Month: June 2008

1000 Words: A Manifesto for Sustainability in Design

Here´s a useful link: Core 77 – 1000 Words: A Manifesto for Sustainability in Design. (via Fabrica)

Illustration Friday: Forgotten

This is dedicated to each and everyone of you who got to the front door only to discover you don´t have your keys with you.

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A minha ilustração para o Illustration Friday desta semana é uma homenagem a todos os que chegaram à porta de casa e descobriram ter esquecido as chaves para entrar.

On my desk


On my desk today, apart from the usual likes of computer and tablet (lots of design work going on) some sketches for an illustration. I love playing with inks and color and must confess myself as a color rookie. It isn´t easy for me to combine colors so I must compensate with lots of playing. It relaxes me and then I can finally do something – when I am relaxed and not thinking about the results, that´s when results are best.

There´s tea, as usual, and some music: Ocean´s Thirteen Original Soundtrack. I also listened to the commentary to Portugal´s match against Czech Republic (glad we won!).

See other desks at kootoyoo´s.

Work Life

Here´s to a great book (with a very good online preview).

What a concept!

What a cool concept. It really goes beyond what has been designed so far. I wonder now what kind of fuel it will receive if it comes to be mass-produced. It is nevertheless a huge shift in the way of thinking and making a car and I find this shift to be fundamental in the design process. They just proved a car can be made different.

Found via 37 signals.

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Que ideia fabulosa! Realmente, para quê chapa? A única dúvida que tenho é que tipo de combustível irá este carro usar, caso venha a ser produzido em massa.

A mudança do paradigma da construção de um carro é para mim uma das novidades mais importantes que este projecto traz ao mercado: as coisas podem fazer-se de maneira diferente e, acima de tudo, inovar é possível.

Via 37 signals.

Bolívia parte III: Oruro e Uyuni

Depois da vista ao Lago Titicaca chegou a altura de deixar La Paz para trás e partir em direcção ao sul do país. Mantendo-nos sempre no “altiplano”, fomos de autocarro até Oruro e daí de comboio para Uyuni, a terra no meio do nada.

O passageiro da frente reclinou-se tanto que pude contar-lhe os cabelos na cabeça. Só que não quis.

O comboio que parte de Oruro em direcção ao sul. Pára em Uyuni umas sete ou oito horas mais tarde e continua o seu caminho noite dentro, Bolívia fora.

A viagem de autocarro foi feita sem história: gente em pé, sentada no chão dos corredores, uma casa de banho no autocarro que não funcionava, a estrada em linha recta a cortar o deserto andino. Às vezes o autocarro parava para deixar passageiros no meio do nada. Passámos por povoações que não tinham electricidade nem água. E tudo isto a poucos quilómetros de La Paz.

Oruro é uma terra tirada de um western, com vento e pó no ar. Dizem que se desperta nos dias do Carnaval com umas festividades de fazer espantar o demo, mas no resto do ano é uma terra tranquila – e a única cidade em muitos, muitos quilómetros. A nossa paragem lá foi para reabastecer: almoçámos num restaurante onde o Paulo comeu o “melhor cordeiro da América Latina” (creio que foi isto que disse). Eu fiquei no “prato vegetariano mais bem guarnecido da América Latina”, uma imensa travessa com legumes, leguminosas, tofus e seitans. Delicioso.

Daí fomos para o comboio. Instalámo-nos e preparámo-nos para uma viagem longa, sem saber exactamente quanto tempo duraria nem relógio para estimar quanto tempo teríamos pela frente. Enquanto houve luz diurna, a paisagem consistia espectáculo mais que suficiente para nos entreter. O que resta do grande lago do altiplano faz uns lagos extensos mas pouco profundos que povoam a paisagem de flamingos em cima de um espelho de água. Naqueles lagos morre o rio que drena o Lago Titicaca.

Para nossa distracção, tínhamos uma televisão e, em algum lugar desconhecido, um leitor de DVD que nos proporcionou muita distracção e entretenimento. Não necessariamente pelos filmes em si (não vimos nenhum até ao fim) mas sim pelo modo de reprodução do filme (lá está, não vimos nenhum até ao fim). Entre a loucura da dobragem em castelhano e a legenda em inglês (hmmm… e que tal ao contrário?), uma certa falta de habilidade para lidar com tanto botão fez com que o senhor operador do aparelho nos deixasse a morrer na praia, ou seja, a um capítulo de (re)ver o final do filme Shawshank redemption. Baralhou-se com os comandos, pôs para a frente, pôs para trás, repetiu um capítulo umas três vezes na primeira tentativa e, a seguir, repetiu o primeiro segundo do capítulo umas dez vezes, o que pôs todo o comboio a fazer o mesmo gesto de arrancar o cartaz da parede, com banda sonora e tudo. Desconfio que isto não deve ter muita graça para quem lê. Serve o relato para mais tarde (eu) recordar.

Chegados a Uyuni, o frio era cortante. Não sei se já disse, mas o frio era cortante. E tenho a sensação de que, por mais que repita que o frio era cortante, não vai dar para transmitir a verdadeira sensação do frio cortante. “Nossa”, exclamaria a minha amiga carioca. Em Uyuni tive frio como nunca tinha tido na minha vida. As orelhas só não me caíram da cabeça porque tinha o gorro posto. E o cabelo. Esta terra está tão desprotegida pelas montanhas que o vento que ali corre (e bem) vem tão seco e tão frio que o cieiro corta quase imediatamente os lábios. Mas o pior, pior mesmo, é que não existe aquecimento. Nunca tinha visto o interior de um restaurante cheio de gente de roupa de ski e gorros na cabeça. Excepto em estâncias de ski, claro. Em Uyuni só não há neve porque não há precipitação. Durante a noite, a temperatura desce aos 10 ou 15 graus negativos. E as casas não têm aquecimento. Convenhamos: é muito frio. Durante o dia, em contrapartida, a temperatura sobe a uns confortáveis 10 a 15 graus, o que transforma aquela paisagem surrealista num mundo confortável e quase cálido.

O Salar está a alguns quilómetros da vila (vila?). Antes disso, passamos por Colchani, uma aldeia que vive da exploração do sal. Lá perto há alguns hotéis de sal. Juntamente com o de gelo da Suécia e mais uns quantos espalhados por vários continentes, perfaz o grupo de “hotéis insólitos” do mundo.

A entrada do hotel e respectiva sala de estar

A piscina e zona de spa: há massagens, solário e uns quantos confortos que não se imagina serem proporcionados num sítio feito de sal

Os quartos. Com camas de verdade!

Depois, finalmente, a entrada no Salar.

Preparativos

Sem tremoço nem amendoim mas com bandeira e cachecol, estamos a preparar-nos para o jogo desta tarde. Espero que seja divertido, bom de ver na televisão e que Portugal ganhe, claro está!

Bolívia parte II: Lago Titicaca

O Lago Titicaca – enorme do género “não-se-vê-a-outra-margem” – é o que resta de um lago antigo alojado numa depressão entre duas franjas da cordilheira dos Andes. Esse antigo lago primitivo secou e deixou lagos mais pequenos e fenómenos como os salares, entre eles o de Uyuni. Na Bolívia, a crista da cordilheira divide-se em duas e o que fica no meio é uma forma vagamente parecida com uma bacia. Agora que a sua grande maioria está seca, chamam-lhe o “altiplano”, que já aqui falei.

O Lago Titicaca é então uma enorme reserva de água doce no meio da aridez desértica dos Andes nesta zona do continente. À beira do lago está Copacabana, a nossa primeira paragem. Tal como a do Rio de Janeiro, também tem uma praia. Ao contrário dela, a água é fria, o ar também, e há um cheiro omnipresente a urina no ar.

A questão da falta de casas de banho públicas na América Latina agrava-se bastante na Bolívia e é quase um desporto-barra-piada fazer chichi onde quer que seja, sobretudo onde diz “prohibido orinar”.

Voltando a Copacabana, a sua atracção principal, à parte o lago, claro está, é ter uma igreja do estilo mudéjar com uma estátua da Virgem de Copacabana lá dentro, que se diz ser muito milagrosa. A igreja é mais bonita por fora que por dentro, apesar de estar toda restaurada. Mas, para mim, o mais bonito é mesmo as portas de madeira esculpidas que contam a história do escultor da estátua da Virgem, em modo de banda desenhada.

A igreja de Copacabana…

…com suas portas de madeira trabalhada. Gosto especialmente das nuvens!

Depois de visitarmos a Igreja tivemos uma espera valente pelos companheiros da etapa seguinte da viagem: um passeio de barco até à Ilha do Sol, onde infelizmente ficámos tão pouco tempo que não deu para ver quase nada. Mas o que vimos é lindo:

E como não podia faltar o disparate:

Alguém cuja identidade não vou revelar obrigou-me a mascarar-me e pôr-me a remar. O dito remo era tão pesado que o rapaz que estava mesmo a remar não o pôde largar o tempo todo, não fosse ser necessário mergulhar nas águas bem frias do lago para o recuperar.

E numa das muitas esperas do dia:

Não houve falta de oxigénio que detivesse o saltinho!

Bolivia part II: Lake Titicaca

Blue skies like these? I´ve only seen them in Portugal. Really, there are no blue skies like in my home country but the ones in Lake Titicaca can come pretty close. I wonder if it is because there´s so little moisture in the air (the same happens in Portugal during the summer) or because the air is so thin. I don´t know but it just reminded me of home. But a cold, cold home.

The trip to Lake Titicaca started early. In the non-heated bus they gave us huge blankets to cover ourselves, which was a very good idea. We saw the break of dawn during our trip from La Paz and the sunrise behind the mountains was beautiful.

Falling asleep and waking up again we would have a different landscape. At a certain point, among all the dryness that describes the Andes in this place, there´s a huge sea. We know it´s a lake, but it is so big you cannot see its opposite shore.

The arrival point is Copacabana, a small town that serves those tourists that are travelling to or coming from Isla del Sol, the island in the middle of the lake.

In Copacabana there´s a beach that, albeit beautiful, smells like urine. Ant then there´s the strange (for this latitude and longitude) mudéjar-style church. If it weren´t for the sharp temperatures and the lack of oxygen in the air, I´d say – by looking at these pictures – that I was somewhere in the south or Portugal. But I guess I´m mentioning Portugal way more often than Copacabana or Bolivia, so I´ll stop comparing.

The main attraction of the church is the “Vírgen de Copacabana”, but what I really liked the most is the beautifully sculpted wooden doors. They tell the story of the Vírgen´s sculptor in a way that looks like a cartoon. It touched my illustrator´s heart.

Isn´t the blue sky something special?

The clouds were what struck me the most – I felt like squeezing them.

We then took a boat to the island.

The landscapes were beautiful and, once again, reminded me of home. But I won´t get into that. The island was beautiful and the series of snowed peaks were visible in the distance, as a background to the crystal clean lake waters and the smaller hills on the lake´s shores. But not everything was perfect because we had to leave the island sooner than we would have wanted. That was something both of us didn´t enjoy much about the tour: we spent such a long time travelling and waiting for other travellers just be a couple of hours on the island. It felt too little time to actually see something.

It gave us enough time for this, though:

Bolívia parte I: La Paz

Não consigo imaginar um nome mais bonito para uma cidade: La Paz. Não consigo. Acho que se pode tratar da cidade mais feia do mundo e ainda assim ser bonita, só pelo nome.

Realmente, é disso que se trata. La Paz não é uma cidade bonita, bem longe disso. Mas tem um nome poético e um cume nevado por detrás, a enquadrá-la, e a dar-lhe o resto de beleza que cronicamente lhe falta.

A isto acresce a sua altitude: o aeroporto, na cidade de El Alto, que lá do alto vigia a paz, está a 4000m sobre o nível do mar. Descendo 400m por uma vertiginosa auto-estrada (atenção, “auto-estrada” aqui tem um significado diferente de “auto-estrada” em Portugal), entramos finalmente no burgo. E que há aqui? Um centro histórico mínimo mas relativamente bem conservado e um emaranhado de caos, trânsito e confusão generalizada. Vêem-se muitas mulheres vestidas com as roupas tradicionais, as cholas, muitas mulheres de jeans modernos, muita gente, muita confusão. O que há aqui que sublinhar é que se vê “muito”. Muito, muito, muita gente, muitos carros, muitos miúdos, muitas barraquinhas a vender fetos de lama e bebidas e talismãs e roupas de alpaca e roupas sintéticas a imitar alpaca. Ou seja: muito. E muito com tão pouco oxigénio é realmente fatigante. E atravessar estradas a correr com o ar tão rarefeito é ainda mais cansativo.

Quando chegámos já sabíamos que nos íamos sentir “cansados, com dores de cabeça e talvez também dores no peito”, dizia o guia. Mas sentir a dor de cabeça e o nariz que não se habitua ao ar seco, isso sim, é outra conversa. Comprámos logo os fantásticos comprimidos para o “soroche”, ou “mal de altura”, e foi realmente o que nos valeu. Irriguei o nariz com meia garrafa de soro fisiológico e levei a loção corporal mais gorda e hidratante que por cá tinha. E assim passámos uma semana, entre os 2800m e os 4200m e temperaturas entre os muitos graus negativos (-10º? -15º? Ao certo não sabemos) e os 25ºC.

Em La Paz, para além do centro histórico, há o mercado das bruxas – lugar de visita obrigatória – e a prisão – lugar agora de vista proibida, dizem. Mas, mais do que um lugar de visita, a cidade é um ponto de partida para outros lugares. Para nós, para o lago Titicaca.



Centro histórico de La Paz: a Plaza de Armas e o “El Prado”, o passeio público (que designação tão queirosiana!).

Não cheguei a perceber se o parque automóvel da cidade era “velho” ou “antiquado”. Quem andar à procura de exemplares antigos bem estimados, já sabe onde os procurar.



Emaranhado de ruas e fios na zona do Mercado de las Brujas, onde se compra de tudo para a adoração à Pachamama, a Mãe-Terra.


Como não podia deixar de ser, a secção “comida e bebida”: um ceviche que foi devorado antes de o conseguir fotografar e o imprescindível mate de coca, para ajudar a combater o mal de altura.

Bolivia part I: La Paz

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Para ler um relato da viagem em português, aqui está uma ligação para o meu outro blog.

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Although this is more of a work blog, I cannot resist posting about it here because this trip to Bolivia was such an eye opening experience. I realise this is no touristic paradise for my fellow argentines but for us, europeans, Bolivia is an exotic treasure. It´s not “undiscovered” – but it certainly isn´t full of people covering the same beaten track. I´m sure there´s a lot more to Bolivia than what we saw in ten days – and certainly a huge amount of more “virgin” places, but the places we visited felt pretty unspoilt to us (specially compared to Argentina).

We flew from Buenos Aires to La Paz. The airport sits on a 4000m high plateau and the lack of oxigen is quite asphyxiating to people – like us – who just landed from sea level. You don´t notice it in the first few minutes, but once you try to lift your luggage from the luggage belt – then you know it. Heart racing, slight chest pain, heavy headache – that´s it.

After being delivered to our hotel our first stop was the chemist´s: “soroche” pills to counteract the effects of the very thin air. Then, food:

This ceviche was devoured way too fast for my camera, a bit like Lucky Luke. Then, the necessary mate de cocato help us breathe:

The next day we strolled down El Prado for a bit of the Sunday morning La Paz action. There was a fair with lots of kids playing and singing and people dancing. The ambiance was perfect. Nobody seemed to be suffering from “soroche” apart of us.


Then we started touring the city and went to the Valle de la Luna as well.





This last spot is a place where the andean rock is eroded in such a way that it feels like you´re on the moon, not on an earthly landscape. The cactuses bring us back to the earth but the lack of oxygen always makes you wonder where you really are.

No visit to La Paz is complete without a stop at Mercado de las Brujas, “Witches´ Market”, where amazing things are available: silver and bolivianita – a local semi-precious stone – jewelry, alpaca sweaters and ponchos, fake-alpaca sweaters and ponchos, different souvenirs and, of course, lucky charms, llama foetuses and other goods that serve the adoration of Mother-Earth, Pachamama.



On my desk today


On my desk today? Tea! I don´t know what I´d do without it. Well, it´s a rooibos infusion with orange and cinammon, but to keep it simple I just say “tea”. I love to drink it all year round but when it´s cold outside it tastes better.

Also on my desk: my week planner. After coming back from Bolvia on Monday I´ve had too much to do and too little time to actually plan – it now works as a “to-do list”. And I still prefer to write things down than having a little computer application with little noises. There´s nothing like ticking (with a real pencil) a done item, right? (Yes, I´m old-fashioned and tecnhology-impaired…)

Some quick sketches made in Bolivia and german class exercises. I had an oral presentation today and somehow feel that I am in “post-presentation” mode: I feel that rush of having accomplished a mission. I´m happy about it.

The rest of the work I´m on right now is basically computer based. Some doodles will be necessary in the next few minutes. I just love the doodling part.

Visit more desks through kootoyoo.