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Viagens no tempo

Kennedy Space Center, FL

Kennedy Space Center, FL

Kennedy Space Center, FL

Depois da loucura dos parques temáticos da Flórida, o senhor Príncipe convenceu-me, e ainda bem, a visitar o Kennedy Space Center. O tempo já estava a ficar ruim com a aproximação do furacão Sandy, pelo que me desapetecia uma ida a uma das famosas praias locais.

E assim fomos nós, montados no nosso GPS e comigo de co-pilota, de mapa na mão, Flórida fora. Aqui que ninguém nos ouve, era perfeitamente desnecessário. Há indicações em todo o lado e só as viragens à direita com o semáforo vermelho eram vagamente confusas. Mas só vagamente, nada que tenha atrapalhado o meu condutor.

Kennedy Space Center, FL

O Kennedy Space Center bebe um pouco da loucura dos parques temáticos e tem salas de cinema imax 3d e um simulador de voo espacial. As exposições são muito interessantes: uma, sobre a história da conquista do espaço e da picardia entre os blocos ocidental e oriental, fala dos primeiros foguetes. A exposição transporta-nos até aos anos 60, depois 70. Foi uma alegria encontrar ícones da minha infância, como o View Master, ver o Sputnik e a sua bandeira da CCCP, telefones de disco e outras coisas que tais.

Time travel courtesy of #nasa and Kennedy Space Center. #fl

(Ponha o dedo no ar quem reconhece o View Master da sua infância!)

Experimentámos o simulador de voo e vimos uma documentário sobre a o satélite Hubble, no cinema em 3d. E, quem havia de dizer, gostei imenso de ir.

Como tudo fecha cedíssimo, vale a pena ir mais cedo para aproveitar o tour de duas horas que leva os viajantes até ao Cabo Canaveral e ainda passar pela loja, onde há muitas lembranças giras, desde astronautas de papel a emblemas para coser.

Lego!

Lego!

Dali seguimos para o que nos faltava ver do mundo Disney, o “Downtown Disney”. Trata-se de uma zona cheia de restaurantes, cafés, cinemas e salas de espectáculo, bem ao estilo de mundo a fingir da Disney. O ponto alto foi a loja de legos, onde entrámos. Não conseguimos lugar para jantar, de maneira que saímos alegremente da zona e fomos dar, curiosamente, com o melhor restaurante de Orlando e seus arredores, um cochicho perdido num complexo de fama duvidosa que serve uma deliciosa comida indiana. Chama-se New Punjab Indian Restaurant e em Orlando foi a única refeição realmente recomendável; entrou directamente na categoria de comida da mãe, isto, claro está, se a minha mãe fosse do Punjab.

O dia seguinte seria o nosso último em Orlando, e decidimos que não nos poderíamos ir embora sem conhecer a cidade.

Na Flórida, parques temáticos

Tanto eu como o Príncipe tínhamos, em criança (e não tão criança) visitado os parques temáticos da Disney (eu também tinha visitado o da Universal Studios, na Califórnia, aos onze anos). Por isso, ambos tínhamos vontade de revisitar e, quem sabe, voltar a sentir a magia que nos lembrávamos de ter sentido.

Tínhamos alguns dias e pensávamos que os íamos encher de parques temáticos. Não foi o caso, porque ao segundo dia já bastava, mas esses dois dias foram muito apreciados e aproveitados.

No primeiro, comprámos bilhete para visitar o Islands of Adventure, no complexo da Universal Studios. Neste complexo há dois parques, uma zona de lazer com restaurantes e lojas, para a qual não é necessário adquirir bilhete. Há também um hotel. Nós decidimo-nos por só comprar bilhete para um parque, e estou convencida de que fizemos bem.

Chegámos pela fresca, assim que abriu. Delirei com a arrumação dos carros no parque de estacionamento: havia funcionários que iam organizando o preenchimento dos lugares não pela vontade dos condutores mas por ordem. O primeiro carro ficava no último lugar da última fila, o penúltimo imediatamente ao lado. Assim que se preenchia a última, avançava-se para a penúltima e repetia-se o processo. Assim deixámos o carro num instante e preparámo-nos para um dia de muita caminhada.

Harry Potter neighbourhood at Universal's Islands of Adventure

Harry Potter neighbourhood at Universal's Islands of Adventure

Harry Potter neighbourhood at Universal's Islands of Adventure

Primeira paragem, o bairro do Harry Potter. Esta secção é recente e tem duas grandes montanhas-russas, uma mais pequena (“familiar”, como lhe chamam) e outras atracções divertidas. Muitas lojas, onde é possível comprar roupa, varinhas mágicas, capas, enfim, mercadoria relacionada com o tema. Confesso, não sou fã: mas o bairro está muito bonito, a imitar uma vila medieval inglesa, com casas inclinadas, telhados nevados e umas barricas onde se vendiam bebidas e lanches.

A bebida favorita da zona é a butterbeer, que nós também quisemos experimentar. Imediatamente foi eleita a pior coisa de todas as férias, e conseguiu manter o lugar até ao fim dos quinze dias. Feito impressionante e indiscutível, a butterbeer é um refrigerante com sabor a caramelo, talvez a bolacha de caramelo, com gás. E… bem, para mim, intragável. Mas uma experiência interessante.

Candy for Harry!

At Islands of Adventure

Look!

As montanhas-russas da zona são muito giras, movidas e cheias de altos e baixos, mas a mais impressionante é a do Hulk. Foi também eleita como a melhor do dia, e foi bem divertida. Quando fomos, comecei por sofrer um bocadinho de medo, acabei a sofrer de falta de equilíbrio, mas o percurso tem uma surpresa, logo ao início, que acaba por marcar todo o itinerário de altos e baixos. O Príncipe repetiu e eu tirei-lhe várias fotografias. Quem o encontra?

The Hulk roller coaster

No dia seguinte fomos para o conjunto de parques da Disney, com um bilhete multi-parques nas mãos. Visitámos o Epcot Center, em primeiro lugar, e depois apanhámos o monorail para o Magic Kingdom.

Epcot Center Dome

O Príncipe queria rever o primeiro por ter lembranças dignas de ficção científica de quando tinha visitado, há 26 anos atrás. Pois bem, o Epcot Center continua praticamente como estava nessa altura. Depois tem uma parte, à volta de um lago, com representações de vários países. Pagodes na China, pizzarias na Itália, templos japoneses, enfim, não muito interessante para quem tem vontade de visitar os próprios países, não o pedaço feito de gesso.

Main Street

Band on Main Street

Dali fomos para o Magic Kingdom, a “Disneylândia” pura, com paradas, a Avenida Principal, o castelo das princesas ao fundo. O ambiente, esse, continua mágico. A secção chamada “Tomorrowland” parece mais “Yesterdayland”, mas mesmo assim tem atracções novas e as antigas continuam a ser divertidas.

(Aqui entre nós, a senhora que ia atrás de mim na Space Mountain soltou um só grito… contínuo, do princípio ao fim da viagem.)

Fun!

Look, it's a quilt!

The castle, by day

O dia foi muito bem passado, entre passeios, ilha do Tom Sawyer, casa assombrada, a casa da família Robinson (com uma colcha de retalhos na cama), os cortejos (que continuam a ser contagiantes) e o melhor de tudo, mas bonito mesmo, emocionante mesmo, foi o fogo de artifício, a rebentar ao som de canções da Disney, atrás do castelo das princesas.

Tomorrowland in Magic Kingdom, Disney

Castle in Magic Kingdom, Disney, Orlando

Tal como o nome promete, foi mágico. E de barriga saciada de magia, voltámos para o hotel para o mais que merecido descanso.

Fireworks in Magic Kingdom, Disney, Orlando

Tenho mais fotos aqui. E mais relatos para breve!

Flórida

No Panamá, os feriados concentram-se praticamente todos no mês de Novembro. Pura coincidência, já que não programaram as suas independências de modo a ter mais feriados seguidos. O que acaba por acontecer é que se geram umas mini-férias, por muitos tidas como o início não-oficial do “Verão”.

(Abro parêntesis para dizer que a estação seca, que por acaso até é no Inverno, acontece entre Janeiro e Março e é precisamente neste período que se dá o período de férias escolares. Fecho parêntesis e volto ao relato.)

Nós decidimos aproveitar como temos aproveitado muitos dos passeios que fazemos: abrimos a página da Copa, a companhia aérea local, irmã da United-Continental, e vemos que promoções há. Assim fomos parar à Flórida, primeira etapa desta viagem. Aproveitámos para visitar (e eu, para conhecer) um tio do Príncipe. Acho que lhe podemos chamar Real Tio, com todo o carinho e admiração, que ele merece isso e muito mais.

Alugámos um carro em Orlando e rumámos a Venice Beach. Desconhecia por completo a geografia da Flórida (vá, algo sabia), por isso foi com surpresa que vi a paisagem sub-tropical que têm, com um mar azul a perder de vista e um céu azul que no Panamá raramente vemos.

Siesta Key, Florida

Siesta Key, Florida

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Perto de Venice, localiza-se Sarasota (houve alguma dificuldade em aprender este nome, até porque lá para cima há uma chamada Saratoga. Estão a ver a confusão) e ali perto uma praia maravilhosa, no golfo do México, chamada Siesta Key. Esta praia tem várias particularidades, uma delas (a mais importante para muita gente) é que tem a água muito quente. Mas a outra, mais surpreendente para mim, foi o facto de a areia ser em pó e, mais ainda, ser fria. Fria, com o sol a pique, na Flórida. Fria. O que nos explicaram foi que por ser muito branca não absorve a energia térmica do sol, reflectindo a radiação. E que me dizem disto? Só posso dizer que foi algo extremamente inovador não ter que ir a correr, em bicos de pés, pela praia fora até chegar ao mar.

Venice é uma cidade adormecida que vive a sua época alta durante o Inverno. Enquanto que mais a norte se vive com nevões e muito frio, a Flórida goza de um clima muito temperado. A temperatura desce um par de dias por ano, e acender a lareira na passagem do ano é um evento. Na avenida principal têm jardins, lojas e restaurantes.

Venice, Florida

É lá também que se localiza a estação de correios (de onde enviei uma encomenda para a minha Tia C.) e esta sapataria. Atentem na montra:

Look! Fly sandals in Venice!

Vêem?

Outro evento local é ir ver o pôr-do-sol ao pontão. É realmente maravilhoso:

Sunset in Venice Beach

Depois de dois dias na costa ocidental da Flórida, voltámos a Orlando para uns dias de Disney e Universal. Mas isso fica para outro post.

Mais fotografias aqui.

Fim-de-semana em San Blás

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A primeira vez que fomos a San Blás fazer um cruzeiro foi para celebrar o meu aniversário, em Fevereiro de 2011. Em plena estação seca, o que se espera é céu limpo e sol glorioso e inclemente, dependendo da hora. Outubro, em contrapartida, é o mês mais chuvoso de toda a estação húmida, o que nos deixou ligeiramente inquietos. Sete passageiros, dois tripulantes e chuva? O barco ficaria pequeno para todos…

A partida da cidade, na sexta-feira, não augurava nada de bom: a chuva torrencial com nuvens muito baixas fizeram-nos temer o pior. Em contra-relógio ultrapassámos o trânsito das portagens, o êxodo de fim de dia e lá fomos nós, estrada fora, até à viragem para a reserva Kuna. Daí até Cartí, porto onde deixámos o carro e apanhámos uma lancha, foram 40km de estrada cheia de curvas, sinuosas subidas e descidas e pedaços de pavimento desabado ribanceira abaixo.

Conseguimos passar a fronteira ainda moderadamente a horas e, no porto, o nosso duo lá nos esperava com a lancha pronta.

Daí foram mais uns trinta, talvez quarenta, talvez cinquenta minutos até ao veleiro que nos esperava. Jantar pronto, foi o momento de conhecermos o barco e sabermos como funcionava a casa de banho, as medidas de poupança de energia e de água potável e confraternizarmos.

Na ilha mais próxima decorria uma festa de anos, mas o nosso grupo de sete ficou em conversa até tarde. Como nos disseram na primeira vez que fizemos um cruzeiro em San Blás, as nove da noite são a meia-noite dos marinheiros. Deitei-me de “madrugada”, portanto. Mas dormi bem, embalada pela ondulação.

Sábado amanheceu maravilhoso, esteve maravilhoso, até ao inevitável aguaceiro da praxe. As vistas foram e são lindas, as raias vieram visitar-nos e o sol – quando apareceu – não deu tréguas.

Domingo foi o dia de regresso – e um fim-de-semana de apenas dois dias pareceu-se mais com umas mini-férias.

E hoje estamos de volta ao trabalho. Para regalar a vista, vejo as fotos.

Férias em Portugal

#lisbon

My favorite view. #lisbon

Catching up with friends. And the view. #lisbon

Wedding with a view. #lisbon

#lisbon

#Algarve, #portugal

Já com saudades. Cantina escolar em Armação de Pêra, #algarve, #portugal

Praia da Vieira, #portugal #nofilter

Em #Fátima, #portugal

Os dias em Portugal passam tão depressa, o que é uma pena. O tempo não chega para tudo o que há para fazer, amigos e família para ver. Não chega para todas as brincadeiras que tenho guardadas para as minhas sobrinhas, nem para todos os mergulhos, castelos e corridas de caricas. Não chega para todo o peixe e todas as amêijoas que me apetecem, para compensar a ausência prolongada.

Mas o que vi, o que brinquei, o que comi – foi tudo muito bom.

(A propósito, pode interessar-vos ler o post que publiquei no Portugalize.me, na altura das férias.)

Agora, resta-me olhar para as fotografias, babar com o céu azul e o mar sem fim, já para não falar nos castelos e nas Princesas que neles habitam, as tranças, os tremoços, os percebes e o cozido à portuguesa que a minha Mãe fez.

Até breve!

San Miguel de Allende, México

San Miguel de Allende, #méxico

San Miguel de Allende, onde os nomes das lojas são pintados. #méxico

Tudo é bonito em San Miguel de Allende, #méxico

Confirma-se: o meu encanto com o México manteve-se até ao final da estadia. Por momentos tive medo que alguma coisa acontecesse e mudasse radicalmente de ideia. Mas não. Não fui assaltada, nem assediada, estive em lugares lindos, fui bem atendida em todo o lado, os carros pararam nas passadeiras e lavei os olhos – e a alma – com as casas, as cores, as vistas.

San Miguel de Allende confirmou o seu lugar no topo da tabela da minha paixão mexicana, seguida de muito, muito perto pela comida, e logo a seguir pela Cidade do México – ou por alguns bairros da Cidade.

San Miguel de Allende, coisa mailinda. #méxico

Quando chegámos, fomos recebidos por uma procissão na praça principal, com direito a guitarrada e cantoria, ao mesmo tempo que na Igreja Matriz se celebrava um casamento e um grupo de mariachis, à porta, esperava pelos noivos.

San Miguel de Allende, #méxico

A cidade está muito bem conservada, desde as suas cinquenta e três mil igrejas (não sei ao certo, mas são muitas), às livrarias e centros culturais, uma biblioteca pública cheia de livros e de gente, lojas e lojinhas bonitas, com pátios e fontes, e ruas empedradas e inclinadas, para ajudar a digerir a tortilha e o gelado.

San Miguel de Allende, #méxico

Assim nos recebeu o #méxico

Ficámos instalados numa casona colonial linda, de portas pintadas e quartos a dar para o pátio, pertinho do centro e dos correios, onde me deliciei na minha plática com o funcionário. Ao saber que os postais eram para pessoas fofinhas, deu-me uns selos lindos e adequados (e cor-de-rosa) para neles colar. Espero que cheguem brevemente, porque sei que são muito apreciados.

San Miguel de Allende é daquelas terras onde me imagino a voltar uma e outra vez.

Dados: ficámos alojados na Casa Schuck (muito recomendável), comemos na Hacienda de Guadalupe (também deliciosa, mas desconfio que em qualquer boteco mexicano se come bem). Fizemos compras em várias lojinhas, onde sempre, sempre nos trataram com imensa simpatia e atenção. Ah, serviço mexicano, já tenho saudades.

Mais fotografias mexicanas aqui.

Cartas do México

Street bench, Mexico city

A Rua da Amargura afinal existe (em San Angel, Cidade do México)

Até o chão é lindo em San Angel, #méxicodf

Nunca uma cidade me surpreendeu tanto, e tão positivamente. Terá sido porque as minhas expectativas eram realmente baixas, depois de tantos avisos quanto à segurança, ao trânsito intenso, à poluição do ar. Imaginava uma cidade gigantesca (que é), onde não podia caminhar pela rua, nem andar num autocarro, muito menos ter cara de estrangeira (que também tenho).

Mas não: após alguns dias aqui, estou fascinada com esta cidade. Cada bairro (e são muitos) é como uma pequena cidade dentro da cidade, e portanto atmosfera muda de rua para rua. É uma cidade cortada por vários eixos, de vários quilómetros, onde o trânsito é, de facto, ensurdecedor. E um quarteirão ao lado, nem mais nem menos, estamos no interior do bairro, ouvem-se os passarinhos e circula o ocasional carro, que abranda para me deixar atravessar.

A #cotel, no #panamá, já recebia esta mensagem. #méxicodf

Walking here is a pleasure, there are details to be found everywhere. #méxicodf

There's beautiful type everywhere. #méxicodf

"...and your address is, please?" #méxicodf

 Em muitas ruas me sinto em Buenos Aires, mas sem estar. As caras aqui, contrariamente ao que acontece na cidade meridional, são mestiças, desde o executivo até ao vendedor de rua. As pessoas são de uma simpatia que há muito não vejo – talvez desde que estive a fazer compras no comércio de bairro lisboeta. A vendedora de tecidos artesanais esteve a mostrar-me as diferentes moedas, quando lhe disse que ainda não as conhecia muito bem; foi até buscar a de 20 centavos de peso (1 cêntimo de euro) para que eu a conhecesse. Mostrou-me tudo o que fazia com os tecidos que vendia, desde o avental que trazia até à encomenda de guardanapos para um restaurante. Mais do que uma transacção, foi uma bela conversa. Saí com a alma cheia de sorrisos e voltei à rua, onde me senti tranquila, segura, e onde ainda não ouvi um único piropo (assédio, gente, assédio).

E já que falamos em costumes machistas, ou a ausência deles, também me surpreendeu muitíssimo que aqui os casais homossexuais dêem livremente as mãos em público, se beijem e abracem, sem serem olhados de relance ou serem apontados. Para mim, mais que um sinal dos tempos é indício de desenvolvimento social. Não sei se será assim em todo o lado, mas aqui, certamente, é.

The Metrobus is the best in terms of public transportation! #méxicodf

Até agora, usei o Metrobus, transporte público colectivo idealizado em Curitiba e importado por tantas cidades (Bogotá é uma delas). Trata-se de um “metro” de superfície, em que as carruagens, na verdade, são autocarros. O acesso é feito através de estações elevadas, de acesso reservado, e os veículos circulam em faixas dedicadas e isoladas, nas maiores avenidas. Não exagero quando digo que passam com intervalos de 15 a 30 segundos e as viagens têm um custo de 5 pesos (30 cêntimos de euro). Além disso há o Metro, que usarei amanhã e que tem uma extensa (e segura) rede.

É por tudo isto que a Cidade do México me conquistou de supetão, quando menos esperava. Estou fã, fã – e se tiver oportunidade, volto.

The Angel on Paseo La Reforma, México City

A colecção de fotografias, no flickr, encontra-se aqui.

A zine foi à Guatemala

We´re in Panama, issue 23

  Nova zine, no sítio do costume.

 25 de Abril, sempre! (Mesmo longe e sem cravos!)

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

Seguindo as recomendações dos amigos chapines (guatemaltecos), assim que aterrámos no aeroporto La Aurora (que nome lindo!), na Cidade da Guatemala, encaminhámo-nos directamente para a antiga capital do país, cujo nome é, sem surpresas, Antigua Guatemala.

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

O nome pode não ser surpreendente, mas a cidade é. Mais tarde ficámos a saber que já não era a primeira capital, mas sim a terceira, depois de Iximchel (que não visitámos) e Ciudad Vieja (que visitámos, de bicicleta, e fica a poucos quilómetros de Antigua). A cidade está rodeada por três vulcões, visíveis de todos os pontos da sua planta e que muito ajudam à orientação. Ao sul, o vulcão de Água, assim chamado devido a um triste acontecimento em 1541, quando uma imensa enxurrada de água estagnada acumulada na cratera, juntamente com lama e terra, inundou a então capital. A sua destruição ditou a mudança da capital de Ciudad Vieja para Antigua. Os outros dois vulcões são a oeste da cidade: Fuego e Acatenango, que subimos.

Antigua é o arquétipo de cidade colonial espanhola, com a sua praça mayor – aqui, denominada de Parque Central, já que é arborizada – onde se localizam os palácios de governo e a catedral. É, literalmente, o centro da cidade e também o seu eixo: a partir daí, as avenidas denominam-se pelo seu número, seguido de “norte” ou “sul” e as ruas, por seu turno, pelo ordinal, seguido de “nascente” ou “poente”. E por se tratar de uma grelha, a orientação é facílima em Antigua, sem surpresas.

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

As ruas são calcetadas à maneira antiga e a construção, bastante preservada, é colonial; em cada rua há uma igreja, mais ou menos recuperada, ou um mosteiro reconvertido em hotel. É esta riqueza de património – e a sua conservação – que conquistaram a certificação da Unesco como Património da Humanidade.

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

É uma cidade que conta com boa infra-estrutura turística e que tem muitas escolas de espanhol como língua estrangeira. Por isso, a sua população flutuante consiste de muitos estrangeiros que aí permanecem por temporadas, fazendo da cidade uma base para as explorações da região dos vulcões.

Antigua Guatemala

Antigua Guatemala

Os restaurantes são muitos e variados e, para nossa imensíssima alegria, descobrimos que os guatemaltecos gostam de sopa. Há sopa a toda a hora e a toda a refeição, normalmente acompanhada por uma fatia ou duas de pão. Pela primeira vez, comi sopa de tortilla negra, uma sopa de vegetais com pedaços de tortilha feita com milho negro (seguramente tem um nome específico, que eu desconheço).

Antigua Guatemala

Passámos dois dias em Antigua, onde nos cruzámos várias vezes com as procissões por ocasião da Semana Santa. Quem quiser apreciar a religião de forma bem teatralizada, muito tétrica, ver homens mascarados de carrascos e meninas pequeninas com andores pesadíssimos aos ombros, não pode perder Antigua nesta época. Para mim, todo este espectáculo é um pouco excessivo, mas quando me cansava mudava de rua e via outra fachada linda.

Depois destes dois dias, usámos a cidade como ponto de partida para explorar os arredores. Contratámos passeios com duas agências, uma delas recomendada abaixo, e aproveitámos o calor com que nos receberam no Hotel Cirilo, um lugar que aconselho vivamente a quem gostar de alojamento cómodo, limpo, com um acolhimento familiar e com todos os confortos de um hotel de primeira categoria.

As nossas recomendações são:
Hotel Cirilo
Old Town Outfitters (a agência de viagens com passeios bem alternativos)

Temos muitas recomendações de restaurantes, mas essas ficarão para outro momento.

E para quem quiser ver mais fotografias, a colecção flickriana – ainda em actualização – encontra-se aqui. Muitas fotos são do Príncipe, a quem agradeço; ele tem um olho perspicaz e é rápido nos reflexos, tendo tirado fotografias espectaculares durante as férias.
Antigua Guatemala

Vulcão Acatenango, Guatemala

A subida ao Acatenango foi das melhores experiências de viagem que tive até hoje. Melhor? Bem, talvez marcante ou emocionante sejam mais apropriados. Ou, reconsiderando, e usando uma expressão da minha querida C1, “pode ser melhor“.

O dia começou pela fresca: às 4h30 da manhã, ainda escuro como bréu, apanharam-nos no hotel. Em Antigua, o frio da madrugada aperta. Por isso estávamos com as várias, digo, todas as camadas que tínhamos levado para a viagem. Na mão, o pequeno-almoço num saquinho. Entrámos na van com a nossa banana, o pão com doce de manga e o sumo de pêssego sem imaginarmos o que nos esperava.

Sunrise en route to Acatenango volcano, Guatemala

O sol nasceu no caminho entre Antigua e a aldeia que nos serviu de campo de base. Apareceu atrás de uma colina, laranja, lindo, prometendo um dia especial. Oseas, o guia, no banco do condutor, parou para nos dar aquele regalo por nos termos levantado tão cedo. Nós fotografámos.

Going up, many hours to go. #Guatemala #Acatenango

Chegámos então ao nosso ponto de partida, uma aldeia com uma latrina comum onde de um ganchinho pendiam folhas de jornal. A 2200 metros sobre o nível médio do mar, naquele aglomerado de meia dúzia de casas vivem os agricultores que cultivam as terras aráveis da encosta do vulcão. E também lá vive o nosso segundo guia, um maia de nome Sixto, que até aos dezoito anos pensou chamar-se Enrique.

Começámos a subida aos infernos. Sim, quem pensa que o inferno é exclusivamente subterrâneo está redondamente enganado. O vulcão Acatenango é um inferno, mas também é um paraíso.

Aos vinte minutos de caminhada, por entre campos de batata, de feijão e de milho, eu sentia que a minha garganta se fechava com o bater frenético do coração. Nem eram as pernas: era o coração que se tentava habituar ao esforço, num ar que já era rarefeito. Tive de parar com frequência para poder abrir uma estreita passagem para o ar. Pensei, muito seriamente, que não poderia continuar. O grupo ia lá à frente; comigo, o Príncipe e Sixto, que prontamente me arranjou uma cana-cajado. Continuei.

Na paragem seguinte, Oseas, o guia, contou-me o segredo: dar passos curtos, lentos, a um ritmo constante e sem paragens. E a verdade verdadeira é que, passado um bocado, me senti bem. Cansada, mas bem. As pernas obedeciam-me, o coração tinha voltado ao lugar dele, no peito. As costas estavam feitas um rio, reajustaram-se camadas de roupa e aí continuámos nós.

Depois dos campos cultivados passámos a uma etapa de bosque de montanha tropical. A vegetação, cerrada, oferecia-me mais oxigénio que os campos cultivados. Os trilhos eram, a dada altura, perfeitos caminhos de cabras, descidos aos saltinhos por quem havia pernoitado na cratera. Quando nos cumprimentavam, só lhes conseguia dizer que os admirava.

E sabem? A vantagem de viajarmos por países cuja língua conhecemos é exactamente essa: as pessoas respondiam-me, alentavam-me, diziam-me que faltava pouco para a próxima estação de descanso.

Walking on clouds (almost). #acatenango #guatemala

E entre estações de descanso, lá subimos mais metros e chegámos à parte de pinhal. Pela estação seca e pela altitude, muito menos denso que o bosque abaixo. A esta altura, as nuvens começaram a vir namorar-nos de perto. Às vezes víamos a pessoa da frente; às vezes não.

Misty, cloudy, wet. #acatenango #guatemala

Passado algum tempo (horas, minutos?) chegámos ao ponto máximo da montanha em que nos encontrávamos e começámos a contorná-la num trilho estreitinho mas muitíssimo agradável de pequenas subidas e trechos planos. As minhas pernas já não sabiam mexer-se sem ser a subir, por isso obrigava-me apenas a separá-las em passos largos, para aproveitar a inércia do movimento.

Depois desta etapa de paraíso começou a verdadeira subida: no terreno de terra vulcânica solta, a sensação era a de andar na praia, na areia seca, como se estivéssemos a subir uma duna interminável.

Having lunch. One hour to go. #guatemala #acatenango

Ao fim de cinco horas de subida, e a uma da cratera, Oseas preparou-nos um almoço de tortilha com guacamole, tomate e frijoles refritos para retemperar forças. A esta altitude, quando o sol brilhava, o calor era abrasador. Quando vinham as nuvens, o frio congelava-nos. Em dois ou três minutos a sensação térmica variava da praia para o ski, do Verão para o Inverno. Quando dei por mim, tinha os lábios completamente roxos. Temi que tivesse que ver com o mal de altura, mas tive sorte: contra o frio basta pôr mais uma camada e calçar umas luvas, emprestadas.

Chegou então a última subida, porventura a mais difícil: pedra e terra solta, numa inclinação sem um arbusto ou árvore. Caminhámos pela crista da montanha: qualquer passo ao lado seria já, tecnicamente, uma encosta – bem inclinada, por sinal. A cratera esperava-nos, cada vez mais perto. Mas cada vez custava mais pôr um pé à frente do outro. No grupo, houve quem precisasse de comprimidos para combater as náuseas provocadas pela falta de oxigénio. Comigo, não sei que milagre se processou: depois do início tremido, tudo se compôs e não mais senti os efeitos do ar rarefeito.

Quase a chegar à cratera, sentia os olhos a marejar-se de lágrimas. Quem diria? Depois de ter achado que ficava logo no início, não foi com muita confiança que retomei a caminhada. Estar ali, naquele momento, quase, quase a chegar à cratera foi mágico.

We made it to the crater, at 3976m! Barely visible, Fuego volcano erupting. #acatenango #guatemala

Hail falling on the crater, mixed with ash from Fuego volcano. #guatemala #acatenango

E depois cheguei. Seis horas, 15km e 1776m de desnível mais tarde, cheguei à cratera. Dei um salto. Celebrei. Ao lado, o vulcão de Fuego fazia breves aparições por entre as nuvens. Da sua cratera saía uma linha de fumo; as suas erupções ouviam-se ali mesmo ao lado e a cinza caía-nos em cima.

Up in the sky: on the crater of the Acatenango, Guatemala

We made it to the top!

Começou a cair uma granizada valente que foi cobrindo a cratera de branco. As pedrinhas que me caíam nas orelhas doíam. Muito. E começámos a descida.

Não fazia a menor ideia de como conseguiria chegar à base, sobretudo tendo em conta que as minhas pernas já só sabiam subir. Descobrimos, com muita alegria, que a terra solta – tão terrível de subir – era muitíssimo divertida de descer, com o improvável bónus de ter de esvaziar os sapatos de pedrinhas umas vinte e três vezes por minuto. Descemos por trilhos diferentes, trilhos estreitos, largos, de terra firme e terra solta, de pedras, de raízes. O meu rabo viu o chão mais que uma vez.

Até que, finalmente, chegámos à aldeia. E aí, as minhas pernas recusaram-se terminantemente a mexer mais um milímetro que fosse.

Um cheirinho da Guatemala, "Guate" para os amigos

Mint tea in a new country.

Procession during holy week in Antigua Guatemala.

Inner patio of Café Condesa, la Antigua Guatemala.

How green can watercress soup be? And how red can strawberry juice be? #guatemala

Going up, many hours to go. #Guatemala #Acatenango

Misty climb

Holy week procession in la Antigua Guatemala.

See you, Tikal

We climbed two of these volcanoes. :)

Estamos de regresso da Guatemala, depois de nove dias de passeios, subidas, descidas, bicicletas e muitos, muitos quilómetros nas pernas. Antes de entrar nos relatos detalhados, deixo aqui um cheirinho do que foram estes dias. Podem, se quiserem, ver mais fotos aqui.

Na última foto que aqui vêem, vimos o último pedacinho de céu azul durante vários meses; aqui no Panamá já começou a estação das chuvas, o que significa que só lá para final de Dezembro teremos um dia de “sol firme e céu azul”.

Contadora, arquipélago de Las Perlas, no Pacífico

Ferry para Contadora, Panamá

Puente de las Américas, Panamá

Contadora, Las Perlas, Panamá

Dizem que Contadora é o local mais atlântico do Panamá, e eu não discordo: água fria e azul escura, com as suas ondas, assim a fazer lembrar o nosso mar.

Contadora, Las Perlas, Panamá

Talvez por isso tenha gostado tanto de Contadora: é uma ilha minúscula pertencente ao arquipélago de Las Perlas que antigamente era a colónia balnear da classe alta. Por essa razão, as casas em Contadora são lindas e estão bem cuidadas, as vistas são maravilhosas e é tudo bastante caro.

Contadora, Las Perlas, Panamá

A viagem pode ser feita de barco ou de avião. O barco, a nossa opção, demora um pouco menos de duas horas e é feita num catamaran a motor que leva umas sessenta pessoas. A saída é feita com vista privilegiada para a Ponte das Américas, os barcos que entram e saem do canal e, depois, para toda a Cidade.

A chegada a Contadora é muito menos sofisticada: chegamos à praia de Punta Galeón e uns botes pequeninos fazem o transporte até à areia. A partir daí, bastam poucos minutos para percorrer toda a ilha, num carrinho de golfe ou em bicicleta.

Contadora, Las Perlas, Panamá

As duas praias favoritas são a Ejecutiva e a da Villa Romántica, um hotel piroso mas bem localizado e que disponibiliza instalações sanitárias, bar e restaurante. Ficámos alojados na Casa del Sol, que dispõe de quartos e também de uma casa totalmente equipada, no centro da ilha.

Uma alternativa às praias de Contadora é negociar com um dos barqueiros uma volta a outras ilhas do arquipélago, programa que não fizemos. Preferimos ficar naquela praia a vegetar e a desfrutar da água “fria” que a corrente de Humboldt trouxera. A verdade é que me senti quase, quase, quase no Atlântico (não-caribenho).

Contadora, Las Perlas, Panamá

O jantar foi feito no Gerald´s, um restaurante (e alojamento) de um senhor alemão onde se come muito, muito bem. O grupo argentino com quem fomos falou largamente da nossa apetência por sopas: na verdade, para nós a sopa é um passo da refeição, mas na Argentina isso é luta que só a Mafalda trava. No final, contudo, todos se deliciaram com a excelente sopa de marisco, sopeiros e não-sopeiros!

No dia seguinte, o regresso à Cidade teve alguns percalços: para além da muita ondulação que o barco atravessa – será coisa de marés? – tivemos o azar de ter a companhia de um bêbedo, que não só moeu o juízo de todos como particular e muito especificamente azucrinou a mulher, que a páginas tantas fingiu adormecer. Ele lá se cansou de falar para o ar e foi para o convés, beber mais um bocadinho e incomodar outra freguesia. Como uma hora e quarenta e cinco pode parecer sete!…

Apesar de tudo, Contadora, tal como Boquete, ficou na lista dos lugares a repetir no Panamá, provavelmente quando recebermos visitas. Quem sabe coincide com a altura da avistagem de baleias (entre Julho e Outubro)? Ficamos à espera.