Category: life

A finished cowl

This weekend I finished #knitting my #honeycowl which now is my dear friend T's honey cowl. I hope she likes it and uses it until it falls apart in a very distant future. No pressure... ;)

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Knitting has been slow over here. It’s summer, and I dislike knitting with cotton (or linen or hemp for that matter), which leaves me with mostly cold weather fibers. I specially like knitting with wool because it is so forgiving on the hands (hello, lanolin!) and also forgiving on the result, smoothing away uneven tension after a good soak.

In my case, there’s more to my slow knitting than warm weather and fiber choice. I know I’m still not up to knitting complicated patterns. You may recall that it took me a while to get back to knitting after my babies were born and my baby boy died. Life didn’t feel normal (I suppose that is true to most new mothers) and my grief was so overwhelming I hardly had any emotional space to start something, anything new.

When the different pieces of the enormous jigsaw puzzle that is grief started to slowly fall in their places, I started to feel that itch, and started my baby’s blanket. I needed a simple pattern, one that didn’t require much mental space to follow, but still kept me interesting. After that blanket, which was a turning point for me, I started a cowl, the Honey Cowl, to be more precise. It took me several months to complete, but who’s counting? Certainly not me. It feels like I’m suddenly coming back to the surface of those deep, dark waters. It feels like my joy of creating, of giving life to new things, is coming back.

Above is my Honey Cowl, pattern by Antonia Shankland, made with Lopo Xavier’s Trianon yarn (two skeins), colorway mustard.

I loved knitting it. It was intended for me, but then decided to give it to my dear friend T., who saw her life changed this summer. I wanted her to know that she is not alone, and gave her this cowl as a big hug. I hope she likes it.

Next on the needles: a shawl! It’s a simple stockinette shawl (with a purl ridge to add rhythm and interest every now and then) and it’s intended for my sweetheart. I’ll share more about it later.

In the meantime, I added three new dates for knitting workshops here in Lisbon, this Fall. Now that the weather is cooling, it feels great to cozy up with yarn and needles in hands. Check the dates here.

(And, if knitting is not your thing, but embroidery is: you can learn to embroider free with the free, fun and fantastic e-course that will launch later this month. Registration is now open!)


A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

O tricot tem andado lento aqui pelas minhas paragens. É verão, e não aprecio tricotar com algodão (nem linho, nem cânhamo), o que me deixa com fibras mais apropriadas a temperaturas mais baixas. Entre elas, a minha favorita continua a ser a lã, não só porque não desgasta tanto as mãos (olá, lanolina!) como também porque depois de lavada atenua possíveis diferenças na tensão.

No meu caso, há mais que calor e fibras quentes para justificar o meu tricot lento: ainda não tenho vontade de me atirar a projectos mais complexos. Talvez se recordem que demorei bastante tempo a voltar a tricotar depois do nascimento dos meus bebés e da morte do meu rapazote. A vida não me parecia nada normal (penso que esta é uma sensação comum a outras mães estreantes) e o meu luto era tão forte que não tinha qualquer disponibilidade mental para criar algo novo.

Quando as diferentes peças deste complicado puzzle que é o luto começaram, gradualmente, a cair nos devidos sítios, comecei a sentir aquela vontade de recomeçar, de pegar nas agulhas e fazer algo novo. E foi assim que comecei, fiz e terminei a mantinha da minha bebé. Precisava de uma receita simples, que não requeresse demasiado espaço mental, mas que ao mesmo tempo me mantivesse entusiasmada. E assim foi. Ponto a ponto, comecei a sentir-me mais parecida comigo própria, à medida que a manta ia crescendo no meu colo. Depois da manta, comecei uma gola, a Honey Cowl. Levou-me meses a fazer, mas isso é pouco importante. O mais importante é que me sinto a regressar das profundezas desse lago escuro que é o luto, e a pouco e pouco, à medida que vejo o tricot a crescer-me no colo, sinto que a minha alegria de viver e de criar coisas do nada está de volta.

Nas fotografias acima está a minha gola Honey Cowl, receita de Antonia Shankland, feita com duas meadas de lã Trianon da Lopo Xavier, cor mostarda.

Adorei tricotar esta gola! Comecei-a para mim, mas à medida que a ia fazendo começou a surgir a imagem da minha querida amiga T., que este verão viu a sua vida revirada de cabeça para baixo. Quis oferecer-lha porque ela é linda e fofa e também para que saiba que não está sozinha! Espero que goste!

Agora, nas agulhas, tenho um xaile bastante simples, desta feita para o meu querido Príncipe. Em breve partilharei mais sobre este projecto.

Por falar em tricot, adicionei três datas à página de workshops de tricot aqui no atelier, em Lisboa. Agora que o tempo começa a arrefecer, as agulhas voltam a chamar! Datas e inscrições aqui.

(E se quiser aprender a bordar, para além de tricotar, fica aqui o meu convite para se vir inscrever no curso gratuito de bordado que estou a preparar. As inscrições estão abertas!)

You think embroidery isn’t for you

Testing #embroidery stitches for August's #airembroideryclub project. My first time embroidering a #castle!

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I thought that, too. Maybe you had a similar experience to mine: when I was a kid in school, I had so many cross stitch projects in one year I cannot even tell you how much I grew to despise it. I don’t know what it was at the time: maybe the curriculum was very cross stitch intensive? Maybe the designs were uninteresting? Or maybe it was just my age at the time?

Then, many years later, as an adult, I started embroidering my own designs. I started with hand lettering I embroidered free hand, using back stitch, which was the stitch I thought (and still think) best emulates on fabric the line a pen makes on paper. (I made several baby blankets I sold under my abbrigate* brand.)

I tried to stay away, as much as possible, from what I remembered to have been a bad cross stitch experience, with old-fashioned designs. I created mine, either directly while embroidering, or roughly on paper, before I stitched them. Suddenly embroidery became a great medium for me, one that takes time and allows me, because of its slow speed, to be guided by the movement itself.

I don’t know about you, but I like the time an embroidery takes to be completed, which is also the time it allows me to think, to change course, to make creative decisions whether or not to go this or that way. Embroidery allows me the time to think about other stuff too, maybe about issues I’m having in my life, or maybe just remember a vivid dream that quickly was forgotten.

Through embroidery I’m able to be in contact with myself, to carve out a little space where nothing else matters. And maybe in real life it’s no longer than ten minutes, but to me, while I’m stitching, it feels like hours of pure, relaxed pleasure.

Maybe my next challenge is to incorporate cross stitch into this new embroidery chapter of my life, and make it as fun and expressive as all the other stitches I use and love.

How about you? Do you have any activities you were forced to do back in school? How do you deal with them now?

If you’re like me and feel like turning a new page in the book of your embroidery life, join us at the air Embroidery Club. Prices will increase on September 1st, 2015, so do join our lovely community today at the current price.

*

Pensa que o bordado não é para si? Eu também pensava isso. Talvez tenha tido uma experiência semelhante à minha: quando andava na escola, em miúda, tive de bordar tantos projectos em ponto cruz que simplesmente passei a detestá-lo com todas as forças. Não que o ponto em si fosse feio. Mas… não sei, terá sido a quantidade de ponto cruz que tivemos de fazer? Ou os desenhos antiquados que acabei por bordar? Ou seria só a minha idade?

Muitos anos mais tarde, já adulta, tudo mudou. Comecei a bordar os meus próprios desenhos, primeiro letras manuscritas, bordadas à mão levantada sobre tecidos que me interessavam mais. Com o ponto atrás, aquele que ainda hoje considero melhor reproduzir no tecido a linha da caneta no papel, bordei várias mantas para bebés, com tecidos muito variados, que vendi através da minha marca abbrigate*.

Tentei manter-me afastada daquilo que me lembro ter sido uma experiência desgastante com o ponto cruz e os seus habituais desenhos antiquados. Para isso, criei os meus próprios motivos, às vezes directamente no tecido, outras vezes com alguns esboços por alto no papel. E assim, sem mais nem para quê, o bordado tornou-se numa forma de expressão de que muito gosto, pois pela sua velocidade de execução – baixa! – permite-me pensar, reflectir, ir tomando decisões criativas sobre a direcção que quero dar ao projecto. Por vezes quase sinto que a agulha tem vontade própria e comanda a linha.

Gosto desse aspecto que o bordado tem: o tempo que demora é tempo que tenho para mim, para contactar com o meu íntimo, para pensar no que quero fazer, para onde quero ir. Cada ponto é quase como um momento em que o tempo pára. Tenho a oportunidade de reflectir sobre o projecto em mãos, sobre a vida em geral, lembrar-me daquele sonho tão límpido que tive e que imediatamente esqueci.

Com o bordado, e por causa do bordado, consigo criar pequenos momentos só para mim, momentos em que me concentro exclusivamente no trabalho em mãos e em que parece que o mundo à minha volta desaparece. Talvez não sejam mais que dez minutos, na vida real, mas eu sinto-os como pequenas eternidades de alheamento feliz.

Suponho que um desafio próximo, para mim, poderá ser incorporar o ponto cruz nos meus projectos actuais, um pouco para ver se a minha aversão é ao ponto em si, se a tudo o que, na minha fantasia, vem agarrado a ele.

E o caríssimo leitor, ou caríssima leitora? Tem alguma actividade no seu passado que a deixou inoculada para todo o sempre? Tenciona mudar a sua relação com a dita actividade?

Se, tal como eu, tiver vontade de abrir uma nova página no livro bordado da sua vida, junte-se ao Clube de Bordado air. Para além de passar a receber uma receita de bordado por mês (há quem lhe chame “poção para relaxamento imediato”!), terá também acesso a um grupo muito fofo que adora bordar e tudo o que tenha que ver com têxteis. A partir de 1 de Setembro de 2015, os preços para aderir ao Clube vão aumentar, pelo que não perca a oportunidade de o fazer até lá pelo preço actual.

You’ve been waiting too long

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You’ve been waiting to start making things for too long.

I know I have.

After a while, I start to feel the itch to make again. Maybe it happens because I look at some supplies (hello pastel crayons, it’s been way too long!), or see a picture of yummy knitting yarn on my instagram feed. Sometimes I pass by my local yarn shop and marvel at the colors. Sometimes I go by my favorite street and see the shop windows and imagine all the embroidery floss inside, waiting for me. The need to make something with my hands starts creeping in, like weed through the cracks on a wall of to-dos.

But then life happens, and I’m in a hurry to get to the studio, or to get home to be with my baby, and suddenly days go by and I haven’t started anything, I haven’t felt the satisfaction of seeing a project grow between my hands.

When I feel that pang of frustration, I know it’s time to do something about it.

When rushing from one place to the other, I try to envision what it is that I want to try my hand at. Do I want to start sewing? Do I need to get back to my paints and canvas? Do I need something small and portable? Something I can take with me anywhere? Something that does not need a lot of logistics?

That’s my first step: to find out what I want to make. Believe it or not, it’s a big part of the project.

When I set my mind on the project I want to pursue, I use my commute to mentally gather the supplies. What do I need to get? What do I already have? How am I going to solve this problem? Or that other one?

And when I finally have those ten minutes while the baby plays by herself, I can execute. I know what I want to make, I know the supplies I need, and that means I can roll my sleeves up and get elbow deep into my project.

And it’s amazing how ten (very fast) minutes can give me a sense of accomplishment and happiness, just because I took a step – be it a tiny one, or a large one – towards making. And making? It makes me happy.

How about you?

(Hey, just a reminder that the price for the air Embroidery Club will go up on September 1st. To join our lovely, friendly, supportive community of makers at the current price, do so today! We can’t wait to have you there. And you know what? Embroidery is a great way to take your “making” with you wherever you go!)

*

Há demasiado tempo que quer começar algo novo. Não há?

No meu caso, sim: há demasiado tempo que quero encetar um novo projecto; e tão pouco tempo para tudo o que quero fazer.

Há momentos da vida em que os dias passam a correr e nós, presos a todas as obrigações, andamos de um lado para o outro, numa correria, sem nos permitirmos pensar duas vezes sobre o assunto. Mas a vontade de fazer, em mim, manifesta-se de forma sorrateira. Começo a sentir a aparecer a vontade de fazer, como se de um pedacinho de erva, entalado entre duas grande pedras, se tratasse. Vejo as cores dos meus pastéis secos, guardados no armário; vejo um novelo lindo de lã no instagram; toco num tecido, ou sinto o relevo de um bordado na polpa dos meus dedos. Há dias em que passo na minha rua favorita e penso na paleta de cores de fio de bordar lá dentro das retrosarias, à minha espera. E sinto essa vontade de fazer.

Mas como fazer esse fazer acontecer? Os dias passam-se entre casa, bebé, atelier. Sem que eu dê conta já é fim do dia, outra vez, hora de jantar, banho e cama. Passa num instante. E de repente passou demasiado tempo desde que senti a satisfação de completar um projecto meu, feito por mim, com as minhas mãos.

Quando sinto essa frustração, sei que é o momento certo para avançar.

Começo por aproveitar aqueles momentos em que espero o autocarro para voltar a casa, ou vou a caminho de uma reunião, para pensar no projecto que quero encetar. Que quero experimentar desta vez? Quero brincar com os meus pastéis secos? Ou tricotar uma gola? Será que é das minhas tintas e pincéis que tenho saudades? Ou quero bordar um tecido? Quero algo que requeira alguma logística? Ou algo portátil, que venha comigo para todo o lado?

Esse é o meu primeiro passo, e por incrível que possa parecer, é quase metade de todo o projecto.

Quando decido qual o caminho, uso os pedaços de tempo para reunir mentalmente os materiais que preciso: quais já tenho? Quais preciso comprar? Onde os encontrar?

E chegado o dia em que tenho aqueles breves dez minutos enquanto a bebé brinca sozinha… nesse momento eu posso, simplesmente, arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Porque já sei o que quero fazer, já reuni os materiais, todos os preparativos estão feitos para, simplesmente, pôr mãos à obra.

É incrível quão rápido passam esses dez minutos e, ao mesmo tempo, a sensação de satisfação que tenho por os ter aproveitado bem, a ser feliz. Porque eu sou feliz a fazer coisas com as minhas mãos, e todos os passos, por pequenos que sejam, me aproximam dessa meta. Podem ter sido só dez minutos, mas valeram por mais, pela alegria que me trouxeram.

Passo a palavra ao caríssimo, ou caríssima, leitor. Que o faz feliz? E que passos dá para ser feliz?

(Antes de me despedir esta semana, quero só recordar que o preço para aderir ao nosso Clube de Bordado air vai subir no dia 1 de Setembro de 2015. Inscreva-se hoje mesmo para se juntar à nossa comunidade de gente amiga pelo valor actual. E sabe que mais? Os projectos bordados são óptimos para levar de um lado para o outro e satisfazer o “bichinho” do fazer em qualquer lugar e a qualquer momento!)

Wait, what?

Meanwhile, in the #hongkong harbor... #rrgoeast

Walking the walk in #Dubai #dxb #rrgoeast

Other times, summer looks like this. (The yoga retreat we attended last weekend.) #perfectblue #portugal #p3top

July's project for the #airembroideryclub is now ready, yay! Soon will be landing on members' inboxes. To join, visit http://www.airdesignstudio.com/embroidery-club/ #embroideryisforeveryone #embroidery #dscolor #dstexture

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It’s July already! What happened to the first half of 2015?

When I think that, I try to look back and see what I have done in the first six months. I remember talking about this with a friend, back when I lived in Argentina, about how time passes so quickly while we are immersed in our daily routine. To counteract that, what we have to do is to create lots of activities and special events to make time appear to slow down.

And so I look back and think: we did have a wonderful time in the first six months of the year. Our baby became one; she went from being fed to being an autonomous young lady who wants to eat by her own means. We traveled to Asia with her, and revisited the city where I lived as a teenager. I embroidered many projects, many of them for the air Embroidery Club, some of them for a personal project I’m working on. And, among other things, we ran a crazy successful fundraiser in memory of our son Daniel in the last month (thank you all for your help).

That’s a lot for the first six months of the year.

Looking ahead on the new semester, I’m working on improving the air Embroidery Club and relaunching it in the Fall. I want to reach more people and make it a better community for everyone. So I would like to ask you, dear reader, what would you like to have in the Club for you to join us? Please leave a comment or send me an email.

But right now all I can think about is the summer. You too?

*

Nem acredito que já estamos em Julho! Pensar que a primeira metade do ano já passou…!

Quando o tempo parece passar rápido demais, gosto de olhar para trás e ver todas as coisas que fiz. Lembro-me de ter esta conversa com uma amiga, que me recomendava criar oportunidades de sair da rotina, como forma de contrariar esta sensação de tempo que se nos escapa.

Quando olho para trás, vejo que nos últimos seis meses a nossa boneca deixou de ser uma bebé e se transformou numa menina; de precisar de ser alimentada passou a ser uma senhora autónoma, que quer comer com as suas próprias mãos. Viajámos pela Ásia com ela, e visitámos a cidade onde passei a minha adolescência (e que bom foi!). Bordei muitos projectos, alguns para o Clube de Bordado air, outros não. E no último mês, entre outras coisas, promovemos uma campanha de angariação de fundos em memória do nosso bebé que foi um êxito estrondoso (obrigada, obrigada a todos!).

É bom ver as coisas desta perspectiva! O ano parece mais preenchido, mais rico.

Olhando para o futuro próximo, estou a trabalhar intensamente para melhorar o Clube de Bordado air e fazer o seu relançamento no Outono. Para isso preciso da vossa ajuda, queridos leitores: que gostariam que o Clube tivesse para aderirem? Por favor deixem um comentário ou mandem-me um email.

Mas de momento, sou honesta, já só consigo pensar no Verão… e vocês?

Go get all the freebies I prepared for you. Join our community and get access to them. Adira à nossa comunidade e aceda a todos os conteúdos gratuitos para assinantes!

Why I love the air Embroidery Club

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The air Embroidery Club is almost two years old – it will be two in September 2015. I’ve been having a lot of fun with it, and I thought I’d share why with you.

There are many reasons, but I will try to narrow them down to three: community, challenge, results.

This may sound artificial, but it’s true: we’re friends. The Club has created a supportive community of people who, living in different countries, have the passion for making in common. I know some of the members personally, but many I don’t, and yet I feel that we are friends. These are people who have always had a word of support towards one another, and towards me. And for that I am forever grateful.

Every month I strive to create an interesting embroidery template for the members. This means that each design needs to be challenging enough to entice members and keep them engaged, at the same time that it must not be too complicated, because people are busy and who needs yet another complicated thing in life? I try new stitches and techniques, I learn about different traditions around the world. It’s fun, interesting for the avid learner in me, and a challenge that I look forward to every month.

As a result of being part of the air Embroidery Club, many members have reported to feel more inspired. The sense of achievement after completing a project makes them (and me!) feel empowered and happy, knowing that they are able to create things of beauty on their own terms. Members tell me that after having joined the Club, they feel more eager to try their hand at other crafts and textile arts – and isn’t that what empowerment is about? Believing that you can, indeed, do something you thought you couldn’t?

Over to you: how does your favorite craft or pastime make you feel? Leave a comment below or send me an email.

P. S. Are you thinking about joining the air Embroidery Club? Keep in mind that prices will rise in September, so if you’re on the fence about it, do it now to enjoy the current rates. It will be great to have you with us!

Pictured above, air Embroidery Club members’ pictures of projects. Please click here to see these images on Instagram with links to the members.

*
O Clube de Bordado air está prestes a celebrar o seu segundo aniversário! É já em Setembro de 2015 que o Clube faz dois anos e a experiência tem sido tão boa que pensei que seria interessante partilhar o porquê aqui convosco.

As razões são várias, mas hoje vou concentrar-me em três: comunidade, desafio, resultados.

Pode soar forçado, mas é a verdade: somos amigos. O Clube criou uma comunidade de pessoas que se apoiam umas às outras, apesar de viverem em pontos diferentes do globo. A paixão comum que temos por fazer coisas aglutina-nos. Conheço alguns dos membros pessoalmente, mas sinto que todos são amigos. São pessoas que têm sempre uma palavra gentil, de apoio, para oferecer, não só a mim como aos restantes membros. E isso deixa-me com uma imensa sensação de gratidão.

Todos os meses me esforço por criar uma receita de bordado que seja interessante para os membros. Isto significa criar algo que seja um desafio e que mantenha os membros empenhados no projecto, ao mesmo tempo que não pode ser demasiado complexa, pois já todos temos suficiente complexidade na vida! Todos os meses tento introduzir algo de novo, seja um ponto, seja uma técnica. Para isso procuro investigar sobre outras tradições de bordado aquém e além fronteiras. Como adoro aprender coisas novas, este é um desafio que muito me agrada.

Como resultado de pertencerem ao Clube de Bordado e de fazerem os projectos, vários membros me confessaram sentir-se mais inspirados. A sensação de “prova superada” fá-los sentir capazes, felizes, sabendo que podem criar beleza com as suas próprias mãos, à sua maneira. Contam-me vários membros que depois de terem aderido ao Clube sentem mais curiosidade e vontade de experimentar outras áreas nos têxteis, áreas essas que não teriam ousado experimentar antes, pois pensavam ser incapazes. E isto, acreditar que se é capaz quando antes se pensava não ser, não tem preço!

Passo a palavra ao leitor: como é que o seu passatempo favorito o ou a faz sentir? Deixe um comentário abaixo ou responda por email.

P. S. Se estiver a considerar aderir ao Clube de Bordado, tenha presente que os preços vão aumentar a partir de Setembro. Até lá, poderá aderir com as condições actuais. Venha, vai ser óptimo tê-lo ou tê-la connosco!

As fotografias acima são de projectos dos membros do Clube de Bordado air. Se preferir, clique aqui para ver as fotografias com links para cada um dos respectivos autores.

Silk threads of the past

We're lucky here because we have a "haberdashers' lane", filled with exactly that. Rua dos Retroseiros, aka Rua da Conceição. #lisboa #Lisbon #portugal #p3top

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An update on the fundraiser in memory of our son Daniel: thanks to you, we have been able to double the initial goal. The campaign is on until June 21st, and until then please keep sharing the link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) with your contacts by mail and social networks and donating, if you can. We have scheduled a meeting with Operação Nariz Vermelho to personally deliver this fantastic donation to them. We will keep you posted. Thank you, thank you!

After having lived in the New World for six years, I feel that Lisbon has layers and layers of little treasures, hidden in plain sight, waiting to be (re)discovered.

As was customary in many medieval cities, downtown Lisbon’s streets had unofficial names describing the craftspeople trading there. One of my favorite streets in the city is the haberdashers’ street (how unexpected, right?), officially known as Rua da Conceição, where to this day about ten different haberdashers are located. Entering one of these is nothing short of stepping into a cave full of treasures, where everywhere you look there’s an interesting notion or supply to see.

A few weeks ago I started feeling the itch to experiment embroidering with silk thread. I discussed it with the members of the air Embroidery Club and thought about running an online research to find some options. But then I remembered I shouldn’t purchase anything online until I had made a proper expedition to our local haberdashers’ street, which I finally did last Friday.

This was another travel back in time experience for me. These shops are mostly the same way they were in the beginning of the twentieth century, and the inventory may or may not date back to that time, too. So it’s all a matter of perseverance – and a bit of luck – until you find what you wanted (or even better).

In the second shop I found what I was looking for: beautiful embroidery silk threads of two different brands, one national, one from the UK. Both brands discontinued, these were the remnants of a decades old inventory. The factories themselves have been shut. These threads? These would probably be impossible to find online, and even if they are available that way, there’s nothing like seeing them in person. Online shopping is great, and convenient, but it’s not the same as rolling up your sleeves and diving into the treasures hidden in local, traditional shops.

I love Lisbon.

*
This was the juice of my expedition downtown, looking for #silk #embroidery floss. Found delicious treasures, only to be disappointed that these have been discontinued and the factories closed. Can't wait to work with them!

Antes do post desta semana, uma actualização da campanha de angariação de donativos em memória do nosso bebé Daniel: graças à ajuda de todos, conseguimos duplicar o nosso objectivo inicial, o que é absolutamente fantástico. A campanha dura até ao dia 21 de Junho, e por isso peço-vos que nos continuem a ajudar partilhando o link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) com os vossos contactos, por mail e nas redes sociais; e também fazendo um donativo, se possível. Já temos uma reunião agendada com a Operação Nariz Vermelho para irmos pessoalmente entregar o nosso donativo colectivo. Bem hajam!

Após seis anos a viver no Novo Mundo, noto que Lisboa tem pequenos grandes tesouros escondidos à vista de todos, à espera de serem descobertos. Os retroseiros da Rua da Conceição – ou dos Retroseiros – são disso exemplo. Entrar numa destas lojas é como chegar à gruta do Ali Babá, repleta de tesouros.

Há umas semanas atrás comecei a sentir vontade de experimentar bordar com fios de seda. Depois de começar com o de algodão e ter experimentado o fio metálico (com quem mantenho uma relação de amor-ódio), chegou a vontade de experimentar uma fibra diferente. Falei desse assunto com os membros do Clube de Bordado air e parti para a pesquisa online. Até que me lembrei que não deveria encomendar nada sem antes visitar o epicentro do universo retroseiro, ali na Baixa Pombalina. A minha expedição foi na sexta-feira passada, e foi uma viagem coroada de êxito e de plena de novas experiências para contar.

Entrar nestas retrosarias é entrar num mundo sem pressas, onde antes de escolher se vê, se toca, se sentem as opções. Comparam-se cores, tecidos, texturas. Vem-se à janela, para ver à luz do dia, e espreita-se debaixo da luz artificial. De lá de dentro, do armazém, vêm tesouros, caixas com fios de seda, “trago-lhe tudo o que temos, menina, ora veja lá”. E foi assim que me deliciei a escolher, com vagar, os fios de seda que adoptaria como meus. Somos felizes, agora, os meus fios de seda e eu.

Os fios de seda que comprei são de duas marcas que já morreram, feitas em fábricas que já fecharam. São restos de um catálogo com muitos anos, de uma encomenda que nunca voltará a ser feita. E por isso ainda mais preciosos.

Não há dúvida de que as compras online são práticas, e aproximam-nos de materiais aos quais não teríamos acesso de outra forma. Mas nada bate as compras no comércio tradicional, nada bate sentir o toque e o brilho dos fios. Nada.

E é também por me proporcionar estas experiências que eu adoro Lisboa.

While waiting

On Tuesday I had an 8 minute wait for the bus. I was going to grab my phone for some mindless browsing, but my hand reached my #sketchbook instead and this #sketch happened. This prompted a reflection, soon to be up on the blog

A few pages from my #sketchbook . All sketches made while waiting. #moleskine #mymoleskine #dslooking #illustration

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A quick update on the fundraiser in memory of our son: THANK YOU. We have now doubled our initial goal, and it’s all thanks to you. Please keep helping us by sharing the link to the campaign’s page (http://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you can. 

Last Tuesday, I got to my bus stop and learned that it would be another eight minutes until my bus arrived. My first and immediate reaction was to reach for my phone, for some mindless browsing. But my hand got my sketchbook before, and so I started a sketch of the view from where I was, something I see every weekday it became banal a while ago.

There’s this thing that happens when we become accustomed to what we see around us: we stop noticing. We don’t notice when those beautiful, hand painted tiles were ripped from the façade (a sad phenomenon here in Lisbon!); we don’t notice when a shop permanently closes. We don’t notice the gradual passage of time, and the turns that the things around us take, sometimes for the better, sometimes for the worst.

We only notice when the change is big, either within us, or around us.

What cures me from the not noticing syndrome is sketching. Because when I’m sketching I look at lines, at how and where they intersect. I compare what my brain believes is correct and what my eyes see – most often, the two do not coincide.

And so I sketch.

On this post, there are several sketches on my sketchbook, all of them made while waiting for something. They are all quick sketches, specially those with people (because people move). And looking at them, I realize that waiting does not need to be wasted time. Actually, it can become something, a moment here and there that are stolen to improve my skills. And to notice.

How about you? What do you do when you are forced to wait?

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A few pages from my #sketchbook . All sketches made while waiting. #moleskine #mymoleskine #dslooking #illustration

Antes de mais, quero fazer uma actualização relativamente à campanha de angariação de donativos em memória do nosso bebé Daniel. MUITO OBRIGADA A TODOS. Hoje atingimos o dobro do nosso objectivo inicial, e é tudo graças à vossa ajuda. Por favor continuem a partilhar o link da página da campanha (http://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se possível, façam um donativo (as instruções estão lá todas). OBRIGADA! 

Esta terça-feira, ao chegar à minha paragem de autocarro vi que teria de esperar oito minutos até à chegada do próximo veículo. A minha primeira reacção foi procurar o telefone, para um pouco de navegação de cérebro desligado. Mas a minha mão, às escuras dentro da carteira, agarrou o meu bloco de desenhos, e trouxe-o para a luz do dia. Comecei então um desenho rápido sobre o que via à minha volta, uma vista banal por se repetir diariamente.

Há algo que acontece connosco quando nos habituamos àquilo que vemos: deixamos de reparar. Estratégia do cérebro para navegar economicamente a realidade, imagino eu, deixamos de notar a degradação gradual dos edifícios que nos rodeiam, não nos apercebemos dos azulejos lindos que já lá não estão e que foram arrancados por gente interessada em vendê-los aos turistas e ganhar uns cobres. Não notamos a retrosaria que fechou, ou a banca de fruta que já lá não está.

Só voltamos a reparar quando há uma mudança grande, seja dentro de nós, seja no ambiente que nos rodeia.

O meu antídoto para o síndroma de não reparar é desenhar o que me rodeia. Com a caneta na mão, em vez de olhar para o conjunto, olho para o detalhe: como e onde se intersectam aquelas linhas? Desenhar é um exercício em ignorar aquilo que o cérebro acha que é verdade e valorizar aquilo que os olhos vêem.

Por isso, desenho para recordar.

Neste post estão vários desenhos feitos enquanto esperava por algo. São todos desenhos rápidos, até porque, como é sabido, as pessoas mexem-se. Olhando para eles vejo que as esperas não precisam de ser tempo perdido, pelo contrário: podem tornar-se tempo útil para melhorar as minhas habilidades, para exercitar o olhar.

E o meu caro leitor? Como encara os momentos em que tem forçosamente de esperar?

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Thank you, thank you – an update on the fundraiser in memory of our son

Ecstatic and overwhelmed with your generosity regarding the fundraiser in memory of our son. Trying to stay calm with the help of #embroidery #airembroideryclub

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Thank you, thank you, thank you. These are the words I can muster in the midst of all these emotions. Last Friday, we celebrated the one year anniversary of the death of our baby boy, and launched a fundraiser in his memory, to benefit the Portuguese Red Nose foundation. Our goal is to make a donation of 2000€. And guess what? We’re two thirds of the way there, in just these very few days. I have no words to describe our gratitude.

On Saturday, as I was seeing the notifications of your donations landing in my inbox, I couldn’t help being overwhelmed with many emotions – so I turned to a little embroidery to calm me down. (It’s June’s project over at the Embroidery Club, and this time it’s an actual garment I’m embroidering on!)

Please keep helping us by donating, if possible, and sharing the fundraiser page with your own networks, via email and social media (the URL is very easy: http://www.airdesignstudio.com/daniel). And please keep checking the page to see the updated amount raised.

Thank you.

*

Bem hajam, queridos leitores. No meio de todas estas emoções, fica difícil articular muito mais do que o nosso sentido agradecimento pelo vosso imenso e generoso apoio. Na sexta-feira passada celebrámos o primeiro aniversário da morte do nosso bebé Daniel e lançámos uma campanha de angariação de fundos para que possamos fazer um donativo, em memória do Daniel, à Operação Nariz Vermelho. Nestes poucos dias, e graças à vossa ajuda, já atingimos dois terços do nosso objectivo!

Foi com imensa emoção que no Sábado, enquanto via as notificações de transferências e de donativos via PayPal a chegarem à minha caixa de correio, tive de me acalmar com um pouco de bordado. (Desta feita, o bordado de Junho do Clube de Bordado. É a primeira vez que bordo uma peça de roupa!)

Por favor continuem a ajudar-nos a espalhar a palavra: a campanha continuará a decorrer até ao dia 21 de Junho, e quanto mais dinheiro angariarmos, mais crianças vamos poder ajudar. Se puderem, façam um donativo; e partilhem por mail e nas redes sociais, por favor, a página da campanha, que tem o seguinte link: http://www.airdesignstudio.com/daniel

Bem hajam!

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In memory of our son.

Um aniversário muito especial passado num lugar muito especial, o #oceanário de #Lisboa #lisbon #Portugal #p3top #tile #pattern

Ler em português
Today is a very important day. Yesterday was a very important day, too, so much so that we took the day off and spent it with our sweet birthday girl, who turned one yesterday. We spent a lovely day visiting the Lisbon Oceanarium. It had been ages since I last went, and it is fantastic and definitely worth a visit if you’re in town.

But today marks the one year anniversary our sweet boy died. He was born twenty minutes after his sister, and lived only a few hours. One year ago today I lived the worst day of my life. I am incredibly thankful to be here and now, and not then and there, as we all have come a very long way in processing our grief, while watching our girl develop and become the happy one year old she is today.

We celebrated her yesterday, and today it’s the moment to remember Daniel. We gave a lot of thought to how we would like to commemorate his life, and came to this conclusion: we will be running a fundraiser for the next thirty days. Our goal is to raise 2000€ to benefit the Portuguese non-profit organization Operação Nariz Vermelho.

To achieve this goal, we need your help, dear readers. Please help us by

Thank you, thank you. The support of this community means the world to me.

*

Hoje é um dia muito importante. Ontem também foi, tanto que tirámos o dia para estar com a nossa pequena aniversariante, que completou ontem o seu primeiro ano de vida. Passámos um dia óptimo, com uma visita ao Oceanário de Lisboa. Há muito que não ia, e continua a ser um lugar fantástico para visitar (desejei ser criança outra vez para ir lá dormir com os tubarões!).

Mas hoje celebramos também o primeiro aniversário da morte do nosso rapazote. Nasceu vinte minutos depois da irmã e viveu apenas algumas horas. Este foi certamente o pior dia da minha vida, e hoje estou incrivelmente grata por estar aqui e agora, e não nesse momento fatídico. Foi um ano de muitas emoções e em que fizemos um longo trabalho de luto, ao mesmo tempo que acompanhámos o crescimento da nossa bebé, que hoje é uma menina feliz, já com um ano.

Ontem celebrámos o aniversário da nossa bonequinha, e hoje é momento de recordarmos o Daniel. Depois de muito pensarmos, decidimos organizar uma campanha de angariação de fundos para fazermos um donativo, em memória do Daniel, à Operação Nariz Vermelho.

O nosso objectivo é angariar 2000€, e para o atingirmos precisamos da vossa ajuda:

Muito, muito obrigada a todos vós. Não tenho palavras para agradecer o apoio e o carinho que me têm dispensado e que tanto me ajuda!

Baby blanket: complete!

I do not condone graffiti (only of the knitted kind). #knitting #lisbon #lisboa #jardimdaestrela

Just before leaving for our vacation, on the day of the flight, actually, I woke up a bit before my two sweeties and got to work: I had a blanket to finish! I was so close to completing it, just a few ends to weave in and two tassels to make, I wanted to get it done before leaving. So I did.

I only got around to photograph it last weekend, but here it is: the first item I knitted for my daughter, a baby blanket. It’s Purl Soho’s Colorblock Blanket (ravelry details here), knitted with 14 hanks of 10 different colors of Lopo Xavier’s Phoebus wool yarn.

This has been such an important project for me. Those of you who just joined this community may not know, but this has been a pivotal blanket in my healing process after the birth of my twins and the death of my baby boy, almost one year ago (it will be one year next week). For several months after the trauma, I didn’t feel like picking up my needles and this project was the first one after taking up knitting again.

It has accompanied me during the last few months, and every new color marks a new stage in my healing. It’s a simple enough project that I felt like knitting, and interesting enough to keep me motivated with its different colors.

And the yarn, have I mentioned the yarn? It’s lovely, lovely, not as soft as merino, no, but certainly soft and squishy that I want to keep the blanket in close contact with my skin – I mean, ahem, I want to use it all the time to cover my daughter.

I wrote and posted pictures about knitting this blanket in multiple occasions: here, here, here, here.

How about you? How do you feel when you finish something you are making (baking, knitting, sewing, crafting…)?

*

Baby #blanket: finished! The weather is now too hot for a woolen blanket, but there's always next winter (and many more, I hope). Soon to be on the blog (or in your mailbox, if you signed up for email updates). #knitting

Terminei a manta! Sim, terminei a primeira mantinha que tricotei para a minha bebé, precisamente no dia em que partimos para as nossas férias no Oriente. Já me faltava tão pouco para terminar – umas pontas para rematar e duas franjas para fazer – que não queria mesmo ir embora sem deixar esse assunto “arrumado”. E assim foi. Levantei-me antes dos meus queridos e terminei o que faltava e bum!, sem saber ler nem escrever tinha a mantinha da minha fofinha terminada.

Com a viagem, e todos os afazeres que normalmente nos aguardam quando voltamos a casa, só consegui fotografar a manta no fim-de-semana passado, num passeio muito divertido com os meus queridos no Jardim da Estrela. Houve patos afugentados e algum perigo e mistério, mas conseguimos registar a primeira peça que tricotei para a minha bebé. A receita é “Colorblock Bias Blanket da loja Purl Soho de Nova Iorque Colorblock Blanket ( todos os detalhes no ravelry), tricotada com 14 meadas de 10 cores diferentes da lã Phoebus da Lopo Xavier, no Porto.

Este projecto foi – é! – tão importante para mim. Os leitores mais recentes talvez não saibam que esta mantinha tem sido um ponto de viragem no meu processo de luto após o nascimento dos meus gémeos e da morte do meu rapazote, há quase um ano (um ano na semana que vem). Apesar de ser uma tricoteira fanática, não tive a menor vontade de pegar nas agulhas durante vários meses após o trauma. E este foi o primeiro projecto que me fez retomar o prazer do tricot.

Esta manta tem-me acompanhado durante os últimos meses, e cada nova cor marca uma nova etapa do meu processo de luto e recuperação. É um projecto simples o suficiente para me motivar para o tricot, e interessante o suficiente para não o abandonar a meio (se bem que eu não sou de abandonar projectos a meio, mas uma pessoa fica virada do avesso).

E a lã, já falei aqui da lã? É maravilhosa, fantástica. Não tão suave quanto o merino, é certo, mas suave e fofa o suficiente que desejo tê-la sempre colada à minha pele. Digo, a cobrir as pernocas da minha bebé, que é para quem a mantinha foi feita. Aham. Se é que me faço entender. 😉

Já aqui escrevi (e partilhei fotos) sobre esta manta em várias ocasiões: aqui número 1, aqui número 2, aqui número 3, aqui número 4.

E o meu caríssimo leitor? Que projecto terminou recentemente? E como se sentiu? Quero saber tudo (por mail ou comentário abaixo). Obrigada!

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Last week we went to the opera

Looking around me in the opera house, the Teatro Nacional de São Carlos, I saw #pattern everywhere. #lisboa #lisbon #p3top

When our president ones to the opera, he gets to see it from here. Wouldn't it be fun to watch from there? #lisboa #lisbon

And I loved it, for many reasons. We went to see La Cenerentola, by Gioachino Rossini, an opera we watched on tape, as kids. We left the baby at home and got ready to enjoy an evening out.

Everything was delightful: the opera house, our Teatro Nacional de São Carlos, officially opened in 1793 and is still a beautiful building. It has an old time charm impossible to replicate in newer buildings. There are patterns everywhere, beautiful details wherever my eyes looked. When entering the building I somehow expected to see women with puffy dresses and men wearing wigs.

When the show started, the music itself made me travel in time, this time to my childhood (which took place in a closer decade, albeit not in this century). I discovered that I still remembered certain stretches of music, tiny bits of text here and there. At one point I had to stop myself from singing along: I wouldn’t want to ruin the experience to the other people in the audience!

It was magic and fun, and I hope to be able to go again sometime soon.

How about you? Did you do something different lately? Anything that took you traveling back in time?

P.S. – Did you read about the air Embroidery Club over at Portugalize.me?

*
More #patterns everywhere, this one during the intermission. #lisboa #lisbon

Looking up, beautiful #type (and more). #listype #lisboa #lisbon  #p3top #pttype

Na semana passada fomos à ópera, ao nosso São Carlos, para ver La Cenerentola, de Gioachino Rossini, uma ópera que víamos, em crianças, em VHS (que é uma tecnologia tão século passado!).

Tudo, neste serão espectacular, foi maravilhoso: o São Carlos, inagurado em 1793, só por si é um edifício lindo, com um charme impossível de replicar em edifícios mais modernos. Onde quer que os meus olhos pousassem, havia detalhes lindos, deliciosos. Ao entrar, confesso que quase, quase esperei ver homens com longas perucas brancas e mulheres com vestidos de saias largas.

Quando a ópera começou, a viagem no tempo levou-me à minha infância (que aconteceu numa década mais próxima, ainda que no século passado). Não pensei que fosse possível, mas ainda me lembrava de alguns trechos – e dei por mim a ter de controlar a minha vontade de “acompanhar” os cantores! Não quero arruinar a experiência da ópera a ninguém…

Foi mágico, lindo, magnífico, e espero poder voltar em breve.

Passo-lhe a palavra a si, caro leitor: que viagem fez no tempo ultimamente?

P.S. – Esta semana estou no Portugalize.me a falar sobre o Clube de Bordado!

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On identifying as an artist

About dreams and what they're made of. A personal #embroidery project in progress. Right now I'm loving to use this metallic floss in a very intuitive, step by step, way. It feels a lot like painting, in the sense that there is no project, and there are n

For the past few weeks, I’ve been reflecting a lot on my work, and how I’m making a deliberate turn into a more artistic path. This turn is scary: how am I going to call myself an artist? How do I dare even think I can make a living out of an artistic pursuit? How can I apply such a big “label” (being an “artist”) to my humble practice?

(This may seem trivial, but my heart is racing while I type this. Please be patient with me.)

Coincidentally, this week I listened to two recordings with Lisa Congdon, a well known artist, author and blogger from the Bay Area, currently relocating to Portland. The first one, her keynote speech at Alt Summit; the second one, a conversation with Srini Rao from the Unmistakable Creative podcast.

In both recordings, Lisa addresses this difficulty of identifying as an artist, and how she felt an impostor because she hadn’t attended art school and was mostly self-taught.

This made me think a lot about whether attending art school was, for me, the necessary validation to identify as an artist. And I must say: NO. Attending art school was not a factor that made me feel confident about that, quite the opposite.

Now, I don’t know how artistic education is in other countries, or even in other universities, so I can only speak of my experience at the Fine Arts Faculty of the University of Lisbon. And my experience was not great. Let me be clear about this: I believe the curriculum was comprehensive and interesting; but in the end it is always about the people, isn’t it?

I had a few excellent professors, and excellent probably does not begin to describe them. They were so keen on having the students learn and explore, they gave their everything to see that happen. Then I had several professors who were good, but not great.

And I had a some very bad professors, who were envious of students’ talents, who saw us as competition, who made sure to show their power in a demeaning way. These were the minority, but unfortunately they were assigned a large part of the curriculum of the last portion of our five year education.

So, no, art school gave me a lot of tools and some very good friends, but it didn’t help me identify as an artist, quite the opposite. These few professors made me feel like I would never ever be good enough, whatever path I would choose. At that point I was already working at a design and illustration studio where my work was appreciated, so I put these men’s words behind my back and carried on working and exploring.

A few years later, in 2007, I moved to Buenos Aires, Argentina. After the initial turmoil, I started taking a painting class, with live model, a supporting group of students of different backgrounds and a wonderful teacher. In his classes, the experience of art was very connected to the enjoyment of making it, and he just assumed that all of us, independent of skill level, were artists. This experience turned out to be pivotal in my enjoyment of making art. I still didn’t consider myself an artist, but I felt wonderful and freer than ever when playing with color and paint. It was fantastic.

Fast forward to a few weeks ago, when I had lunch with a friend and we had a conversation that sparked something in me. In short, it made me embrace embroidery as my new creative medium. Her words made me feel a wave of creative energy and I rushed back to the studio, to start right away. I immediately felt “in the zone”, and felt that flow of stitches forming shapes and things happening both in my mind and on my embroidered fabric. I dared to try something new, and dared to stretch out of my comfort zone. And as much as I still struggle to identify as an artist, I am coming to terms with exploring this new, more “artistic”, expressive, personal path, with my beloved medium of embroidery.

As a kind of conclusion, but not exactly: Lisa ends up mentioning, in her Alt Summit speech, how she had a lightbulb moment when watching a documentary about a famous artist, who, at the apex of his career, still struggled with insecurity about his work. She realized, then, that there may never be a moment when she feels she has “arrived”. I’m glad to know this, because it frees me from pursuing an end, instead focusing on the process of creating and exploring.

*

It's growing, a few stitches a day. #airembroideryclub

Nos últimos tempos, tenho vindo a reflectir bastante sobre o meu trabalho e a fazer uma incursão deliberada num caminho mais artístico. Esta mudança de rumo é assustadora: como é que vou ousar assumir-me como “artista”? E como me atrevo sequer a pensar em eventualmente conseguir ganhar dinheiro e viver de projectos artísticos? Como é que sequer ouso pensar na minha prática como “artística”?

(Estas questões podem parecer triviais, mas o meu coração acelerou enquanto escrevia isto. Por favor sejam pacientes comigo.)

Coincidência (ou não), esta semana ouvi duas gravações com a artista Lisa Congdon, pintora, ilustradora, autora e blogger que vive na costa Oeste dos Estados Unidos. A primeira gravação é o seu discurso de abertura da Alt Summit, no Inverno que passou; a segunda é uma conversa com Srini Rao, do podcast Unmistakable Creative.

Em ambas as gravações, Lisa Congdon fala desta dificuldade de se identificar como artista, e como sentiu o complexo do impostor por não ter frequentado uma escola de artes e ser auto-didacta.

Isto fez-me pensar se, no meu caso, frequentar a Faculdade de Belas Artes teria contribuído de alguma forma para me ajudar a identificar como artista. E não, de todo, pelo contrário.

Como não sei como é o ensino artístico noutros países, aliás, nem sequer noutras universidades portuguesas, só posso falar da minha experiência na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. E a minha experiência não foi magnífica. Vamos ser claros: penso que o currículo era (já mudou) amplo e interessante; mas no final, o que é realmente importante são as pessoas, não é?

Tive alguns professores excelentes, sendo que “excelente” nem sequer lhes faz justiça. Eram tão empenhados e queriam tanto que os alunos aprendessem e explorassem, davam o tudo por tudo para que isso acontecesse. Depois tive alguns professores que foram bons, mas não óptimos.

E finalmente tive alguns péssimos professores, pessoas invejosas do talento e da juventude dos alunos, que viam os estudantes como concorrência e manifestavam o seu poder esmagando aqueles de quem não gostavam. Estes professores foram a minoria, mas infelizmente acabaram por ter um peso bastante grande na última parte do nosso curso de cinco anos.

E por isso, não, frequentar a Faculdade de Belas Artes não me ajudou a sentir mais segura das minhas capacidades artísticas e a identificar-me como parte do mundo da arte, muito pelo contrário. Estes poucos professores procuraram sempre esmagar qualquer impulso criativo que não fosse alinhado com as suas ideias, e sempre se esmeraram por fazer sentir os alunos como incapazes e insuficientes. Felizmente nesta altura já estava a trabalhar num atelier onde me sentia muito realizada e o meu trabalho era apreciado, pelo que consegui pôr para trás das costas a pesada herança destes homens e continuei a trabalhar e explorar pelos meus próprios meios.

Uns anos mais tarde, em 2007, mudei-me para Buenos Aires. Depois do rebuliço da adaptação inicial, comecei a frequentar aulas de pintura com modelo vivo, um grupo de alunos com diferentes experiências e um professor maravilhoso que fazia críticas objectivas e construtivas aos nossos trabalhos. Nas suas aulas, a experiência da arte ia de mãos dadas com o prazer pela arte; foi o primeiro professor que tive que simplesmente assumiu que os que ali estávamos éramos artistas, independentemente das capacidades pictóricas. Este período acabou por vir a ser fulcral no meu percurso, por me permitir contactar com um conceito diferente de “aulas de arte”, e por entender que o prazer ao fazer arte é, esse sim, parte fundamental da experiência artística.

E é aqui que avançamos no tempo até há umas semanas atrás, momento em que tive uma conversa com uma amiga que despertou qualquer coisa em mim: algo nas suas palavras me fez abraçar, sem medo, o bordado como meio de expressão artística. Senti uma onda de energia criativa enquanto falávamos. Regressei a correr para o atelier para começar imediatamente a bordar, para pôr no tecido as imagens que me estavam a surgir na mente. Ao bordar, senti logo essa sensação de fluidez que caracteriza esses momentos de criação; cada ponto, cada imagem parecia fluir através de mim, cabeça, mão, agulha, linha, tecido. Nesse dia, e desde então, tenho ousado tentar enveredar por caminhos desconhecidos para mim e esticar-me para fora daquilo que sei que posso fazer. E por muito que me custe ainda identificar como artista plástica, estou a ganhar a confiança necessária para explorar este caminho mais expressivo e pessoal, através desta técnica que adoro que é o bordado.

Em jeito de conclusão: Lisa Congdon acaba por mencionar no seu discurso na Alt Summit como teve um momento de clareza ao ver um documentário sobre um artista famoso, que, no topo da sua carreira, ainda sentia muita insegurança sobre o seu trabalho. Ela entendeu, nesse momento, que provavelmente nunca vai sentir que chegou a um patamar de segurança. Pessoalmente, parece-me que esta é uma constatação positiva, pois tal como a ela, também a mim me liberta de procurar esse momento longínquo em que vou sentir isto ou aquilo, e focar-me no processo, no que está a acontecer neste momento.

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