobre as aguarelas de George Chinnery, fiquei siderada com a qualidade do detalhe e a expressividade do traço. A memória por vezes prega-me partidas, mas se não estou enganada, foi numa aula de Educação Visual do 5º ou do 6º ano que o professor nos sugeriu fazer um projecto de desenhos de observação com inspiração, precisamente, nos desenhos de George Chinnery.
Também foi nesse projecto que estivemos a estudar uma zona da cidade onde havia marcas da presença Parse em Macau. Para mim, na altura, todas essas histórias eram absolutamente exóticas. Eu nem sequer sabia quem eram os Parses, ou como haviam ali chegado, e o projecto desse professor – através do desenho – abriu a porta à minha curiosidade sobre todas aquelas diferentes heranças.
A partir dos desenhos fizemos várias pinturas a guache, e eu lembro-me da sensação de leveza e alegria que tive a misturar cores e a dar pinceladas no meu papel para representar uma parede de uma rua de Macau, uma parede cheia de texturas e de marcas de humidade. Essa sensação de alegria, de leveza é inesquecível.
A ideia de diário gráfico foi semeada aí, por esse professor, e penso que terá sido por essa altura que comecei o meu primeiro diário gráfico. O desenho, sempre o desenho, mesmo muito antes de imaginar a importância que viria a ter na minha vida várias décadas mais tarde.
Ao longo dos anos, fui fazendo e abandonando diários gráficos. Alguns acompanhavam-me em viagens, altura em que tinha mais tempo e disponibilidade mental para desenhar. Outros arrastavam-se por meses e meses, em que ocasionalmente lhes acrescentava um desenho aqui e ali. Por outro lado, fazia inúmeros desenhos em papel de máquina, desenhos que incluía nas minhas zines mensais, por exemplo, mas que não guardava nos diários gráficos, talvez por ter ilusões carregadas de perfeccionismo sobre o aspecto que os blocos deveriam ter.
Aqui vos confesso: o meu super-perfeccionismo ataca subtilmente, e por todos os lados. E o medo de “estragar o caderno” é um daqueles que ataca forte e precocemente, impedindo toda e qualquer diversão com o desenho. Impede-me – ou devo dizer – impedia-me! – de sequer começar a desenhar.
Mas não pensem que o super-perfeccionismo ficou para trás, e agora que mantenho um diário gráfico há quase cinco anos completos, e que dinamizo sessões semanais no Desenhamos Juntas, já não sou perfeccionista.
Não: continuo a sentir as resistências em relação à pintura. Para vencer a tela em branco, pinto-lhe um fundo, e o deslizar do pincel na tela destrava qualquer coisa na minha mente.
Superar o perfeccionismo é um trabalho constante, diário, tal como um diário gráfico. Também é daqueles trabalhos que se faz um bocadinho de cada vez, e que fazemos todas as semanas no Desenhamos Juntas. Tal como se treina para uma meia maratona, ou se escreve e ilustra com bordado um livro infantil, como aconteceu com o “Livro do Não”, assim vamos dando passos pequenos, mas consistentes, para irmos soltando o perfeccionismo e desfrutar mais da vida.
E por falar em “Livro do Não”, é por causa dele que agora vamos a Macau. Uso aqui o plural para designar a família toda, pois é com muita alegria que eles também vêm comigo. Vamos apresentar o livro e expor os originais bordados, e vou também dar alguns workshops. Vamos ver amigos, revisitar uma cidade antiga e também conhecer a sua nova face.
De maneira que agora é com muita alegria que regresso a Macau. Regresso aonde já fui muito feliz e regresso com uma vontade enorme de registar as vistas, os cheiros, as emoções no meu diário gráfico. Macau é uma cidade que muda sem cessar, mas que guarda no ar que se respira as memórias dos tempos passados. Macau, apesar da mudança, preserva as diferentes heranças que a caracterizam. E Macau é, e sempre será para mim, uma cidade dos afectos e da minha história pessoal, e tenho curiosidade de perceber de que forma é que estes afectos também ficarão marcados nas páginas do meu diário gráfico.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.