Month: November 2006

A Carolina


A Carolina é a minha sobrinha. Nasceu há quase dois anos e é aquário, como eu.
Gosta de desenhar, de andar de triciclo e de ajudar o Avô António a regar as plantas e até já sabe como se faz para cheirar os manjericos.
Adora as palavras terminadas em “inho” ou “inha” e diz, como se fosse crescida, “leitinho”, “meinha”, “vizinha”.
E aqui está ela, no seu triciclo e com a caixa da chucha na mão, fotografada pela tia Guida.

Patanisca

Fui pagar a renda da minha casa. Claro que isto não teria história nenhuma, não fosse o facto de o meu senhorio ter uma tasquita ao Cais do Sodré e ser precisamente aí que eu vou entregar o cheque todos os meses. Bem, nem mesmo assim seria digno de nota, não fosse o meu senhorio um senhor galego muito simpático que, na sua gentileza, faz questão de me servir um “pastelito” e um “suminho”, não importa a hora a que eu lá vá (serve “suminho” às meninas, um copo de vinho ou de cerveja aos rapazes). É aí que está o busílis: esta manhã, o pequeno-almoço ainda acabado de chegar ao estômago, o meu senhorio serve-me um prato de calamares (fritos) e outro com pataniscas (fritas, evidentemente). Nunca sei muito bem o que fazer nesta situação, portanto tento o meio-termo e como qualquer coisita, para não fazer a desfeita. E assim, às 9h30 da manhã, estava eu a comer de faca e garfo uma bela patanisca de bacalhau. Justiça seja feita: era mesmo muito saborosa.

De volta ao trabalho

Após uma abstinência de quase dois meses, mergulhei em meados de Outubro na tese de mestrado. Desde esse dia, já passou praticamente um mês e é com alegria que anuncio que me começo a entusiasmar seriamente pelo projecto. “Só agora?”, podem perguntar. Pois é, só agora é que lhe começo a dar uma forma concreta e a vê-lo com outros olhos. Penso que o afastamento de dois meses acabou por ser positivo.
Já em Lisboa, voltei em força ao trabalho com os meus clientes, nomeadamente ao meu primeiro cliente internacional, que me encontrou graças ao meu site. Por esta não esperava, mas fico feliz que assim seja.

Chove

Desde que cheguei a Lisboa que tem chovido quase ininterruptamente, e todos sabemos que a chuva em Lisboa é um tema inesgotável de conversa. É curiosa, contudo, a variante subtil da temática que escutei hoje no autocarro: um par de amigos discute como de seca extrema passámos tão rapidamente ao cenário oposto. Esta variante é claramente uma melhoria em relação à clássica converseta do “vai sair?” e “ó chefe, abra a porta aqui atrás!”.

Outra vez o Ceviche, que e muito "fitxe"


Ceviche Super Power no La Mar, Lima.

Algumas imagens de Buenos Aires


Domingo em San Telmo.


A zona moderna de Puerto Madero, algo parecido com as Docas lisboetas (em intenção, não em dimensão).


A Casa Rosada, sede do Governo.

Coisas da Argentina de que vou ter muitas saudades

O gelado de banana do freddo é uma poesia. E também vou ter saudades da tarte de manga e côco da Carla. E dos “envios a domicilio”.

Coisas da Argentina de que não vou ter saudades

Alguns autoclismos de Buenos Aires que não funcionam bem (e não vale a pena explicar mais).
O vocábulo usado lá para designar “sanita”: vá-se lá saber porquê, é “inodoro”.
Não vou ter saudades de comprar um frigorífico, uma tarefa bem difícil que necessitou de três tentativas – e finalmente tivemos sucesso porque estava a chover. É um processo complicado: depois de escolhido o modelo e confirmando que existe um exemplar em stock, chegou o momento do pagamento. Existe uma série de incentivos para o consumo, tal como infinitas prestações sem juros e descontos valentes para quem paga de uma vez só (ainda que a crédito). Ora estes dois maçaricos, vindos da terra dos multibancos e do “verde-código-verde”, estavam convencidos de que aqui seria algo semelhante. Não podíamos estar mais longe da verdade: os movimentos com cartão de débito têm um limite máximo por dia, limite esse que só compra meio frigorífico. Teríamos então de fasear os pagamentos em vários dias e deslocar-nos à loja igual número de vezes. Além disso, a mercadoria só seria entregue quando todos os pagamentos estivessem efectuados. Ora bem, tentemos o cartão de crédito e paga-se tudo de uma vez. Bem, mas o cartão retira todos os descontos que faziam da escolha daquele modelo naquela loja uma opção realmente vantajosa. Mudança de loja. Repetição do processo. Pagamento com cartão de crédito necessita de documento de identidade que ateste a nossa boa fé. Dado que o passaporte do Paulo estava retido para trâmites do visto, teria de ser o nosso velhinho BI. E não. BI, ainda que cheio de selos brancos, plastificado e em boas condições, não serve. Desistimos e fomos jantar ao restaurante Los Pinos, instalado numa antiga farmácia e onde a comida é booooooooa. Os meus tagliatelle al verdeo, regados com um bom vinho argentino, estavam deliciosos e ajudaram a minimizar a frustração. Passaram-se alguns dias (e mais tentativas) até que, num dia de muita chuva, a loja aprovou rapidamente o desconto proposto, e, com a correspondente autorização bancária (e passaporte) lá fizemos a transacção. Tivemos de comprar o modelo acima do que queríamos, dado que estava esgotado. E a partir daqui começámos verdadeiramente a sonhar com arrumar a manteiga e comprar víveres frescos e – como também ia uma máquina de lavar roupa – finalmente ter as camisolas sem cheiro de detergente industrial. Mas aventura que se preze não termina assim tão facilmente, e qual não é o espanto quando constatamos (eu e os dois senhores das entregas) que o frigorífico não passa pela porta de serviço e como tal não passa para o monta-cargas. Entra na porta principal, mas não no elevador, nem sequer na porta que dá acesso à escada de serviço. Pura e simplesmente, o frigorífico não cabe. Pânico. “E se, talvez se, talvez desembalando o frigorífico aqui no rés-do-chão…”. Uma meia hora depois e quatro lances de escadas mais tarde lá chega o bendito electrodoméstico, sem um arranhão sequer, ao quarto andar da Rodríguez Peña. Tenho de agradecer infinitamente a quem carregou aquele enorme monstro até lá acima e apenas me pediu “un vasito de água, señora, seria perfecto”.

Decorações de Natal

Hoje cheguei a Lisboa, depois de uma viagem sem pregar olho, um transfer em Malpensa que mais parecia gado num curral e deparo-me com um aeroporto lisboeta completamente decorado para o Natal. Tentei determinar a data, um pouco baralhada com a diferença das estações entre norte e sul. Estamos no primeiro dia de Novembro, o que nos deixa a mais de mês e meio do Natal. Hmmm. Esta deve ser uma das poucas coisas em que os portugueses trabalham com antecipação – dizem-me que muitas das decorações estão postas desde meados de Setembro. Não duvido, um destes anos as luzes não desceram da Ferreira Borges – e assim um atraso se transformou em avanço.