The ironies of knitting

"The principles of knitting", the #knitting bible. Writing up a review of sorts to be posted tomorrow on my blog (or in your mailbox if you're a subscriber)

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An update on our ongoing fundraiser in memory of our son Daniel: it’s going strong, yay! Thank you for your help sharing the campaign’s page link and donating! With your help, we’re almost hitting our stretch goal… with two weeks to go. Please keep sharing the link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you haven’t yet and feel this is a cause you want to support. Our most heartfelt thank you!

Oh, the ironies of knitting!

A few weeks ago I received the amazing book “The Principles of Knitting” as a gift from my dear husband (also known as “Prince” – not the famous singer) and I was delighted. It is, indeed, the bible of all things knitting, and it treats this amazing craft with the care and solemnity it deserves.

Knitting may be a very easy craft to learn; it may be perceived as a craft for old ladies; it may even be perceived as something out of fashion (which it is in the first case; and is not in the second and third cases). Knitting, like English, is easy to learn, at least the basics. Skills like casting on and off, purling and knitting are easy to acquire (I teach them in four hour workshops), and with these basic skills knitters can make almost everything there is to make in the knitting world.

But there are many advanced skills, techniques and bits of information that are accessible once you dig deeper. Very much like English, if you care for that comparison: a basic understanding gets you communicating with most of the people on the planet, but to access a larger variety of vocabulary and master idioms you must dig deeper.

And that is what this book does, it digs deep on all aspects of knitting, from the history of knitting, styles of knitting, techniques, design, patterns, you name it.

It was good to see that the yarn-around-the-neck style is mentioned, albeit as “Spanish” knitting. This is the way we knit in Portugal, and not the most common way to knit in Spain (it is presently very uncommon, I believe). It is also the customary way of knitting in Brazil, a country that shares a large portion of history and traditions with Portugal, and in neighboring countries like Peru and Bolivia. But the author is very careful when naming styles, saying that regional naming is not accurate; she suggests instead to name styles by the way the yarn is held. It makes sense to me!

I’m currently reading the chapter on Gauge and Swatching. To give some context to the non-knitters among you, gauge is the amount of stitches and rows that fit in a certain amount of space (usually, a 4 inch or 10 cm square). Swatches are samples of the knitting pattern a knitter intends to make, to test the combination of yarn, pattern and hands. Swatches are useful to show how a certain fabric will behave before and after dressing (washing and blocking, dry cleaning or pressing), and to give you raw gauge and final gauge (before and after dressing). Through swatching, a knitter can gather a lot of information about the way the garment will look and feel, without investing a lot of time and money in it. Gauge is particularly important if you intend to knit a garment where the resulting size is important, like a sweater. It is not as important if you intend to knit a shawl.

The Gauge and Swatching chapter in this book has got to be the most comprehensive guide to swatching, measuring gauge and analyzing the resulting fabric I have ever read. It is incredibly rich and detailed and it makes a very powerful argument for swatching: you can test many variables with a minimum investment of time and yarn. It explains in detail all the steps from quick test swatches to a final swatch, measuring raw and final gauges, making the math to get an accurate idea of how the final garment will look.

But you know what happens to many knitters (myself included)? We get impatient and when we set our minds into starting a new project, we want to start right away. So swatching and testing for gauge become a sort of obstacle… that’s why I’m not a keen swatcher. I don’t swatch with the scientific curiosity I can perceive from reading the author’s words; I swatch with dread. I want it to be over, as soon as possible. And that, my dear knitters, may or may not have rendered a few surprises in my knitting resumé. Looking at recent past projects, I have come to realize I mostly knit projects where gauge doesn’t matter too much, like a baby blanket. Or a cowl.

And that’s how we get to the ironies of knitting! Because I am knitting a cowl, I didn’t care much about swatching for gauge. And the fact that I’m making my cowl with a different yarn than the one suggested, as I substituted it for a local yarn, didn’t make me change my mind.

I’m knitting the Honey Cowl with the Trianon yarn from Lopo Xavier. It’s a lot thinner than the one suggested, so I went for the larger size. In its original yarn, it was supposed to be a big cowl, one that wraps twice around the neck; with this yarn, ahem, it’s a cowl that will wrap once around my head.

This was clearly an example of how swatching would have been useful, even if it’s not a sweater, or a pair of socks, where final size is of extreme importance. But I didn’t do it, so I’m getting a cowl that is different than the one I imagined. To tell you the truth, I love it anyway. It seems like I can’t learn the swatching lesson!

But you know what? I can. I did learn it, and the next time I plan on knitting a larger garment where fit is paramount to the success of a project, I will go back to June Hemmons Hiats’s chapter on Swatching and Gauge in the wonderful, most complete knitting reference book I’ve ever seen.

How about you? Do you care about swatching?

*

A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

Uma actualização sobre a campanha de angariação de donativos em memória do nosso filhote Daniel: continua a decorrer, e em força! É graças a vocês que estamos quase a atingir o nosso segundo objectivo, aquele que só em sonhos iríamos atingir. Obrigada por continuarem a partilhar a página da campanha com as vossas redes, e também por nos apoiarem com os vossos donativos. Por favor, continuem a fazê-lo! Partilhem o link da página da campanha (http://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se puderem, façam o vosso donativo. Bem hajam! 

Oh, as ironias do tricot!

Há umas semanas atrás, recebi, presente do meu querido Príncipe, o livro “The Principles of Knitting”. Este livro é uma bíblia do tricot, e aborda esta actividade com a solenidade e curiosidade histórica e científica que o tricot merece.

A imagem do tricot ainda está rodeada de vários preconceitos. Para muitos, é uma coisa que caiu em desuso e que só as velhinhas gostam de fazer – em ambos os casos, mentira. Não só não caiu em desuso como há homens e mulheres de diferentes idades a tricotar. Não é difícil aprender a tricotar: adquirir os conhecimentos básicos, como montar as malhas, fazer liga, meia, elástico e rematar, são coisas que ensino nos meus workshops de tricot). E com estes conhecimentos pode fazer-se quase tudo no mundo do tricot.

Mas depois há os conhecimentos mais avançados, as técnicas, a experiência, toda aquela informação que só está disponível quando se pratica, investiga, procura. E é isso o que este livro faz: investiga, disseca a fundo tudo o que tem que ver com o tricot, com a história do tricot, os estilos, as técnicas, as receitas, a construção das peças, enfim, tudo.

Foi bom constatar que a forma como tricotamos em Portugal, com o fio à volta do pescoço, ou a passar por um alfinete preso ao peito, está mencionada no livro. Curiosamente é mencionada como sendo um estilo “espanhol”. Segundo sei, em Espanha não é comum tricotar com o fio à volta do pescoço… já aqui em Portugal, bem como no Brasil e também nos seus vizinhos Perú e Bolívia, o fio à volta do pescoço é a forma mais comum de se tricotar. Mas a autora é cuidadosa em relação a atribuir nomes regionais aos diferentes estilos de tricot, e sugere portanto que sejam denominados pela forma como se segura o fio: com a mão esquerda, com a mão direita, atrás do pescoço. Faz sentido!

Estou de momento a ler o capítulo sobre “Tensão” e Amostras.

(Abro aqui um parêntesis para reflectir um pouco sobre a palavra “tensão”, que não reflecte exactamente o que é “gauge”, que é calibre, bitola. No caso do tricot, é o número de malhas e de voltas que cabe num quadrado de 10 cm de lado. Apesar de a tradução não ser a mais correcta, vou usá-la aqui, com esta ressalva, pois é o termo que tenho visto utilizado em português para este efeito. Fecho parêntesis.)

Para dar algum contexto a quem não está familiarizado com estes termos, “tensão” (ver nota acima!) refere-se ao número de malhas e de voltas que cabem num quadrado de 10 cm de lado. As amostras são isso mesmo: pequenas amostras que são feitas para testar a combinação entre as variáveis fio, padrão e mãos. As amostras são muito úteis por facultarem informação sobre como é que o tecido final se irá comportar antes, durante e depois do seu tratamento (lavagem, limpeza a seco ou pressionando suavemente com o ferro à temperatura adequada para o fio em questão). Também são fundamentais para se apurar a “tensão” antes e depois do tratamento escolhido. Com um investimento relativamente pequeno de tempo e de dinheiro, as amostras dão indicações bastante importantes sobre como a peça final resultará. A “tensão” é particularmente importante quando se planeia uma peça como uma camisola, ou um par de meias, onde uma variação de tamanho poderá significar que simplesmente não serve; e é menos importante numa peça como um xaile, ou uma manta de bebé, onde uma variação de tamanho não terá um impacto significativo no resultado final.

Este capítulo deve ser o mais detalhado, estudado e cuidadoso texto sobre “tensão” e amostras que já li na minha vida. Dá instruções passo-a-passo sobre como testar, medir, corrigir e melhorar a tensão nas amostras, como lavar, secar e cuidar delas, para obter o melhor resultado com cada tipo de fio. É um texto com argumentos muito fortes a favor de fazer amostras para cada projecto, enumerando as muitas vantagens com cuidado.

Mas sabem o que acontece a muitos tricotadeiros e tricotadeiras (eu incluída)? Quando queremos começar um projecto ficamos impacientes, desejosos de arrancar, e essa coisa de fazer amostras acaba por ser um obstáculo no nosso caminho… e é por isso que não adoro fazer amostras. Ao ler as palavras da autora no livro, noto que encara esta etapa do projecto com uma curiosidade científica que eu não sinto; eu faço amostras porque tem de ser, e vezes há em que… mais ou menos. E é por isso que já tive algumas surpresas no meu percurso no tricot! Olhando para os meus últimos projectos, constato que tenho procurado fazer peças em que a “tensão” não é fundamental, e em que variações no tamanho final não sejam importantes no êxito da peça. É o caso da mantinha para a minha bebé, ou da gola que estou a tricotar neste momento.

E é aqui que chegamos às ironias do tricot! Como estou a fazer uma gola, não me preocupei muito com a “tensão”. Como estou a usar um fio mais fino que o recomendado, optei pela gola maior, para compensar. E assim avancei.

Estou a tricotar a gola Honey Cowl com o fio Trianon da Lopo Xavier, do Porto. Na sua versão original, esta gola seria suficientemente grande para dar duas voltas ao pescoço. Na minha versão, contudo, só vai dar uma.

Este é um exemplo onde ter feito uma amostra teria sido útil para perceber que adaptações à receita teria de ter feito para obter o resultado desejado. Mas não o fiz, e vou ter uma gola linda, mas diferente da que tinha imaginado. Para dizer a verdade, parece até que não aprendo a lição!

Mas sabem que mais? Sim, aprendi a lição; e da próxima vez que for tricotar uma peça em que o tamanho final seja fundamental para o seu êxito, irei voltar a ler este capítulo no mais completo livro sobre este assunto. A autora, June Hemmons Hiats, está de parabéns.

E que me diz o caríssimo leitor sobre amostras?

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