Month: March 2009

Sobre como os portugueses são nostálgicos e os brasileiros não

Um dos estereótipos que mais vezes ouço repetido é que os portugueses são nostálgicos e melancólicos, enquanto que os brasileiros são todo o oposto. A base para esta afirmação é, logicamente, o que cá chega destas duas culturas, a saber, o fado de Portugal e tudo o resto do Brasil.

Ontem, na aula de pintura, ouvia com atenção as letras de canções de Bossa Nova, canções que já ouvi tantas vezes, letras que sei de memória mas que talvez nunca tenha analisado à luz deste estereótipo. E pensei que os argentinos (e não só) falam tanto da nostalgia dos portugueses, comparando com a alegria dos brasileiros, claramente porque assentam a sua convicção num estereótipo que se vai reforçando e alimentando de si próprio.

Posto isto, cabe aqui então desmentir que nem toda a música portuguesa é fado (nem Madredeus, que a seu tempo também vinha constantemente à baila quando eu dizia ser portuguesa); nem todo o fado é triste (ora pensem na letra do Sr. Vinho e digam lá se não tenho razão) e, apesar de gostarmos de fado, nem só de fado vive um português.

Por outro lado, nem toda a música brasileira é animada e optimista, pois há muita poesia que fala da dor da separação, da nostalgia de se ser trocado por outra pessoa ou do sofrimento de se ser deixado para trás. Talvez esta seja uma reminiscência da herança portuguesa no Brasil, talvez, mas convenhamos que o Brasil já é independente há algum tempo e que Portugal não é o país do mundo mais conhecido pela exportação da sua cultura (ou sequer pela sua representação no estrangeiro) nos tempos que correm.

Imagino que muita gente saiba de que lado do oceano vem a letra que se segue. Não diminuindo nem um milímetro a beleza da sua poesia, acho que podemos concluir que é bastante (frisemos o bastante) triste e nostálgica:

Mais um adeus
Outra separação
Outra vez solidão
A ausência é um sofrimento

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma agonia
E de repente
Uma vontade de chorar

“Mais um adeus”, letra de Vinicius de Moraes

Strange week

This has been a very strange week, strange because there was a holiday on tuesday and the whole work rhythm suffered some (good) modifications, but mostly because we received the news of the death of my uncle. Well, I can´t complain about my life here in Buenos Aires as I love to live here, but when these things happen, I just feel very, very far away. I mean, even if I went directly to the airport the moment I got the news, I wouldn´t have made it on time for the funeral. Not being there with my cousins and aunt made me realize how far away I am. Not that I didn´t know it before, of course.

On a lighter note, we´re now officially counting down to our honeymoon trip to Australia. We have plane tickets, both international and domestic, an e-visa and lots of things on our to-do list there. I´m now compiling yarn and craft stores´ addresses from the very nice and helpful Australian knitters group on ravelry and thinking about all the local yarn I can fit into my suitcase. I can´t wait!

The funny thing is that on our way back, just like Willy Fogg made it into winning his bet, we are going to land in Buenos Aires at the exact same time of the same day we left Sydney! Cool, isn´t it?

Have a nice weekend, everyone!

Thank you cards

thank you

I´ve been working on a series of “thank you” cards for my shop, all done with cut paper illustrations. I´m loving this tecnhique more and more every single time I do it! It´s still a bit hard on my shoulders and neck but the results are so satisfying that I want to keep cutting more and more paper.

More photos here (more will be added to this set as I upload them).


Nos intervalos do “outro” trabalho que tenho estado a fazer (de design gráfico, para clientes), estive a fazer uma série de ilustrações em papel cortado para um novo conjunto de postais para colocar brevemente à venda na minha loja. Cada vez estou a gostar mais de usar a técnica do recorte em papel para ilustrações: por um lado, é o facto de ser uma linguagem minimalista, com apenas duas cores (a do fundo e a do papel); por outro, o facto de poder ter uma expressão de traço bastante rudimentar, por ser cortado com x-acto. Apesar das dores nos ombros e no pescoço com que fico quando faço uma nova ilustração, cada dia estou mais feliz com esta técnica!

Mais fotografias deste conjunto de cartões aqui.

Knittter´s meetings and other things unrelated


No camera yet. That´s why I have absolutely no photos of our wonderful meeting last Saturday. While everyone in the northern hemisphere was celebrating the arrival of Spring, we had a lovely Autumn equinox sitting on Joji´s patio while chitchatting about knitting, patterns, yarns and generally just getting to know ourselves. She did a wonderful job receiving us all and documenting the event for posterity.

I came back home with an urge to finish the November Socks, mission that I could accomplish the following day, Sunday.

And immediately started swatching for my next project, the Victoria Yoke Pullover.

knitting a swatch This is how we knit the “portuguese way”, with the yarn around the neck. Photo complete with stained fingers from painting class.


Ainda antes da minha máquina virar impressionista, estava um dia a passear e a exercitar a minha nova visão quando me deparo com isto:

Por um momento, pareceu-me familiar e normal, até que me lembrei que estava na Argentina. Não só do outro lado do oceano, como também fora de zonas onde existem grandes comunidades portuguesas.

Olhei melhor e…

Vêem atrás? É a imagem da assimilação da imigração cá na Argentina e é também um pouco como me sinto, portuguesa por estas bandas. Com mais detalhe:

Caminito, Buenos Aires

Being camera-less makes me go back to old albums I never got to share. I just uploaded to flickr a series of photos taken with the Lomo camera that some good friends gave us. I love the grain, the texture, the colours and the general lack of sharpness the whole photo has.

It´s so good to go back to being analogical in this digital world.

(The photo was taken in Caminito, here in Buenos Aires.)


Uma das vantagens (quiçá a única) de estar sem câmara fotográfica é que acabo por revisitar álbuns antigos, que ainda não partilhei aqui. Carreguei no flickr uma série de fotografias tiradas com a Lomo, máquina que me ofereceram umas amigas que estiveram de visita (chiiii! Há quase um ano…).

Adoro a máquina por ser como um último reduto analógico neste mundo digitalizado…

(A Lomo e o tricot, claro está! Ah, e a fotografia foi tirada no Caminito, aqui em Buenos Aires.)

Father´s Day

Happy Father´s Day!

(and thanks to Skype and all the technology that allows me to stay in touch!)

Dialogue at Design for Mankind

If you haven´t heard of “Dialogue” at Design for Mankind yet, go there, now.

Being a freelancer isn´t easy but it has become an increasingly popular carreer path for a lot of artists and designers out there. While everything might look glamorous and shiny read through a blog, living the life of an independent professional isn´t always easy. We all struggle with difficulties everyday, being it self-doubt, fees and pricing of your artwork, finances or pretty much everything you can think of.

Erin at Design for Mankind has come up with this great project where she puts well-known bloggers/independent artists answering some questions on video and the editing makes it look like a friendly chat over a cup of coffee, tea, mate (I live in Argentina, I have to cater for local tastes too!) or whatever drink of your preference. One of the many upsides is that you get to see what those authors whose blogs you´ve read for ages look and sound like. And, guess what, they´re human and have the exact same questions as all of us.

So, if you´re still reading this, head on over to Design for Mankind. Congratulations, Erin!

I´m camera-less...

I´m camera-less. My very faithful, always with me digital camera decided to become an impressionist yesterday, after several long years of hard work. I´m sad because it was a present, I´m sad because I was used to it and loved working with it, and mostly sad because apparently it is a defect that Sony is aware of – and still, it appeared after the warranty expired. Now I don´t want to go into the “big corporation” doesn´t care argument here, as apparently Sony US is repairing cameras for free – if you´re in the US. Here in Argentina I was told a huge, bold no and that I would receive a quotation for the repair.

Anyway, this is one of the pictures my camera took while living its impressionist stage:

So that´s why I´m now relying on my laptop´s camera, which of course isn´t neither the most portable camera in the world nor the best quality ever. But still I´m thankful it exists because that way I can show you the papercut I worked on today. I hope to convert it into a card later this week and add it to my shop as soon as possible (but will need a decent camera to photograph the cards, right?).


A Ahimsa ganhou! Valha-nos o espírito optimista dela para fazer desta miopia electrónica uma coisa positiva. Ela é que tem razão, dêem-me os parabéns porque tenho uma máquina impressionista!

Para celebrar o facto, inicio aqui uma série de fotografias da minha “nova” máquina. Esta série poderá ser curta, mas também poderá ser longa. Esperemos que tenda para o primeiro caso, porque vou já esta tarde à assistência Sony.

Não é bem um Impression, soleil levant mas, com algum esforço…

…temos um Impression, Rodríguez Peña au midi.

Parece que uma de nós tinha de ser míope

Estou tão triste!

(vá, calma: electronicamente falando, estou triste; de resto, não estou triste, não senhora, a vida está até muito bem, sobretudo com a nova visão e também porque no Sábado almoçámos com a nossa amiga S., recuperada depois de tão dura doença. Força aí!)

Voltando à minha queixa: estou triste! A minha máquina fotográfica digital, que andava comigo para todo o lado, achou que uma de nós deveria continuar míope. Como não sou eu, agora é ela. Hoje ia fotografar o trabalho feito na aula de pintura e…

Alguém sabe o que lhe posso fazer para a ajudar? Não sei se o laser aqui funciona…