Month: October 2008

Buenos Aires by night (dia 15)

Fim-de-semana em Cariló

Os meus pés no Atlântico Sul.

O fim-de-semana passado foi prolongado devido à comemoração do Día de la Raza. Que raça se comemora, ninguém sabe; mas sabe bem comemorar com um dia livre, sobretudo se nos convidam para ir a Cariló, uma terra à beira-mar plantada a uns 400km de Buenos Aires.

Aceitámos com muita alegria o convite que nos foi feito e lá fomos por essas estradas fora, a caminho da costa atlântica.

No Sábado de manhã, enquanto viajávamos, o tempo estava maravilhosamente quente. Pensei com alegria no biquini que tinha posto à última hora dentro da mala. Mas assim que chegámos ao nosso destino, a temperatura começou a baixar e o resto dos dias foram passados dentro de casa, de lareira e aquecimento acesos. Mas nem o mau tempo estragou o propósito principal da viagem: ver o mar. Ver o mar e dormir a sesta, que com estas duas componentes se constrói um fim-de-semana de sonho.

Cariló é um lugar estranho: é como se fosse um condomínio fechado, mas não é nem condomínio, nem fechado. É uma vila com dois acessos, construída num pinhal. Aqui existem regras de construção e de ocupação do terreno e essas regras são respeitadas. A área de construção em cada parcela de terreno está bem definida e o limite da casa não pode chegar à beirinha da propriedade, o que significa que as ruas – não asfaltadas – têm uma aparência mais ampla.

Em Cariló existem zonas de hotéis, de comércio e residenciais bem integradas na paisagem; apesar disso, o centro não deixa de parecer levemente uma disneylândia, versão férias à beira-mar. Mas isso não lhe retira nem um pouco a sensação de descanso e de conforto da casa dos nossos anfitriões, que tão bem nos receberam. A parilla foi amplamente usada e o Paulinho colaborou com o seu novo prato de confecção superior, o risotto de boletos. Mnham.

E, sem saber ler nem escrever, hoje já é quinta-feira. Vivam as semanas de quatro dias!

On my desk


Tax day. Need I say more?

(more desks via kootoyoo)

Information overload | Demasiada informação

Reading blogs is addictive. Well, at least for me. It´s fun to follow someone else´s life and work and imagine all the possibilities life offers somewhere else on the planet. These are some of the reasons I read blogs.

But at one point I found myself spending more time reading blogs than actually walking, drawing, getting inspired or doing things I love away from a computer screen. I got to the point where I was only skimming through the posts and looking briefly at the pictures. Not only because the contents were uninteresting, don´t get me wrong. It was just too much.

The thought of having to put an end – or a filter, at least – to it was gaining space in my mind and it was a good coincidence (was it coincidence?) that I read Lauren´s post about information overload and how to counteract it.

The post is, as usual, very well written and it pinpoints some actions we can all take to reduce the clutter in our mail inboxes and RSS feed readers. I´m still on step number one, the one that preaches “unsubscribing”. And phew, it feels good to be able to have a clean(er) inbox. I´m sad I won´t be following so closely the work of fellow designers, illustrators and artists (I have their blogs bookmarked, so not all is “gone forever”), and I do regret that I won´t receive so much valuable information as before, but I simply wasn´t able to process it all and do something good with it.

Reducing the information clutter is a very good way to make myself more productive, and I´m happy about it. Now, step two…

*

Adoro ler blogs. Adoro ler textos bem escritos, episódios bem contados e imagens bonitas. Gosto de sonhar e imaginar como será a vida daquela pessoa noutro país, noutra cidade e imaginar os espaços e as situações que descrevem. Gosto de ver trabalhos bonitos e como outras pessoas resolveram problemas com os quais me vou deparando. Gosto de aprender coisas novas e experimentar coisas diferentes e desconhecidas para mim. Estas são algumas das razões pelas quais leio blogs.

Quando encontro um blog de que gosto, subscrevo-o através do meu google reader e assim mantenho-me a par do que vai acontecendo noutra parte qualquer do mundo, à medida que o seu autor publica os seus posts. Mas cheguei a um ponto de total exagero, em que sinto que gasto mais tempo a ler blogs que realmente a passear, a estudar, a trabalhar, a tricotar ou a desenhar.

A ideia de fazer uma triagem da informação que recebo, seja por RSS seja por email (newsletters de grupos de trabalho ou de revistas, para dar dois exemplos), estava progressivamente a ganhar força, mas ler este post sobre excesso de informação (em inglês), de uma das autoras do livro “The Boss of You” e do blog com o mesmo nome, foi o empurrão final para me decidir a fazer a verdadeira limpeza do google reader e das minhas caixas de correio.

A autora enumera acções para controlar o influxo de informação e, apesar de ainda só estar no primeiro ponto, já sinto uma grande diferença: entre as subscrições que cancelei e os emails desnecessários que apaguei sinto que fiz uma autêntica limpeza de Primavera, ainda que virtual.

Apesar de ter pena de deixar de receber alguma informação, estou absolutamente confiante de que a minha produtividade vai subir em flecha. Vai, não vai?

Blog Action Day 2008: Pobreza

Este é o meu post para o Blog Action Day 2008.

O tema deste ano é “pobreza”. Não é exactamente “luta contra a pobreza”; se fosse, não sei bem o que escreveria, já que tenho a sensação de que todas as coisas que temos feito (de um modo geral e também do ponto de vista particular) não têm surtido grande efeito. A pobreza continua a grassar e, ainda por cima com esta super crise financeira, a aumentar. Não querendo entrar pela temática da crise financeira ao abrigo da minha nova atitude o que é preciso é saudinha, menina, acho que uma das coisas que realmente carece de eficácia é mesmo a luta contra a corrupção. Acho que essa, sim, poderia ajudar bastante a combater a pobreza.

Dada a minha incapacidade-barra-falta-de-vontade de discorrer sobre a luta contra a corrupção, quero apenas contar o que senti ao visitar as minas de Potosí, na Bolívia, momento sobre o qual já aqui escrevi.

Casebres à entrada de uma das minas do complexo de Cerro Rico, em Potosí, na Bolívia.

Cabe aqui explicar, em modo de preâmbulo, que a cooperativa de mineiros abriu a mina ao turismo com o objectivo não só de dar a conhecer o seu trabalho mas também porque as receitas das visitas constituem uma grossa fatia dos seus rendimentos mensais. Para dizer de outra maneira, não foi o turista ou a perversa máquina do turismo que subiram pela montanha acima para ir explorar aquelas pessoas, mas sim uma situação de que ambas as partes beneficiam.

Acho que já todos contactámos com a pobreza, de forma mais ou menos próxima ou mais ou menos permanente. Mas nesta visita às minas contactei com talvez o seu pior aspecto: a total e absoluta falta de perspectivas de melhoria. Esta ausência de perspectivas é tão imensa e tão presente que me pergunto se aquelas pessoas imaginam sequer ser possível existir outras realidades. Admito que sou ingénua e que gosto de o ser. Não acho que aquelas pessoas sejam estúpidas, pelo contrário. Acho apenas que, pura e simplesmente, não sabem nem conseguem imaginar outra vida que não aquela, e isso é que é especialmente aterrador.

Foi nas crianças que mais notei a crueldade desta premissa: aos sete ou oito anos já têm uma camada de caliça incrustada na pele, que, juntamente com a sujidade, lhes forma uma espessa crosta e uma maior carapaça. Têm uma visão cínica da vida, do futuro e muita dessa acidez é canalizada para os turistas que os visitam. Fomos recebidos por meninos sem idade a mandarem-nos pedras com uma fisga, algo que, dado o contexto, equivale vagamente a cuspir na sopa. Mas ao aproximar-nos da entrada da mina percebemos melhor o que o futuro lhes reservou: tabaco, álcool e folhas de coca, uma mistura boa para os deixar atordoados e conformados com a vida. Para eles existe um buraco escuro cheio de pó, dinamite, arsénico e outras coisas que tais, que lhes garantem uma vida curta e um obstrução pulmonar crónica.

Foram estes miúdos sem caras, sem expressões e sem olhar que me fizeram tremer e desejar ardentemente chegar à cidade seguinte no nosso percurso, a cidade universitária de Sucre.

E cada vez mais penso: é certo que pobreza é não ter acesso a alimento e a água potável. Mas é sobretudo a falta de sonhos, de perspectivas de uma vida melhor e de acesso à educação. A pobreza está em todo o lado.

Buenos Aires by night (dia 14)

A devida homenagem

Na sexta-feira passada pudemos finalmente visitar a nossa amiga S., internada no hospital há um mês e meio com um diagnóstico, no mínimo, complicado. Não pensem, contudo, que foi uma ocasião triste, nem mesmo solene ou da circunspecção típica destas ocasiões. Foi – salvaguardadas as respectivas diferenças – como ir beber um café com uma boa amiga.

Não, não creio que ela esteja em negação; penso apenas que tem um espírito optimista e muito lutador. E, honra lhe seja feita, mesmo doente e com a cabeça cheia de peladas, continua a ser o máximo! Para além de bonita, tem um bom humor e não pára de contar piadas com a pinta de quem não entende porque é que tem tanta graça, mas tem.

Por achar que a futilidade e a superficialidade são sinais de muita força em momentos de adversidade, deixo aqui apenas um pequeno apontamento da conduta da S. E que fique bem claro que eu, em situações absolutamente normais, não tenho paciência para fazer (nem uma fracção de) o mesmo.

Ora a história é a seguinte: telefona-lhe o médico que lhe tinha feito a consulta domiciliária urgente com os resultados das análises, aí coisa da uma da manhã, e diz-lhe que se interne naquele momento. Nem no dia seguinte, nem daí a umas horas, mas sim imediatamente. Pois ela, mulher que é, cheia de espírito que é, foi preparar-se para o momento: tomou duche, aplicou banho de creme no cabelo, secou e alisou o cabelo, pintou as unhas dos pés e das mãos e depois foi acordar a mãe para a avisar que tinha de ir para o hospital.

Quem se cuida assim não é gago. Ou lá o que quer que seja que se aplique ao caso.

Que te mejores rápido, querida S. Te queremos y te esperamos para brindar con vos y con nuestro vino de Porto, como combinamos.

A prova provada de que realmente sou maledicente e malvada


Ora aqui está a prova de que certa pessoa cujo nome não vou mencionar (mas a cujo corpo pertence a mão que vêem acima) me está a ajudar a fazer o puzzle. Sim, todas as minhas queixas eram infundadas (ou será que serviram de motivação para o esforço?) e, como tal, estou publicamente a retractar-me de todas as acusações perfeitamente infundadas que aqui fiz. (Para ler as acusações, que não são mais do que as habituais palermices que costumo dizer nesta chafarica, clicar aqui e aqui.)

Ora, posto isto, deixem-me guiar o vosso olhar para o facto de os dois anéis que servem para a representação do globo estarem já concluídos, bem como de quase todas as áreas à volta. Resta-nos o oceano e temos até um pequeno concurso entre nós para quem encontrar Portugal.

Espero, espero, espero ser eu a encontrá-la. Seria triste, irónico, indecente, incrivelmente triste, irónico e indecente, diria até totalmente triste, irónico e indecente que outra pessoa que não eu, qualquer outra pessoa entre os dois que aqui vivemos, encontrasse a peça do nosso (querido, saudoso e distante) Portugal, tendo em conta que eu me dedico a pescar, organizar e juntar pecinhas enquanto alguém faz o Benfica ganhar todos os campeonatos na playstation. 3000 pecinhas, não sei se já disse (mas nunca é demais repetir).

On my desk


I cannot believe another week has passed. Thanks to kootoyoo´s on my desk I update this blog at least once a week.

On my desk today there are sketches and clippings (not visible on the photo though) for an illustration I´m finishing that is due on Friday. I hope it gets selected but if it doesn´t, I had a great deal of fun coming up with the idea and executing it.

My website is on beta testing stage and finally almost ready to be launched. I expect to do it sometime next week, so do stop by again in the next few days. In the meantime, you can visit my old website here.

To check other desks, visit kootoyoo´s.

Para ver, "sí o sí"

Days with my father.

E… Bau? Antes de ires prepara o lencinho de papel.

(via Reflexões de um cão com pulgas)

Dave Matthews Band ao vivo, em Buenos Aires

Essa mancha desfocada que se vê no ecrã gigante é o próprio Dave Matthews, a cantar (e encantar) de corpo e alma.


Na sexta-feira senti-me a voltar aos meus anos de Universidade e fui a um festival de música, daqueles com revista das mochilas à entrada e casas de banho de plástico. Lama, esse componente tão importante dos festivais de música, é que faltava: a organização instalou uns módulos plásticos no chão que estavam húmidos, sim, mas não deixavam que puséssemos o pé no lodaçal que estava por baixo.

Ou não havia muita gente (opinião do Paulo) ou então a organização foi mesmo muito boa porque não demorámos tempo nenhum a entrar, a encontrar o palco e a colocarmo-nos a jeito para o concerto da Dave Matthews Band (doravante designada por DMB).

Quando comecei a ouvir e a gostar de DMB acho que ninguém à minha volta a conhecia, portanto tinha zero hipóteses de trocar galhardetes com quem fosse mais entendido do que eu. E também não havia a internet acessível como há hoje. Nesses idos de fins de noventa, conheci apenas uma amiga da minha irmã que tinha, gostava e trocava CD´s comigo para ouvirmos outros álbuns. E pronto, assim se foi cimentando o meu gosto pela música deles.

Vai daí, em 2007 decidem ir a Portugal, precisamente um mês depois de eu me mudar para a Argentina. Danados. E eu triste, só e abandonada, como os gelados, a pensar que a vida de uma fã é irónica e tal.

Eis senão quando vejo um cartaz do festival Pepsi Music cá em Buenos Aires com… DMB! Arrastei o Paulo e lá fomos.

Houve alguns percalços mas, resumindo, o concerto foi muito bom. Não conheço as últimas músicas deles (não compro música pela internet – pelo menos ainda – e cá não encontrei o CD novo) mas vibrei à mesma com elas. A presença deles em palco é, no mínimo, electrizante, energizante, vitalizante. O baterista teve do princípio ao fim do concerto um enorme sorriso na cara, coisa que pudemos apreciar nos ecrãs gigantes (onde o sorriso ganhava novas proporções gigantescas). Apesar de o saxofonista da banda ter morrido há pouco mais de um mês, têm com eles outra pessoa cuja exibição nada deixou a desejar e que encantou o público. O próprio Dave Matthews, vocalista e guitarrista, deu corpo e alma na actuação. Enfim, foi um espectáculo de som e cor que me deixou com um sorriso na cara, a mim e a toda a gente que ali estava. Realmente impressionante.

O aspecto negativo da coisa… bem, é um aspecto afectivo. Gostaria de ter assistido a este concerto em Portugal para o ouvir a dizer “boa noite” e “obrigado” em português. E também posso dizer que o público argentino é bom, mas acho que não se comparam com a energia que sai do público luso. (Esta é uma afirmação completamente idónea e sem a mais pálida sombra de preconceito por eu ser… enfim, por eu ser portuguesa.)

Viva DMB! Que concerto espectacular! (eu achei, o Paulo menos, mas também estava com déficit de sono e era sexta-feira, um dia chato para animação ao serão)

Come and relaaaax my heaaaaaart
put your troooooubleeees down…
You don´t need to bear the weight of your worries
Let them all fall away…

Buenos Aires by night (dia 13)


Esta é a montra de uma loja chamada “Tramando”. Esforçando-me para não cair trocadilhos, uma das suas duas montras é sempre um espaço onde existem instalações feitas por artistas plásticos vários. As montras são sempre bonitas (digo eu, não sei, ideias minhas!) e diferentes. Sempre que passo por lá, penso “que será que estão tramando hoje…?”.

Pois. Não resisti.