Category: knitting

The ironies of knitting

"The principles of knitting", the #knitting bible. Writing up a review of sorts to be posted tomorrow on my blog (or in your mailbox if you're a subscriber)

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An update on our ongoing fundraiser in memory of our son Daniel: it’s going strong, yay! Thank you for your help sharing the campaign’s page link and donating! With your help, we’re almost hitting our stretch goal… with two weeks to go. Please keep sharing the link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you haven’t yet and feel this is a cause you want to support. Our most heartfelt thank you!

Oh, the ironies of knitting!

A few weeks ago I received the amazing book “The Principles of Knitting” as a gift from my dear husband (also known as “Prince” – not the famous singer) and I was delighted. It is, indeed, the bible of all things knitting, and it treats this amazing craft with the care and solemnity it deserves.

Knitting may be a very easy craft to learn; it may be perceived as a craft for old ladies; it may even be perceived as something out of fashion (which it is in the first case; and is not in the second and third cases). Knitting, like English, is easy to learn, at least the basics. Skills like casting on and off, purling and knitting are easy to acquire (I teach them in four hour workshops), and with these basic skills knitters can make almost everything there is to make in the knitting world.

But there are many advanced skills, techniques and bits of information that are accessible once you dig deeper. Very much like English, if you care for that comparison: a basic understanding gets you communicating with most of the people on the planet, but to access a larger variety of vocabulary and master idioms you must dig deeper.

And that is what this book does, it digs deep on all aspects of knitting, from the history of knitting, styles of knitting, techniques, design, patterns, you name it.

It was good to see that the yarn-around-the-neck style is mentioned, albeit as “Spanish” knitting. This is the way we knit in Portugal, and not the most common way to knit in Spain (it is presently very uncommon, I believe). It is also the customary way of knitting in Brazil, a country that shares a large portion of history and traditions with Portugal, and in neighboring countries like Peru and Bolivia. But the author is very careful when naming styles, saying that regional naming is not accurate; she suggests instead to name styles by the way the yarn is held. It makes sense to me!

I’m currently reading the chapter on Gauge and Swatching. To give some context to the non-knitters among you, gauge is the amount of stitches and rows that fit in a certain amount of space (usually, a 4 inch or 10 cm square). Swatches are samples of the knitting pattern a knitter intends to make, to test the combination of yarn, pattern and hands. Swatches are useful to show how a certain fabric will behave before and after dressing (washing and blocking, dry cleaning or pressing), and to give you raw gauge and final gauge (before and after dressing). Through swatching, a knitter can gather a lot of information about the way the garment will look and feel, without investing a lot of time and money in it. Gauge is particularly important if you intend to knit a garment where the resulting size is important, like a sweater. It is not as important if you intend to knit a shawl.

The Gauge and Swatching chapter in this book has got to be the most comprehensive guide to swatching, measuring gauge and analyzing the resulting fabric I have ever read. It is incredibly rich and detailed and it makes a very powerful argument for swatching: you can test many variables with a minimum investment of time and yarn. It explains in detail all the steps from quick test swatches to a final swatch, measuring raw and final gauges, making the math to get an accurate idea of how the final garment will look.

But you know what happens to many knitters (myself included)? We get impatient and when we set our minds into starting a new project, we want to start right away. So swatching and testing for gauge become a sort of obstacle… that’s why I’m not a keen swatcher. I don’t swatch with the scientific curiosity I can perceive from reading the author’s words; I swatch with dread. I want it to be over, as soon as possible. And that, my dear knitters, may or may not have rendered a few surprises in my knitting resumé. Looking at recent past projects, I have come to realize I mostly knit projects where gauge doesn’t matter too much, like a baby blanket. Or a cowl.

And that’s how we get to the ironies of knitting! Because I am knitting a cowl, I didn’t care much about swatching for gauge. And the fact that I’m making my cowl with a different yarn than the one suggested, as I substituted it for a local yarn, didn’t make me change my mind.

I’m knitting the Honey Cowl with the Trianon yarn from Lopo Xavier. It’s a lot thinner than the one suggested, so I went for the larger size. In its original yarn, it was supposed to be a big cowl, one that wraps twice around the neck; with this yarn, ahem, it’s a cowl that will wrap once around my head.

This was clearly an example of how swatching would have been useful, even if it’s not a sweater, or a pair of socks, where final size is of extreme importance. But I didn’t do it, so I’m getting a cowl that is different than the one I imagined. To tell you the truth, I love it anyway. It seems like I can’t learn the swatching lesson!

But you know what? I can. I did learn it, and the next time I plan on knitting a larger garment where fit is paramount to the success of a project, I will go back to June Hemmons Hiats’s chapter on Swatching and Gauge in the wonderful, most complete knitting reference book I’ve ever seen.

How about you? Do you care about swatching?

*

A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

Uma actualização sobre a campanha de angariação de donativos em memória do nosso filhote Daniel: continua a decorrer, e em força! É graças a vocês que estamos quase a atingir o nosso segundo objectivo, aquele que só em sonhos iríamos atingir. Obrigada por continuarem a partilhar a página da campanha com as vossas redes, e também por nos apoiarem com os vossos donativos. Por favor, continuem a fazê-lo! Partilhem o link da página da campanha (http://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se puderem, façam o vosso donativo. Bem hajam! 

Oh, as ironias do tricot!

Há umas semanas atrás, recebi, presente do meu querido Príncipe, o livro “The Principles of Knitting”. Este livro é uma bíblia do tricot, e aborda esta actividade com a solenidade e curiosidade histórica e científica que o tricot merece.

A imagem do tricot ainda está rodeada de vários preconceitos. Para muitos, é uma coisa que caiu em desuso e que só as velhinhas gostam de fazer – em ambos os casos, mentira. Não só não caiu em desuso como há homens e mulheres de diferentes idades a tricotar. Não é difícil aprender a tricotar: adquirir os conhecimentos básicos, como montar as malhas, fazer liga, meia, elástico e rematar, são coisas que ensino nos meus workshops de tricot). E com estes conhecimentos pode fazer-se quase tudo no mundo do tricot.

Mas depois há os conhecimentos mais avançados, as técnicas, a experiência, toda aquela informação que só está disponível quando se pratica, investiga, procura. E é isso o que este livro faz: investiga, disseca a fundo tudo o que tem que ver com o tricot, com a história do tricot, os estilos, as técnicas, as receitas, a construção das peças, enfim, tudo.

Foi bom constatar que a forma como tricotamos em Portugal, com o fio à volta do pescoço, ou a passar por um alfinete preso ao peito, está mencionada no livro. Curiosamente é mencionada como sendo um estilo “espanhol”. Segundo sei, em Espanha não é comum tricotar com o fio à volta do pescoço… já aqui em Portugal, bem como no Brasil e também nos seus vizinhos Perú e Bolívia, o fio à volta do pescoço é a forma mais comum de se tricotar. Mas a autora é cuidadosa em relação a atribuir nomes regionais aos diferentes estilos de tricot, e sugere portanto que sejam denominados pela forma como se segura o fio: com a mão esquerda, com a mão direita, atrás do pescoço. Faz sentido!

Estou de momento a ler o capítulo sobre “Tensão” e Amostras.

(Abro aqui um parêntesis para reflectir um pouco sobre a palavra “tensão”, que não reflecte exactamente o que é “gauge”, que é calibre, bitola. No caso do tricot, é o número de malhas e de voltas que cabe num quadrado de 10 cm de lado. Apesar de a tradução não ser a mais correcta, vou usá-la aqui, com esta ressalva, pois é o termo que tenho visto utilizado em português para este efeito. Fecho parêntesis.)

Para dar algum contexto a quem não está familiarizado com estes termos, “tensão” (ver nota acima!) refere-se ao número de malhas e de voltas que cabem num quadrado de 10 cm de lado. As amostras são isso mesmo: pequenas amostras que são feitas para testar a combinação entre as variáveis fio, padrão e mãos. As amostras são muito úteis por facultarem informação sobre como é que o tecido final se irá comportar antes, durante e depois do seu tratamento (lavagem, limpeza a seco ou pressionando suavemente com o ferro à temperatura adequada para o fio em questão). Também são fundamentais para se apurar a “tensão” antes e depois do tratamento escolhido. Com um investimento relativamente pequeno de tempo e de dinheiro, as amostras dão indicações bastante importantes sobre como a peça final resultará. A “tensão” é particularmente importante quando se planeia uma peça como uma camisola, ou um par de meias, onde uma variação de tamanho poderá significar que simplesmente não serve; e é menos importante numa peça como um xaile, ou uma manta de bebé, onde uma variação de tamanho não terá um impacto significativo no resultado final.

Este capítulo deve ser o mais detalhado, estudado e cuidadoso texto sobre “tensão” e amostras que já li na minha vida. Dá instruções passo-a-passo sobre como testar, medir, corrigir e melhorar a tensão nas amostras, como lavar, secar e cuidar delas, para obter o melhor resultado com cada tipo de fio. É um texto com argumentos muito fortes a favor de fazer amostras para cada projecto, enumerando as muitas vantagens com cuidado.

Mas sabem o que acontece a muitos tricotadeiros e tricotadeiras (eu incluída)? Quando queremos começar um projecto ficamos impacientes, desejosos de arrancar, e essa coisa de fazer amostras acaba por ser um obstáculo no nosso caminho… e é por isso que não adoro fazer amostras. Ao ler as palavras da autora no livro, noto que encara esta etapa do projecto com uma curiosidade científica que eu não sinto; eu faço amostras porque tem de ser, e vezes há em que… mais ou menos. E é por isso que já tive algumas surpresas no meu percurso no tricot! Olhando para os meus últimos projectos, constato que tenho procurado fazer peças em que a “tensão” não é fundamental, e em que variações no tamanho final não sejam importantes no êxito da peça. É o caso da mantinha para a minha bebé, ou da gola que estou a tricotar neste momento.

E é aqui que chegamos às ironias do tricot! Como estou a fazer uma gola, não me preocupei muito com a “tensão”. Como estou a usar um fio mais fino que o recomendado, optei pela gola maior, para compensar. E assim avancei.

Estou a tricotar a gola Honey Cowl com o fio Trianon da Lopo Xavier, do Porto. Na sua versão original, esta gola seria suficientemente grande para dar duas voltas ao pescoço. Na minha versão, contudo, só vai dar uma.

Este é um exemplo onde ter feito uma amostra teria sido útil para perceber que adaptações à receita teria de ter feito para obter o resultado desejado. Mas não o fiz, e vou ter uma gola linda, mas diferente da que tinha imaginado. Para dizer a verdade, parece até que não aprendo a lição!

Mas sabem que mais? Sim, aprendi a lição; e da próxima vez que for tricotar uma peça em que o tamanho final seja fundamental para o seu êxito, irei voltar a ler este capítulo no mais completo livro sobre este assunto. A autora, June Hemmons Hiats, está de parabéns.

E que me diz o caríssimo leitor sobre amostras?

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Baby blanket: complete!

I do not condone graffiti (only of the knitted kind). #knitting #lisbon #lisboa #jardimdaestrela

Just before leaving for our vacation, on the day of the flight, actually, I woke up a bit before my two sweeties and got to work: I had a blanket to finish! I was so close to completing it, just a few ends to weave in and two tassels to make, I wanted to get it done before leaving. So I did.

I only got around to photograph it last weekend, but here it is: the first item I knitted for my daughter, a baby blanket. It’s Purl Soho’s Colorblock Blanket (ravelry details here), knitted with 14 hanks of 10 different colors of Lopo Xavier’s Phoebus wool yarn.

This has been such an important project for me. Those of you who just joined this community may not know, but this has been a pivotal blanket in my healing process after the birth of my twins and the death of my baby boy, almost one year ago (it will be one year next week). For several months after the trauma, I didn’t feel like picking up my needles and this project was the first one after taking up knitting again.

It has accompanied me during the last few months, and every new color marks a new stage in my healing. It’s a simple enough project that I felt like knitting, and interesting enough to keep me motivated with its different colors.

And the yarn, have I mentioned the yarn? It’s lovely, lovely, not as soft as merino, no, but certainly soft and squishy that I want to keep the blanket in close contact with my skin – I mean, ahem, I want to use it all the time to cover my daughter.

I wrote and posted pictures about knitting this blanket in multiple occasions: here, here, here, here.

How about you? How do you feel when you finish something you are making (baking, knitting, sewing, crafting…)?

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Baby #blanket: finished! The weather is now too hot for a woolen blanket, but there's always next winter (and many more, I hope). Soon to be on the blog (or in your mailbox, if you signed up for email updates). #knitting

Terminei a manta! Sim, terminei a primeira mantinha que tricotei para a minha bebé, precisamente no dia em que partimos para as nossas férias no Oriente. Já me faltava tão pouco para terminar – umas pontas para rematar e duas franjas para fazer – que não queria mesmo ir embora sem deixar esse assunto “arrumado”. E assim foi. Levantei-me antes dos meus queridos e terminei o que faltava e bum!, sem saber ler nem escrever tinha a mantinha da minha fofinha terminada.

Com a viagem, e todos os afazeres que normalmente nos aguardam quando voltamos a casa, só consegui fotografar a manta no fim-de-semana passado, num passeio muito divertido com os meus queridos no Jardim da Estrela. Houve patos afugentados e algum perigo e mistério, mas conseguimos registar a primeira peça que tricotei para a minha bebé. A receita é “Colorblock Bias Blanket da loja Purl Soho de Nova Iorque Colorblock Blanket ( todos os detalhes no ravelry), tricotada com 14 meadas de 10 cores diferentes da lã Phoebus da Lopo Xavier, no Porto.

Este projecto foi – é! – tão importante para mim. Os leitores mais recentes talvez não saibam que esta mantinha tem sido um ponto de viragem no meu processo de luto após o nascimento dos meus gémeos e da morte do meu rapazote, há quase um ano (um ano na semana que vem). Apesar de ser uma tricoteira fanática, não tive a menor vontade de pegar nas agulhas durante vários meses após o trauma. E este foi o primeiro projecto que me fez retomar o prazer do tricot.

Esta manta tem-me acompanhado durante os últimos meses, e cada nova cor marca uma nova etapa do meu processo de luto e recuperação. É um projecto simples o suficiente para me motivar para o tricot, e interessante o suficiente para não o abandonar a meio (se bem que eu não sou de abandonar projectos a meio, mas uma pessoa fica virada do avesso).

E a lã, já falei aqui da lã? É maravilhosa, fantástica. Não tão suave quanto o merino, é certo, mas suave e fofa o suficiente que desejo tê-la sempre colada à minha pele. Digo, a cobrir as pernocas da minha bebé, que é para quem a mantinha foi feita. Aham. Se é que me faço entender. 😉

Já aqui escrevi (e partilhei fotos) sobre esta manta em várias ocasiões: aqui número 1, aqui número 2, aqui número 3, aqui número 4.

E o meu caríssimo leitor? Que projecto terminou recentemente? E como se sentiu? Quero saber tudo (por mail ou comentário abaixo). Obrigada!

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Knitting, or how fast time flies

Scenes from our #knitting workshop yesterday.

Last Saturday we got together here in the studio (with the best view over Lisbon and the river!) for another knitting workshop. I had such a good time that time just flew and suddenly it was time to wrap up.

In Portugal, we knit with the yarn around the neck (or through a pin, pinned to the shirt, like my grandmother used to do) for tension. After casting on, we start to learn how to purl (not knit). This may sound counterintuitive to those of you who knit continental, but purling is so easy to do this way.

Then we progress to knitting, and then we practice ribbing, in an exercise to recognize the two different stitches, alternate between knitting and purling, and correctly moving the yarn between front and back.

Here are a few snapshots of last Saturday! Thank you to Mariana, Sara, Guida and Paula, it was lovely to spend the morning knitting with you.

*

No Sábado passado juntámo-nos aqui no atelier (com a melhor vista sobre Lisboa e o Tejo!) para mais um workshop de tricot. Foi uma manhã tão bem passada que o tempo voou, e de repente era hora de almoço e de nos despedirmos.

Depois de refrescar a memória sobre a liga e a meia para quem precisou, saltámos directamente ao tricot em circular, sem passar pela casa da partida nem receber dois contos. Um espectáculo! Começaram-se gorros e golas, e houve também quem continuasse o seu trabalho numa gola lindíssima que já trazia começada.

Eis alguns apontamentos de uma manhã de Sábado muitíssimo bem passada. Obrigada às minhas queridas Mariana, Sara, Guida e Paula pela vossa companhia!

Want to find out when the next knitting workshop takes place? Join our community and get your free illustration. Seja o primeiro a saber as novidades e receba uma ilustração gratuita!

Yesterday we had a #knitting workshop in the studio.

S. finished her first garment, a cowl. #knitting

M. is knitting @yarnharlot 's Pretty Thing.

P. learned to knit and to knit in the round.

My baby's blanket is growing, as is she.

Have I ever shared why I love to teach how to knit?

Progress on color number six. #knitting @purlsoho 's colorblock bias blanket

Did I ever tell you how much I love to teach these knitting workshops? Students arrive in the morning, some of them unsure of their learning ability. When we climb the (many) stairs to the studio, we chat a bit, making our first introductions.

Four hours later, we’re no longer strangers. After learning to knit, after getting those stitches in a row, and then another row; after seeing ribbing, stockinette and garter stitch growing out of the needles, it feels like a small miracle happened. Students become a community by way of achieving something new, together. It’s like an alchemic process, where the total is more than the sum of its parts.

That’s why I love to teach these workshops: because I meet real people, who want to learn to make something with their hands; who want to slow down to entertain themselves. Who, in a small but significant way, want to change the world, stitch by stitch.

I love how this blog, website and newsletter have brought me so many new friends. But in these workshops, I get to meet you, face to face, and share the passion I feel for yarn and knitting. And that is amazing!

If you’re in Lisbon and feel like it’s time to change your world, stitch by stitch, come join us next Saturday. Info and sign ups here.

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Já vos contei o quanto gosto de dar os workshops de tricot? Não? (Talvez milhões de vezes?) Adoro. Porque há algo que acontece durante as quatro horas em que estamos juntos, a aprender uma coisa nova. De manhã, quando chegam, os estudantes vêm um pouco incertos sobre as suas capacidades, será que vão conseguir aprender? Enquanto subimos as (muitas!) escadas para o atelier, somos ainda estranhos uns para os outros.

Depois chegamos ao atelier com a vista mais linda sobre Lisboa e começamos a mexer na lã e nas agulhas, dobamos meadas e aprendemos a liga e a meia, e daí começam a sair carreiras das agulhas, um pouco de elástico, e a “malha” acontece. Com a malha, nasce também uma comunidade, um grupo de pessoas que se juntou num Sábado de manhã e que aprendeu a tricotar. Dá-se como que um processo alquímico em que o total é muito mais que a soma das partes.

É por isso que adoro dar estes workshops. Este blog, site e a newsletter têm sido maravilhosos porque me acercam pessoas que nunca sonhei conhecer; mas nos workshops conheço-vos a vocês, queridos leitores, e posso partilhar a minha paixão pelas fibras, pelas técnicas, pelo processo. E nada bate isso.

Se está em Lisboa e deseja ser parte desta comunidade, esta mesmo, que muda o mundo malha a malha, junte-se a nós no próximo Sábado. Mais informações e inscrições aqui.

 

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Pictured above: the blanket I’m knitting for my baby.

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New knitting workshop coming up!

The adventure starts now!

Living in a city where it never snows, this is the most exotic thing ever for me, and I love it.

While we were away, there was time to work on next month's #airembroideryclub #embroidery project. Having a photo session with snow was very exotic for me!

During our short break, I reached the widest point on the Colorblock Bias blanket #knitting

These last few days were spent away on the mountain, taking a little break from work. It was our first time away from baby A., who in just a week grew teeth and learned many new things with the help of her grandparents, aunties and cousins. I missed her incredibly but had a good time, too. And found lots of time to knit and embroider!

I reached the widest point on A’s blanket, and started color number six, out of ten. (Ravelry page here.) I did have a little mishap with my KnitPicks interchangeable needles cable, as the cable itself came apart from the join. I love these needles but this has been a recurrent problem – and these cables are difficult to replace, at least here in Portugal.

I also had a lot of fun stitching my air Embroidery Club project for the month of March. Progress was swift with just a little uninterrupted embroidery time every day after skiing. So much fun!

And now we’re back home in Lisbon, all set to get back to work, with a new knitting workshop coming up. Yay!

Join us on March 7th, 9.30am to 1.30pm. Find more information and sign up here.

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Olá!

Os últimos dias foram passados na montanha, a gozar umas mini-férias, as primeiras sem a nossa pequena A. Em apenas uns dias, nasceram-lhe dentes, aprendeu gracinhas e muitas habilidades novas, com a ajuda dos avós, das tias e das primas, que muito a mimaram enquanto os pais estiveram fora. Tive muitas saudades dela mas aproveitei para bordar e tricotar nas (imensas!) horas vagas depois do esqui do dia.

Cheguei à diagonal máxima da mantinha que estou a tricotar para a A. e comecei a sexta de dez cores. (Detalhes aqui.)

Tive uma pequena aventura com o cabo das minhas agulhas KnitPicks, que decidiu soltar-se da parte metálica a meio do caminho! Já tentei comprar novos cabos, mas essa tem sido toda uma aventura.

Também aproveitei para bordar o projecto de Março do Clube de Bordado air. Já não estava habituada a ter tanto tempo livre, por isso em poucas sessões pude avançar bastante. Aproveitei para fazer uma sessão fotográfica na neve, coisa super mega exótica para mim. 🙂

Agora estamos de volta a Lisboa, cheios de energia e vontade de trabalhar, e com nova data de workshop de tricot já marcada:

Venha aprender a tricotar dia 7 de Março, das 9.30 às 13.30. Mais informações e inscrições, aqui.

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Do you know that feeling of finally “cracking the code”?

A Lisbon scene, available in February at the air Embroidery Club

It’s funny how disparate episodes in life appear to come together in a certain way in order to teach me something. Just the other day, I was exchanging emails with a friend of mine who is also a new mom. She was telling me how organically babies learn new skills and acquire new abilities. They try once, twice, they try and fail many times. Sometimes it feels like they aren’t making any progress at all. Sometimes, they appear to be completely uninterested by such skill. Until one day, and to quote my friend, they “crack the code”. I see this with my baby, who constantly surprises us with new skills.

The same thing happened to me this week, in yoga class. We had been attempting an arm stand and my feet kept falling down. This happened repeatedly – and I was very close to become grumpy about it, forgetting how life should be a little less serious and a lot more playful. Until I tried again and succeeded. My feet went up, my body adjusted and found its perfect balance. And I just relaxed into the posture, feeling the thrill of “cracking the code”.

I’ve seen the exact same thing happening to beginners everywhere. Take the knitters in my workshops, for instance. Upon arrival, early in the morning, everyone is shy, excusing themselves for their lack of ability. We start bit by bit, building up on confidence and skill, and four hours later each student looks at the swatch they finished with wonder and pride. I made this!, they seem to be telling me. I can relate: I love it when I accomplish something I didn’t know I could.

I see the same happen with the members of the Embroidery Club. There are many seasoned embroiderers who join us for the pleasure of stitching; but there are several beginners who never embroidered a single stitch in their lives. They start a bit doubtful of their abilities, building stitch upon stitch, following lines. Until they step back and see that an image is appearing before their eyes, an image they made with their own hands. It’s a delightful feeling, one I still get every month.

I’ve been working on February’s Embroidery Club project and am stoked about it: I used french knots for the first time (took me a few attempts to “crack the code”!), it’s a design inspired by my favorite city in the world – Lisbon! – on a fabric I was fearful of cutting into (and did anyway).

Who knew you could get all this thrill through embroidery?

If you want to come along on this “cracking the code” ride, join us on the club. We have a very supportive group to cheer your along this journey. 🙂

(For my dear Embroidery Club members: thank you, my dear friends, you make this journey a lot more special!)

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Esta semana aconteceram uma série de episódios, aparentemente desconexos, mas que convergem numa aprendizagem importante para mim. Há dias recebi o mail de uma amiga minha, mãe recente como eu, que me dizia como ficava maravilhada com a forma dos bebés aprenderem novas habilidades. Falava das tentativas que faziam, sem desistir: uma, duas, três, as que fossem necessárias. Até que um dia, como que por magia, chegavam lá. Eu própria observo isso com a minha bebé (e babo!).

O mesmo se passou comigo esta semana, na aula de yoga. Andamos há algum tempo a (tentar) fazer uma postura de apoio nos braços que me escapava. As pernas pareciam não ser dotadas de músculos, rendiam-se à gravidade. Caíram tantas vezes que estava prestes a ficar rabugenta, quando me lembrei que me devia levar um pouco menos a sério. E um certo dia, depois de todas as tentativas que foram necessárias até o meu corpo perceber o que tinha de fazer, consegui! Como que por magia, fiquei na postura, encontrei o meu equilíbrio e relaxei. Foi maravilhoso.

Já vi isto acontecer a tantos principiantes na vida: a primeira vez que se anda de bicicleta, por exemplo. Ou as alunas dos meus workshops de tricot. Chegam de manhã, um pouco envergonhadas e a pedir desculpa, à partida, pela falta de jeito. Começamos a aprendizagem progressivamente, começando com o mais simples e vão até ao mais complexo. Quatro horas mais tarde cada uma delas tem uma amostra de tricot nas mãos, que olha com orgulho (e às vezes também surpresa). Eu fiz isto!, parece que me estão a dizer. E eu sinto mesmo: é maravilhoso quando consigo fazer algo pela primeira vez.

Vejo o mesmo a acontecer com os membros do Clube de Bordado. Há vários membros com muita experiência, que aderem ao Clube pelo prazer de bordar. E há muitos principiantes que nunca na vida bordaram um ponto. Começam a medo, hesitantes, bordando um ponto atrás do outro, devagar, seguindo as linhas. Até que de repente dão conta que a magia aconteceu e têm uma imagem bordada à sua frente, feita com as suas próprias mãos. É uma sensação maravilhosa – e tenho-a todos os meses ao preparar os bordados para o Clube.

Tenho estado a terminar o bordado de Fevereiro e estou desejosa de o partilhar (chega este Domingo às caixas de correio electrónico dos membros). Pela primeira vez usei nós franceses (foram algumas tentativas até conseguir!); o desenho é inspirado na minha cidade favorita, Lisboa; e usei um tecido lindo que tinha guardado já há algum tempo, uma chita de Alcobaça que tinha medo de cortar – mas que cortei (e adorei).

Quem diria que se podiam viver todas estas sensações através do bordado?

Se nos quiser acompanhar nesta aventura, junte-se ao Clube. Temos um grupo muito cooperante no facebook, que está sempre pronto a alentar-nos a ir mais longe.

(Às minhas queridas co-bordadeiras do Clube: obrigada! São vocês quem faz esta aventura valer a pena!)

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Não é uma manta qualquer

Phoebus da Lopo Xavier

I have a close relationship with knitting. It lives in a chamber very close to my heart, mostly because my grandmother taught me to knit. Every time I grab my needles and yarn, every time I knit or purl a stitch, I feel close to her.

Knitting has been instrumental in my life in many occasions: once upon a time, when I was living in Argentina and knew not a soul in a city inhabited by millions, knitting saved me. After years away from the needles, I found a yarn shop near my home, bought myself a pair of needles and some yarn. Little did I know that that gesture was the beginning of a one way street to inclusion and adaptation to my then new hometown.

Through knitting I made friends with people of all colors and backgrounds, found my community over there and became part of a group. It was wonderful.

This last year, after having my twins and losing my baby boy, I didn’t feel like knitting. Or writing, or anything, really, apart from being a mom to my baby girl and mourning my baby boy. It was a wonderful and awful period, with the strongest, contradictory emotions at the same time. No wonder I felt my well dry up and absolutely no desire to knit.

A few months ago, though, I started to feel it. A subtle, gentle impulse to start knitting again, and it showed me that I was on the right path, that I was starting to see the light at the end of the tunnel. Impulse turned to action when a dear friend of mine gave me Lopo Xavier’s Phoebus yarn as a gift, an exquisite wool I was eager to try (but isn’t easy to find here in Lisbon).

I’m knitting a baby blanket for my baby girl. I chose the Purl Bee’s Colorblock Bias Blanket, which is a wonderful, mindless knit that allows me to just add a few stitches here and there whenever possible. It’s been great to get back to knitting, to get back to that wonderful feeling of making something with my hands, something that takes time to put together. I feel that every stitch brings me closer to my grandmother, as well as closer to my own daughter, who (I hope) will love the blanket and cherish it as much as I cherish the hand knits I received.

If you’re interested in learning to knit, join us next Saturday, January 24th 2015, here in Lisbon. We’ll be having a knitting workshop. Visit this project’s ravelry page.

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knitting my baby a blanket

Tenho uma relação próxima, muito próxima com o tricot. A minha avó ensinou-me a tricotar era eu criança, e sempre que pego nas agulhas para fazer malha lembro-me dela.

O tricot tem um papel muito importante na minha vida: há uns anos atrás, a viver na Argentina e sem conhecer uma única pessoa numa cidade que alberga milhões, foi o tricot que me ofereceu uma forma de me integrar numa comunidade. No dia em que decidi comprar um par de agulhas e um novelo de lã, iniciei o caminho para fazer amigos de todos os cantos da cidade, para me sentir incluída e amparada na minha nova cidade.

Este último ano, depois de ser mãe de gémeos e de ver o meu bebé morrer, fiquei sem vontade de tricotar. Nem de escrever, nem de nada, na realidade. Todos os meus esforços se concentraram em ser mãe da minha bebé, ao mesmo tempo que chorava a morte do meu rapaz. Foi um período de sentimentos muito fortes e contraditórios; não admira que tenha sentido a minha “fonte” secar.

Há uns meses atrás, comecei a sentir um impulso: leve, subtilmente, a vontade de tricotar começou a regressar e eu constatei que estava no caminho certo, que o luto estava a ser feito e que já estava mais organizada na minha nova vida como mãe. O impulso fez-se acção com um presente delicioso de uma querida amiga do norte, que me trouxe várias meadas de lã Phoebus da Lopo Xavier, do Porto.

De momento estou a fazer uma manta tricotada para a minha bebé. Escolhi o Colorblock Bias Blanket da loja Purl Bee, de Nova Iorque. É uma receita muito fácil de uma manta quadrada, tricotada na diagonal. É perfeita para encaixar nos pedacinhos de tempo que vou encontrando aqui e ali, e é maravilhoso vê-la a crescer, ir mudando as cores, imaginar como ficará quando terminada. Será que a minha princesa vai gostar dela? Espero que sim, tal como eu adoro as peças tricotadas que a minha avó me ofereceu, e que guardo com muito carinho.

Para quem tiver vontade de aprender a tricotar, vamos fazer um novo workshop já no próximo dia 24 de Janeiro de 2015, Sábado.

A página da manta, no ravelry.

An embroidered wreath

December at the air Embroidery Club.
Embroider your own wreath with the December project at the air Embroidery Club.

Hi, olá!

How have you been?

It has been a very busy Fall over here.

December surprised me, to tell you the truth. It’s a paradox of life how the days with a baby may feel like forever, while months seem to fly away from my hands. But here we are: it’s the holiday season and it’s time to celebrate!

During December only, I’m releasing the air Embroidery Club’s current pattern to the public as a stand alone. Get it now!

But! That’s not all:

  • if you choose to buy the pattern plus a six month membership, you will enjoy a special price of 28€;
  • the pattern plus a twelve month subscription will be just 47€.

This is the perfect gift to give to yourself or to a friend, and it’s a 100% stress free! Get it now! (Gift cards available)

Thank you so much for being here. If you are a regular reader, you may want to join our community to gain access to exclusive freebies and discounts.

*

Tem sido um Outono muito movimentado aqui pelo atelier.

Dezembro chegou num instante. É incrível como os dias com um bebé podem demorar tanto tempo, enquanto que os meses nos escapam por entre os dedos! Mas aqui estamos: é Dezembro e estamos em época de celebrações.

Por isso, e só durante este mês, estará disponível para todo o público a receita de bordado do mês de Dezembro. Ponto a ponto, poderás bordar uma coroa de Natal e assim entrar no espírito natalício!

  • O preço de venda é de €6 para a receita;
  • quando comprada com uma subscrição de seis meses do Clube, fica por apenas €28 (em vez de €31);
  • se comprada com uma subscrição de doze meses, fica por um preço ainda mais conveniente: €47 (em vez de €51). Compra já!

Este é o presente perfeito para este Natal, e 100% sem stresse!

Esta oferta é limitada ao mês de Dezembro – e em Janeiro os preços do Clube de Bordado vão subir. Aproveita agora e junta-te ao Clube. Ou, se preferires, experimenta um só mês.

Obrigada pelo apoio!

 

Junta-te à nossa comunidade e acede a conteúdos gratuitos e exclusivos para assinantes da newsletter.

Last Saturday (and an interview!)

workshops de tricot air

Last Saturday we had a knitting workshop here in the studio. There were biscuits and tea, yarn and needles, lots of knitting and purling. We had one beginner knitting a swatch of ribbing; one intermediate knitter learning to fix mistakes; one advanced knitter reviewing increases and decreases on the right and reverse sides; and one advanced knitter learning to pick up and knit stitches.

The morning flew by in a minute, or so it seems, while we had yarn and needles in hand. I only notice how time flies by how hungry I get!

To be the first to know about new workshops, sign up for the email news and gain access to special subscriber freebies!

On other news, I’m super excited to share that Projeto Lida interviewed me sometime ago and they published our conversation today. It’s in portuguese, but there are many pictures of both my home and studio. Hope you enjoy!

Have a great week!

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air no projeto lida

No Sábado passado tivemos workshop de tricot aqui no atelier. Houve biscoitos e chá, lãs e agulhas, muita meia e liga. Uma principiante tricotou e rematou uma amostra de elástico; uma tricoteira intermédia aprendeu a reconhecer e a corrigir erros no seu trabalho; uma tricoteira avançada reviu aumentos e diminuições no direito e no avesso; e outra tricoteira avançada aprendeu a levantar malhas.

A manhã passou num instante, pareceu-me a mim, que só notei a passagem do tempo quando a barriga começou a dar horas!

Para saber primeiro sobre workshops de tricot, assine a newsletter aqui e aceda aos presentes exclusivos para subscritores!

E ainda sobre tricot, mas não completamente, os meus queridos Ricardo e Rita, do Projeto Lida, publicaram hoje uma conversa que tivemos há algum tempo atrás. Estou muito contente! Que acham da entrevista?

Desejo-vos uma óptima semana!

O tricot e a viagem no tempo

knitting-workshop-air

One of my projects during the holidays was to dedicate time to my favorite hobby: knitting. Sometimes I get so busy I completely forget about leisure, about time off, about doing the things I love to do just because.

So, during the break, I enjoyed dedicating a good chunk of time to something that isn’t necessarily work related: knitting a shawl for me. Just because I love shawls.

The yarn is a (delicious) mix of silk and mohair from Araucania yarns; I bought it in August 2012 back in Santiago de Chile, when I went there to accompany my husband on one of his work trips. I remember this purchase as if it were yesterday: I think I spent more than one hour in the shop, choosing yarns and colors, engaging in a long and fruitful conversation with the shop keeper. I came out of that shop with a warm heart and an armful of different yarns I couldn’t wait to try.

I finally got to sample this one. I’m knitting the Laminaria shawl and you can check my ravelry project page here. I don’t mind the slow progress: knitting is a pleasure – and wearing the final product will be a pleasure, too.

If you don’t know how to knit and would like to try, attend a workshop! If you’re in Lisbon next Saturday, January 18, please come!

To be sure you don’t miss anything, sign up for email updates and get a free illustration (plus free access to all the freebies).

Have a great week, everyone!

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Buying knitting yarn in Santiago
Um dos meus objectivos para as férias de Natal era dedicar algum tempo ao meu hobby favorito: o tricot. Às vezes a vida mete-se no caminho, o trabalho transforma-se numa prioridade e o ócio, esse, lá se vai pela janela. E por isso, este Natal, lancei-me a um projecto que queria fazer e não tinha tido oportunidade de começar: um novo xaile.

(Abro um parêntesis para contar que este Inverno tenho usado os meus xailes todos os dias, com um prazer que não consigo descrever. Jamais pensei que fosse uma peça tão versátil e tão útil! Por isso, já percebi que não existe o conceito de “xailes a mais”, sobretudo os tricotados à mão. Fecho parêntesis.)

A receita que estou a seguir é a do xaile Laminaria, e a minha página de projecto no ravelry vive aqui. O fio, essa maravilha da natureza e do engenho humano, é uma mescla de seda e mohair (nada vegan, portanto) que comprei na loja Cuentapuntos, em Santiago do Chile, quando em Agosto de 2012 acompanhei o senhor meu marido numa viagem de negócios até à ponta sul do continente americano. Lembro-me dessa compra como se fosse ontem: estive mais de uma hora com a senhora que me atendeu, a escolher cores, a fazer perguntas, a trocar opiniões, a conversar. Saí de lá com o coração quente e um saco cheio de meadas, e hoje, ao tricotar este novelo, lembro-me dessa altura, do que sentia nesse momento, das emoções dessa viagem. E viva o tricot por me proporcionar esta viagem no tempo!

Para quem não sabe tricotar: aprendam! É uma actividade tão boa para relaxar, conhecer novas coisas, fazer amizades! Dia 18 de Janeiro dou workshop cá no atelier, querem vir?

Para estarem sempre em cima do acontecimento, convido-vos a assinar a minha newsletter – e ainda recebem uma ilustração gratuita (mais acesso, também gratuito, à zine “airing from Lisbon” e outras surpresas).

Boa semana!

Last Saturday, our knitting workshop

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Being a knitter, I thought I was a bit of an outcast, because knitting is what grandmas do. Then I met my amazing knitter friends back in Argentina, and realized that everyone can enjoy this fantastic activity, age and gender notwithstanding.

My passion for knitting goes along the same lines I can recognize in other passions I have: being in contact with texture, color and pattern is something I see when I make illustrations, for instance. I love the feeling of creating something out of nothing; I love seeing a garment grow under my needles. And in the end, when the pleasure of the process is over, comes the pleasure of wearing it – or giving it away to someone special.

I never thought about organizing a knitting workshop. Frankly, I thought people outside this “circle” were not that interested. In my mind, those who were indeed interested already knew how to knit.

Enter social media and a post on facebook, and suddenly I have several of you asking me to teach them. I was surprised, but I must thank you for your insistence! You, my dear readers, are absolutely right. You do want to learn, and I want to spread the happiness, because I know that when a beginner finally lets his or her hands work by themselves, without thinking, is the moment they can feel how truly wonderful this craft is.

I remember this amazement when I was six, maybe seven, proudly announcing to my grandma that I could purl – with my eyes closed!

Last Saturday I had the pleasure of having three amazing women share their morning with me and seeing their hands learn a new skill. We talked and confided stories we wouldn’t have in any other situation, we drank tea and ate cookies, we casted on stitches, knitted and purled, fixed mistakes, made ribbing, ripped every thing off and started it again. We finally bound off the stitches, thought about future projects and said our goodbyes.

I loved having you here, Ana, Inês and Rita, and I hope this was the first of many, many gatherings, with knitting needles and tea in our hands.

Next knitting workshop will be in November, date to be announced. Sign up for email updates to be notified as soon as new dates are announced.

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Quem sou eu para falar sobre os preconceitos em relação ao tricot, se eu própria também os tenho? Pensava que nós, os tricoteiros, éramos algo vagamente de excepção, um pouco amalucados por gostarmos destas coisas. Isto até o tricot me ter “salvo” na Argentina, onde me serviu de veículo para conhecer pessoas e fazer novas amizades (que duram até hoje, diga-se de passagem).

Reconheço na minha paixão pelo tricot algo que a ilustração também me dá: estar em contacto com a cor, com diferentes texturas, com padrões. A sensação de criar algo do nada, de ver sair das agulhas uma peça que eu fiz, com as minhas mãos. Há o prazer do processo, enquanto tricoto. Quando a peça termina, chega o prazer de olhar para o objecto terminado, usá-lo ou oferecê-lo a alguém especial.

Nunca tinha pensado em organizar um workshop de tricot, simplesmente porque pensava que não haveria ninguém interessado. Quem gosta destas coisas normalmente já sabe tricotar, pensava eu.

Até que um dia publico algo no facebook e de repente várias pessoas me pedem para organizar um workshop. Gente que quer aprender a tricotar?, pensei eu, espantada. De maneira que pus mãos à obra, porque a possibilidade de partilhar esta alegria que o tricot me dá é algo que não posso desperdiçar. O momento em que a pessoa descobre que já não precisa de pensar no que vai fazer e que as suas mãos já absorveram o gesto é absolutamente mágico. Lembro-me de mim, pequenita, a anunciar à minha mãe e à minha avó que já conseguia fazer malha – de olhos fechados!

No Sábado passado tive então o imenso prazer de ter aqui no atelier três fantásticas tricoteiras a partilhar a manhã comigo. Com uma vista maravilhosa, à volta de chá e bolachinhas, montámos malhas, fizemos liga e meia, elástico, apanhámos pontos perdidos, desmanchámos tudo e recomeçámos do zero. A manhã passou demasiado depressa, entre conversa e malha, e num instante chegou a tarde. Rematámos malhas e falámos de projectos futuros.

Foi um prazer ter-vos cá, queridas Ana, Inês e Rita. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos reencontros, de agulhas na mão e um chá na frente.

O próximo workshop terá lugar em Novembro, em data ainda a anunciar. Para receber as novas datas, assine a newsletter.

In my (work in progress) studio

air-studio-embroidery

Summer is now gone, and the changing season marks the passing of time. I realize it has been three whole months since I moved into the studio. It’s far from being complete: there are still boxes to unpack and we (my studio mate and I) aren’t sure yet about the current layout.

One of the things I learnt during the business course I took during the summer was that (insert project name here) is never “finished”. Everything is always a work in progress, an experiment: and that’s fine. It’s the way it is supposed to be.

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So take a tour of my (still in progress) studio. One of my dreams is to cover the world with embroidered illustrations (I have allies to help me with this cause!). I’m starting with my studio walls, and one by one, it’s getting there.

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Some of the books you see here have been in storage for the past six years. It has worked like a time capsule: some of them are still updated; some are very, very dated – and that’s wonderful, too. The world has changed so much during the last six years, especially when it comes to the internet and working online (which I do).

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And then there’s the offline world, where human interaction preferably involves some tea, good conversation and needles in our hands.

If you’re in Lisbon next Saturday, October 5th, join us for a beginners knitting workshop. There will be knitting and purling, talking and fixing of dropped stitches, casting on and off, tea over the most beautiful view of the city.

I can’t wait to get to know you, teach you to knit and show you my studio!

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Com o Verão para trás e o Outono já presente, sinto a passagem do tempo e concluo, com surpresa, que já lá vão três meses desde que me instalei aqui no atelier. Passaram a voar; não fosse a chuva a cair, as folhas amarelas e o fresquinho lá fora, nem dava conta.

Apesar dos três meses volvidos desde que aqui me instalei, ainda nada é “definitivo”: há caixotes ainda por desfazer e novas disposições dos móveis para testar. Por mim, tudo bem: uma das coisas que aprendi no meu curso de negócios, este Verão, foi que o segredo é “experimentar”. Nunca nada está terminado, e ainda bem.

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Mostro-vos alguns pedaços do meu espaço: as ilustrações bordadas, com que um dia sonho cobrir o mundo inteiro (já tenho aliados!); os livros redescobertos após seis anos de arrecadação funcionaram como uma cápsula do tempo. Alguns continuam actuais; outros, incrivelmente datados. O mundo mudou tanto nestes últimos anos, especialmente no que toca à internet e à hiperconectividade em que agora todos vivemos.

E depois há o mundo real, onde a interacção entre pessoas é, para mim, um grande tesouro; e inclui, se possível, chá, boa conversa e agulhas nas mãos.

Se estiveres em Lisboa no próximo Sábado, dia 5 de Outubro, vem aprender a tricotar comigo, aqui no meu atelier. Vamos montar malhas, fazer liga e meia, conversar e beber chá, deixar cair malhas, aprender a apanhá-las, olhar para a vista mais bonita sobre Lisboa e rematar todos os pontos.

Estou desejosa de te ter aqui connosco, no meu atelier!