Blooming jacarandas and embroidery, a love affair


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Now that jacaranda season is almost over here in Lisbon, and Summer is just around the corner, I would like to share a bit of the background behind this month’s air Embroidery Club project, its inspiration and motivation.

To me, blooming jacarandas bring many memories, some of them fond; some of them sweet – and sour.

When I lived in Argentina, Buenos Aires came into full jacaranda bloom during the month of November. It was the best month: winter was over but the scorching heat of summer wasn’t quite there yet. Many large avenues, lined with jacarandas, became beautiful and violet, in this very special and electric hue.

Lisbon is much smaller than Buenos Aires, but its avenues are lined with many trees, and many of them become violet at this time of the year. Jacaranda blooms have such a beautiful, vivid color, one could almost be fooled into thinking that they would last forever. Alas, they can disappear in just one day, if the wind blows stronger.

Three years ago, as I expected my twins to be born, had them, had my beautiful baby girl with me and mourned the loss of my son, nature – and blooming jacarandas – kept reminding me that life was still beautiful, despite the loss, that I just had to look around and appreciate the beauty to know that I could – and had to – go on.

So every year as I start to see jacarandas lose their leaves and become filled with little, vibrantly colored flowers, I can’t help but think of where I was a few years ago, and where I am now, letting myself feel the wave of loss again, as well as the wave of never ending love for life, my family and friends, and for the beauty of nature, which we cannot even for one second take for granted.

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Agora que a temporada dos jacarandás está mesmo no seu fim, aqui por Lisboa, e o verão está mesmo, mesmo à porta, gostaria de partilhar convosco um pouco sobre a história por trás do projecto deste mês do Clube de Bordado air.

Os jacarandás em flor trazem-me muitas memórias, algumas delas muito queridas, outras, um pouco agridoces.

Quando vivia na Argentina, Buenos Aires entrava numa quase febre violeta durante o mês de Novembro. Para mim, o melhor mês do ano: o inverno já tinha acabado e o calor sufocante do verão ainda não chegara. Muitas das grandes avenidas da cidade, cheias de grandes jacarandás frondosos, entravam numa vibração violeta quase eléctrica.

Lisboa é uma cidade muito mais pequena que Buenos Aires, mas também tem muitas das suas artérias enfeitadas de jacarandás, que nesta altura do ano se tornam ainda mais bonitos, com as suas flores luminosas. A cor é de tal forma viva que uma pessoa quase podia imaginar que vai lá ficar para sempre. Mas não, as flores de jacarandá vão-se de um dia para o outro.

Há três anos, quando esperava o nascimento dos meus gémeos, os tive, trouxe a minha bebé para casa e chorava a morte do meu filho, a natureza – e os jacarandás em flor – ajudaram-me a manter a minha alegria de viver. E que, apesar da perda, me bastaria olhar à minha volta para apreciar a beleza da natureza. E isso deu-me forças para continuar.

Cada ano que passa, à medida que vejo os jacarandás a perderem as suas folhas e a substituí-las por uma mancha lilás, não posso evitar pensar nas esperanças e sonhos de há uns anos atrás, na perda e no caminho que percorri até aos dias de hoje. Olho e agradeço a família e os amigos, que sempre me apoiaram, e aprecio também a beleza da natureza, do nosso planeta tão lindo e complexo, que temos de cuidar nós, todos os dias, sem nunca delegar essa tarefa em ninguém.

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