Month: November 2010

O número de Novembro já anda no ar!

"We´re in Panama!" issue #6, November 2010

Ora para quem não se apercebeu, ali para as bandas do meu outro blog já foi lançado o número de Novembro da zine. Desta vez com pedido especial! Explico: vou fazer uma apresentação sobre a zine aqui no Panamá e gostaria de ter fotografias da zine tiradas pelos leitores: quer sejam “zine parties” ou leituras mais tranquilas, mandem-me as vossas fotografias da zine pelo mundo. As melhores serão publicadas aqui e incluídas na apresentação.


Issue #6 of “We’re in Panama”

"We´re in Panama!" issue #6, November 2010

November issue of “We´re in Panama!” is now online! As usual, it´s free to download, and you can find it here. Print it out and enjoy it!

I love receiving all your comments and e-mails, so this month I´ll be raising the feedback bar: I´m preparing a presentation about my e-zine and want to include photos of readers – of you. Please send me your images of you, your kids, your friends reading this e-zine, or this e-zine travelling to different parts of the globe. The best images will be included in the presentation!

Oh, I can´t wait!

Enjoy reading it!

Buenos Aires revisited

Going back to Buenos Aires felt a bit like going home. I needed to get a haircut, to visit my osteopath, buy some buttons (as if there were no buttons in Panama) and go to my favourite restaurants.

Salmon ravioli asian style

Tiraditos in Osaka

I didn´t visit one single museum – but I walked and walked, sat under the blooming jacarandas and took my sketchbook out to draw.

Floralis Generica, Buenos Aires

I had tea with friends, making up for a social life I still don´t have in Panama. I realized, those ties and friendships I created there were thicker and deeper than I had thought.

I saw Christmas decorations (this is end of November, already?) and felt cold, after six months of hot, humid weather. There was cold wind and sleeping with a blanket, hot sun and lots of blooming roses at the Rosedal de Palermo.

Roses at the Rosedal de Palermo

There was the girl in Osaka who recognized us and helped us with an off the menu request – she made me happier than she knows. As if it weren´t enough, I bought myself a good, solid portion of choc-salt cookies. And for once the lack of coins served my purpose: change was given in cookies. Oh, yum!

Choc-salt cookies!

After five days of walking, feeling, experiencing a return to a city where I lived, where I was happy (and unhappy too), where I met so many new friends and met a new me, I came back to my new home in Panama. We´ll see where this ride takes us.

Where Retiro meets Puerto Madero, Buenos Aires

(Guess who came along?

"We´re in Panama!" goes south...

Oh yeah.)

Entre o Panamá e Buenos Aires

Floralis Generica, Buenos Aires

Seis meses depois da partida, voltei a Buenos Aires para cinco dias de jacarandás em flor, muitos passeios a pé e muitos, muitos mimos das amizades que fiz nos meus anos por lá. Não visitei nenhum museu (e olá se tenho um déficit de cultura) nem conheci lugares novos, mas revi os meus preferidos (como a flor, acima) e, sobretudo, sentei-me à sombra lilás que agora inunda a cidade. Novembro é o meu mês preferido em Buenos Aires, e tive a sorte de lá poder ir.

Passei pela minha antiga rua e falei com a minha querida porteira – e amiga; visitei o ginásio e falei com as companheiras de sofrimento na aula de pilates. Revi tricotadeiras e partilhei chazinho e bolo; visitei a minha antiga aula de pintura, cheguei no intervalo e daí passámos ao chá, do primeiro chá ao segundo, e do segundo ao jantar.

Visiting my former painting class

Notei a louca inflação, que duplicou preços entre Maio e Novembro; vi as mudanças na demografia da noite, alguns restaurantes fechados e muito menos gente nos restaurantes da moda. Jantar fora está muito caro.

Iglesia del Pilar, Buenos Aires

Adorei não ter calor de noite nem sentir humidade no ar. E sobretudo – ou apesar de tudo – adorei a sensação de voltar a casa, uma casa que já foi minha, já não é minha, mas sempre estará no meu coração.

Nos vemos!

After many, many months…

I´m painting again

…I´m painting again and it feels so good. I missed all the brushes and colours and the freedom they contain in themselves.

Painting makes me happy.

(more photos here)

Depois das estrelas no céu…

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

…umas estrelas no mar, só porque sim.

Estas estrelinhas vivem alegremente na praia apropriadamente denominada de “praia das estrelas do mar”, na Isla Colón, no arquipélago de Bocas del Toro, aqui mesmo no Panamá.

Just because it´s pretty

Estrelas do mar em Bocas del Toro, Panamá

(photo taken back in October in Bocas del Toro, Panamá. Nice, nice place to visit, but remember to bring mosquito repellent.)

A first: azulejos!


Azulejos :: painel

Sometime ago my friend A. asked me to design a panel of portuguese traditional, hand-painted tiles (“azulejos”) to match the coat-hanger she wanted to have by the main door in her new flat.

I was thrilled with this project! Not only it was the first time I ever designed an azulejo – I studied lots and lots of designs when I was in university, but unfortunately never got to design my own -, but also because I love, love patterns and that chemistry that happens when you put modules side by side and repeat them.

The brief was to design something that was based in traditional patterns, but with a modern twist. I came up with a design and crossed my fingers. The tiles were brilliantly executed at Azulejaria Santiago, where they were brilliantly hand-painted and later installed in their spot.

I´m thrilled with the result and looking forward to working again with patterns and azulejo!

(Not so much a) sidenote: if you´ve ever been to Lisbon and rode the subway or just wandered around the streets, you´ll know how much azulejo tiles are used in public spaces. One of the greatest panel designers is the living legend Maria Keil, a huge inspiration to me. Check out some of her work by clicking here.

All images by Christophe Sauvage.

So many things

These have been very introspective times here in this studio of mine. I´ve been having loads of work (which I´m thankful for) and am, constantly, searching for more work, creating new projects and presenting new ideas to potential clients.

It´s been busy, busy, and I haven´t felt like posting much. Sorry.

One thing that has been on my mind is the (long overdue) portfolio website redo. Oh dear. I wonder if I´m alone in this, but just thinking about having to change it makes my heart shrink a bit. It´s not that I don´t think it needs to be updated – it´s just that working on something that I can´t control (because I don´t know enough when it comes to web design) and therefore takes me three times longer than it should makes want to jump off my 49th floor balcony. Ok, not so literally, but you get my drift.

Other than that, it´s still kind of weird not to have four seasons, but only two: it´s still pretty much rainy, terribly wet all the time. Not too hot, though, which is fine. It´s almost the end of the year and I don´t feel it around me. No yellow leaves on the floor (as during my northern hemisphere days) nor purple jacaranda trees (as in Buenos Aires), so sometimes I must check the calendar just to be sure. It´s November. It´s chestnut and fireplace time in Portugal.

Anyway, enough about this. Here´s some of the things I managed to do on my breaks from my design projects:

Third attempt at a Christmas present

This is my third attempt at knitting a Christmas present for someone mysterious – can´t say that person´s name as he or she does not know he or she is a recipient of a knitted gift.

The first finished sweater was too small (but too cute to frog); the second one was rightly sized, but not well designed; therefore, frogged.

This is the third go. We´ll see how it goes.


We use cloth napkins at home and needed our stocks refilled, so I bought some native kuna design fabrics (100% cotton, unfortunately not organic) and sewed a pretty simple hemline on them. There´s a learning curve in sewing, people!

And I finally started painting again. This time, there´s no class, no studio, no model, just me, my brushes and the beautiful view from the balcony. We´ll see where that takes us.

What have you been up to lately?

Mais uma estrela no céu

Pensava eu que ia passar uns ociosos 5 dias em que podia escolher alegremente as actividades que me aprouvessem: ora costura, ora tricot, ora pintura… enfim, o que me apetecesse, quando me apetecesse.

Mas não. Surgiu um trabalho, adiantaram-me uma entrega, e como tal estive alegremente no expediente como se de dias normais se tratassem. Não me queixo, mas digamos que não era bem o que eu tinha organizado.

A pior notícia foi, infelizmente, a da morte do pequeno Afonso, filho de ex-colegas da escola, de uma leucemia que o atacou forte e feio. Fiquei muito triste – não sendo mãe, senti-me também um pouco mãe ao chorar a partida desta criança. Lembrei-me de todos os amigos que partiram antes do tempo e que tanta saudade deixaram. E lembrei-me também dos sobreviventes, que felizmente vão sendo muitos, e que cuja presença alegra os nossos dias.

O Afonso morreu mas o seu legado – graças à sua boa-disposição e aos esforços férreos da sua mãe e demais família – é o de o nosso país ser agora o quarto, a nível mundial!, em número de dadores de medula. Gente, somos só dez milhões, mas somos o quarto país! Graças ao Afonso e família, e graças também a todos os outros que se dão ao trabalho de organizar, dinamizar, difundir acções de recolha e à disponibilidade das equipas móveis. Todos, todos perdemos um lutador, mas todos, todos nos solidarizamos com esta causa. Isto é o melhor que tem o ser humano – e nós, nem sempre, mas muitas vezes, somos assim.

Afonso, serás recordado. Graça, um grande, grande abraço.

(Aqui, a notícia no telejornal.)

Quando um bom insulto vem mesmo a jeito

Quase todos os feriados panamenhos se concentram precisamente esta semana. Tudo, tudo fecha para celebrar as festas da nacionalidade, das independências primeiro da Espanha e depois da Colômbia.

Sabendo isso, no fim-de-semana passado fui comprar uns tecidos que tinha debaixo de mira para poder realizar uns determinados lavores femininos. Umas fronhas para as almofadas do sofá, uns guardanapos bem giros, enfim, coisas bastante adequadas às minhas capacidades costureiras inciantes.

De maneira que assim fomos os dois, alegremente, até uma loja num bairro do centro que tem estes tecidos com motivos tradicionais dos índios Kuna – não que a loja seja de índios Kuna, essa é outra história.

A compra processa-se assim: somos perseguidos por uma das assistentes enquanto escolhemos – se temos sorte, a perseguição é simpática. Escolhemos, ela corta, escreve o valor num papelinho, e deixa mercadoria e respectivo papelinho num balcão onde uma outra pessoa chama o freguês por “de quem são estes cortes de tecido?”. Pagamos, a pessoa ensaca a mercadoria e siga para bingo.

Ora parece que cá há uma certa tendência para enfiar tudo em sacos de plástico, mas daqueles que nem sequer têm asas nem nada, fechá-los, e agrafar-lhes o talão de caixa. Porquê? Porque la mercancía tiene que salir de la tienda así. Eu agradeci mas disse que não queria o saco de plástico, que tinha um saco perfeitamente aceitável comigo. Além disso, tendo o talão comigo já provava que tinha pago os tecidos, certo?

Que no, que no, que no. Seguiu-se uma tentativa minha de lhe explicar que não queria o saco porque não era ecológico nem fazia sentido, ao que ele respondeu a mítica frase:

Yo no soy ecologista. E soltou uma risada.

Embalou tudo, agrafou, e deu-me o pacote. Eu estava incrédula, só conseguia repetir que não era ecologista, que era palerma. O Príncipe segurava-me a mão e puxava-me gentilmente para fora da loja.

Como o próprio Príncipe disse nesse momento, não há como o espanhol rioplatense (leia-se: “argentino”) para insultar alguém. E se os anos em Buenos Aires me deixaram alguma coisa – para além do sotaque portenho -, foi esse tipo de vocabulário.

Ah, alívio.