Category: Buenos Aires Bye Bye

Buenos Aires bye bye (4)

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Estar longe do meu país deu-me – talvez mais do que esperava – um ataque de patriotismo agudo. Durante estes anos aqui em Buenos Aires, onde assumem sempre (mas sempre!) que sou brasileira, encontrar coisas que me façam lembrar de Portugal deu-me muita alegria.

(Abro aqui um pequeno parêntesis para explicar que não tenho absolutamente nada contra o Brasil ou os brasileiros e não considero minimamente ofensivo que pensem que sou brasileira. Não é nada disso. É só a coisa de “assumir”, ou seja, para um argentino, só porque falo português, sou brasileira. E não, juro que no mundo há outros lugares onde também se fala português, nomeadamente… em Portugal.)

Todos sabemos que a distância nos dá uma perspectiva mais clara do panorama, seja ele uma situação familiar ou até a de um país. E estar aqui na Argentina trouxe-me talvez uma maior apreciação pela vida que Portugal proporciona aos seus habitantes. Não vou dizer que é um país nórdico no que toca a salários ou à altíssima eficiência do serviço nacional de saúde, mas também não é a desgraça de que os meus compatriotas tanto falam. Viajar – e viver no estrangeiro – dá-nos ferramentas de comparação entre a nossa e a de outro lugar. Em todo o lado há coisas melhores e outras piores; faz-nos falta a nós, portugueses, apreciar mais as coisas que temos e valorizar-nos mais perante o exterior. E esta também foi uma aprendizagem com os argentinos, que têm de si próprios uma imagem muito boa (talvez exagerada) mas que lhes dá uma confiança imensa e um espírito de iniciativa invejável.

A distância também nos faz entender até que ponto somos de um certo lugar: nunca me tinha sentido tão portuguesa quanto aqui, na Argentina. Mas também sei que, um dia quando voltar a Portugal, me vou sentir mais estrangeira que nunca.

Buenos Aires bye bye (3)

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Árvores, árvores, árvores. Buenos Aires tem muitas árvores. Aliás, uma daquelas estatísticas que os argentinos em geral e os porteños em particular gostam de fazer é que é a cidade da América Latina com mais árvores.

(Claro que esta afirmação não tem absolutamente nada de científico e denota até uma pequenina ironia da minha parte, já que uma das características locais é que os próprios são sempre os “mais” de alguma coisa. Alguns exemplos: o terceiro maior relógio do mundo, com figurinhas a sair e tudo, está numa terrinha perdida no planalto andino, na província de Jujuy, e vem a seguir ao de Bariloche e ao Glockenspiel de Munique! A avenida mais longa está, obviamente, aqui na Argentina, e é uma avenida que começa em Buenos Aires, se transforma em estrada nacional e chega até Mendoza, a mais de mil quilómetros daqui. Claro, este recorde é disputado entre as duas cidades, já que ambas se orgulham do mesmo… Enfim, já deu para ver o exagero da coisa, não?)

Voltando às árvores em Buenos Aires, realmente são numerosas e fazem muita, muita diferença. Esta é uma cidade que de ares bons tem muito pouco, já que o parque automóvel tem uma idade média muito alta. É decrépito, ruidoso, fumarento, enfim, responsável pela maioria da poluição urbana. As árvores, essas, para além de ajudarem a limpar o ar, constituem também um isolante acústico significativo. Caminhar num passeio com árvores não tem absolutamente nada que ver com a situação análoga numa rua desprovida de verde.

E por isso, adoro as árvores nesta cidade. São lindas todo o ano, cada uma em seu momento.

Buenos Aires bye bye (2)

02_BsAs bye bye: gyozas no Jardín Japonés

A comida japonesa crua nunca me atraiu por aí além. Pelo menos até chegar a Buenos Aires, cidade num país onde a cultura de comer peixe é inexistente. As honrosas excepções são o sushi, japonês, e o ceviche, peruano.

Para uma adepta fervorosa do peixe como elemento fundamental da alimentação, o panorama cá não era muito animador. E foi aí que dei o passo e me apaixonei loucamente por toda a comida japonesa (a cozinhada e a crua também). Agora, se pudesse, comia sushi… quase todos os dias.

Na fotografia em questão estão umas gyozas deliciosas que comemos no restaurante que está instalado dentro do Jardim Japonês, um oásis plantado no meio da selva urbana.

Buenos Aires bye bye (1)

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Um dos meus espaços favoritos em Buenos Aires é, sem dúvida, o Malba, o Museu de Arte Latino-Americana. Tem uma planta quase triangular – ou pelo menos o átrio é triangular – o que o transforma imediatamente num edifício invulgar. O espaço é luminoso e cheio de reflexos, mesmo nos dias cinzentos. E na Primavera, os jacarandás em flor da rua ao lado enchem a vista do visitante.

A colecção permanente é interessante, mas vale sobretudo pelas exposições temporárias e pela animação cultural. A cafetaria era muito boa e acessível, agora é boa e muito cara.

Buenos Aires bye bye

Ainda no registo “aqui há dias” que referi no post anterior, vejo que não há nada de tempo (há já um ano e meio, eu seja santa!) publiquei aqui no “Entre…” uma série de fotografias subordinadas ao tema “Buenos Aires by night”. Pois agora que a data da partida se aproxima, parece-me pertinente uma outra série, desta feita “Buenos Aires bye bye”.

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Reúno aqui coisas que para mim foram importantes neste período, que esta cidade me proporcionou, ou que aprendi enquanto cá estive. Espero que gostem!