Category: sketches

From sketch to embroidery: the process

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Earlier today, #asketchaday in #Lisboa

If there’s something I like seeing in an artist’s work is the behind the scenes process. I love seeing the making of a finished piece, because it not only adds layers of meaning to a finished piece, it also unveils the steps, the doubts, the leaps, from inception to finished object.

And because I love seeing the steps, I also share the steps behind my own projects. And here, today, you can see how a sketch I made will become March’s embroidery at the air Embroidery Club.

When I start thinking about a suitable design for the air Embroidery Club, I look for a story that can be told in a small area, that of the embroidery hoop. Not all sketches are suitable, as some of them tell only a small part of a story (maybe a tiny detail, too little to make sense in an embroidered piece). So I browse my sketchbooks looking for candidates.

This month, I picked a sketch I made a few weeks ago in a beautiful place near my studio, the Miradouro de São Pedro de Alcântara. From here you get to see a beautiful panorama of my city, with the castle and the river in the background. When I made the sketch, I quickly captured some visitors that came and went, and even a naughty pigeon who wanted to be part of the group.

When I start embroidering the sketch, I make decisions about which strokes are important and which are “noise” when it comes to embroidery. Some of the pen strokes that help understand the context of the scene become “noise” when embroidered. I remove those strokes to get a “cleaner” embroidery template.

I share the process, the doubts and the leaps over on my Instagram account. Until I get to the finished piece, which I photograph and add to the final pdf embroidery template active members of the air Embroidery Club receive.

The final embroidered pieces become different things: this one is being worked on a cushion cover from ikea I’m filling with embroidered sketches of Lisbon. It will become a Lisbon-themed cushion. (I have several embroidered pieces waiting to see the light of day, maybe being shown in an art show and sold to new, loving homes, but this one will become a one-off mosaic of Lisbon scenes.)

You can see the final piece when I finish it on Instagram , Facebook, or directly in your inbox on March 1, when you joing the air Embroidery Club.

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Some useful info and links:

  • We have two new knitting workshop dates: February 27 (this Saturday) and March 5 (next Saturday). There are a few spots left so please join us if you are here in Lisbon. More info here.
  • I’ve been asked if there will be knitting workshops in week days: I’m more than happy to organize for groups of 4 people. Let me know in the comments or by e-mail.
  • I love sharing bits of my days over on Instagram and Facebook.
  • If you want to learn embroidery, sign up for my free embroidery e-course. If you wish to get a fresh embroidery template every month, and join a group of really nice and supportive people, join the air Embroidery Club today.

That’s all for today! Have a great weekend – and happy stitching!

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Committing another #Lisbon sketch to fabric. #asketchaday

Se há coisa que gosto de ver no trabalho dos artistas é o “making of”, o processo por detrás do produto acabado. Gosto, mas gosto mesmo. Porque quando vemos o produto acabado, vemos uma coisa terminada. Intuímos o trabalho que ali está, mas sem certezas. Achamos que a versão final foi sempre linda e perfeita, imaculada. No fundo, concentramo-nos no objecto final, e não no processo que o viu nascer. E eu adoro o processo, isto porque passo tanto tempo no processo, que se não o amasse seria certamente mais infeliz.

É por isso que gosto de ir partilhando o percurso entre a génese de uma ideia e o objecto final. E aqui, hoje, mostro-vos o desenho inicial, que estou de momento a bordar e a preparar para ser o projecto de Março no Clube de Bordado air.

Quando penso num projecto para o Clube de Bordado, penso em algo que possa ser representado numa dimensão pequena, e que no fundo conte uma história dentro da área do bastidor. Nem todos os desenhos servem esse propósito. Daqui, vou espreitar os desenhos que tenho nos meus caderninhos, ver quais se poderiam adequar.

Este mês, fui buscar um desenho que fiz há umas semanas no miradouro de São Pedro de Alcântara, uma perspectiva da vista e dos visitantes que se foram acercando para a observar. Ao bordar, vou percebendo que elementos posso retirar do desenho: a verdade é que há vários traços que ajudam a contar uma história no desenho, mas que no bordado só adicionam “ruído”. Esses detalhes saem.

À medida que vou bordando, vou registando o processo e partilhando fotos, dúvidas e reflexões na minha conta no Instagram. Até que chegamos ao produto final, que fotografo para constar na receita de bordado, em pdf, que os membros activos do Clube recebem.

Quanto aos bordados finais, esses, têm fins diferentes. Este que aqui vêem está a ser feito numa fronha de almofada de sofá que comprei no ikea, que estou a encher de desenhos lisboetas. Em vez de ir parar a um tecido solto, que depois acaba por ficar guardado no armário (tenho tantos à espera de uma exposição, ou de serem vendidos para irem para novas casas), estas fronhas ficam sentadas no meu sofá, onde as posso ver todos os dias.

Quanto ao bordado final – vejam no Instagram, Facebook, ou juntem-se ao Clube de Bordado para receberem a respectiva receita, muitas mais fotos do processo e instruções passo-a-passo no próximo dia 1.

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Algumas informações úteis:

  • Temos duas novas datas de workshop de tricot: dias 27 de Fevereiro (depois de amanhã) e 5 de Março. Ainda há vagas! Mais informações e inscrições aqui.
  • Perguntaram-me por workshops de tricot durante a semana: até ao momento ainda não houve, mas poderá vir a haver. Se houver interesse, digam-me por favor nos comentários ou por e-mail.
  • Gosto muito de partilhar fotos dos bastidores dos trabalhos e do meu dia-a-dia no Instagram. Encontram-me aqui. Ou aqui, no Facebook.
  • Se quiserem aprender a bordar, podem fazê-lo no meu curso de bordado gratuito. Se quiserem receber uma receita de bordado por mês, todos os meses, e aderir a um grupo muito fofinho de gente que borda por esse mundo fora, façam-se membros do Clube.

E é tudo por hoje! Bom fim-de-semana para todos!

No jornal Expresso

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air-Principe Real no Expresso-do desenho ao bordado-1

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A few weeks ago (last year?!), I was featured in an article that came out in Jornal Expresso’s magazine. For those of you who aren’t familiar with this newspaper, this is the most important national weekly, one that is regarded as being the source of good quality information, opinion and culture. This post could end right here – and maybe I should act all cool and professional about this! – but this was such an amazing experience I thought it would be fun to share more of how the interview was like for me. It was my first time being interviewed for a national newspaper, and it still feels very exciting today.

Back in August I was approached by a friend who put me in touch with a journalist who was looking for people who like sketching on the streets. The journalist was writing a guide of cool places to draw in both Lisbon and Porto, and – of course! – I said I’d be delighted to talk to her.

We fixed an appointment and got together just outside my studio, in a garden filled with old trees. It was a beautiful summer morning, just perfect to be out on the street, sketching. When the photographer arrived, they asked if I could choose a spot and start sketching, and the photographer took lots of pictures while I was standing, sketching, holding sketchbook just so so that he could capture both the view and the sketch. It was a lot of fun, but let me tell you – I now have a newfound appreciation for photographic models!

When the sketch was ready and the photographer had all the pictures he would need, the journalist, Katya, and I started a conversation. I know it was an interview and of course Katya wanted to gather information for the article she was writing, but I have to tell you that she was so nice and easy going that it felt much more like a conversation with a friend than an interview for an article running on a national newspaper.

In the end, the images featured were not of the sketch I made. But all in all this was a lovely morning and a wonderful experience for me. How exciting is it to be mentioned in a national newspaper? Very exciting, I have to say!

(Read the article in Portuguese: cover, page 1, page 2.)

The sketch I made for this interview, pictured above, became a project for the air Embroidery ClubLearn more and join here.

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air-Principe Real no Expresso-1

air-Principe Real no Expresso-do desenho ao bordado-2

Há umas semanas atrás (hmmm… no ano passado, já?), o meu trabalho foi mencionado num artigo na revista E do jornal Expresso. Este post poderia ficar por aqui – e se calhar até deveria manter uma pose algo distante e muito profissional, mas a verdade é que foi uma experiência tão gira que achei que seria interessante partilhá-la aqui. Foi a primeira vez que o meu trabalho foi mencionado num jornal tão importante, e como tal ainda hoje fico muito contente de cada vez que penso nisso.

No Verão passado, em Agosto, fui abordada por um amigo que me pôs em contacto com uma jornalista, a Katya Delimbeuf, que estava a escrever um roteiro de desenho, em Lisboa e no Porto, para a revista do Expresso. Perguntaram-me se estaria disponível para conversar e desenhar – e claro que estava! Combinámos encontro aqui na praça mesmo em frente ao atelier e foi numa manhã de verão que nos encontrámos. Quando o fotógrafo chegou, pediram-me que desenhasse uma vista à minha escolha, e eu assim fiz. O fotógrafo captou então algumas imagens, pedindo-me alguma “ajuda” para conseguir fazer composições em que aparecessem a vista e o desenho da vista, no meu caderno. Foi uma experiência nova e muito gira para mim, que me fez ganhar uma nova apreciação por quem trabalha como modelo fotográfico (não é fácil!).

Quando o desenho ficou pronto e o fotógrafo entendeu que tinha todo o material de que precisava, passámos então à entrevista. Bem sei que a Katya precisava de recolher informação para escrever o seu artigo, mas pôs-me tão à vontade que mais pareceu uma conversa entre amigas!

No artigo final, as fotografias não são dos meus desenhos, mas ainda assim esta foi uma experiência muito gira! Oxalá se repita…

(Ler o artigo: capa, primeira página, segunda página.)

O desenho que fiz para esta entrevista, no topo, transformou-se em bordado para o Clube de Bordado air. Para saber mais e aderir, clique aqui.

On last week’s essay, plus sketches and embroidery

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Today I’m staring at this blank page and I don’t know where to start. Maybe with a thank you: thank you for all your comments on last week’s essay. The discussion was a bit scattered between blog post, facebook posts, emails you sent me, even phone calls you made to tell me your stories of success, assertiveness, leadership and likability. It feels like the discussion hit a nerve.

Everyone – and I mean everyone who wrote me, called me or left a comment – had a similar, personal story to tell. Either of being considered aggressive or arrogant when speaking their minds, or of toning down an opinion with the fear of coming across as disagreeable.

It feels like this isn’t an isolated event, or that it only happens every now and then. It feels like it’s a fact of life: if you speak your mind, you won’t be liked by your colleagues, either male or female.

So here it is: we are part of this problem when we judge women harshly, when we expect women to behave in a certain way. When we say that a female candidate for a leadership position does not have the right profile for it. Does she not? Maybe she does, maybe she doesn’t, but we have to ask ourselves what we would do if that same candidate was male. Would we think the same?

(As a side note: we will be having presidential elections soon and I would like to see a woman in office. Will it happen this time around? I have my doubts. When discussing this with others, I’ve heard often that our female candidates don’t have the profile for it. Do they not? Or do they lack the “right” gender?)

Anyway, we still have a long way to go and it’s our job (men and women) to work towards equality. (If you haven’t yet, read the book.)

#sketching in action in #Toledo #Spain (photo by @romeiro_p )

#tbt to a few weeks ago in #Toledo, #Spain

I’ve been carving our time before meetings, while waiting for the bus, between projects, to go out on the street and make a quick sketch. I love sketching, but for some reason I’m not sure I understand, I have to make a conscious effort to get my sketchbook out and do what I love. Isn’t it funny, resisting what makes us feel happy and accomplished?

So instead of grandiose plans of masterpieces, now I aim for quick sketches. It doesn’t take much: just leave the studio 10 minutes before I would have to in order to be on time, and then spend those extra minutes sketching something. No pressure. This, alone, has made me sketch more in the last few weeks than in the years before.

How about you? Do you sketch? I like sharing my sketches over on Instagram, and seeing everyone’s sketches, too, so if you want to connect over there, do let me know your Instagram username.

You’ve heard me talk (more than once, ahem…) about the air embroidery e-course. The template I used to teach the different stitches is a holiday wreath, so if you’re looking for a holiday project for the weeks ahead, do register for the free course (and invite your friends to do the same, too!) and receive that template free, as part of the learning materials.

(If a holiday wreath isn’t your thing, you can get an alternate embroidery template of a sketch inspired by my hometown of Lisbon.)

Have a great week – happy stitching!

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Hoje olho para esta página em branco e nem sei por onde começar. Talvez com um agradecimento: obrigada por todos os mails, comentários e até telefonemas sobre o post da semana passada acerca de sucesso, assertividade, liderança e “gostabilidade” no feminino. Pelo que entendo, não sou a única pessoa a ter sido tocada pelo assunto.

Todos vocês que deixaram um comentário, me escreveram um mail ou até me ligaram têm uma história pessoal para me contar. As histórias, todas diferentes, são também todas iguais: foram consideradas como agressivas ou arrogantes ao dar uma opinião, ou suavizaram-na – ou até mesmo a calaram – por medo de parecer desagradável.

Sinto que não são eventos isolados que acontecem muito de vez em quando. Na verdade, parece até ser um facto da vida que se por acaso uma mulher falar firmemente sobre a sua opinião poderá baixar na estima dos colegas que a rodeiam, homens ou mulheres.

Por isso, também nós, mulheres, somos parte deste problema quando julgamos as mulheres de forma mais áspera, quando esperamos que as mulheres se comportem de uma determinada forma. Ou quando dizemos que uma candidata a uma posição de liderança não tem perfil para esse lugar. Será que não? Talvez sim, talvez não, mas temos de parar um instante e perguntar-nos com muita honestidade, que diríamos se fosse um candidato com um perfil semelhante? Pensaríamos a mesma coisa?

(Abro um parêntesis para vos dizer que, com eleições presidenciais à porta, gostaria muito de ter uma Presidente da República. Será que acontece desta vez? Duvido. Aliás, ao discutir este assunto com outras pessoas à minha volta, já ouvi várias vezes a resposta de que “não têm perfil”. Será que não? Ou simplesmente são do género “errado”?)

Enfim, ainda temos um longo caminho pela frente e é responsabilidade de todos, homens e mulheres, trabalhar para a igualdade de género. (Se ainda não o fez, leia o livro.)

As I was sketching, a little girl approached me and immediately asked if she could watch. She then started to entertain the best conversation with me, told me about the mushrooms the tree in her school's yard has, how she is a grown up and is now in first

Earlier today, before the meeting that took me to this side of the town. #Lisboa #Lisbon

Tenho andado a esforçar-me por criar pedacinhos de tempo antes de reuniões, ou de voltar para casa, para sair à rua e fazer um desenho. Adoro desenhar, adoro desenho de observação, mas por uma qualquer razão que não sei bem se entendo, tenho de fazer um esforço consciente para agarrar no bloco de desenhos e fazer algo que adoro. Não é bizarro? Resistirmos tanto ao que nos traz felicidade e uma sensação de realização?

Em vez de planos grandiosos de obras primas, agora esforço-me por fazer desenhos rápidos. A logística não é complicada: basta sair com dez minutos de tempo para os gastar a desenhar num sítio qualquer, sem pressão. Só com esta estratégia tenho feito mais desenhos nas últimas semanas que nos últimos anos.

E o meu caríssimo leitor? Desenha? Gosto de partilhar os meus desenhos no Instagram, e adoro ver os desenhos de todos, por isso se assim desejar podemos “encontrar-nos” lá. (Não se esqueça de me dar o seu username no Instagram para poder ver os seus desenhos!)

Já aqui mencionei (mais que uma vez, aham…) o curso de bordado. A receita que escolhi para ensinar os diferentes pontos é bem apropriada agora para a época das festas, pois é uma coroa de Natal. Se tiver interesse e quiser experimentar, inscreva-se no curso (e convide os seus amigos também a inscrever-se!) e receberá a receita gratuitamente, como parte dos materiais pedagógicos.

(Se não tiver vontade de bordar uma coroa de Natal, há uma receita alternativa, com um desenho baseado numa ilustração minha de Lisboa.)

Votos de boa semana e bons bordados!

October

Someone is probably bungee jumping as I type. #Macau #rrgoeast #macautower

During our trip to Asia I tried to draw as much as possible on my #sketchbook. Not a lot is possible when there are so many things to revisit, see, do, but sometimes it's wonderful to just slow down and appreciate the panorama. #Macau #macautower #rrgoeas

Here it is! It's October's project for the #airembroideryclub, based on a #sketch made from my friend @mar_photography_impressions 's balcony in #Macau. You can see the first bridge on the left and #macautower on the right. Join the club to stitch this pr

 

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It’s hard to believe that it’s October already. Time flies and all those clichés about it being like sand escaping our fingers… well, they’re true. We’re three months away from the end of 2015, Summer arrived, been and went (at least that’s what the calendar says). Were it not for the Embroidery Club‘s projects, I wouldn’t even notice that it was October already. (Well, the Embroidery Club and taxes, really, because VAT happens every three months).

But it’s not about taxes I want to write about today. It’s October’s air Embroidery Club project. Every time I look at this embroidery I recall how much I enjoyed my trip back to Macau last April. It was so, so good! It was so good to go back, this time around with my husband and daughter, and also my parents, and revisit the three different zones where we lived when we were there, eat the delicacies I learned to love, remember episodes of my life as a teenager. I’m sure Alice will recall nothing of this trip, but to me it was so important to have her there with me.

One evening, seating on my friend Inês’s balcony, I made a sketch of the view, similar to the one we had in our second home there. While I sketched, light turned to dusk and then to darkness, quickly as it usually does in the tropics, and that’s how I retained this image. Months later, I thought about turning this sketch into an embroidery and sharing it with the members of the Embroidery Club. The most striking image was the lights coming on in the buildings in the horizon, the air turning slightly cooler, but still heavy with humidity. That’s what I recalled when stitching it, revisiting the landscape of my youth populated with new elements that pay testimony to the growth Macau has witnessed.

Embroidery gives me the time to think, to remember, to feel again, and that is very, very good.

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So happy that my work requires me to step away from the computer. #airembroideryclub #embroidery #illustration

 

The back of the #embroidery I finished earlier today, based on a #sketch I made from my friend @mar_photography_impressions 's balcony in #macau, when we visited last spring. It's October's project for the #airembroideryclub and you can stitch it too if y

Seems fitting to be working on my #airembroideryclub project while listening to @marieforleo and @elizabeth_gilbert_writer talk about #bigmagic. Can't wait to read it! #embroidery #embroideryisforeveryone


É difícil acreditar que já estamos em Outubro. O tempo passa por mim a voar, e todos os clichés sobre o tempo ser como areia a escapar-se por entre os dedos são, ou parecem ser, verdadeiros. Estamos a três meses do fim do ano, o Verão chegou, esteve e já se foi (pelo menos no calendário), e não fossem os projectos do Clube de Bordado se calhar nem dava conta que tinha chegado um novo mês (bom, os projectos do Clube de Bordado e o calendário dos impostos, vá, que isso também é um desagradável lembrete de que há que preencher a declaração de IVA e também fazer o respectivo pagamento).

Mas hoje não é sobre impostos que quero falar, mas sim do projecto de Outubro do Clube de Bordado. Cada vez que olho para este bordado me lembro de como gostei, mesmo!, de voltar a visitar Macau em Abril passado. Que bom, que bom que foi! Foi tão bom voltar a Macau, desta vez com o marido e a filhota, e também os pais, e rever os prédios onde vivi, os lugares aonde ia, as iguarias que lá aprendi a apreciar. Foi bom rever amigos, ver como vivem neste Macau que tem mais vinte anos do que quando de lá saí. Foi uma viagem realmente emocionante para mim, e apesar de saber que a Alice de nada se vai lembrar, foi emocionante levá-la comigo neste regresso.

Um dia, sentada na varanda da casa da minha amiga Inês, que generosamente nos recebeu, fiz um desenho da vista linda da Baía da Praia Grande, uma vista muito parecida com aquela que tínhamos na segunda casa em que morámos quando lá vivemos. Enquanto desenhava, a noite tropical caiu em menos de nada, chegou o lusco-fusco e as luzes começaram a acender-se.

Meses mais tarde, pensei em converter esse desenho num bordado e partilhá-lo com os membros do Clube, e só me lembrava dessa atmosfera de noite a cair, luzes a acender, o ar um pouco menos quente, mas ainda carregado de humidade. E foi disso que me lembrei enquanto ia bordando a paisagem, uma paisagem da minha juventude, revisitada e cheia de elementos novos, que testemunham o grande crescimento de que Macau foi palco.

O bordado dá-me tempo para pensar, para relembrar, para voltar a sentir, e isso é muito bom.

While waiting

On Tuesday I had an 8 minute wait for the bus. I was going to grab my phone for some mindless browsing, but my hand reached my #sketchbook instead and this #sketch happened. This prompted a reflection, soon to be up on the blog

A few pages from my #sketchbook . All sketches made while waiting. #moleskine #mymoleskine #dslooking #illustration

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A quick update on the fundraiser in memory of our son: THANK YOU. We have now doubled our initial goal, and it’s all thanks to you. Please keep helping us by sharing the link to the campaign’s page (https://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you can. 

Last Tuesday, I got to my bus stop and learned that it would be another eight minutes until my bus arrived. My first and immediate reaction was to reach for my phone, for some mindless browsing. But my hand got my sketchbook before, and so I started a sketch of the view from where I was, something I see every weekday it became banal a while ago.

There’s this thing that happens when we become accustomed to what we see around us: we stop noticing. We don’t notice when those beautiful, hand painted tiles were ripped from the façade (a sad phenomenon here in Lisbon!); we don’t notice when a shop permanently closes. We don’t notice the gradual passage of time, and the turns that the things around us take, sometimes for the better, sometimes for the worst.

We only notice when the change is big, either within us, or around us.

What cures me from the not noticing syndrome is sketching. Because when I’m sketching I look at lines, at how and where they intersect. I compare what my brain believes is correct and what my eyes see – most often, the two do not coincide.

And so I sketch.

On this post, there are several sketches on my sketchbook, all of them made while waiting for something. They are all quick sketches, specially those with people (because people move). And looking at them, I realize that waiting does not need to be wasted time. Actually, it can become something, a moment here and there that are stolen to improve my skills. And to notice.

How about you? What do you do when you are forced to wait?

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A few pages from my #sketchbook . All sketches made while waiting. #moleskine #mymoleskine #dslooking #illustration

Antes de mais, quero fazer uma actualização relativamente à campanha de angariação de donativos em memória do nosso bebé Daniel. MUITO OBRIGADA A TODOS. Hoje atingimos o dobro do nosso objectivo inicial, e é tudo graças à vossa ajuda. Por favor continuem a partilhar o link da página da campanha (https://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se possível, façam um donativo (as instruções estão lá todas). OBRIGADA! 

Esta terça-feira, ao chegar à minha paragem de autocarro vi que teria de esperar oito minutos até à chegada do próximo veículo. A minha primeira reacção foi procurar o telefone, para um pouco de navegação de cérebro desligado. Mas a minha mão, às escuras dentro da carteira, agarrou o meu bloco de desenhos, e trouxe-o para a luz do dia. Comecei então um desenho rápido sobre o que via à minha volta, uma vista banal por se repetir diariamente.

Há algo que acontece connosco quando nos habituamos àquilo que vemos: deixamos de reparar. Estratégia do cérebro para navegar economicamente a realidade, imagino eu, deixamos de notar a degradação gradual dos edifícios que nos rodeiam, não nos apercebemos dos azulejos lindos que já lá não estão e que foram arrancados por gente interessada em vendê-los aos turistas e ganhar uns cobres. Não notamos a retrosaria que fechou, ou a banca de fruta que já lá não está.

Só voltamos a reparar quando há uma mudança grande, seja dentro de nós, seja no ambiente que nos rodeia.

O meu antídoto para o síndroma de não reparar é desenhar o que me rodeia. Com a caneta na mão, em vez de olhar para o conjunto, olho para o detalhe: como e onde se intersectam aquelas linhas? Desenhar é um exercício em ignorar aquilo que o cérebro acha que é verdade e valorizar aquilo que os olhos vêem.

Por isso, desenho para recordar.

Neste post estão vários desenhos feitos enquanto esperava por algo. São todos desenhos rápidos, até porque, como é sabido, as pessoas mexem-se. Olhando para eles vejo que as esperas não precisam de ser tempo perdido, pelo contrário: podem tornar-se tempo útil para melhorar as minhas habilidades, para exercitar o olhar.

E o meu caro leitor? Como encara os momentos em que tem forçosamente de esperar?

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A development

airembroideryclub-march2015-01

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Last week I wrote about my resolution to make time for art, not thinking about the results, and wondered how far a simple sketch in my sketchbook could go.

And this week, look!, I have developments to share! What once was “just a sketch” became the pattern for next month’s air Embroidery Club project. I believe it’s the second floral pattern I prepared for the Club (here’s the first one); and it’s the first floral to take up the whole embroidery space. You may recall I made it into a repeat pattern, and I suppose it could be fun to embroider it on a larger surface, say, a cushion cover. But for now, let’s focus on the portion confined by a 7 inch hoop, the usual size of all air Embroidery Club projects.

I embroider each and every pattern I share with the Club members, and it’s for good reason: I enjoy it, most of all, but I also learn a huge lot about techniques while at it. In short, it’s a way to develop my abilities as an embroiderer and to perfect my designs. (It’s also a way to build a solid embroidered illustration portfolio, which I love.)

So far, this month I have tried using two different flosses together (see the pink flower above); and finally learned to get a good, solid, even satin stitch (see below). Learning by doing is the best way – for me – to learn and improve my abilities. So… excuse me while I go back to my embroidery hoop, will you?

If you want to learn embroidery by doing – and getting art you can hang on your wall at the end of it – join us at the Embroidery Club. This pattern will be in your inbox on March 1st. Or if you prefer to try one pattern, no strings attached, get single embroidery patterns at the shop.

 

*

airembroideryclub-march2015-02

Na semana passada escrevi aqui sobre a minha resolução de limpar a minha agenda para desenhar, um pouco todos os dias, sem estar preocupada com o possível resultado, se o desenho seria bom ou não, se estaria a perder tempo ou não.

E eis que esta semana aquele desenho se transformou em algo mais! De um esboço no meu caderno fiz um padrão, e esta semana usei uma porção desse padrão para o projecto do próximo mês do Clube de Bordado air. Se não estou em erro, é o segundo desenho “floral” que preparo para o Clube (o outro está aqui), e o primeiro que ocupa todo o espaço a ser bordado. Penso que poderia ser interessante usar o padrão bordado numa superfície maior, como num almofadão, mas por agora vamos concentrar-nos na área definida pelo bastidor de 17cm ou 7 polegadas, o tamanho habitual dos projectos do Clube.

Todos os meses bordo cada uma das receitas de bordado antes de as partilhar com os membros do Clube: por um lado, é um processo que adoro; não há melhor que ver o desenho crescer, ponto por ponto, até chegar ao fim e ter uma obra pronta a pendurar na parede. Por outro, ao mesmo tempo que o bordado me acalma, aprendo técnicas e aperfeiçoo processos. (E também amplio o meu portfólio de ilustração bordada!)

Até ao momento, este mês experimentei usar duas linhas de bordado juntas (visível na flor cor de rosa, no topo); e finalmente aprendi a fazer um ponto cheio bem “gordinho” e regular. Adoro aprender enquanto pratico – para mim, é a melhor maneira de ir aprendendo e sedimentando os conhecimentos e habilidades. Por isso, volto já para o meu bordado, sim?

Se quiser aprender a bordar enquanto pratica – e fazer a sua própria obra de arte! – adira hoje mesmo ao Clube de Bordado. Esta receita estará no seu email no dia 1 de Março, já falta pouco! Se preferir experimentar uma só receita, para saber se gosta, poderá encontrar uma selecção na loja.

Where will it go?

Previous #pattern started out as a sketch on my #sketchbook. Let's see where this goes...

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A creative business should be mostly “creative” and a slight bit “business”, right? Unfortunately, it has come to be my experience that the business part takes most of the time. Or at least it feels that way to me. There are so many tasks, big and small, around running a business. I want to tackle them first to get them out of the way, in order to concentrate on creative projects.

The problem with this approach is, most often, the time to create never comes. And when it does, it’s filled with pressure to perform, because it is limited.

This has been my challenge for a very long time.

To try to solve this, I’ve created an item on my daily to do list that reads: “make time for art”. This is seen as a task, just like the administrative work that needs to be done. And it is the time I just doodle on my sketchbook, or experiment with a new technique. I try to do it just for the pleasure of making, just for fun, without thinking about the results.

Not thinking about the outcome has been pivotal, as I have come to discover that the pressure of the outcome, allied to the contributions of my inner critic, were preventing me from having fun creating.

This was exactly what happened with several pattern designs I have worked on lately: they started out as inconsequential doodles on my sketchbook, just for the joy of it. During this time, I try to occupy my mind with podcasts and avoid its interference, and simply enjoy sketching without thinking about outcomes.

I let those sketches simmer for a few days and only then I search for material that may be interesting to explore further, like the doodles above. When I looked at this sketch, I saw the potential for a repeat pattern.

Now, who knows where this may go? Where do you see it going? Do you have any strategies you want to share?

P.S. I added a few new patterns to the portfolio, check them out.
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On the subject of creativity and the pressure to perform: a wonderful article on Forbes magazine about Aerosmith’s Joe Perry; Elizabeth Gilbert’s talk on TED. Enjoy!

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Probably my first #floral #pattern. #illustration #DSpattern

Quem trabalha por conta própria, nomeadamente no mundo das artes e do design, passa uma parte significativa do seu tempo a tratar de assuntos administrativos do seu negócio. No meu caso, a tentação de despachar as tarefas administrativas para depois me poder dedicar aos projectos criativos já provou não ser a melhor abordagem. Muitas vezes, o tempo para a criatividade nunca chega! E quando chega, vem carregado de uma pressão muito grande para obter resultados “perfeitos”.

Este tem sido um desafio ao longo da minha vida profissional: como equilibrar a parte de negócios e a parte criativa da minha actividade?

Ultimamente, a minha estratégia tem sido a de criar um item na minha lista de afazeres precisamente para isso: para desenhar, escrevinhar, experimentar. Tal como todas as tarefas administrativas que tenho que cumprir (“fazer IVA”, “responder a emails”), esta é uma tarefa que tenho de fazer todos os dias, só porque sim, sem pensar no resultado.

Não pensar no resultado tem sido a parte mais importante de todo o processo, já que quando a mente interfere – nomeadamente na voz do meu crítico interno de serviço – nem me divirto, nem consigo produzir. E aí vem a frustração.

Para ocupar a mente, ouço um podcast sobre algo que me interessa, e aproveito essa distração para desenhar sem fim à vista, simplesmente desfrutando do processo. Quando termino, fecho o meu caderno e deixo os desenhos marinar. Ao cabo de alguns dias, espreito-os, e vejo quais têm potencial de ser explorados e converterem-se em algo novo.

Foi exactamente assim que nasceram vários padrões em que tenho trabalhado ultimamente. Este que aqui vêem começou como um desenho rápido no caderno, depois evoluiu e transformou-se num padrão. Em que mais se virá ele a transformar? Onde irá parar?

E vocês? Que estratégias têm para se dedicar ao que vos dá prazer?

P.S. Adicionei novos padrões ao portefólio.

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Sobre a criatividade e a pressão dos resultados: um artigo sobre Joe Perry dos Aerosmith; a segunda apresentação de Elizabeth Gilbert nas TED Talks. Espero que gostem!

While away

Seven weeks.

Celebrating the year of the horse (my year!) with #embroidery for the #airembroideryclub

Walking in #lisboa #lisbon

Urban beach in #Lisbon. Gostei da praia do jardim do Torel #lisboa

Summer in the city #lisboa #lisbon

July's #airembroideryclub project in progress. A stitch here, a stitch there while the baby sleeps. #embroidery

#Summer solstice, allegedly.

O Zêzere e a Beira, coisa mailinda. #portugal #p3top #summer

Summer in #portugal

Thus ends our week at the beach. #summer #portugal

In green, satin stitch on the left, backstitch on the right. For the #airembroideryclub #embroidery #illustration

Foggy summit #monchique #portugal

#faro #portugal

Fim de verão na ilha de #faro #portugal #p3top

Many things happened while I was away. This, first of all. And after the shock of such abrupt and unexpected change, things started to slowly go back to a new normal.

Summer was spent between diapers, embroidery, ice cream, fun weekend escapes and a bit of traveling too. We went north and south and touristed around the country. Our baby dipped her toes in the ocean and smelled the sea breeze.

We had fun.

Now it’s time to ease back into work mode. There’s a new knitting workshop date announced (October 11th, here in Lisbon); the Embroidery Club is one year old and growing (come join the fun!); and I have some fun illustration work to share with you soon.

Thanks for being there.

*

Muito se passou enquanto estive ausente. O nascimento dos meus gémeos, em primeiro lugar, e a perda do meu bebé. E depois do (enorme) choque, a vida, como só ela sabe, começou logo o seu processo de regresso a um novo normal.

O Verão foi passado entre fraldas, bordado, gelado (finalmente sem diabetes!), escapadas de fim-de-semana e curtas, curtíssimas férias. Passeámos pelo norte e sul do país, ficam a faltar as ilhas. A nossa bebé molhou os pés no oceano, porque nunca é cedo demais para lhe incutir a nossa identidade atlântica.

Foi bom.

Agora está na hora de voltar ao trabalho: há nova data de workshop de tricot; o Clube de Bordado já fez um ano e continua a crescer (vamos?); em breve partilharei novos trabalhos de ilustração.

Obrigada por estarem aí.

ICON7, the illustration conference

At Icon7, 13-16 June 2012

At Icon7, 13-16 June 2012

At Icon7, 13-16 June 2012

At Icon7, 13-16 June 2012

Last weekend I attended ICON7, the illustration conference that took place in Providence, Rhode Island. There is so much information to process that I still feel difficulty in putting everything into words. I felt very inspired by the stories told, specially the case of Idiot´s Books (check them out, they were gracious and funny, informative and inspiring). And Matt Groening and Lynda Barry´s talk was probably one of the best hours of live entertainment I have had in a very long time.

In just a few days, I met so many of the voices I have heard in podcasts like “Escape from illustration Island” and “Your dreams my nightmares”, by Thomas James and Sam Weber, respectively. I put faces on names, met new people and – most important – never had to explain what my job is (What? You draw pictures for a living?).

Now, I´m ready to get back to work!

Issue 22 of “We’re in Panama!” is here

We´re in Panama, issue 22

I can´t believe it´s the 22nd issue already, but it certainly is! This month, we talk about how photography, and the act of snapping a shot has changed over the last few years. This, of course, in light of my newfound love for Instagram, the iPhone app that lets us take ordinary photos and make them look extraordinary because of their vintage filters. It also says a lot about how we miss old style photography, but do not want to give up the instantaneous sharing modern devices give us.

Well, why don´t you see it for yourself? You can download it here and read past issues here.

And, out of curiosity, what´s your take on photos of coffees with froth-leaves? Or floors with inward facing feet? There´s a trend there, isn´t it?

When there´s no “instagraming”

Relaxing by the pool

Sometimes, there´s nothing like the good old pre-instagram days when the way to register something was to sketch it and the way to share it was not immediate.

I love sketching instead of photographing, specially when I´m travelling alone. It takes up a bit of time and it´s best not to feel there´s someone waiting for me to finish. Naps, for instance, are a wonderful opportunity.

See more sketches here.

At the beach

February 4, 5: at the beach

February 4, 5: at the beach

Last weekend we went to the beach on the Caribbean coast. While waiting for the scuba divers to return, I looked around, found some corals and sea treasures to sketch.

Have a good week!