“Leaning in” a bit, every day

Tudo pronto para o #workshop de #tricot de amanhã, com a melhor vista de #Lisboa . Até amanhã!

Ler em português

I’m reading Sheryl Sandberg and Nelly Scovell’s wonderful, mind-opening book “Lean in”. If you’ve never heard of it, it is about women and leadership, and the imbalance at the top level, and women’s responsibility in maintaining – and changing – the status quo.

As soon as I started reading it, I got hooked. I have recommended it to friends and mentioned it to everyone around me, it should be compulsory reading to everyone, women and men alike. There are so many interesting points in that book, but today I’m going to address only one: the question of being assertive and wanting to be liked.

The authors quote a study made in the US where a group of people was divided in two parts. Then, one of these groups received the profile and list of abilities of a person named “Heidi”. The other group received the exact same profile, but instead of “Heidi”, this fictional person was called “Howard”. Remember: Howard and Heidi have the exact same profile. What have scientists discovered? Both men and women believe “Howard” to be a great colleague, a nice person, a good leader. “Heidi”, on the other hand, is perceived as aggressive, arrogant, not nice (and by “not nice”, imagine “bitchy”, and so on). But can you see what is essential here? It’s that both men and women perceive “Heidi” to be disagreeable, while “Howard” would be a great colleague.

This means that we, women, are not innocent victims of this double standard: we are part of the problem!

We are conditioned to be soft, gentle, nurturing, adorable since we are young girls. We are conditioned to be quiet, blend in, tone down what we are certain about, obviously never mention our victories (which makes us believe these victories aren’t that great anyway). Speaking about our accomplishments makes us come across as arrogant, aggressive, and it sounds like we’re bragging.

When I read this, my heart jumped with the scare it got: I am part of this group! I am so afraid of not being liked that I do shut up often when I know I’m right. I shut up because I don’t want to come across as too critical, too assertive, too aggressive, as it may bother the people around me. Silly? Of course it is! But it is also very real.

Take what happened the other day, when I went shopping for circular knitting needles for my knitting workshop students. I always like to provide my students with the best quality materials, even if a little more expensive than basic ones. I invest in good circular needles, and a wonderfully soft merino wool. I believe that when we start learning a new activity with good quality materials, we are more likely to have pleasure using them and more likely to take to it and keep doing what we just learned.

I was at the haberdasher’s and asked for the circular needles in the size I wanted, and the shop lady, very kindly, brought some needles of a brand I don’t like. I have bought those needles in the past, tried them, and I don’t like them. I know that stitches get caught in the joints between the cable and the needles, and that’s the kind of barrier a first time knitter (or any knitter) does not need. So I asked her if she had any other brands.

At this point, the lady tried to convince me that this brand was fantastic, it had had problems in the past but they had been fixed, that “shoppers buy them often”, that “no one has ever complained” about the needles. And she tried her best to persuade me to get those needles, she was “sure” I would like them. I asked if she would give them to me, and that way I would try them one more time, but I would not purchase something I already I didn’t like.

(In the very same manner I have been presented with all sorts of acrylics for knitting with arguments like “ladies purchase these often”, and “there’s no better yarn when knitting for babies” – I’ve heard all of this many, many times, and it’s hard to keep explaining that no, thank you, acrylic is made of oil and it feels like I’m knitting with plastic bags. Onward.)

The shop lady was so persistent she put me in the position to say no many times, each time a firmer no than before. In my head, a little voice started telling me that I was being stubborn, maybe the lady knew something I didn’t, why not give it a try? In reality, this voice was nothing more than the fear of not being “likable” making up excuses to make me say yes, even knowing that I was right to say no in the first place.

I kept my “nos” and added a smile to them, not knowing that that is one of the strategies Sheryl Sandberg suggests to make a firm position feel “nicer”.

I left the shop with the feeling of having just accomplished a small win: a tiny light in this dark ocean that is the fear of not being liked. And this is something I – and we – have to transport to other parts of my life, not only when I’m in the center of the question (“I’m afraid of what people may think”) as well as when we perceive other women’s actions (“that … sounds so arrogant/aggressive/bitchy”). We have to take risks and state our positions in a firm way, and we have to be gentler towards other women who are doing just that, either in leadership roles or not.

Now I’m curious to know what you think about this. Gentlemen who read this, what say you? Does this sound alien to you? Or familiar? What about you, ladies, do you feel this? Or maybe not at all? Please share your thoughts (by commenting below, by email, anyway you prefer.)

About knitting workshops: I have two spots for November 28th, an extra date I just opened. Who wants to come? (sign up by email to info [at] airdesignstudio [dot] com)

 

*

Ontem, no #workshop de #tricot. É uma alegria poder partilhar este vício convosco!

Quem já sabia a meia e a liga, aprendeu o tricot circular.

Estou a ler um livro maravilhoso que se chama “Lean in”, escrito por Sheryl Sandberg e Nell Scovell. Para quem ainda não ouviu falar, este livro fala sobre a liderança no feminino, sobre a desigualdade de género que existe ao nível da liderança no tecido empresarial (norte-americano e não só) e sobre a responsabilidade que as próprias mulheres têm em relação a esse panorama.

Comecei a lê-lo e é muito, muito difícil pousá-lo. Já o recomendei a amigas, já falei dele a toda a gente que me rodeia porque me parece uma leitura absolutamente essencial a todos, mulheres e homens. Há tanta coisa importante neste livro, mas hoje vou falar de uma: a questão da assertividade (necessária para liderar) e a vontade que muitas de nós, mulheres, temos de sermos “gostáveis”.

As autoras falam de um estudo feito nos EUA em que o perfil de um candidato é distribuído a dois grupos diferentes. O nome que consta num dos perfis é feminino, Heidi; no outro, masculino, Howard. Mas no perfil em si nem sequer tocam.

E o que descobriram os cientistas? Que tanto as mulheres como os homens interrogados acham que este “Howard” seria uma pessoa simpática, bom colega, bom líder. Já a “Heidi” – que tem exactamente o mesmo perfil! – é vista como ambiciosa, desagradável, agressiva e mais não sei quantas coisas que fazem dela uma péssima líder para a equipa.

Mas notam o essencial? É que tanto as mulheres como os homens deste estudo têm esta percepção!

Ou seja, nós mulheres não somos vítimas indefesas e impotentes; nós contribuímos para o problema, nós somos parte do problema.

Estamos tão condicionadas para sermos suaves, gentis, adoráveis; desde pequenas que nos é transmitida a mensagem de que para sermos “gostáveis” temos de refrear o nosso entusiasmo, calar as nossas certezas, evidentemente nunca mencionar as nossas vitórias e conquistas, pois aí não só seremos desagradáveis como também convencidas e gabarolas.

Ao ler isto, o meu coração saltou com o susto: eu faço parte deste grupo, tenho medo que não gostem de mim, e sim, calo-me muitas vezes, quando sei que tenho razão, com medo de ser demasiado crítica, agressiva e que possa vir a incomodar alguém com o que penso. Parvoíce? Claro que é! Mas é algo muito real e profundo.

Ainda noutro dia fui fazer a volta das retrosarias da Baixa. Ia comprar pares de agulhas circulares para as minhas alunas dos workshops de tricot. Faço questão de providenciar materiais de primeira qualidade às minhas alunas: as agulhas circulares que compro são sempre boas, ainda que mais caras; e a lã que disponibilizo é uma merino muito suave. A minha convicção é que começando com bons materiais, seja em que área for, os resultados vão ser melhores e vai haver uma maior vontade de voltar a tricotar (ou pintar, ou desenhar, ou outra coisa qualquer).

Estava eu na retrosaria e pedi as agulhas circulares no tamanho adequado e a senhora traz-me, simpaticamente, um par de agulhas de uma marca que eu já sei que não é boa. Já comprei agulhas daquelas e sei que as malhas se prendem na ligação entre a agulha em si e o cabo plástico. Para além de que o cabo, em si, não é suave, é até bastante rijo. Por isso perguntei-lhe se tinha outra marca que não aquela.

Ao que a senhora que me atendia tratou de me convencer de que aquela marca era fantástica, que tinha de facto tido problemas, mas que já não tinha, que “as senhoras levavam muito”, que “as senhoras não se queixam”. E tentou convencer-me a levar as agulhas para experimentar. Perguntei-lhe se mas oferecia, que assim levaria, mas que não iria comprar algo que já sabia não gostar.

(Da mesma forma já me tentaram impingir toda a sorte de fios acrílicos para tricotar, que “as senhoras levam muito” e que “para bebé não há melhor”. É ignorar, gente, é ignorar. Confiem em vocês porque os fios acrílicos que nos tentam impingir são feitos com petróleo, tal como o plástico, e alguns, a tricotar, até fazem “cri cri”, como se de um saco de mercearia se tratasse. Mas adiante.)

A senhora foi tão insistente que me obrigou a dizer que não várias vezes, cada vez com mais firmeza. Dentro de mim, alguma coisa se arrepiava e me dizia que eu estava a ser teimosa, que a senhora lá devia saber, porque não experimentar? Na verdade, essa voz não era mais que o medo de não agradar e que estava a arranjar desculpas para eu ceder, mesmo sabendo que eu tinha razão.

Não cedi. Aos meus “nãos”, ditos com firmeza, adicionei um sorriso, sem saber que também a autora do livro sugere o sorriso como ferramenta para suavizar uma resposta firme.

Saí de lá com a sensação de ter conquistado uma pequena vitória, uma luzinha neste oceano do pânico de não agradar. E isto é algo que temos, todos!, de transportar para outras áreas da vida, não só quando somos nós no centro (“tenho medo que achem que sou má”) como quando observamos outras mulheres (“aquela … tem aquele ar convencido/agressivo/arrogante”). Temos de arriscar mais a partilhar as nossas opiniões, com firmeza; e temos de ser mais compassivos e compassivas ao observar outras mulheres, em posições de liderança, ou não.

Confesso que estou curiosa por saber a vossa opinião. Por isso, cavalheiros que me lêem, que me dizem? Parece-vos um texto praticamente alienígena? Ou familiar? E as senhoras? Sentem isto? Ou não? Quero saber tudo (por comentário, mail, como quiserem).

Ainda sobre workshops de tricot: tenho duas vagas para uma data extra, 28 de Novembro. Quem quer vir? (inscrições por mail para info [at] airdesignstudio [ponto] com)

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2 comments

  1. Trish says:

    Thank you for your inspirational post. I have had the disease to be liked for my entire life. The timing of this post is divine as I am really letting go of the need to be liked. I don’t know if I am going about it in the right way, but I needed to take a step back from some people in my life to sort this out. I am actually beginning to hear myself tell me what I really like and what has meaning to me. When I’m busy people pleasing so they will like me, I lose out on living MY true journey.

    I will check out the book. May I suggest poking into the book “Women who Run with the Wolves”

    Shine on!

    • air says:

      Hi Trish!

      It’s amazing how much energy we spend on being liked and fitting in, only to discover ourselves depleted and unnourished because it does not serve us at all.

      I read that book! It is indeed, very powerful. Thanks for connecting it to this conversation.

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