Category: creativity

My story in Uppercase magazine

Uppercase magazine+#knitting = two of my favorite things. I'm really happy to share that I have an article about why I love to teach how to knit over on page 101. Thanks for the invitation, Janine! @uppercasemag #uppercasereader #uppercaselove

Read in English É sempre especial quando acontece chegar no correio o nosso exemplar da nossa revista favorita. E é mais especial ainda quando, como se deu neste número, tem um artigo escrito por mim. Já não é a primeira vez que contribuo para a Uppercase; já apareceram os meus bordados, já escrevi sobre outros, sobre o Clube de Bordado, sobre como o tricot me ajudou na integração quando fui para a Argentina.

Desta vez o tema também é tricot, e também me toca no coração: conto porque é que gosto de ensinar a tricotar. E isto até parece combinado para vos falar do workshop de tricot que vai acontecer no próximo Sábado, já no dia 17. (Ainda se podem inscrever, mandem-me um mail.)

Mas não foi combinado, foi pura coincidência.

É verdade, gosto mesmo de ensinar as pessoas a tricotar. Gosto da metamorfose subtil que se opera nas quatro horas de workshop, desde a insegurança inicial até ao processo alquímico que se dá na sala quando as malhas começam a sair e as voltas crescem debaixo das agulhas. Gosto de ver o entusiasmo das pessoas que, da concentração absoluta no que as mãos estão a fazer, passam – sem notar – a “fazer malha” sem olhar, enquanto conversam. E adoro quando dão conta disso, quando de repente se apercebem que conseguem fazer algo que não sabiam se iriam conseguir. É muito bom! Por isso, terei todo o gosto de receber quem quiser vir aprender este Sábado (há mais datas marcadas, esta é apenas a primeira), aqui com a melhor vista sobre Lisboa.

De resto, também na fotografia, o xaile que estou a tricotar para o meu Príncipe, que andava sempre a “roubar” os meus. Este é mesmo, mesmo para ti (mas pode acontecer que eu to roube a ti…). Detalhes da receita, fio e agulhas aqui no ravelry.

E finalmente: o curso de bordado já está online. É completamente gratuito e as inscrições fazem-se aqui.   

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Thanks to @uppercasemag for having me in your Fall issue. Check out my story on page 101 about why I love to teach how to knit. #knitting #knitstagram #knittersofinstagram #uppercaselove #uppercasereader

The feeling is always special, when my favorite magazine gets to my doorstep. This issue, though, is even more special: this time around, there is a story by me on page 101 of Uppercase Magazine. It’s not my first time contributing, but it’s always exciting to see my name in print. My embroideries have been featured, I’ve written about others, I’ve shared the Embroidery Club, I wrote about how knitting helped me integrating when I moved to Argentina.

This time around, the topic is knitting, too. I reflect on why I love to teach people how to knit. And this may sound like a build up to this Saturday’s knitting workshop, but it isn’t. (You can still sign up by e-mail.)

It’s the truth: I love to teach people how to knit. I love the subtle metamorphosis happening between the moment students arrive, in the morning, feeling a bit insecure and the moment they leave. In the middle, there’s an alchemic process that happens: that moment when stitches start to happen and rows start growing under the needles. I love the enthusiasm, the full concentration on what hands are doing, and the moment people realize that they have learned how to knit and purl, for now they can even manage to keep a conversation while knitting. It’s amazing when students realize that they could, indeed, learn something they weren’t sure they would be able to.

That’s why I’m looking forward to having you this Saturday here with me, learning, stitching and enjoying the best view over Lisbon.

Also pictured, the shawl I’m knitting for my Prince, who used to “lift” my shawls from my drawer. This one is really, really for you (borrowing your shawl may or may not happen in the future; I’m not saying that it will, but I’m not denying it either. 😉 ). Pattern, needle and yarn details on ravelry.

One last thing: the air embroidery e-course is now live. You can register here, free.

Change

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I’ve been thinking a lot about what has changed for me over the past two years, since I launched the air Embroidery Club, with many of you embarking with me on this journey. These have been two very full years, both personally and professionally. As you may already know, when I launched the Club I was recently back to living in Lisbon, soon thereafter got pregnant with my twins, lost my baby boy soon after birth, and dealt with all the grieving process, embroidery in hand. Actually, were it not for the support of this community, it would have been a lot harder to overcome this huge loss. And my dear air Embroidery Club members? You rock!

The Club has been very, very important for me, as you can see, so I wanted to know how it has impacted members’ lives, too. You know, my goal with the Club is not only to create an income that helps me support me and my family through art. That’s obviously an important goal, but it doesn’t tell the whole story. I want the Club to be a means for me to be of service to you, to help you reach your own goals. Many people look for a way to relax – embroidery is such a great invitation to relaxation. Others want to connect meaningfully to other people, and the experience of making things with your hands creates such strong bonds between people who may or may not have anything in common.

So I decided to ask members about their experiences, too. I wanted to know how they changed since joining. And Guida – who joined the Club on day one and, by the way, is my sister – wrote back saying:

“What I like about the air Embroidery Club is the surprise of opening a fresh template each month. I like how careful and creative its presentation is. I enjoy the pleasure I get from choosing different colors for each project. I see how my work has progressed and love to think that other members may be going through a similar experience to mine, even if making very different choices.”

Guida’s words went to the core of the question for me: to feel creatively empowered to make choices, at the same time to feel free to experiment, and maybe even failing. She also mentions her progress, not alone but in the context of a community, where others may be going through a similar experience.

I was delighted to think about this, as the biggest challenge, for me, is not even creating embroidery projects I am passionate about. The biggest challenge is to keep you engaged and motivated, and seeing progress is very motivating.

But Guida has seen beyond the possibilities that are ahead. In her own words:

“Since joining the Club, I pay a lot more attention to craft and am interested in learning other kinds of embroidery techniques. Sometimes I even imagine possible embroidery motifs out of everyday elements, where before I didn’t see any.”

And, to me, this is so exciting! Because I love giving you a nudge to start creating, my nudge being the embroidery template you receive every month. But it is you who takes the template to a whole new level with your interpretation of it. It is with pure joy that I see you stretching your wings and flying high and away, making your choices of floss, colors, materials and creating new, stunning pieces.

I love it. And the Club. So thank you for being a part of it.

If you wish to join us at the air Embroidery Club, consider doing so before September 1st, before the prices go up. I can’t wait to have you with us.

P.S. Follow Guida on instagram! She recently moved to Liberia, where she’s working and taking gorgeous pictures. The photos on this post are hers! Obrigada, Guida!

*

Tenho reflectido muito sobre o que mudou em mim desde que lancei o Clube de Bordado air, há já quase dois anos (já?!). Estes foram anos muito preenchidos, como muitos de vós já saberão, pois em 2013 voltei do Panamá para Portugal; lancei o Clube em Setembro, pouco tempo depois engravidei dos meus gémeos, vim a perder o meu rapazote poucas horas depois do seu nascimento, e fiz todo o processo de luto acompanhada pelos projectos do Clube de Bordado air. Na verdade, não fosse o apoio de muitos de vós que fazem parte desta comunidade, posso dizer que o processo de luto teria sido bem mais difícil de suportar. E por isso: obrigada! Vocês são o máximo.

O Clube de Bordado tem sido muito importante para mim, e por isso quis saber de que forma é que as vidas dos membros também mudaram desde que aderiram. Porque para mim o Clube é mais que uma forma de criar um rendimento para mim e para a minha família; é também uma forma de prestar um serviço a todos vocês que me acompanham. Muitas pessoas procuram uma forma de relaxar, e o bordado é uma óptima auto-estrada para a “zona”, para um estado meditativo. Outras procuram uma forma de conhecer pessoas com interesses semelhantes – e as manualidades, em geral, são um bom veículo para fazer novas amizades.

Então perguntei aos membros o que tinha mudado nas suas vidas. E a Guida – que aderiu ao Clube no primeiro dia (e também é minha irmã!) – respondeu-me:

“No Clube de Bordado air, gosto da surpresa do template de cada mês, gosto do cuidado e da criatividade na apresentação do template, gosto dos artigos que são escolhidos para a página do Facebook, gosto do prazer que me proporciona a escolha das cores, de ver o progresso do meu trabalho e pensar que há outros membros do clube a passar por um processo semelhante mas, provavelmente, a fazer escolhas muito diferentes das minhas.”

As palavras da Guida foram ao que considero ser o cerne da questão: sentir-se capaz de tomar decisões criativas, ao mesmo tempo que se sente à vontade para experimentar, sem medo. A Guida também menciona os progressos que tem feito, sozinha, mas inserida numa comunidade.

Fiquei deliciada ao ler estas palavras, pois um dos grandes desafios para mim nem sequer é criar receitas de bordado que sejam apaixonantes para os membros. Para mim, o maior desafio é manter os membros motivados e em paz com o seu próprio ritmo. E sentir que se fazem progressos é, na minha opinião, das coisas mais motivantes!

A Guida vai mais longe ao ver possibilidades que antes não via:

“Desde que entrei no Clube de Bordado air, presto ainda mais atenção aos trabalhos manuais, aos lavores, tenho mais interesse por diferentes tipos de pontos e bordados, e por vezes imagino imagens ou elementos do dia-a-dia que poderiam fazer um óptimo bordado.”

Para mim, isto é super entusiasmante! Adoro dar-vos um pequenino “empurrão” (um “empurrinho”, portanto) para que comecem a bordar. No fundo, cada receita de bordado é apenas um ponto de partida para a vossa criatividade. E é maravilhoso ver como os membros começam a esticar as suas asas à medida que ganham confiança, e experimentam com cores e materiais diferentes, criando bordados completamente novos.

Adoro. E adoro ver isso no Clube. Por isso, obrigada por estarem comigo nesta aventura!

Se ainda não faz parte do Clube, junte-se a nós! Vamos adorar ter mais gente connosco! Aproveito para relembrar que os preços vão subir no dia 1 de Setembro de 2015, por isso aproveite o preço actual e adira já.

 

P.S. A Guida está no instagram, onde partilha fotografias lindas do país onde vive actualmente, a Libéria. As fotografias neste post são dela. Obrigada, Guida!

You’ve been waiting too long

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You’ve been waiting to start making things for too long.

I know I have.

After a while, I start to feel the itch to make again. Maybe it happens because I look at some supplies (hello pastel crayons, it’s been way too long!), or see a picture of yummy knitting yarn on my instagram feed. Sometimes I pass by my local yarn shop and marvel at the colors. Sometimes I go by my favorite street and see the shop windows and imagine all the embroidery floss inside, waiting for me. The need to make something with my hands starts creeping in, like weed through the cracks on a wall of to-dos.

But then life happens, and I’m in a hurry to get to the studio, or to get home to be with my baby, and suddenly days go by and I haven’t started anything, I haven’t felt the satisfaction of seeing a project grow between my hands.

When I feel that pang of frustration, I know it’s time to do something about it.

When rushing from one place to the other, I try to envision what it is that I want to try my hand at. Do I want to start sewing? Do I need to get back to my paints and canvas? Do I need something small and portable? Something I can take with me anywhere? Something that does not need a lot of logistics?

That’s my first step: to find out what I want to make. Believe it or not, it’s a big part of the project.

When I set my mind on the project I want to pursue, I use my commute to mentally gather the supplies. What do I need to get? What do I already have? How am I going to solve this problem? Or that other one?

And when I finally have those ten minutes while the baby plays by herself, I can execute. I know what I want to make, I know the supplies I need, and that means I can roll my sleeves up and get elbow deep into my project.

And it’s amazing how ten (very fast) minutes can give me a sense of accomplishment and happiness, just because I took a step – be it a tiny one, or a large one – towards making. And making? It makes me happy.

How about you?

(Hey, just a reminder that the price for the air Embroidery Club will go up on September 1st. To join our lovely, friendly, supportive community of makers at the current price, do so today! We can’t wait to have you there. And you know what? Embroidery is a great way to take your “making” with you wherever you go!)

*

Há demasiado tempo que quer começar algo novo. Não há?

No meu caso, sim: há demasiado tempo que quero encetar um novo projecto; e tão pouco tempo para tudo o que quero fazer.

Há momentos da vida em que os dias passam a correr e nós, presos a todas as obrigações, andamos de um lado para o outro, numa correria, sem nos permitirmos pensar duas vezes sobre o assunto. Mas a vontade de fazer, em mim, manifesta-se de forma sorrateira. Começo a sentir a aparecer a vontade de fazer, como se de um pedacinho de erva, entalado entre duas grande pedras, se tratasse. Vejo as cores dos meus pastéis secos, guardados no armário; vejo um novelo lindo de lã no instagram; toco num tecido, ou sinto o relevo de um bordado na polpa dos meus dedos. Há dias em que passo na minha rua favorita e penso na paleta de cores de fio de bordar lá dentro das retrosarias, à minha espera. E sinto essa vontade de fazer.

Mas como fazer esse fazer acontecer? Os dias passam-se entre casa, bebé, atelier. Sem que eu dê conta já é fim do dia, outra vez, hora de jantar, banho e cama. Passa num instante. E de repente passou demasiado tempo desde que senti a satisfação de completar um projecto meu, feito por mim, com as minhas mãos.

Quando sinto essa frustração, sei que é o momento certo para avançar.

Começo por aproveitar aqueles momentos em que espero o autocarro para voltar a casa, ou vou a caminho de uma reunião, para pensar no projecto que quero encetar. Que quero experimentar desta vez? Quero brincar com os meus pastéis secos? Ou tricotar uma gola? Será que é das minhas tintas e pincéis que tenho saudades? Ou quero bordar um tecido? Quero algo que requeira alguma logística? Ou algo portátil, que venha comigo para todo o lado?

Esse é o meu primeiro passo, e por incrível que possa parecer, é quase metade de todo o projecto.

Quando decido qual o caminho, uso os pedaços de tempo para reunir mentalmente os materiais que preciso: quais já tenho? Quais preciso comprar? Onde os encontrar?

E chegado o dia em que tenho aqueles breves dez minutos enquanto a bebé brinca sozinha… nesse momento eu posso, simplesmente, arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Porque já sei o que quero fazer, já reuni os materiais, todos os preparativos estão feitos para, simplesmente, pôr mãos à obra.

É incrível quão rápido passam esses dez minutos e, ao mesmo tempo, a sensação de satisfação que tenho por os ter aproveitado bem, a ser feliz. Porque eu sou feliz a fazer coisas com as minhas mãos, e todos os passos, por pequenos que sejam, me aproximam dessa meta. Podem ter sido só dez minutos, mas valeram por mais, pela alegria que me trouxeram.

Passo a palavra ao caríssimo, ou caríssima, leitor. Que o faz feliz? E que passos dá para ser feliz?

(Antes de me despedir esta semana, quero só recordar que o preço para aderir ao nosso Clube de Bordado air vai subir no dia 1 de Setembro de 2015. Inscreva-se hoje mesmo para se juntar à nossa comunidade de gente amiga pelo valor actual. E sabe que mais? Os projectos bordados são óptimos para levar de um lado para o outro e satisfazer o “bichinho” do fazer em qualquer lugar e a qualquer momento!)

It’s been too long

On the blog: a post about time, energy and fear. Hope you like it. #embroidery #embroideryisforeveryone #airembroideryclub
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It’s been too long since you’ve made time for yourself. It’s been too long since you’ve made time to start a creative project.

You may ask how I know this? Well, I do. We (women, mothers, daughters, sisters, caretakers) have a tendency to cater for everyone’s needs before our own. What is it with that?

I know how it is about myself: I have that large, never ending to do list. I have lots of little items that take up only a few minutes, only together they suck hours out of my time. When I finally finish – or declare it “finished for the day” – I’m tired. And then, thinking about myself, about a project for me, seems like too time- and energy-consuming. I feel, to be honest, that I don’t have the energy to start something new.

But looking deep down inside, I understand that what I feel is fear, fear of not being creative enough, fear of challenging myself and realizing I’m failing.

So I postpone starting a new creative project, for fear of not being talented enough. I hide that challenge behind all the shoulds of my day, behind all those smaller tasks that are really important, but not more important than to make time to create. (That’s why deadlines are so useful to most of us, myself included: pressed against them, we have no option but to act.)

Where did the mere notion of play go? I want that back!

I am, despite my fear, taking a few steps in that direction. I have created an item on my daily schedule called “make time for art”. In that item I include sketching, painting, designing repeat patterns, embroidery. I include experimenting with new art supplies. I try not to be too conscious about it, what I will do with it, or if it is any good. (And let me tell you, that exercise of not thinking too much about if it is good or not? That’s a work in progress.)

I’m far from having a lot of free time in my hands but the little free time I do have, I want to be able to enjoy myself and make things. I like creating things with my hands, trying new knitting yarns and techniques, learning a new embroidery stitch.

Do you know that feeling when you’re in an airplane and it is taking off? You feel it needs a lot of power to beat gravity and get airborne. But then, once it is in the air, it feels almost effortless, doesn’t it? It’s exactly like that for me: it’s hard for me to make time to start something new, but once I am in the middle of it, I feel “in the zone”. I feel so in tune with my hands, my mind focused on that, my inner critic busy somewhere else. It’s so gratifying.

The air Embroidery Club is my tool to counteract my natural tendency to postpone starting something new, as it helps me narrow down the answer to the question “what will I start today?” I love creating these designs for you, as I try to put myself in your shoes and imagine your surroundings and listen to the sounds you are hearing as you embroider. I try to imagine what you will be thinking when you stitch that flower, or what podcast you are listening to when you weave in the end of the floss.

I think that the embroidery patterns members receive in their inboxes are wonderful prompts to help us get back to play. Which, if we think about it, is a great way to enjoy ourselves.

(Hey, a quick heads up: the air Embroidery Club will have a price increase in September 1st, 2015. Join today at our current rate and access our lovely, supportive community!)

 

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Já há muito tempo que não tira um tempo para si, não é verdade, caríssimo leitor? E mais tempo ainda desde que começou um projecto criativo.

Talvez se pergunte como é que eu sei isto? Pois. É que nós, mulheres, mães, filhas, irmãs, cuidadoras, temos uma tendência para cuidar das necessidades de todos os outros antes das nossas. O que é que se passa com isso?!

Eu sei como é no meu caso: tenho aquela lista de afazeres, longa, interminável. Tenho montes de pequeninas coisas, que só levam uns minutinhos!, mas que todas juntas esgotam horas do meu dia. E quando finalmente termino de riscar todos os pontos, ou declaro a lista terminada de momento, estou exausta. E nesse ponto, pensar em fazer algo para mim, por mim, parece demasiado exigente, não só em termos de tempo (“não tenho tempo suficiente!”) como também em termos de energia (“estou exausta!”).

Aparentemente, é a falta de tempo e de energia que me impede de começar um projecto novo, um quadro, um bordado. Na realidade, a verdade é outra: é ter medo, bem lá no fundo, de descobrir que afinal não tenho assim tanto jeito e que vou falhar.

E assim adio mais uma vez começar aquele projecto que tinha, por medo absoluto de descobrir que não tenho talento para isso, e que não vai correr bem, não vai ficar como eu imagino. Escondo-me atrás de todos os “deveres” do dia, de todas as pequenas grandes tarefas, de coisas que até são importantes, mas que ali me ocupam para não enfrentar face a face o tal medo. (é por isso que os prazos são tão importantes e úteis para muitas pessoas, eu incluída: à medida que se aproximam, temos cada vez menos tempo para ouvir essa vozinha venenosa dentro das nossas cabeças e mais rapidamente passamos à acção.)

E é por isso que hoje eu pergunto: onde foi parar aquela ideia de fazer um desenho para nos divertirmos? Porque é que criar se transformou numa tortura, em vez de ser um “brincar ao faz de conta”?

Apesar do meu medo, tento todos os dias dar pequenos passos em direcção à arte-diversão (artiversão?). Na minha agenda diária, criei um ponto que diz: “fazer tempo para a arte”. Nesse ponto incluo tudo o que seja pintar, desenhar, fazer esboços, brincar com canetas de feltro, experimentar um novo material, desenhar padrões, bordar. Tento não pensar demasiado sobre a “qualidade” ou o potencial que tem o que estou a fazer, e simplesmente divertir-me enquanto o faço. (Deixem-me que vos diga: não é nada fácil!)

Estou longe de ter imenso tempo livre, mas o pouco que tenho quero poder ocupá-lo a fazer coisas que me dão prazer. Entre elas está fazer coisas com as minhas mãos, aprender novas técnicas de tricot, por exemplo, ou combinar cores e pontos no meu bordado.

Sabem aquela sensação de quando estamos num avião que vai descolar e usa toda a força dos seus motores para lutar contra a gravidade? E depois, uma vez que está no ar, quase parece flutuar sem esforço? É exactamente assim que a coisa se processa para mim: custa-me começar um projecto novo, montar o cavalete e abrir as tintas, ir buscar o bastidor de bordado e pensar nas cores que vou usar. Mas uma vez que comecei, tenho aquela sensação de estar ali, presente, focada, a flutuar sem esforço naquela actividade. É tão gratificante.

O Clube de Bordado air é a minha estratégia para combater a minha tendência natural de adiar o começo de algo novo, pois ajuda-me a responder à pergunta: “o que é que vou começar hoje?” (uf, só de pensar em todas as opções já fico cansada…). Adoro criar cada uma das receitas para os membros, enquanto imagino onde cada um borda, o que ouve e vê à sua volta. Gosto de imaginar no que estarão a pensar enquanto bordam aquela figura, ou rematam a ponta do fio.

Para além disso, penso que as receitas de bordado que os membros recebem funcionam como um convite para iniciar algo novo, sem a dificuldade de decidir o quê. São um passaporte para aquele país em que estamos completamente focados e a desfrutar o que estamos a fazer. Pensando bem, é uma óptima forma de passar o pouco tempo livre que temos.

(Rapidamente, e antes de me despedir, queria só lembrar que os preços para aderir ao Clube de Bordado vão subir a partir do dia 1 de Setembro de 2015. Até lá, junte-se ao nosso grupo, cheio de gente simpática, gentil e prestável, ao preço actual.)

Why I love the air Embroidery Club

Ler em português

The air Embroidery Club is almost two years old – it will be two in September 2015. I’ve been having a lot of fun with it, and I thought I’d share why with you.

There are many reasons, but I will try to narrow them down to three: community, challenge, results.

This may sound artificial, but it’s true: we’re friends. The Club has created a supportive community of people who, living in different countries, have the passion for making in common. I know some of the members personally, but many I don’t, and yet I feel that we are friends. These are people who have always had a word of support towards one another, and towards me. And for that I am forever grateful.

Every month I strive to create an interesting embroidery template for the members. This means that each design needs to be challenging enough to entice members and keep them engaged, at the same time that it must not be too complicated, because people are busy and who needs yet another complicated thing in life? I try new stitches and techniques, I learn about different traditions around the world. It’s fun, interesting for the avid learner in me, and a challenge that I look forward to every month.

As a result of being part of the air Embroidery Club, many members have reported to feel more inspired. The sense of achievement after completing a project makes them (and me!) feel empowered and happy, knowing that they are able to create things of beauty on their own terms. Members tell me that after having joined the Club, they feel more eager to try their hand at other crafts and textile arts – and isn’t that what empowerment is about? Believing that you can, indeed, do something you thought you couldn’t?

Over to you: how does your favorite craft or pastime make you feel? Leave a comment below or send me an email.

P. S. Are you thinking about joining the air Embroidery Club? Keep in mind that prices will rise in September, so if you’re on the fence about it, do it now to enjoy the current rates. It will be great to have you with us!

Pictured above, air Embroidery Club members’ pictures of projects. Please click here to see these images on Instagram with links to the members.

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O Clube de Bordado air está prestes a celebrar o seu segundo aniversário! É já em Setembro de 2015 que o Clube faz dois anos e a experiência tem sido tão boa que pensei que seria interessante partilhar o porquê aqui convosco.

As razões são várias, mas hoje vou concentrar-me em três: comunidade, desafio, resultados.

Pode soar forçado, mas é a verdade: somos amigos. O Clube criou uma comunidade de pessoas que se apoiam umas às outras, apesar de viverem em pontos diferentes do globo. A paixão comum que temos por fazer coisas aglutina-nos. Conheço alguns dos membros pessoalmente, mas sinto que todos são amigos. São pessoas que têm sempre uma palavra gentil, de apoio, para oferecer, não só a mim como aos restantes membros. E isso deixa-me com uma imensa sensação de gratidão.

Todos os meses me esforço por criar uma receita de bordado que seja interessante para os membros. Isto significa criar algo que seja um desafio e que mantenha os membros empenhados no projecto, ao mesmo tempo que não pode ser demasiado complexa, pois já todos temos suficiente complexidade na vida! Todos os meses tento introduzir algo de novo, seja um ponto, seja uma técnica. Para isso procuro investigar sobre outras tradições de bordado aquém e além fronteiras. Como adoro aprender coisas novas, este é um desafio que muito me agrada.

Como resultado de pertencerem ao Clube de Bordado e de fazerem os projectos, vários membros me confessaram sentir-se mais inspirados. A sensação de “prova superada” fá-los sentir capazes, felizes, sabendo que podem criar beleza com as suas próprias mãos, à sua maneira. Contam-me vários membros que depois de terem aderido ao Clube sentem mais curiosidade e vontade de experimentar outras áreas nos têxteis, áreas essas que não teriam ousado experimentar antes, pois pensavam ser incapazes. E isto, acreditar que se é capaz quando antes se pensava não ser, não tem preço!

Passo a palavra ao leitor: como é que o seu passatempo favorito o ou a faz sentir? Deixe um comentário abaixo ou responda por email.

P. S. Se estiver a considerar aderir ao Clube de Bordado, tenha presente que os preços vão aumentar a partir de Setembro. Até lá, poderá aderir com as condições actuais. Venha, vai ser óptimo tê-lo ou tê-la connosco!

As fotografias acima são de projectos dos membros do Clube de Bordado air. Se preferir, clique aqui para ver as fotografias com links para cada um dos respectivos autores.

The ironies of knitting

"The principles of knitting", the #knitting bible. Writing up a review of sorts to be posted tomorrow on my blog (or in your mailbox if you're a subscriber)

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An update on our ongoing fundraiser in memory of our son Daniel: it’s going strong, yay! Thank you for your help sharing the campaign’s page link and donating! With your help, we’re almost hitting our stretch goal… with two weeks to go. Please keep sharing the link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you haven’t yet and feel this is a cause you want to support. Our most heartfelt thank you!

Oh, the ironies of knitting!

A few weeks ago I received the amazing book “The Principles of Knitting” as a gift from my dear husband (also known as “Prince” – not the famous singer) and I was delighted. It is, indeed, the bible of all things knitting, and it treats this amazing craft with the care and solemnity it deserves.

Knitting may be a very easy craft to learn; it may be perceived as a craft for old ladies; it may even be perceived as something out of fashion (which it is in the first case; and is not in the second and third cases). Knitting, like English, is easy to learn, at least the basics. Skills like casting on and off, purling and knitting are easy to acquire (I teach them in four hour workshops), and with these basic skills knitters can make almost everything there is to make in the knitting world.

But there are many advanced skills, techniques and bits of information that are accessible once you dig deeper. Very much like English, if you care for that comparison: a basic understanding gets you communicating with most of the people on the planet, but to access a larger variety of vocabulary and master idioms you must dig deeper.

And that is what this book does, it digs deep on all aspects of knitting, from the history of knitting, styles of knitting, techniques, design, patterns, you name it.

It was good to see that the yarn-around-the-neck style is mentioned, albeit as “Spanish” knitting. This is the way we knit in Portugal, and not the most common way to knit in Spain (it is presently very uncommon, I believe). It is also the customary way of knitting in Brazil, a country that shares a large portion of history and traditions with Portugal, and in neighboring countries like Peru and Bolivia. But the author is very careful when naming styles, saying that regional naming is not accurate; she suggests instead to name styles by the way the yarn is held. It makes sense to me!

I’m currently reading the chapter on Gauge and Swatching. To give some context to the non-knitters among you, gauge is the amount of stitches and rows that fit in a certain amount of space (usually, a 4 inch or 10 cm square). Swatches are samples of the knitting pattern a knitter intends to make, to test the combination of yarn, pattern and hands. Swatches are useful to show how a certain fabric will behave before and after dressing (washing and blocking, dry cleaning or pressing), and to give you raw gauge and final gauge (before and after dressing). Through swatching, a knitter can gather a lot of information about the way the garment will look and feel, without investing a lot of time and money in it. Gauge is particularly important if you intend to knit a garment where the resulting size is important, like a sweater. It is not as important if you intend to knit a shawl.

The Gauge and Swatching chapter in this book has got to be the most comprehensive guide to swatching, measuring gauge and analyzing the resulting fabric I have ever read. It is incredibly rich and detailed and it makes a very powerful argument for swatching: you can test many variables with a minimum investment of time and yarn. It explains in detail all the steps from quick test swatches to a final swatch, measuring raw and final gauges, making the math to get an accurate idea of how the final garment will look.

But you know what happens to many knitters (myself included)? We get impatient and when we set our minds into starting a new project, we want to start right away. So swatching and testing for gauge become a sort of obstacle… that’s why I’m not a keen swatcher. I don’t swatch with the scientific curiosity I can perceive from reading the author’s words; I swatch with dread. I want it to be over, as soon as possible. And that, my dear knitters, may or may not have rendered a few surprises in my knitting resumé. Looking at recent past projects, I have come to realize I mostly knit projects where gauge doesn’t matter too much, like a baby blanket. Or a cowl.

And that’s how we get to the ironies of knitting! Because I am knitting a cowl, I didn’t care much about swatching for gauge. And the fact that I’m making my cowl with a different yarn than the one suggested, as I substituted it for a local yarn, didn’t make me change my mind.

I’m knitting the Honey Cowl with the Trianon yarn from Lopo Xavier. It’s a lot thinner than the one suggested, so I went for the larger size. In its original yarn, it was supposed to be a big cowl, one that wraps twice around the neck; with this yarn, ahem, it’s a cowl that will wrap once around my head.

This was clearly an example of how swatching would have been useful, even if it’s not a sweater, or a pair of socks, where final size is of extreme importance. But I didn’t do it, so I’m getting a cowl that is different than the one I imagined. To tell you the truth, I love it anyway. It seems like I can’t learn the swatching lesson!

But you know what? I can. I did learn it, and the next time I plan on knitting a larger garment where fit is paramount to the success of a project, I will go back to June Hemmons Hiats’s chapter on Swatching and Gauge in the wonderful, most complete knitting reference book I’ve ever seen.

How about you? Do you care about swatching?

*

A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

Uma actualização sobre a campanha de angariação de donativos em memória do nosso filhote Daniel: continua a decorrer, e em força! É graças a vocês que estamos quase a atingir o nosso segundo objectivo, aquele que só em sonhos iríamos atingir. Obrigada por continuarem a partilhar a página da campanha com as vossas redes, e também por nos apoiarem com os vossos donativos. Por favor, continuem a fazê-lo! Partilhem o link da página da campanha (http://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se puderem, façam o vosso donativo. Bem hajam! 

Oh, as ironias do tricot!

Há umas semanas atrás, recebi, presente do meu querido Príncipe, o livro “The Principles of Knitting”. Este livro é uma bíblia do tricot, e aborda esta actividade com a solenidade e curiosidade histórica e científica que o tricot merece.

A imagem do tricot ainda está rodeada de vários preconceitos. Para muitos, é uma coisa que caiu em desuso e que só as velhinhas gostam de fazer – em ambos os casos, mentira. Não só não caiu em desuso como há homens e mulheres de diferentes idades a tricotar. Não é difícil aprender a tricotar: adquirir os conhecimentos básicos, como montar as malhas, fazer liga, meia, elástico e rematar, são coisas que ensino nos meus workshops de tricot). E com estes conhecimentos pode fazer-se quase tudo no mundo do tricot.

Mas depois há os conhecimentos mais avançados, as técnicas, a experiência, toda aquela informação que só está disponível quando se pratica, investiga, procura. E é isso o que este livro faz: investiga, disseca a fundo tudo o que tem que ver com o tricot, com a história do tricot, os estilos, as técnicas, as receitas, a construção das peças, enfim, tudo.

Foi bom constatar que a forma como tricotamos em Portugal, com o fio à volta do pescoço, ou a passar por um alfinete preso ao peito, está mencionada no livro. Curiosamente é mencionada como sendo um estilo “espanhol”. Segundo sei, em Espanha não é comum tricotar com o fio à volta do pescoço… já aqui em Portugal, bem como no Brasil e também nos seus vizinhos Perú e Bolívia, o fio à volta do pescoço é a forma mais comum de se tricotar. Mas a autora é cuidadosa em relação a atribuir nomes regionais aos diferentes estilos de tricot, e sugere portanto que sejam denominados pela forma como se segura o fio: com a mão esquerda, com a mão direita, atrás do pescoço. Faz sentido!

Estou de momento a ler o capítulo sobre “Tensão” e Amostras.

(Abro aqui um parêntesis para reflectir um pouco sobre a palavra “tensão”, que não reflecte exactamente o que é “gauge”, que é calibre, bitola. No caso do tricot, é o número de malhas e de voltas que cabe num quadrado de 10 cm de lado. Apesar de a tradução não ser a mais correcta, vou usá-la aqui, com esta ressalva, pois é o termo que tenho visto utilizado em português para este efeito. Fecho parêntesis.)

Para dar algum contexto a quem não está familiarizado com estes termos, “tensão” (ver nota acima!) refere-se ao número de malhas e de voltas que cabem num quadrado de 10 cm de lado. As amostras são isso mesmo: pequenas amostras que são feitas para testar a combinação entre as variáveis fio, padrão e mãos. As amostras são muito úteis por facultarem informação sobre como é que o tecido final se irá comportar antes, durante e depois do seu tratamento (lavagem, limpeza a seco ou pressionando suavemente com o ferro à temperatura adequada para o fio em questão). Também são fundamentais para se apurar a “tensão” antes e depois do tratamento escolhido. Com um investimento relativamente pequeno de tempo e de dinheiro, as amostras dão indicações bastante importantes sobre como a peça final resultará. A “tensão” é particularmente importante quando se planeia uma peça como uma camisola, ou um par de meias, onde uma variação de tamanho poderá significar que simplesmente não serve; e é menos importante numa peça como um xaile, ou uma manta de bebé, onde uma variação de tamanho não terá um impacto significativo no resultado final.

Este capítulo deve ser o mais detalhado, estudado e cuidadoso texto sobre “tensão” e amostras que já li na minha vida. Dá instruções passo-a-passo sobre como testar, medir, corrigir e melhorar a tensão nas amostras, como lavar, secar e cuidar delas, para obter o melhor resultado com cada tipo de fio. É um texto com argumentos muito fortes a favor de fazer amostras para cada projecto, enumerando as muitas vantagens com cuidado.

Mas sabem o que acontece a muitos tricotadeiros e tricotadeiras (eu incluída)? Quando queremos começar um projecto ficamos impacientes, desejosos de arrancar, e essa coisa de fazer amostras acaba por ser um obstáculo no nosso caminho… e é por isso que não adoro fazer amostras. Ao ler as palavras da autora no livro, noto que encara esta etapa do projecto com uma curiosidade científica que eu não sinto; eu faço amostras porque tem de ser, e vezes há em que… mais ou menos. E é por isso que já tive algumas surpresas no meu percurso no tricot! Olhando para os meus últimos projectos, constato que tenho procurado fazer peças em que a “tensão” não é fundamental, e em que variações no tamanho final não sejam importantes no êxito da peça. É o caso da mantinha para a minha bebé, ou da gola que estou a tricotar neste momento.

E é aqui que chegamos às ironias do tricot! Como estou a fazer uma gola, não me preocupei muito com a “tensão”. Como estou a usar um fio mais fino que o recomendado, optei pela gola maior, para compensar. E assim avancei.

Estou a tricotar a gola Honey Cowl com o fio Trianon da Lopo Xavier, do Porto. Na sua versão original, esta gola seria suficientemente grande para dar duas voltas ao pescoço. Na minha versão, contudo, só vai dar uma.

Este é um exemplo onde ter feito uma amostra teria sido útil para perceber que adaptações à receita teria de ter feito para obter o resultado desejado. Mas não o fiz, e vou ter uma gola linda, mas diferente da que tinha imaginado. Para dizer a verdade, parece até que não aprendo a lição!

Mas sabem que mais? Sim, aprendi a lição; e da próxima vez que for tricotar uma peça em que o tamanho final seja fundamental para o seu êxito, irei voltar a ler este capítulo no mais completo livro sobre este assunto. A autora, June Hemmons Hiats, está de parabéns.

E que me diz o caríssimo leitor sobre amostras?

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Baby blanket: complete!

I do not condone graffiti (only of the knitted kind). #knitting #lisbon #lisboa #jardimdaestrela

Just before leaving for our vacation, on the day of the flight, actually, I woke up a bit before my two sweeties and got to work: I had a blanket to finish! I was so close to completing it, just a few ends to weave in and two tassels to make, I wanted to get it done before leaving. So I did.

I only got around to photograph it last weekend, but here it is: the first item I knitted for my daughter, a baby blanket. It’s Purl Soho’s Colorblock Blanket (ravelry details here), knitted with 14 hanks of 10 different colors of Lopo Xavier’s Phoebus wool yarn.

This has been such an important project for me. Those of you who just joined this community may not know, but this has been a pivotal blanket in my healing process after the birth of my twins and the death of my baby boy, almost one year ago (it will be one year next week). For several months after the trauma, I didn’t feel like picking up my needles and this project was the first one after taking up knitting again.

It has accompanied me during the last few months, and every new color marks a new stage in my healing. It’s a simple enough project that I felt like knitting, and interesting enough to keep me motivated with its different colors.

And the yarn, have I mentioned the yarn? It’s lovely, lovely, not as soft as merino, no, but certainly soft and squishy that I want to keep the blanket in close contact with my skin – I mean, ahem, I want to use it all the time to cover my daughter.

I wrote and posted pictures about knitting this blanket in multiple occasions: here, here, here, here.

How about you? How do you feel when you finish something you are making (baking, knitting, sewing, crafting…)?

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Baby #blanket: finished! The weather is now too hot for a woolen blanket, but there's always next winter (and many more, I hope). Soon to be on the blog (or in your mailbox, if you signed up for email updates). #knitting

Terminei a manta! Sim, terminei a primeira mantinha que tricotei para a minha bebé, precisamente no dia em que partimos para as nossas férias no Oriente. Já me faltava tão pouco para terminar – umas pontas para rematar e duas franjas para fazer – que não queria mesmo ir embora sem deixar esse assunto “arrumado”. E assim foi. Levantei-me antes dos meus queridos e terminei o que faltava e bum!, sem saber ler nem escrever tinha a mantinha da minha fofinha terminada.

Com a viagem, e todos os afazeres que normalmente nos aguardam quando voltamos a casa, só consegui fotografar a manta no fim-de-semana passado, num passeio muito divertido com os meus queridos no Jardim da Estrela. Houve patos afugentados e algum perigo e mistério, mas conseguimos registar a primeira peça que tricotei para a minha bebé. A receita é “Colorblock Bias Blanket da loja Purl Soho de Nova Iorque Colorblock Blanket ( todos os detalhes no ravelry), tricotada com 14 meadas de 10 cores diferentes da lã Phoebus da Lopo Xavier, no Porto.

Este projecto foi – é! – tão importante para mim. Os leitores mais recentes talvez não saibam que esta mantinha tem sido um ponto de viragem no meu processo de luto após o nascimento dos meus gémeos e da morte do meu rapazote, há quase um ano (um ano na semana que vem). Apesar de ser uma tricoteira fanática, não tive a menor vontade de pegar nas agulhas durante vários meses após o trauma. E este foi o primeiro projecto que me fez retomar o prazer do tricot.

Esta manta tem-me acompanhado durante os últimos meses, e cada nova cor marca uma nova etapa do meu processo de luto e recuperação. É um projecto simples o suficiente para me motivar para o tricot, e interessante o suficiente para não o abandonar a meio (se bem que eu não sou de abandonar projectos a meio, mas uma pessoa fica virada do avesso).

E a lã, já falei aqui da lã? É maravilhosa, fantástica. Não tão suave quanto o merino, é certo, mas suave e fofa o suficiente que desejo tê-la sempre colada à minha pele. Digo, a cobrir as pernocas da minha bebé, que é para quem a mantinha foi feita. Aham. Se é que me faço entender. 😉

Já aqui escrevi (e partilhei fotos) sobre esta manta em várias ocasiões: aqui número 1, aqui número 2, aqui número 3, aqui número 4.

E o meu caríssimo leitor? Que projecto terminou recentemente? E como se sentiu? Quero saber tudo (por mail ou comentário abaixo). Obrigada!

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Embroidery and vulnerability

#embroidery for next month's #airembroideryclub project. So many things to say about this one. And so many French knots.

This may seem strange, but this project (available May 1st for air Embroidery Club members) was one that made me feel vulnerable and challenge my own usual way of embroidering. It is based on a pattern I designed a while ago, and if you look at it, you will see that what you have is leaves against a white background. If I were to ask you what was on that background, what would you say? That there was nothing, maybe. Or just space.

In this project, I thought a lot about the prompt my painting teacher back in Buenos Aires used to give us: to build the shape from the space that surrounds it. It sounds a bit like art-y mumbo jumbo, but it does make sense when you don’t think about it, and instead just act on it.

I love drawing and drawing has been my background for a very long time. I love lines, traveling lines on a surface, lines moving just so not only to show us the shape (the human body, for instance, or a building, or a flower), but also to show us the shape in an expressive way.

But how would I represent the space that surrounds the shape, and not the shape itself? The space was air, nothing to grab on to, nothing I could put down on my canvas with a line. That’s when I started using larger and flatter brushes, brushes that offer not a lot of detail but cover large areas. And that’s how I conquered my fear of letting go of lines.

Fast forward a few years to today. I haven’t painted in a while, and, as you know, I have been embracing embroidery as a creative and artistic medium, so the same challenge makes sense here too: how can I represent the space surrounding the shape? With satin stitch, for instance. But what if I want to take a larger detour and work with “handmade pixels”? That’s when french knots came in. They look and feel like little grains of sand, tiny bits of information, which, through repetition, have different meanings.

When I first looked at the design to be embroidered, my impulse would make me start covering the lines with backstitch, just like using a pen to trace them on paper. But then I forced myself to go against it, and threw myself into the challenge of adding mass to the air surrounding the shape. The very same air that is “nothing”, a “white background”. Let me tell you: the process was scary. What made me stick to it was the vision that I had, not what I was seeing on the hoop in my hands.

When I was done applying (many, many) french knots to what once was just a “white background”, and now was the heavily populated space around the leaves on the foreground, I felt tempted to add some defining stitches to the leaves as well. As if they needed something, because they happened to be the foreground, the shape.

I tried a few stitches, feather stitch, backstitch… and no. They looked good on one leaf, but not on all leaves. They would defeat the purpose (my purpose) of embroidering the space and not the shape. So I cut all the stitches and pronounced my experiment done. I’m happy about it, about the result, about having had the creative courage to follow my vision and to resist the temptation of my own usual path.

And now I invite you to come along this journey. Join the air Embroidery Club today: you’ll receive this pattern on May 1st, plus April’s embroidery pattern, free, because I know that once you join the Club you simply can’t wait to start stitching!

And a bit of unrelated news: my family and I are taking two weeks off, starting this weekend. I’m super excited about it, as it involves – yet again! – lots of emotions and memories of my childhood. If you want to follow along, sign up for the news (and access all the freebies I have for you). I will be sending some photo updates from the trip, directly to your email inbox. Yay!

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French knots in May's #embroidery for the #airembroideryclub. Thinking of #spring and enjoying the view over #lisbon #lisboa

Pode parecer estranho, mas o projecto de Maio (disponível no próximo dia 1 para os membros do Clube de Bordado air) foi um desafio que me fez sentir bastante vulnerável em termos criativos. Baseia-se num padrão que desenhei há algum tempo atrás, e se olhar com atenção, o que vai ver é um conjunto de folhas contra um fundo branco. Se lhe perguntar o que há naquele fundo, que me diria? Nada, talvez.

Este projecto fez-me pensar muito no exercício que o professor de pintura, lá em Buenos Aires, nos propunha: chegar à forma através do espaço. Soa estranho, é certo, mas é fácil de entender uma vez que se desiste de pensar no assunto e, em vez disso, se tenta pintar dessa forma.

Eu adoro desenho, adoro desenhar. Adoro linhas que viajam num papel, se movem de tal forma que não só representam uma forma (o corpo humano, por exemplo), como o fazem de maneira expressiva.

Mas como representar o espaço, e não a forma, usando linhas? O espaço tem ar, não dá para agarrar, como fixá-lo na minha tela com linhas? Foi aí que comecei a usar trinchas nos meus trabalhos. Não permitem muito detalhe mas cobrem áreas grandes. E assim conquistei o meu medo de deixar partir as linhas.

Há algum tempo que não pinto; de há algum tempo para cá, tenho abraçado o bordado como meio expressivo de eleição, de maneira que o mesmo desafio também faz sentido aqui: como representar o espaço? Com um ponto de enchimento, por exemplo. Mas e se quiser percorrer uma via ainda mais experimental (para mim) e usar algo como um “pixel manual”? Aí entraram os nós franceses. Têm um aspecto de grãos de areia. Tal como os bits de informação, colocados de forma diferente comunicam significados diferentes.

Quando terminei de transferir o desenho para o meu tecido, o meu primeiro impulso foi o de começar a bordar sobre as linhas com o ponto atrás, tal como se fosse uma caneta a desenhar sobre papel. Mas esforcei-me por combater esse impulso e atirei-me ao desafio de dar massa ao ar em volta das folhas, fazendo nó francês atrás de nó francês. O mesmo fundo que não era mais que espaço em branco passou a ser aquele que dá a informação que falta à forma. Mas não vou mentir: o processo foi um pouco assustador, e o que me fez manter-me na minha missão foi a visão de como eu imaginava que iria ficar o trabalho, uma vez terminado, e não aquilo que estava a ver à minha frente, no bastidor que tinha nas mãos.

Quando terminei de bordar os (muitos) nós franceses, ainda senti a tentação de bordar as nervuras das folhas, dar-lhes um pouco de informação… pois é assim que as formas que estão em primeiro plano costumam ser representadas. Tentei aplicar ponto de espinha, ponto atrás… e não fiquei satisfeita. Até gostava de ver numa folha, mas não em todas, e isso acabaria por contrariar a minha visão inicial de representar a forma pelo espaço que a rodeia. E por isso retirei todos esses pontos e dei a minha experiência como terminada. Estou feliz com o processo – de tentativa, erro, tentativa, medo, tentativa – e com o resultado também. Estou satisfeita por ter tido a coragem criativa de desafiar tudo o que é normal na minha forma de trabalhar.

E agora convido-o a si, caríssimo leitor, a aceitar este desafio e a juntar-se ao Clube de Bordado. Esta receita estará no seu email no dia 1 de Maio. Mas antes disso, e para que não tenha de esperar, envio-lhe o projecto de Abril, gratuitamente, pois sei que quem quer bordar não tem vontade de esperar duas semanas até que chegue o dia.

E agora, nada que ver: estamos prestes a ir de férias durante duas semanas, viva! Estou muito contente por ir passear para as bandas onde cresci. Para seguir esta aventura, basta assinar a newsletter (e ganha acesso a todos os conteúdos gratuitos que tenho para si). Vou enviar actualizações fotográficas da viagem directamente para a sua caixa de correio. Viva!!

Where will it go?

Previous #pattern started out as a sketch on my #sketchbook. Let's see where this goes...

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A creative business should be mostly “creative” and a slight bit “business”, right? Unfortunately, it has come to be my experience that the business part takes most of the time. Or at least it feels that way to me. There are so many tasks, big and small, around running a business. I want to tackle them first to get them out of the way, in order to concentrate on creative projects.

The problem with this approach is, most often, the time to create never comes. And when it does, it’s filled with pressure to perform, because it is limited.

This has been my challenge for a very long time.

To try to solve this, I’ve created an item on my daily to do list that reads: “make time for art”. This is seen as a task, just like the administrative work that needs to be done. And it is the time I just doodle on my sketchbook, or experiment with a new technique. I try to do it just for the pleasure of making, just for fun, without thinking about the results.

Not thinking about the outcome has been pivotal, as I have come to discover that the pressure of the outcome, allied to the contributions of my inner critic, were preventing me from having fun creating.

This was exactly what happened with several pattern designs I have worked on lately: they started out as inconsequential doodles on my sketchbook, just for the joy of it. During this time, I try to occupy my mind with podcasts and avoid its interference, and simply enjoy sketching without thinking about outcomes.

I let those sketches simmer for a few days and only then I search for material that may be interesting to explore further, like the doodles above. When I looked at this sketch, I saw the potential for a repeat pattern.

Now, who knows where this may go? Where do you see it going? Do you have any strategies you want to share?

P.S. I added a few new patterns to the portfolio, check them out.
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On the subject of creativity and the pressure to perform: a wonderful article on Forbes magazine about Aerosmith’s Joe Perry; Elizabeth Gilbert’s talk on TED. Enjoy!

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Probably my first #floral #pattern. #illustration #DSpattern

Quem trabalha por conta própria, nomeadamente no mundo das artes e do design, passa uma parte significativa do seu tempo a tratar de assuntos administrativos do seu negócio. No meu caso, a tentação de despachar as tarefas administrativas para depois me poder dedicar aos projectos criativos já provou não ser a melhor abordagem. Muitas vezes, o tempo para a criatividade nunca chega! E quando chega, vem carregado de uma pressão muito grande para obter resultados “perfeitos”.

Este tem sido um desafio ao longo da minha vida profissional: como equilibrar a parte de negócios e a parte criativa da minha actividade?

Ultimamente, a minha estratégia tem sido a de criar um item na minha lista de afazeres precisamente para isso: para desenhar, escrevinhar, experimentar. Tal como todas as tarefas administrativas que tenho que cumprir (“fazer IVA”, “responder a emails”), esta é uma tarefa que tenho de fazer todos os dias, só porque sim, sem pensar no resultado.

Não pensar no resultado tem sido a parte mais importante de todo o processo, já que quando a mente interfere – nomeadamente na voz do meu crítico interno de serviço – nem me divirto, nem consigo produzir. E aí vem a frustração.

Para ocupar a mente, ouço um podcast sobre algo que me interessa, e aproveito essa distração para desenhar sem fim à vista, simplesmente desfrutando do processo. Quando termino, fecho o meu caderno e deixo os desenhos marinar. Ao cabo de alguns dias, espreito-os, e vejo quais têm potencial de ser explorados e converterem-se em algo novo.

Foi exactamente assim que nasceram vários padrões em que tenho trabalhado ultimamente. Este que aqui vêem começou como um desenho rápido no caderno, depois evoluiu e transformou-se num padrão. Em que mais se virá ele a transformar? Onde irá parar?

E vocês? Que estratégias têm para se dedicar ao que vos dá prazer?

P.S. Adicionei novos padrões ao portefólio.

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Sobre a criatividade e a pressão dos resultados: um artigo sobre Joe Perry dos Aerosmith; a segunda apresentação de Elizabeth Gilbert nas TED Talks. Espero que gostem!