Category: knitting

New knitting pattern: Mardi Cardi

Once upon a time, I started writing my morning pages, a daily journalling ritual inspired by the book “The Artist’s Way”, by Julia Cameron. A few months later, on rereading my journal entries, I came to the conclusion that I mentioned knitting a lot, and that there was a big surge of knitting creativity inside of me. I started putting to paper a few designs I had in my head and started working on a new cardigan. Slowly, diligently, I began “3D printing” it the old-fashioned way, with knitting needles and yarn.

I finished it, wrote its instructions, had it tech edited and test knitted… and then life happened, I got scared, put my cardigan’s pattern away while exhausted by pregnancy and taking care of a newborn.

At the beginning of 2018, I set the goal of finally publishing this pattern. As scared as I felt of sharing it with the world, I felt more shame of having put so much effort, care and love into a project and not finally setting it free.

So I rolled up my sleeves and finished what I needed to finish: designing the layout of the pattern (I’m a graphic designer, and you know how it goes: “casa de ferreiro, espeto de pau”, as we say in Portuguese), publishing the PDF and setting up a ravelry shop.

I did all that, trying to keep my balance on the bouncy rope of fear of publishing and the shame of not publishing it. And voilà.

The pattern is available in English, on sale on my ravelry shop.

Some features of this cardigan, from its ravelry page:

This is a loose-fitting cardigan with a body that is worked back and forth; starting with the right-front panel, then back panel and finally the left-front panel, all worked in one piece. Sleeves are worked in the round, picking up stitches from the armholes. The overlapping front panels give the garment a drapey front, which can be fastened with a pin (or buttons as per the instructions given in the pattern).

The yarn used is Trianon by Lopo Xavier, a shop located in the beautiful city of Porto, Portugal, that carries its own yarns. It is a light fingering, pure wool yarn that comes in a large assortment of colors and is available online.

Please press here if your interest is piqued or you want to learn more about my Mardi Cardi. Hope you like it!


Getting into the holiday mood. Happy December, everyone! #lisboa #lisbon

"Peace" - it's the first of the month, so there's a new #embroidery in #airembroideryclub members' inboxes. After these few crazy months, and in this holiday season, I wanted to turn the noise down and retreat. I was surprised to see that I went for just

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…and so 2016 has come to an end. We are now less than two weeks away from 2017, and I have to say this year has officially flown by me. Just yesterday it was Easter break, and we were in Florence climbing the Duomo stairs, and now it’s Winter again.

This was a good, busy year. Work has kept me elsewhere (you can follow me on Instagram, where I still post regularly), entertained with many new challenges, but some things remain the same: my knitting, my embroidery, my beautiful city of Lisbon.

This was the year I launched my podcast with my friend Eliana about female entrepreneurship, Anita no Trabalho. We’re very proud of it.

I started working at two new places; after the adjustment period, I’m now loving the different challenges they bring around. Through these two projects, I have met many new people, some of them I now call friends.

I’ve been dragging my feet on releasing my first (well, second) knitwear design pattern – insecurity, mostly. It will be coming in January, I’m promising myself, because no one is more let down when I procrastinate on sharing my creative projects with the world than myself. So. There. Now I said it.

In the meantime, I wish you all happy holidays. This year I’m very much delighted by the coincidence of the first night of Hanukkah and Christmas. And to everyone, even those not celebrating, I wish much peace, love and embroidery (or knitting).

See you in 2017! (or sooner on Instagram)


E eis que sem saber ler nem escrever chegamos ao fim do ano de 2016. Este ano voou. Ainda ontem estávamos a subir as escadas do Duomo, em Florença, nas férias da Páscoa. E agora já é inverno outra vez.

Este foi um ano bom, muito ocupado. Tenho estado muito entretida com projectos de trabalho longe do blog (podem seguir-me no Instagram, onde vou partilhando imagens com mais frequência), novos desafios, mas há coisas que continuam sempre iguais: o tricot, o bordado, a minha querida cidade de Lisboa.

2016 foi o ano em que a minha querida Eliana e eu lançámos o podcast Anita no Trabalho, um podcast em português sobre empreendedorismo no feminino. Penso que falo por ambas quando digo que temos muito orgulho neste projecto.

Comecei a trabalhar em dois lugares diferentes, e após um período de adaptação, estou a adorar os novos desafios. Através destes dois projectos, conheci várias pessoas novas, algumas das quais hoje já considero amigas.

Tenho estado a adiar o lançamento da minha primeira (vá, segunda) receita de tricot. É do meu casaco cinzento que já usei tantas e tantas vezes (aliás, tenho vestido neste preciso momento. Sempre que se trata de um projecto criativo meu, tenho tendência a arrastar os pés… insegurança, claro. Mas vou aqui e agora fazer um pacto comigo mesmo: sai em Janeiro de 2017!

E por agora desejo a todos Boas Festas! Este ano, a primeira noite do Hanukkah calha precisamente na véspera de Natal. De alguma forma, esta coincidência faz-me sentir mais próxima de quem celebra coisas diferentes das minhas, e faz-me acreditar que a paz e a convivência em harmonia são possíveis (não há a menor relação causa-efeito entre a coincidência e a paz no mundo, mas deixem-me sonhar à vontade). A todos vocês, quer celebrem uma festa este fim-de-semana, ou não, desejo paz, amor e muito bordado (e tricot).

Até 2017! (ou mais cedo, no Instagram)

November at the air Embroidery Club


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The last few weeks have been busy, busy. I took on two new jobs: one, teaching knitting in Companhia das Agulhas, here in Lisbon (I also have my knitting workshops in the studio – check the new dates for this season); and the other, as a documentation specialist in a software company.

I’ve been incredibly busy, but also happy to feel that my skills are being challenged in different ways. On the one hand, I’ve been learning a lot about how to talk about knitting. It’s much easier to teach by showing than by talking about it, and yet there is so much that needs to be transmitted to the person who is learning that it is, indeed, necessary to find a way to talk about it. I feel that I have learned a lot about talking about knitting in a way that is easier to understand to a beginner – and this, of course, is thanks to my students, who have posed the most interesting questions, showing me the way to become a better teacher.

My other new job as a documentation specialist is very much a job as a “translator”, in the sense that I try to convert a mostly tech language into a more broadly understood language. It’s been fun, and challenging, and eye-opening, too.

November was also the month we had the Web Summit happen here in Lisbon, for the first time. It was amazing, stimulating, a wonderful learning opportunity. Eliana and I compiled our thoughts in the latest Anita no Trabalho podcast episode (in Portuguese only, sorry!)

In the meantime, November is here, almost gone, and today I was finally able to put together a fun stop motion animation of this month’s air Embroidery Club project. Hope you like it!

(Even if my posts and emails have been erratic, I keep posting updates to Instagram, if you’d like to connect.)

Hugs and happy Thanksgiving, if you celebrate!


Estas últimas semanas têm passado a correr. Esta ilusão do tempo que foge é precipitada por uma causa: ter começado a trabalhar em dois novos projectos. Um, como formadora de tricot na Companhia das Agulhas, perto da Gulbenkian (paralelamente aos meus workshops de tricot aqui no atelier, cuja página foi actualizada com novas datas). Sinto que tenho aprendido todo um mundo sobre como falar e ensinar a tricotar. Isto, porque sobre tricot é mais fácil demonstrar do que teorizar – e no entanto, para quem aprende, é necessário estabelecer uma estrutura, ainda que pequena, de conhecimento teórico sobre malha.

O outro projecto a que me dediquei é um novo desafio para mim. Estou a trabalhar numa empresa de software como especialista de documentação, que é uma forma de dizer que compilo e transformo a documentação técnica em documentação compreensível por todos. Tem sido uma experiência muito boa.

Em Novembro, tivemos também aqui a Web Summit em Lisboa. A Eliana e eu trocámos as nossas impressões num episódio especial do nosso podcast Anita no Trabalho.

E hoje finalmente consegui preparar um vídeo do making of do bordado de Novembro do Clube de Bordado air. Espero que gostem!

(É verdade que os meus posts e emails têm sido raros – mas continuo a partilhar imagens no Instagram, se quiserem acompanhar!)

Até breve!

Regresso à “escola”

It's taking shape. #knitting for little ones is fun and gratifying because the reward comes with far less stitches compared to knitting for adults. Happy Sunday!

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Desde há umas semanas que me despeço de manhã da minha filhota com a explicação de que “a mãe vai para a escola”. Na verdade, não se chama escola, nem são aulas, não sou estudante nem faço parte de uma turma; vou antes à formação, assisto a sessões, sou formanda e pertenço a um grupo. As diferenças existem, sim, mas para mim – que há muito não me sentava a aprender num ambiente mais formal (ainda que não seja académico) – existe um paralelismo. E estou muito satisfeita por estar a aprender tantas coisas novas.

Estou a fazer o curso de formação pedagógica inicial, também conhecido por curso de formação de formadores. Andava com vontade de aprender mais sobre as técnicas de ensinar a adultos, para as poder aplicar aos cursos e workshops que dou e poder melhorá-los. Queria aprender a dar-lhes mais estrutura, a escolher as partes mais interessantes da narrativa, ganhar mais técnicas didácticas. E é precisamente isso que temos estado a trabalhar, num ambiente muito bom, com um grupo muito heterogéneo. Estou a adorar a experiência.

E perdoem-me por estar já de olhos postos no Outono! É que já estou a planear todas as alterações que pretendo fazer aos workshops de tricot! E já estou a planear workshops de bordado, e provavelmente também de desenho. Por isso vos pergunto: que mais gostariam vocês de aprender, presencialmente e também online? Contem-me tudo! Deixem um comentário, mandem-me um mail, falem-me no facebook, como preferirem. Obrigada!

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P.S. Está no ar o terceiro episódio da Anita no Trabalho!

Ready to start a new design for the #airembroideryclub's June project. Join now or learn to embroider on my website

It’s now been a few days that I tell my baby, “have a great day, sweetie, mommy is going to school”. It’s not technically school: I’m studying to become a certified trainer. I’m learning a lot, so much so that my head is full of ideas on how to better design my courses and workshops.

I know most of us can only think of the season ahead of us, of summer and relaxing in the sun. I, however, am thinking about the changes and improvements I want to make to the knitting workshops I already host and to the embroidery e-course I already have. I’m developing more modules and thinking about how I can apply the strategies and techniques I’m learning to better teach my students – and am looking forward to sharing these new, enhanced courses and workshops next Autumn with you.

So, tell me: what would you like to learn next? Either here or online? Let me know via comments, email, facebook messages, so that I can offer what you need. Thank you!

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Tricot na revista Prevenir de Abril de 2016




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Este mês, a revista Prevenir traz um artigo sobre os benefícios do tricot. Vale a pena ler o trabalho da jornalista Catarina Baguinho, com quem conversei sobre este tema que tanto me apaixona. Vem também recomendado o livro da Zélia Évora “A terapia do tricot”, um livro muito completo, particularmente adequado a quem está a começar.

Já sabem que para mim o tricot é uma viagem só de ida, e aqui se conta porque é que penso assim: por um lado, a malha traz-nos para o aqui e para o agora, fazendo-nos esquecer um pouco as preocupações do dia-a-dia. Por outro, à medida que vamos vendo o tecido a crescer debaixo das agulhas, sentimos aquela satisfação que se tem ao olhar para trás e ver o caminho percorrido.

Também foi a primeira vez que falei em público sobre levar o tricot para reuniões de brainstorming, pois noto que tenho muito mais facilidade em produzir e associar ideias quando tenho as mãos ocupadas com a malha. Não vos vou mentir: foi uma ideia que hesitei  em partilhar por não ser muito convencional, por poder ser alvo de gozo, mas que me parece de facto importante – e por isso a partilhei.

O número de Abril já está nas bancas e vale bem a pena: para além do artigo sobre os benefícios do tricot, vem também um artigo sobre os “Filhos da ciência” (título do livro da jornalista Sandra Moutinho sobre a sua história de luta contra a infertilidade), muita informação sobre saúde e alimentação e ainda um plano de exercícios que, como vem sendo hábito desde há dois anos, é ilustrado por mim.

Links úteis: Revista Prevenir | Workshops de tricot – próxima data: 30 de Abril. 


This month, Prevenir magazine has an article about the benefits of knitting. It was an honor to participate in it and share my thoughts on how knitting helps to slow down and destress with journalist Catarina Baguinho. I also shared why I bring my knitting to brainstorming meetings: it helps me produce more ideas and associate them in a different, freer way than when I’m not knitting. This was something I was reluctant to share, to tell you the truth, given that it’s a somewhat unconventional idea. In the end, I think it may be a helpful change, so I decided to go forward with it.

This month’s issue is packed full of interesting information besides this article; it also features a story on infertility (another topic close to my heart) and has an exercise plan that was illustrated by me (as has been for the past two years).

Links: Prevenir Magazine | Knitting workshops here in Lisbon – coming up: April 30th.

Mending visibly with embroidery


A few days ago, I was running late to my yoga class – a project for a new client had just landed on my desk and I was caught in a meeting with my partner. So when I left for yoga, I didn’t have the time I usually allow myself to get there on my calm pace: I had to run!

But at some point I felt something stopping me on my tracks. At first, I didn’t quite understand what had just happened to me. But then I realized my lovely, long, feels-like-a-warm-hug-sleeping-bag cardigan got caught in a parked car. I wanted to sob! This has been my go-to cardigan ever since I got it, and although it isn’t handmade, I love it almost as much as if it were.

Há uns dias, ia eu para a minha aula de yoga um pouco em cima da hora, senti um puxão no meu casaco. Não!! Tinha ficado preso num carro! Foi com absoluto horror que olhei para o meu casaco-que-mais-parece-um-saco-cama (de tão confortável que é) e vi que tinha um grande buraco lá no meio. Apeteceu-me chorar!

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Climbing a volcano, conquering a dream, finishing a project

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making of air Embroidery Club Feb 2016 - 02

making of air Embroidery Club Feb 2016 - 04

A few days ago, I was waiting for a client’s response and had a few minutes for a pause. I grabbed the knitting I have in my studio – a pair of socks – and added a few more rows. Not much, really, but as I moved from one section of the sock to the next, I looked at what I had accomplished and felt a sense of wonder, and surprise. The sock was much longer than I remembered it to be, which was specially impressive given that I work on it only when I have a few moments to spare. Read more


When my grandma taught me to knit, three decades ago, she couldn’t have guessed how important it would become in my life. I remember knitting scarves full of dropped stitches, and telling grandma: “I can knit with my eyes closed!” Knitting was something I did with my grandmother, and when we moved from the outskirts of Lisbon, Portugal, to live in Macau, South of China, I didn’t pick up the needles again. Adolescence struck, along with the 90s, and knitting faded to the background, giving way to checked shirts and Doc Martens boots.

It wasn’t until my late twenties, when I was living in Buenos Aires, Argentina, that I thought about knitting again. With some basics from my mom and a yarn shop near my apartment, soon I was using knitting needles again. Ravelry, a social network for knitters and crocheters, had been just launched, and through it I met people and made new friends.

I have moved twice since those days, and I still treasure knitting as a way to improve my well-being. Sharing that joy is what led me to start teaching others how to knit. We gather in small groups, on Saturday mornings, between yarn and needles, talking all things stitches.

Students arrive early in the morning, a bit nervous and shy. Some apologize in advance, believing they might not be able to learn; they feel it must be difficult to turn a single thread into a solid piece of fabric.

We start by winding the yarn and casting on, allowing our hands, not our minds, to learn the gestures. We wrap the yarn around our fingers and behind the neck, as our grandmothers did, and we start purling. Stitch by stitch, we work through the row. When purling becomes easy, we go on to knitting, then ribbing. Amid childhood memories of a grandmother or aunt who made booties or a scarf, a small miracle happens: with a pair of sticks and a bit of thread, fabric starts to grow out of the needles. That is the point of no return, when students realize they, too, can make something out of nothing.

Being part of this small miracle brings a sense of community to everyone in the room. We now have a common thread that connects us, one that is defined by slowing down and taking the time to make things with our own two hands. We become partners in a slow process, one that allows time for thought, movement and creativity. Knitting becomes a “passport”, one that shows us new worlds.

Last Saturday, January 9th, was one of those days. We shared a morning learning, connecting, recovering childhood memories and remembering those who knitted around us when we were just kids.

There will be another workshop on January 30th, and I hope you’ll want to join us and be part of the magic. (More info + sign up here.)

(This essay was first published in issue 27 of Uppercase Magazine. If you don’t know about Uppercase yet, it is a wonderful quarterly magazine dedicated to all things creative and curious. Do check it out and consider subscribing to it!)


Quando a minha avó materna me ensinou a tricotar, há três décadas, não poderia imaginar a importância que iria ter, mais tarde, na minha vida. Lembro-me de tricotar cachecóis intermináveis em liga, cheios de malhas caídas, e anunciar, feliz e orgulhosa, que já sabia tricotar de olhos fechados! A malha era algo que fazia com a minha avó, e quando nos mudámos dos arredores de Lisboa para a nossa nova vida em Macau, não voltei a pegar nas agulhas. Veio a adolescência, chegaram os anos 90, e o grunge, as camisas aos quadrados e as botas Doc Martens ocuparam o panorama. O tricot, esse, perdeu-se na penumbra da memória.

Só na segunda metade dos meus vintes, já a viver em Buenos Aires, na Argentina, é que voltei a pensar no assunto. Com umas lições da minha mãe e uma loja de lãs perto de casa, passado pouco tempo estava a tricotar. Nessa altura surgiu também o Ravelry, uma rede social de tricot e crochet, que me permitiu conhecer mais pessoas e fazer amigos na minha nova cidade.

Desde então já me mudei duas vezes, e continuo a considerar o tricot como uma excelente forma de promover o meu bem-estar. Partilhar a alegria que o tricot me traz foi o que me levou a organizar workshops de tricot e a ensinar pessoas a tricotar. Juntamo-nos em pequenos grupos, ao Sábado de manhã, e entre lã e agulhas se passa o tempo.

Os alunos chegam cedo, por vezes nervosos, um pouco envergonhados. Alguns começam por pedir desculpa, pensam que provavelmente não irão conseguir aprender; muitos acreditam que transformar um simples fio em tecido deve ser demasiado complicado para aprender.

Começamos por dobar as meadas em novelos, e depois montar as malhas. São as mãos, e não o intelecto, que têm que aprender o movimento. Depois passamos o fio à volta do pescoço, tal como faziam as nossas avós, e começamos a aprender a fazer liga. Malha a malha, avançamos pela agulha até chegar ao final da carreira. Quando a liga se torna fácil, passamos à meia, e daí ao canelado. Entre memórias da avó ou da tia que tricotava (ou, no meu caso, dos relatos do avô que fazia as suas próprias meias), acontece um pequeno milagre: com apenas um par de agulhas e um fio começa a crescer tecido debaixo das agulhas. E esse é ponto sem retorno, o ponto em que os alunos se apercebem de que também eles podem criar algo a partir do nada.

Ser parte deste pequeno milagre traz uma sensação de comunhão, de partilha de algo especial como todos os que ali estamos. Temos um fio que nos liga uns aos outros e que se define por conscientemente abrandarmos e nos deleitarmos com o prazer de podermos criar novos projectos com as nossas próprias mãos. Tornamo-nos parceiros num processo lento, que pelas suas características nos permite abrandar, ter tempo para pensar, para deixar a mente deambular, para criar. O tricot transforma-se num “passaporte” que nos abre novos mundos.

O Sábado passado foi um desses dias especiais em que houve workshop aqui no atelier. Começámos a manhã a aprender, a trocar experiências e memórias das nossas infâncias, daqueles que à nossa volta faziam malha. A hora de almoço chegou sem repararmos, e não fossem as barrigas a dar horas se calhar ainda lá estávamos… 🙂

No próximo dia 30 de Janeiro vai haver novo workshop. Espero que se queiram juntar a nós! (Mais informações e inscrições aqui.)

(Uma versão deste post foi publicada no número 27 (do Outono de 2015) da revista Uppercase. Se ainda não conhece esta revista, não hesite em visitar o site! É uma revista trimestral canadiana dedicada a tudo o que é criativo. Vale mesmo a pena! Visite o site da Uppercase.)

“Leaning in” a bit, every day

Tudo pronto para o #workshop de #tricot de amanhã, com a melhor vista de #Lisboa . Até amanhã!

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I’m reading Sheryl Sandberg and Nelly Scovell’s wonderful, mind-opening book “Lean in”. If you’ve never heard of it, it is about women and leadership, and the imbalance at the top level, and women’s responsibility in maintaining – and changing – the status quo.

As soon as I started reading it, I got hooked. I have recommended it to friends and mentioned it to everyone around me, it should be compulsory reading to everyone, women and men alike. There are so many interesting points in that book, but today I’m going to address only one: the question of being assertive and wanting to be liked.

The authors quote a study made in the US where a group of people was divided in two parts. Then, one of these groups received the profile and list of abilities of a person named “Heidi”. The other group received the exact same profile, but instead of “Heidi”, this fictional person was called “Howard”. Remember: Howard and Heidi have the exact same profile. What have scientists discovered? Both men and women believe “Howard” to be a great colleague, a nice person, a good leader. “Heidi”, on the other hand, is perceived as aggressive, arrogant, not nice (and by “not nice”, imagine “bitchy”, and so on). But can you see what is essential here? It’s that both men and women perceive “Heidi” to be disagreeable, while “Howard” would be a great colleague.

This means that we, women, are not innocent victims of this double standard: we are part of the problem!

We are conditioned to be soft, gentle, nurturing, adorable since we are young girls. We are conditioned to be quiet, blend in, tone down what we are certain about, obviously never mention our victories (which makes us believe these victories aren’t that great anyway). Speaking about our accomplishments makes us come across as arrogant, aggressive, and it sounds like we’re bragging.

When I read this, my heart jumped with the scare it got: I am part of this group! I am so afraid of not being liked that I do shut up often when I know I’m right. I shut up because I don’t want to come across as too critical, too assertive, too aggressive, as it may bother the people around me. Silly? Of course it is! But it is also very real.

Take what happened the other day, when I went shopping for circular knitting needles for my knitting workshop students. I always like to provide my students with the best quality materials, even if a little more expensive than basic ones. I invest in good circular needles, and a wonderfully soft merino wool. I believe that when we start learning a new activity with good quality materials, we are more likely to have pleasure using them and more likely to take to it and keep doing what we just learned.

I was at the haberdasher’s and asked for the circular needles in the size I wanted, and the shop lady, very kindly, brought some needles of a brand I don’t like. I have bought those needles in the past, tried them, and I don’t like them. I know that stitches get caught in the joints between the cable and the needles, and that’s the kind of barrier a first time knitter (or any knitter) does not need. So I asked her if she had any other brands.

At this point, the lady tried to convince me that this brand was fantastic, it had had problems in the past but they had been fixed, that “shoppers buy them often”, that “no one has ever complained” about the needles. And she tried her best to persuade me to get those needles, she was “sure” I would like them. I asked if she would give them to me, and that way I would try them one more time, but I would not purchase something I already I didn’t like.

(In the very same manner I have been presented with all sorts of acrylics for knitting with arguments like “ladies purchase these often”, and “there’s no better yarn when knitting for babies” – I’ve heard all of this many, many times, and it’s hard to keep explaining that no, thank you, acrylic is made of oil and it feels like I’m knitting with plastic bags. Onward.)

The shop lady was so persistent she put me in the position to say no many times, each time a firmer no than before. In my head, a little voice started telling me that I was being stubborn, maybe the lady knew something I didn’t, why not give it a try? In reality, this voice was nothing more than the fear of not being “likable” making up excuses to make me say yes, even knowing that I was right to say no in the first place.

I kept my “nos” and added a smile to them, not knowing that that is one of the strategies Sheryl Sandberg suggests to make a firm position feel “nicer”.

I left the shop with the feeling of having just accomplished a small win: a tiny light in this dark ocean that is the fear of not being liked. And this is something I – and we – have to transport to other parts of my life, not only when I’m in the center of the question (“I’m afraid of what people may think”) as well as when we perceive other women’s actions (“that … sounds so arrogant/aggressive/bitchy”). We have to take risks and state our positions in a firm way, and we have to be gentler towards other women who are doing just that, either in leadership roles or not.

Now I’m curious to know what you think about this. Gentlemen who read this, what say you? Does this sound alien to you? Or familiar? What about you, ladies, do you feel this? Or maybe not at all? Please share your thoughts (by commenting below, by email, anyway you prefer.)

About knitting workshops: I have two spots for November 28th, an extra date I just opened. Who wants to come? (sign up by email to info [at] airdesignstudio [dot] com)



Ontem, no #workshop de #tricot. É uma alegria poder partilhar este vício convosco!

Quem já sabia a meia e a liga, aprendeu o tricot circular.

Estou a ler um livro maravilhoso que se chama “Lean in”, escrito por Sheryl Sandberg e Nell Scovell. Para quem ainda não ouviu falar, este livro fala sobre a liderança no feminino, sobre a desigualdade de género que existe ao nível da liderança no tecido empresarial (norte-americano e não só) e sobre a responsabilidade que as próprias mulheres têm em relação a esse panorama.

Comecei a lê-lo e é muito, muito difícil pousá-lo. Já o recomendei a amigas, já falei dele a toda a gente que me rodeia porque me parece uma leitura absolutamente essencial a todos, mulheres e homens. Há tanta coisa importante neste livro, mas hoje vou falar de uma: a questão da assertividade (necessária para liderar) e a vontade que muitas de nós, mulheres, temos de sermos “gostáveis”.

As autoras falam de um estudo feito nos EUA em que o perfil de um candidato é distribuído a dois grupos diferentes. O nome que consta num dos perfis é feminino, Heidi; no outro, masculino, Howard. Mas no perfil em si nem sequer tocam.

E o que descobriram os cientistas? Que tanto as mulheres como os homens interrogados acham que este “Howard” seria uma pessoa simpática, bom colega, bom líder. Já a “Heidi” – que tem exactamente o mesmo perfil! – é vista como ambiciosa, desagradável, agressiva e mais não sei quantas coisas que fazem dela uma péssima líder para a equipa.

Mas notam o essencial? É que tanto as mulheres como os homens deste estudo têm esta percepção!

Ou seja, nós mulheres não somos vítimas indefesas e impotentes; nós contribuímos para o problema, nós somos parte do problema.

Estamos tão condicionadas para sermos suaves, gentis, adoráveis; desde pequenas que nos é transmitida a mensagem de que para sermos “gostáveis” temos de refrear o nosso entusiasmo, calar as nossas certezas, evidentemente nunca mencionar as nossas vitórias e conquistas, pois aí não só seremos desagradáveis como também convencidas e gabarolas.

Ao ler isto, o meu coração saltou com o susto: eu faço parte deste grupo, tenho medo que não gostem de mim, e sim, calo-me muitas vezes, quando sei que tenho razão, com medo de ser demasiado crítica, agressiva e que possa vir a incomodar alguém com o que penso. Parvoíce? Claro que é! Mas é algo muito real e profundo.

Ainda noutro dia fui fazer a volta das retrosarias da Baixa. Ia comprar pares de agulhas circulares para as minhas alunas dos workshops de tricot. Faço questão de providenciar materiais de primeira qualidade às minhas alunas: as agulhas circulares que compro são sempre boas, ainda que mais caras; e a lã que disponibilizo é uma merino muito suave. A minha convicção é que começando com bons materiais, seja em que área for, os resultados vão ser melhores e vai haver uma maior vontade de voltar a tricotar (ou pintar, ou desenhar, ou outra coisa qualquer).

Estava eu na retrosaria e pedi as agulhas circulares no tamanho adequado e a senhora traz-me, simpaticamente, um par de agulhas de uma marca que eu já sei que não é boa. Já comprei agulhas daquelas e sei que as malhas se prendem na ligação entre a agulha em si e o cabo plástico. Para além de que o cabo, em si, não é suave, é até bastante rijo. Por isso perguntei-lhe se tinha outra marca que não aquela.

Ao que a senhora que me atendia tratou de me convencer de que aquela marca era fantástica, que tinha de facto tido problemas, mas que já não tinha, que “as senhoras levavam muito”, que “as senhoras não se queixam”. E tentou convencer-me a levar as agulhas para experimentar. Perguntei-lhe se mas oferecia, que assim levaria, mas que não iria comprar algo que já sabia não gostar.

(Da mesma forma já me tentaram impingir toda a sorte de fios acrílicos para tricotar, que “as senhoras levam muito” e que “para bebé não há melhor”. É ignorar, gente, é ignorar. Confiem em vocês porque os fios acrílicos que nos tentam impingir são feitos com petróleo, tal como o plástico, e alguns, a tricotar, até fazem “cri cri”, como se de um saco de mercearia se tratasse. Mas adiante.)

A senhora foi tão insistente que me obrigou a dizer que não várias vezes, cada vez com mais firmeza. Dentro de mim, alguma coisa se arrepiava e me dizia que eu estava a ser teimosa, que a senhora lá devia saber, porque não experimentar? Na verdade, essa voz não era mais que o medo de não agradar e que estava a arranjar desculpas para eu ceder, mesmo sabendo que eu tinha razão.

Não cedi. Aos meus “nãos”, ditos com firmeza, adicionei um sorriso, sem saber que também a autora do livro sugere o sorriso como ferramenta para suavizar uma resposta firme.

Saí de lá com a sensação de ter conquistado uma pequena vitória, uma luzinha neste oceano do pânico de não agradar. E isto é algo que temos, todos!, de transportar para outras áreas da vida, não só quando somos nós no centro (“tenho medo que achem que sou má”) como quando observamos outras mulheres (“aquela … tem aquele ar convencido/agressivo/arrogante”). Temos de arriscar mais a partilhar as nossas opiniões, com firmeza; e temos de ser mais compassivos e compassivas ao observar outras mulheres, em posições de liderança, ou não.

Confesso que estou curiosa por saber a vossa opinião. Por isso, cavalheiros que me lêem, que me dizem? Parece-vos um texto praticamente alienígena? Ou familiar? E as senhoras? Sentem isto? Ou não? Quero saber tudo (por comentário, mail, como quiserem).

Ainda sobre workshops de tricot: tenho duas vagas para uma data extra, 28 de Novembro. Quem quer vir? (inscrições por mail para info [at] airdesignstudio [ponto] com)

My story in Uppercase magazine

Uppercase magazine+#knitting = two of my favorite things. I'm really happy to share that I have an article about why I love to teach how to knit over on page 101. Thanks for the invitation, Janine! @uppercasemag #uppercasereader #uppercaselove

Read in English É sempre especial quando acontece chegar no correio o nosso exemplar da nossa revista favorita. E é mais especial ainda quando, como se deu neste número, tem um artigo escrito por mim. Já não é a primeira vez que contribuo para a Uppercase; já apareceram os meus bordados, já escrevi sobre outros, sobre o Clube de Bordado, sobre como o tricot me ajudou na integração quando fui para a Argentina.

Desta vez o tema também é tricot, e também me toca no coração: conto porque é que gosto de ensinar a tricotar. E isto até parece combinado para vos falar do workshop de tricot que vai acontecer no próximo Sábado, já no dia 17. (Ainda se podem inscrever, mandem-me um mail.)

Mas não foi combinado, foi pura coincidência.

É verdade, gosto mesmo de ensinar as pessoas a tricotar. Gosto da metamorfose subtil que se opera nas quatro horas de workshop, desde a insegurança inicial até ao processo alquímico que se dá na sala quando as malhas começam a sair e as voltas crescem debaixo das agulhas. Gosto de ver o entusiasmo das pessoas que, da concentração absoluta no que as mãos estão a fazer, passam – sem notar – a “fazer malha” sem olhar, enquanto conversam. E adoro quando dão conta disso, quando de repente se apercebem que conseguem fazer algo que não sabiam se iriam conseguir. É muito bom! Por isso, terei todo o gosto de receber quem quiser vir aprender este Sábado (há mais datas marcadas, esta é apenas a primeira), aqui com a melhor vista sobre Lisboa.

De resto, também na fotografia, o xaile que estou a tricotar para o meu Príncipe, que andava sempre a “roubar” os meus. Este é mesmo, mesmo para ti (mas pode acontecer que eu to roube a ti…). Detalhes da receita, fio e agulhas aqui no ravelry.

E finalmente: o curso de bordado já está online. É completamente gratuito e as inscrições fazem-se aqui.   


Thanks to @uppercasemag for having me in your Fall issue. Check out my story on page 101 about why I love to teach how to knit. #knitting #knitstagram #knittersofinstagram #uppercaselove #uppercasereader

The feeling is always special, when my favorite magazine gets to my doorstep. This issue, though, is even more special: this time around, there is a story by me on page 101 of Uppercase Magazine. It’s not my first time contributing, but it’s always exciting to see my name in print. My embroideries have been featured, I’ve written about others, I’ve shared the Embroidery Club, I wrote about how knitting helped me integrating when I moved to Argentina.

This time around, the topic is knitting, too. I reflect on why I love to teach people how to knit. And this may sound like a build up to this Saturday’s knitting workshop, but it isn’t. (You can still sign up by e-mail.)

It’s the truth: I love to teach people how to knit. I love the subtle metamorphosis happening between the moment students arrive, in the morning, feeling a bit insecure and the moment they leave. In the middle, there’s an alchemic process that happens: that moment when stitches start to happen and rows start growing under the needles. I love the enthusiasm, the full concentration on what hands are doing, and the moment people realize that they have learned how to knit and purl, for now they can even manage to keep a conversation while knitting. It’s amazing when students realize that they could, indeed, learn something they weren’t sure they would be able to.

That’s why I’m looking forward to having you this Saturday here with me, learning, stitching and enjoying the best view over Lisbon.

Also pictured, the shawl I’m knitting for my Prince, who used to “lift” my shawls from my drawer. This one is really, really for you (borrowing your shawl may or may not happen in the future; I’m not saying that it will, but I’m not denying it either. 😉 ). Pattern, needle and yarn details on ravelry.

One last thing: the air embroidery e-course is now live. You can register here, free.

A finished cowl

This weekend I finished #knitting my #honeycowl which now is my dear friend T's honey cowl. I hope she likes it and uses it until it falls apart in a very distant future. No pressure... ;)

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Knitting has been slow over here. It’s summer, and I dislike knitting with cotton (or linen or hemp for that matter), which leaves me with mostly cold weather fibers. I specially like knitting with wool because it is so forgiving on the hands (hello, lanolin!) and also forgiving on the result, smoothing away uneven tension after a good soak.

In my case, there’s more to my slow knitting than warm weather and fiber choice. I know I’m still not up to knitting complicated patterns. You may recall that it took me a while to get back to knitting after my babies were born and my baby boy died. Life didn’t feel normal (I suppose that is true to most new mothers) and my grief was so overwhelming I hardly had any emotional space to start something, anything new.

When the different pieces of the enormous jigsaw puzzle that is grief started to slowly fall in their places, I started to feel that itch, and started my baby’s blanket. I needed a simple pattern, one that didn’t require much mental space to follow, but still kept me interesting. After that blanket, which was a turning point for me, I started a cowl, the Honey Cowl, to be more precise. It took me several months to complete, but who’s counting? Certainly not me. It feels like I’m suddenly coming back to the surface of those deep, dark waters. It feels like my joy of creating, of giving life to new things, is coming back.

Above is my Honey Cowl, pattern by Antonia Shankland, made with Lopo Xavier’s Trianon yarn (two skeins), colorway mustard.

I loved knitting it. It was intended for me, but then decided to give it to my dear friend T., who saw her life changed this summer. I wanted her to know that she is not alone, and gave her this cowl as a big hug. I hope she likes it.

Next on the needles: a shawl! It’s a simple stockinette shawl (with a purl ridge to add rhythm and interest every now and then) and it’s intended for my sweetheart. I’ll share more about it later.

In the meantime, I added three new dates for knitting workshops here in Lisbon, this Fall. Now that the weather is cooling, it feels great to cozy up with yarn and needles in hands. Check the dates here.

(And, if knitting is not your thing, but embroidery is: you can learn to embroider free with the free, fun and fantastic e-course that will launch later this month. Registration is now open!)

A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

O tricot tem andado lento aqui pelas minhas paragens. É verão, e não aprecio tricotar com algodão (nem linho, nem cânhamo), o que me deixa com fibras mais apropriadas a temperaturas mais baixas. Entre elas, a minha favorita continua a ser a lã, não só porque não desgasta tanto as mãos (olá, lanolina!) como também porque depois de lavada atenua possíveis diferenças na tensão.

No meu caso, há mais que calor e fibras quentes para justificar o meu tricot lento: ainda não tenho vontade de me atirar a projectos mais complexos. Talvez se recordem que demorei bastante tempo a voltar a tricotar depois do nascimento dos meus bebés e da morte do meu rapazote. A vida não me parecia nada normal (penso que esta é uma sensação comum a outras mães estreantes) e o meu luto era tão forte que não tinha qualquer disponibilidade mental para criar algo novo.

Quando as diferentes peças deste complicado puzzle que é o luto começaram, gradualmente, a cair nos devidos sítios, comecei a sentir aquela vontade de recomeçar, de pegar nas agulhas e fazer algo novo. E foi assim que comecei, fiz e terminei a mantinha da minha bebé. Precisava de uma receita simples, que não requeresse demasiado espaço mental, mas que ao mesmo tempo me mantivesse entusiasmada. E assim foi. Ponto a ponto, comecei a sentir-me mais parecida comigo própria, à medida que a manta ia crescendo no meu colo. Depois da manta, comecei uma gola, a Honey Cowl. Levou-me meses a fazer, mas isso é pouco importante. O mais importante é que me sinto a regressar das profundezas desse lago escuro que é o luto, e a pouco e pouco, à medida que vejo o tricot a crescer-me no colo, sinto que a minha alegria de viver e de criar coisas do nada está de volta.

Nas fotografias acima está a minha gola Honey Cowl, receita de Antonia Shankland, feita com duas meadas de lã Trianon da Lopo Xavier, cor mostarda.

Adorei tricotar esta gola! Comecei-a para mim, mas à medida que a ia fazendo começou a surgir a imagem da minha querida amiga T., que este verão viu a sua vida revirada de cabeça para baixo. Quis oferecer-lha porque ela é linda e fofa e também para que saiba que não está sozinha! Espero que goste!

Agora, nas agulhas, tenho um xaile bastante simples, desta feita para o meu querido Príncipe. Em breve partilharei mais sobre este projecto.

Por falar em tricot, adicionei três datas à página de workshops de tricot aqui no atelier, em Lisboa. Agora que o tempo começa a arrefecer, as agulhas voltam a chamar! Datas e inscrições aqui.

(E se quiser aprender a bordar, para além de tricotar, fica aqui o meu convite para se vir inscrever no curso gratuito de bordado que estou a preparar. As inscrições estão abertas!)

The ironies of knitting

"The principles of knitting", the #knitting bible. Writing up a review of sorts to be posted tomorrow on my blog (or in your mailbox if you're a subscriber)

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An update on our ongoing fundraiser in memory of our son Daniel: it’s going strong, yay! Thank you for your help sharing the campaign’s page link and donating! With your help, we’re almost hitting our stretch goal… with two weeks to go. Please keep sharing the link ( and donating, if you haven’t yet and feel this is a cause you want to support. Our most heartfelt thank you!

Oh, the ironies of knitting!

A few weeks ago I received the amazing book “The Principles of Knitting” as a gift from my dear husband (also known as “Prince” – not the famous singer) and I was delighted. It is, indeed, the bible of all things knitting, and it treats this amazing craft with the care and solemnity it deserves.

Knitting may be a very easy craft to learn; it may be perceived as a craft for old ladies; it may even be perceived as something out of fashion (which it is in the first case; and is not in the second and third cases). Knitting, like English, is easy to learn, at least the basics. Skills like casting on and off, purling and knitting are easy to acquire (I teach them in four hour workshops), and with these basic skills knitters can make almost everything there is to make in the knitting world.

But there are many advanced skills, techniques and bits of information that are accessible once you dig deeper. Very much like English, if you care for that comparison: a basic understanding gets you communicating with most of the people on the planet, but to access a larger variety of vocabulary and master idioms you must dig deeper.

And that is what this book does, it digs deep on all aspects of knitting, from the history of knitting, styles of knitting, techniques, design, patterns, you name it.

It was good to see that the yarn-around-the-neck style is mentioned, albeit as “Spanish” knitting. This is the way we knit in Portugal, and not the most common way to knit in Spain (it is presently very uncommon, I believe). It is also the customary way of knitting in Brazil, a country that shares a large portion of history and traditions with Portugal, and in neighboring countries like Peru and Bolivia. But the author is very careful when naming styles, saying that regional naming is not accurate; she suggests instead to name styles by the way the yarn is held. It makes sense to me!

I’m currently reading the chapter on Gauge and Swatching. To give some context to the non-knitters among you, gauge is the amount of stitches and rows that fit in a certain amount of space (usually, a 4 inch or 10 cm square). Swatches are samples of the knitting pattern a knitter intends to make, to test the combination of yarn, pattern and hands. Swatches are useful to show how a certain fabric will behave before and after dressing (washing and blocking, dry cleaning or pressing), and to give you raw gauge and final gauge (before and after dressing). Through swatching, a knitter can gather a lot of information about the way the garment will look and feel, without investing a lot of time and money in it. Gauge is particularly important if you intend to knit a garment where the resulting size is important, like a sweater. It is not as important if you intend to knit a shawl.

The Gauge and Swatching chapter in this book has got to be the most comprehensive guide to swatching, measuring gauge and analyzing the resulting fabric I have ever read. It is incredibly rich and detailed and it makes a very powerful argument for swatching: you can test many variables with a minimum investment of time and yarn. It explains in detail all the steps from quick test swatches to a final swatch, measuring raw and final gauges, making the math to get an accurate idea of how the final garment will look.

But you know what happens to many knitters (myself included)? We get impatient and when we set our minds into starting a new project, we want to start right away. So swatching and testing for gauge become a sort of obstacle… that’s why I’m not a keen swatcher. I don’t swatch with the scientific curiosity I can perceive from reading the author’s words; I swatch with dread. I want it to be over, as soon as possible. And that, my dear knitters, may or may not have rendered a few surprises in my knitting resumé. Looking at recent past projects, I have come to realize I mostly knit projects where gauge doesn’t matter too much, like a baby blanket. Or a cowl.

And that’s how we get to the ironies of knitting! Because I am knitting a cowl, I didn’t care much about swatching for gauge. And the fact that I’m making my cowl with a different yarn than the one suggested, as I substituted it for a local yarn, didn’t make me change my mind.

I’m knitting the Honey Cowl with the Trianon yarn from Lopo Xavier. It’s a lot thinner than the one suggested, so I went for the larger size. In its original yarn, it was supposed to be a big cowl, one that wraps twice around the neck; with this yarn, ahem, it’s a cowl that will wrap once around my head.

This was clearly an example of how swatching would have been useful, even if it’s not a sweater, or a pair of socks, where final size is of extreme importance. But I didn’t do it, so I’m getting a cowl that is different than the one I imagined. To tell you the truth, I love it anyway. It seems like I can’t learn the swatching lesson!

But you know what? I can. I did learn it, and the next time I plan on knitting a larger garment where fit is paramount to the success of a project, I will go back to June Hemmons Hiats’s chapter on Swatching and Gauge in the wonderful, most complete knitting reference book I’ve ever seen.

How about you? Do you care about swatching?


A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

Uma actualização sobre a campanha de angariação de donativos em memória do nosso filhote Daniel: continua a decorrer, e em força! É graças a vocês que estamos quase a atingir o nosso segundo objectivo, aquele que só em sonhos iríamos atingir. Obrigada por continuarem a partilhar a página da campanha com as vossas redes, e também por nos apoiarem com os vossos donativos. Por favor, continuem a fazê-lo! Partilhem o link da página da campanha ( e, se puderem, façam o vosso donativo. Bem hajam! 

Oh, as ironias do tricot!

Há umas semanas atrás, recebi, presente do meu querido Príncipe, o livro “The Principles of Knitting”. Este livro é uma bíblia do tricot, e aborda esta actividade com a solenidade e curiosidade histórica e científica que o tricot merece.

A imagem do tricot ainda está rodeada de vários preconceitos. Para muitos, é uma coisa que caiu em desuso e que só as velhinhas gostam de fazer – em ambos os casos, mentira. Não só não caiu em desuso como há homens e mulheres de diferentes idades a tricotar. Não é difícil aprender a tricotar: adquirir os conhecimentos básicos, como montar as malhas, fazer liga, meia, elástico e rematar, são coisas que ensino nos meus workshops de tricot). E com estes conhecimentos pode fazer-se quase tudo no mundo do tricot.

Mas depois há os conhecimentos mais avançados, as técnicas, a experiência, toda aquela informação que só está disponível quando se pratica, investiga, procura. E é isso o que este livro faz: investiga, disseca a fundo tudo o que tem que ver com o tricot, com a história do tricot, os estilos, as técnicas, as receitas, a construção das peças, enfim, tudo.

Foi bom constatar que a forma como tricotamos em Portugal, com o fio à volta do pescoço, ou a passar por um alfinete preso ao peito, está mencionada no livro. Curiosamente é mencionada como sendo um estilo “espanhol”. Segundo sei, em Espanha não é comum tricotar com o fio à volta do pescoço… já aqui em Portugal, bem como no Brasil e também nos seus vizinhos Perú e Bolívia, o fio à volta do pescoço é a forma mais comum de se tricotar. Mas a autora é cuidadosa em relação a atribuir nomes regionais aos diferentes estilos de tricot, e sugere portanto que sejam denominados pela forma como se segura o fio: com a mão esquerda, com a mão direita, atrás do pescoço. Faz sentido!

Estou de momento a ler o capítulo sobre “Tensão” e Amostras.

(Abro aqui um parêntesis para reflectir um pouco sobre a palavra “tensão”, que não reflecte exactamente o que é “gauge”, que é calibre, bitola. No caso do tricot, é o número de malhas e de voltas que cabe num quadrado de 10 cm de lado. Apesar de a tradução não ser a mais correcta, vou usá-la aqui, com esta ressalva, pois é o termo que tenho visto utilizado em português para este efeito. Fecho parêntesis.)

Para dar algum contexto a quem não está familiarizado com estes termos, “tensão” (ver nota acima!) refere-se ao número de malhas e de voltas que cabem num quadrado de 10 cm de lado. As amostras são isso mesmo: pequenas amostras que são feitas para testar a combinação entre as variáveis fio, padrão e mãos. As amostras são muito úteis por facultarem informação sobre como é que o tecido final se irá comportar antes, durante e depois do seu tratamento (lavagem, limpeza a seco ou pressionando suavemente com o ferro à temperatura adequada para o fio em questão). Também são fundamentais para se apurar a “tensão” antes e depois do tratamento escolhido. Com um investimento relativamente pequeno de tempo e de dinheiro, as amostras dão indicações bastante importantes sobre como a peça final resultará. A “tensão” é particularmente importante quando se planeia uma peça como uma camisola, ou um par de meias, onde uma variação de tamanho poderá significar que simplesmente não serve; e é menos importante numa peça como um xaile, ou uma manta de bebé, onde uma variação de tamanho não terá um impacto significativo no resultado final.

Este capítulo deve ser o mais detalhado, estudado e cuidadoso texto sobre “tensão” e amostras que já li na minha vida. Dá instruções passo-a-passo sobre como testar, medir, corrigir e melhorar a tensão nas amostras, como lavar, secar e cuidar delas, para obter o melhor resultado com cada tipo de fio. É um texto com argumentos muito fortes a favor de fazer amostras para cada projecto, enumerando as muitas vantagens com cuidado.

Mas sabem o que acontece a muitos tricotadeiros e tricotadeiras (eu incluída)? Quando queremos começar um projecto ficamos impacientes, desejosos de arrancar, e essa coisa de fazer amostras acaba por ser um obstáculo no nosso caminho… e é por isso que não adoro fazer amostras. Ao ler as palavras da autora no livro, noto que encara esta etapa do projecto com uma curiosidade científica que eu não sinto; eu faço amostras porque tem de ser, e vezes há em que… mais ou menos. E é por isso que já tive algumas surpresas no meu percurso no tricot! Olhando para os meus últimos projectos, constato que tenho procurado fazer peças em que a “tensão” não é fundamental, e em que variações no tamanho final não sejam importantes no êxito da peça. É o caso da mantinha para a minha bebé, ou da gola que estou a tricotar neste momento.

E é aqui que chegamos às ironias do tricot! Como estou a fazer uma gola, não me preocupei muito com a “tensão”. Como estou a usar um fio mais fino que o recomendado, optei pela gola maior, para compensar. E assim avancei.

Estou a tricotar a gola Honey Cowl com o fio Trianon da Lopo Xavier, do Porto. Na sua versão original, esta gola seria suficientemente grande para dar duas voltas ao pescoço. Na minha versão, contudo, só vai dar uma.

Este é um exemplo onde ter feito uma amostra teria sido útil para perceber que adaptações à receita teria de ter feito para obter o resultado desejado. Mas não o fiz, e vou ter uma gola linda, mas diferente da que tinha imaginado. Para dizer a verdade, parece até que não aprendo a lição!

Mas sabem que mais? Sim, aprendi a lição; e da próxima vez que for tricotar uma peça em que o tamanho final seja fundamental para o seu êxito, irei voltar a ler este capítulo no mais completo livro sobre este assunto. A autora, June Hemmons Hiats, está de parabéns.

E que me diz o caríssimo leitor sobre amostras?

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