Month: June 2015

Why I love the air Embroidery Club


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The air Embroidery Club is almost two years old – it will be two in September 2015. I’ve been having a lot of fun with it, and I thought I’d share why with you.

There are many reasons, but I will try to narrow them down to three: community, challenge, results.

This may sound artificial, but it’s true: we’re friends. The Club has created a supportive community of people who, living in different countries, have the passion for making in common. I know some of the members personally, but many I don’t, and yet I feel that we are friends. These are people who have always had a word of support towards one another, and towards me. And for that I am forever grateful.

Every month I strive to create an interesting embroidery template for the members. This means that each design needs to be challenging enough to entice members and keep them engaged, at the same time that it must not be too complicated, because people are busy and who needs yet another complicated thing in life? I try new stitches and techniques, I learn about different traditions around the world. It’s fun, interesting for the avid learner in me, and a challenge that I look forward to every month.

As a result of being part of the air Embroidery Club, many members have reported to feel more inspired. The sense of achievement after completing a project makes them (and me!) feel empowered and happy, knowing that they are able to create things of beauty on their own terms. Members tell me that after having joined the Club, they feel more eager to try their hand at other crafts and textile arts – and isn’t that what empowerment is about? Believing that you can, indeed, do something you thought you couldn’t?

Over to you: how does your favorite craft or pastime make you feel? Leave a comment below or send me an email.

P. S. Are you thinking about joining the air Embroidery Club? Keep in mind that prices will rise in September, so if you’re on the fence about it, do it now to enjoy the current rates. It will be great to have you with us!

Pictured above, air Embroidery Club members’ pictures of projects. Please click here to see these images on Instagram with links to the members.

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O Clube de Bordado air está prestes a celebrar o seu segundo aniversário! É já em Setembro de 2015 que o Clube faz dois anos e a experiência tem sido tão boa que pensei que seria interessante partilhar o porquê aqui convosco.

As razões são várias, mas hoje vou concentrar-me em três: comunidade, desafio, resultados.

Pode soar forçado, mas é a verdade: somos amigos. O Clube criou uma comunidade de pessoas que se apoiam umas às outras, apesar de viverem em pontos diferentes do globo. A paixão comum que temos por fazer coisas aglutina-nos. Conheço alguns dos membros pessoalmente, mas sinto que todos são amigos. São pessoas que têm sempre uma palavra gentil, de apoio, para oferecer, não só a mim como aos restantes membros. E isso deixa-me com uma imensa sensação de gratidão.

Todos os meses me esforço por criar uma receita de bordado que seja interessante para os membros. Isto significa criar algo que seja um desafio e que mantenha os membros empenhados no projecto, ao mesmo tempo que não pode ser demasiado complexa, pois já todos temos suficiente complexidade na vida! Todos os meses tento introduzir algo de novo, seja um ponto, seja uma técnica. Para isso procuro investigar sobre outras tradições de bordado aquém e além fronteiras. Como adoro aprender coisas novas, este é um desafio que muito me agrada.

Como resultado de pertencerem ao Clube de Bordado e de fazerem os projectos, vários membros me confessaram sentir-se mais inspirados. A sensação de “prova superada” fá-los sentir capazes, felizes, sabendo que podem criar beleza com as suas próprias mãos, à sua maneira. Contam-me vários membros que depois de terem aderido ao Clube sentem mais curiosidade e vontade de experimentar outras áreas nos têxteis, áreas essas que não teriam ousado experimentar antes, pois pensavam ser incapazes. E isto, acreditar que se é capaz quando antes se pensava não ser, não tem preço!

Passo a palavra ao leitor: como é que o seu passatempo favorito o ou a faz sentir? Deixe um comentário abaixo ou responda por email.

P. S. Se estiver a considerar aderir ao Clube de Bordado, tenha presente que os preços vão aumentar a partir de Setembro. Até lá, poderá aderir com as condições actuais. Venha, vai ser óptimo tê-lo ou tê-la connosco!

As fotografias acima são de projectos dos membros do Clube de Bordado air. Se preferir, clique aqui para ver as fotografias com links para cada um dos respectivos autores.

Silk threads of the past

We're lucky here because we have a "haberdashers' lane", filled with exactly that. Rua dos Retroseiros, aka Rua da Conceição. #lisboa #Lisbon #portugal #p3top

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An update on the fundraiser in memory of our son Daniel: thanks to you, we have been able to double the initial goal. The campaign is on until June 21st, and until then please keep sharing the link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) with your contacts by mail and social networks and donating, if you can. We have scheduled a meeting with Operação Nariz Vermelho to personally deliver this fantastic donation to them. We will keep you posted. Thank you, thank you!

After having lived in the New World for six years, I feel that Lisbon has layers and layers of little treasures, hidden in plain sight, waiting to be (re)discovered.

As was customary in many medieval cities, downtown Lisbon’s streets had unofficial names describing the craftspeople trading there. One of my favorite streets in the city is the haberdashers’ street (how unexpected, right?), officially known as Rua da Conceição, where to this day about ten different haberdashers are located. Entering one of these is nothing short of stepping into a cave full of treasures, where everywhere you look there’s an interesting notion or supply to see.

A few weeks ago I started feeling the itch to experiment embroidering with silk thread. I discussed it with the members of the air Embroidery Club and thought about running an online research to find some options. But then I remembered I shouldn’t purchase anything online until I had made a proper expedition to our local haberdashers’ street, which I finally did last Friday.

This was another travel back in time experience for me. These shops are mostly the same way they were in the beginning of the twentieth century, and the inventory may or may not date back to that time, too. So it’s all a matter of perseverance – and a bit of luck – until you find what you wanted (or even better).

In the second shop I found what I was looking for: beautiful embroidery silk threads of two different brands, one national, one from the UK. Both brands discontinued, these were the remnants of a decades old inventory. The factories themselves have been shut. These threads? These would probably be impossible to find online, and even if they are available that way, there’s nothing like seeing them in person. Online shopping is great, and convenient, but it’s not the same as rolling up your sleeves and diving into the treasures hidden in local, traditional shops.

I love Lisbon.

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This was the juice of my expedition downtown, looking for #silk #embroidery floss. Found delicious treasures, only to be disappointed that these have been discontinued and the factories closed. Can't wait to work with them!

Antes do post desta semana, uma actualização da campanha de angariação de donativos em memória do nosso bebé Daniel: graças à ajuda de todos, conseguimos duplicar o nosso objectivo inicial, o que é absolutamente fantástico. A campanha dura até ao dia 21 de Junho, e por isso peço-vos que nos continuem a ajudar partilhando o link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) com os vossos contactos, por mail e nas redes sociais; e também fazendo um donativo, se possível. Já temos uma reunião agendada com a Operação Nariz Vermelho para irmos pessoalmente entregar o nosso donativo colectivo. Bem hajam!

Após seis anos a viver no Novo Mundo, noto que Lisboa tem pequenos grandes tesouros escondidos à vista de todos, à espera de serem descobertos. Os retroseiros da Rua da Conceição – ou dos Retroseiros – são disso exemplo. Entrar numa destas lojas é como chegar à gruta do Ali Babá, repleta de tesouros.

Há umas semanas atrás comecei a sentir vontade de experimentar bordar com fios de seda. Depois de começar com o de algodão e ter experimentado o fio metálico (com quem mantenho uma relação de amor-ódio), chegou a vontade de experimentar uma fibra diferente. Falei desse assunto com os membros do Clube de Bordado air e parti para a pesquisa online. Até que me lembrei que não deveria encomendar nada sem antes visitar o epicentro do universo retroseiro, ali na Baixa Pombalina. A minha expedição foi na sexta-feira passada, e foi uma viagem coroada de êxito e de plena de novas experiências para contar.

Entrar nestas retrosarias é entrar num mundo sem pressas, onde antes de escolher se vê, se toca, se sentem as opções. Comparam-se cores, tecidos, texturas. Vem-se à janela, para ver à luz do dia, e espreita-se debaixo da luz artificial. De lá de dentro, do armazém, vêm tesouros, caixas com fios de seda, “trago-lhe tudo o que temos, menina, ora veja lá”. E foi assim que me deliciei a escolher, com vagar, os fios de seda que adoptaria como meus. Somos felizes, agora, os meus fios de seda e eu.

Os fios de seda que comprei são de duas marcas que já morreram, feitas em fábricas que já fecharam. São restos de um catálogo com muitos anos, de uma encomenda que nunca voltará a ser feita. E por isso ainda mais preciosos.

Não há dúvida de que as compras online são práticas, e aproximam-nos de materiais aos quais não teríamos acesso de outra forma. Mas nada bate as compras no comércio tradicional, nada bate sentir o toque e o brilho dos fios. Nada.

E é também por me proporcionar estas experiências que eu adoro Lisboa.

While waiting

On Tuesday I had an 8 minute wait for the bus. I was going to grab my phone for some mindless browsing, but my hand reached my #sketchbook instead and this #sketch happened. This prompted a reflection, soon to be up on the blog

A few pages from my #sketchbook . All sketches made while waiting. #moleskine #mymoleskine #dslooking #illustration

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A quick update on the fundraiser in memory of our son: THANK YOU. We have now doubled our initial goal, and it’s all thanks to you. Please keep helping us by sharing the link to the campaign’s page (http://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you can. 

Last Tuesday, I got to my bus stop and learned that it would be another eight minutes until my bus arrived. My first and immediate reaction was to reach for my phone, for some mindless browsing. But my hand got my sketchbook before, and so I started a sketch of the view from where I was, something I see every weekday it became banal a while ago.

There’s this thing that happens when we become accustomed to what we see around us: we stop noticing. We don’t notice when those beautiful, hand painted tiles were ripped from the façade (a sad phenomenon here in Lisbon!); we don’t notice when a shop permanently closes. We don’t notice the gradual passage of time, and the turns that the things around us take, sometimes for the better, sometimes for the worst.

We only notice when the change is big, either within us, or around us.

What cures me from the not noticing syndrome is sketching. Because when I’m sketching I look at lines, at how and where they intersect. I compare what my brain believes is correct and what my eyes see – most often, the two do not coincide.

And so I sketch.

On this post, there are several sketches on my sketchbook, all of them made while waiting for something. They are all quick sketches, specially those with people (because people move). And looking at them, I realize that waiting does not need to be wasted time. Actually, it can become something, a moment here and there that are stolen to improve my skills. And to notice.

How about you? What do you do when you are forced to wait?

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A few pages from my #sketchbook . All sketches made while waiting. #moleskine #mymoleskine #dslooking #illustration

Antes de mais, quero fazer uma actualização relativamente à campanha de angariação de donativos em memória do nosso bebé Daniel. MUITO OBRIGADA A TODOS. Hoje atingimos o dobro do nosso objectivo inicial, e é tudo graças à vossa ajuda. Por favor continuem a partilhar o link da página da campanha (http://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se possível, façam um donativo (as instruções estão lá todas). OBRIGADA! 

Esta terça-feira, ao chegar à minha paragem de autocarro vi que teria de esperar oito minutos até à chegada do próximo veículo. A minha primeira reacção foi procurar o telefone, para um pouco de navegação de cérebro desligado. Mas a minha mão, às escuras dentro da carteira, agarrou o meu bloco de desenhos, e trouxe-o para a luz do dia. Comecei então um desenho rápido sobre o que via à minha volta, uma vista banal por se repetir diariamente.

Há algo que acontece connosco quando nos habituamos àquilo que vemos: deixamos de reparar. Estratégia do cérebro para navegar economicamente a realidade, imagino eu, deixamos de notar a degradação gradual dos edifícios que nos rodeiam, não nos apercebemos dos azulejos lindos que já lá não estão e que foram arrancados por gente interessada em vendê-los aos turistas e ganhar uns cobres. Não notamos a retrosaria que fechou, ou a banca de fruta que já lá não está.

Só voltamos a reparar quando há uma mudança grande, seja dentro de nós, seja no ambiente que nos rodeia.

O meu antídoto para o síndroma de não reparar é desenhar o que me rodeia. Com a caneta na mão, em vez de olhar para o conjunto, olho para o detalhe: como e onde se intersectam aquelas linhas? Desenhar é um exercício em ignorar aquilo que o cérebro acha que é verdade e valorizar aquilo que os olhos vêem.

Por isso, desenho para recordar.

Neste post estão vários desenhos feitos enquanto esperava por algo. São todos desenhos rápidos, até porque, como é sabido, as pessoas mexem-se. Olhando para eles vejo que as esperas não precisam de ser tempo perdido, pelo contrário: podem tornar-se tempo útil para melhorar as minhas habilidades, para exercitar o olhar.

E o meu caro leitor? Como encara os momentos em que tem forçosamente de esperar?

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The ironies of knitting

"The principles of knitting", the #knitting bible. Writing up a review of sorts to be posted tomorrow on my blog (or in your mailbox if you're a subscriber)

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An update on our ongoing fundraiser in memory of our son Daniel: it’s going strong, yay! Thank you for your help sharing the campaign’s page link and donating! With your help, we’re almost hitting our stretch goal… with two weeks to go. Please keep sharing the link (http://www.airdesignstudio.com/daniel) and donating, if you haven’t yet and feel this is a cause you want to support. Our most heartfelt thank you!

Oh, the ironies of knitting!

A few weeks ago I received the amazing book “The Principles of Knitting” as a gift from my dear husband (also known as “Prince” – not the famous singer) and I was delighted. It is, indeed, the bible of all things knitting, and it treats this amazing craft with the care and solemnity it deserves.

Knitting may be a very easy craft to learn; it may be perceived as a craft for old ladies; it may even be perceived as something out of fashion (which it is in the first case; and is not in the second and third cases). Knitting, like English, is easy to learn, at least the basics. Skills like casting on and off, purling and knitting are easy to acquire (I teach them in four hour workshops), and with these basic skills knitters can make almost everything there is to make in the knitting world.

But there are many advanced skills, techniques and bits of information that are accessible once you dig deeper. Very much like English, if you care for that comparison: a basic understanding gets you communicating with most of the people on the planet, but to access a larger variety of vocabulary and master idioms you must dig deeper.

And that is what this book does, it digs deep on all aspects of knitting, from the history of knitting, styles of knitting, techniques, design, patterns, you name it.

It was good to see that the yarn-around-the-neck style is mentioned, albeit as “Spanish” knitting. This is the way we knit in Portugal, and not the most common way to knit in Spain (it is presently very uncommon, I believe). It is also the customary way of knitting in Brazil, a country that shares a large portion of history and traditions with Portugal, and in neighboring countries like Peru and Bolivia. But the author is very careful when naming styles, saying that regional naming is not accurate; she suggests instead to name styles by the way the yarn is held. It makes sense to me!

I’m currently reading the chapter on Gauge and Swatching. To give some context to the non-knitters among you, gauge is the amount of stitches and rows that fit in a certain amount of space (usually, a 4 inch or 10 cm square). Swatches are samples of the knitting pattern a knitter intends to make, to test the combination of yarn, pattern and hands. Swatches are useful to show how a certain fabric will behave before and after dressing (washing and blocking, dry cleaning or pressing), and to give you raw gauge and final gauge (before and after dressing). Through swatching, a knitter can gather a lot of information about the way the garment will look and feel, without investing a lot of time and money in it. Gauge is particularly important if you intend to knit a garment where the resulting size is important, like a sweater. It is not as important if you intend to knit a shawl.

The Gauge and Swatching chapter in this book has got to be the most comprehensive guide to swatching, measuring gauge and analyzing the resulting fabric I have ever read. It is incredibly rich and detailed and it makes a very powerful argument for swatching: you can test many variables with a minimum investment of time and yarn. It explains in detail all the steps from quick test swatches to a final swatch, measuring raw and final gauges, making the math to get an accurate idea of how the final garment will look.

But you know what happens to many knitters (myself included)? We get impatient and when we set our minds into starting a new project, we want to start right away. So swatching and testing for gauge become a sort of obstacle… that’s why I’m not a keen swatcher. I don’t swatch with the scientific curiosity I can perceive from reading the author’s words; I swatch with dread. I want it to be over, as soon as possible. And that, my dear knitters, may or may not have rendered a few surprises in my knitting resumé. Looking at recent past projects, I have come to realize I mostly knit projects where gauge doesn’t matter too much, like a baby blanket. Or a cowl.

And that’s how we get to the ironies of knitting! Because I am knitting a cowl, I didn’t care much about swatching for gauge. And the fact that I’m making my cowl with a different yarn than the one suggested, as I substituted it for a local yarn, didn’t make me change my mind.

I’m knitting the Honey Cowl with the Trianon yarn from Lopo Xavier. It’s a lot thinner than the one suggested, so I went for the larger size. In its original yarn, it was supposed to be a big cowl, one that wraps twice around the neck; with this yarn, ahem, it’s a cowl that will wrap once around my head.

This was clearly an example of how swatching would have been useful, even if it’s not a sweater, or a pair of socks, where final size is of extreme importance. But I didn’t do it, so I’m getting a cowl that is different than the one I imagined. To tell you the truth, I love it anyway. It seems like I can’t learn the swatching lesson!

But you know what? I can. I did learn it, and the next time I plan on knitting a larger garment where fit is paramount to the success of a project, I will go back to June Hemmons Hiats’s chapter on Swatching and Gauge in the wonderful, most complete knitting reference book I’ve ever seen.

How about you? Do you care about swatching?

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A #honeycowl is happening on my #knitting needles. #wool

Uma actualização sobre a campanha de angariação de donativos em memória do nosso filhote Daniel: continua a decorrer, e em força! É graças a vocês que estamos quase a atingir o nosso segundo objectivo, aquele que só em sonhos iríamos atingir. Obrigada por continuarem a partilhar a página da campanha com as vossas redes, e também por nos apoiarem com os vossos donativos. Por favor, continuem a fazê-lo! Partilhem o link da página da campanha (http://www.airdesignstudio.com/daniel) e, se puderem, façam o vosso donativo. Bem hajam! 

Oh, as ironias do tricot!

Há umas semanas atrás, recebi, presente do meu querido Príncipe, o livro “The Principles of Knitting”. Este livro é uma bíblia do tricot, e aborda esta actividade com a solenidade e curiosidade histórica e científica que o tricot merece.

A imagem do tricot ainda está rodeada de vários preconceitos. Para muitos, é uma coisa que caiu em desuso e que só as velhinhas gostam de fazer – em ambos os casos, mentira. Não só não caiu em desuso como há homens e mulheres de diferentes idades a tricotar. Não é difícil aprender a tricotar: adquirir os conhecimentos básicos, como montar as malhas, fazer liga, meia, elástico e rematar, são coisas que ensino nos meus workshops de tricot). E com estes conhecimentos pode fazer-se quase tudo no mundo do tricot.

Mas depois há os conhecimentos mais avançados, as técnicas, a experiência, toda aquela informação que só está disponível quando se pratica, investiga, procura. E é isso o que este livro faz: investiga, disseca a fundo tudo o que tem que ver com o tricot, com a história do tricot, os estilos, as técnicas, as receitas, a construção das peças, enfim, tudo.

Foi bom constatar que a forma como tricotamos em Portugal, com o fio à volta do pescoço, ou a passar por um alfinete preso ao peito, está mencionada no livro. Curiosamente é mencionada como sendo um estilo “espanhol”. Segundo sei, em Espanha não é comum tricotar com o fio à volta do pescoço… já aqui em Portugal, bem como no Brasil e também nos seus vizinhos Perú e Bolívia, o fio à volta do pescoço é a forma mais comum de se tricotar. Mas a autora é cuidadosa em relação a atribuir nomes regionais aos diferentes estilos de tricot, e sugere portanto que sejam denominados pela forma como se segura o fio: com a mão esquerda, com a mão direita, atrás do pescoço. Faz sentido!

Estou de momento a ler o capítulo sobre “Tensão” e Amostras.

(Abro aqui um parêntesis para reflectir um pouco sobre a palavra “tensão”, que não reflecte exactamente o que é “gauge”, que é calibre, bitola. No caso do tricot, é o número de malhas e de voltas que cabe num quadrado de 10 cm de lado. Apesar de a tradução não ser a mais correcta, vou usá-la aqui, com esta ressalva, pois é o termo que tenho visto utilizado em português para este efeito. Fecho parêntesis.)

Para dar algum contexto a quem não está familiarizado com estes termos, “tensão” (ver nota acima!) refere-se ao número de malhas e de voltas que cabem num quadrado de 10 cm de lado. As amostras são isso mesmo: pequenas amostras que são feitas para testar a combinação entre as variáveis fio, padrão e mãos. As amostras são muito úteis por facultarem informação sobre como é que o tecido final se irá comportar antes, durante e depois do seu tratamento (lavagem, limpeza a seco ou pressionando suavemente com o ferro à temperatura adequada para o fio em questão). Também são fundamentais para se apurar a “tensão” antes e depois do tratamento escolhido. Com um investimento relativamente pequeno de tempo e de dinheiro, as amostras dão indicações bastante importantes sobre como a peça final resultará. A “tensão” é particularmente importante quando se planeia uma peça como uma camisola, ou um par de meias, onde uma variação de tamanho poderá significar que simplesmente não serve; e é menos importante numa peça como um xaile, ou uma manta de bebé, onde uma variação de tamanho não terá um impacto significativo no resultado final.

Este capítulo deve ser o mais detalhado, estudado e cuidadoso texto sobre “tensão” e amostras que já li na minha vida. Dá instruções passo-a-passo sobre como testar, medir, corrigir e melhorar a tensão nas amostras, como lavar, secar e cuidar delas, para obter o melhor resultado com cada tipo de fio. É um texto com argumentos muito fortes a favor de fazer amostras para cada projecto, enumerando as muitas vantagens com cuidado.

Mas sabem o que acontece a muitos tricotadeiros e tricotadeiras (eu incluída)? Quando queremos começar um projecto ficamos impacientes, desejosos de arrancar, e essa coisa de fazer amostras acaba por ser um obstáculo no nosso caminho… e é por isso que não adoro fazer amostras. Ao ler as palavras da autora no livro, noto que encara esta etapa do projecto com uma curiosidade científica que eu não sinto; eu faço amostras porque tem de ser, e vezes há em que… mais ou menos. E é por isso que já tive algumas surpresas no meu percurso no tricot! Olhando para os meus últimos projectos, constato que tenho procurado fazer peças em que a “tensão” não é fundamental, e em que variações no tamanho final não sejam importantes no êxito da peça. É o caso da mantinha para a minha bebé, ou da gola que estou a tricotar neste momento.

E é aqui que chegamos às ironias do tricot! Como estou a fazer uma gola, não me preocupei muito com a “tensão”. Como estou a usar um fio mais fino que o recomendado, optei pela gola maior, para compensar. E assim avancei.

Estou a tricotar a gola Honey Cowl com o fio Trianon da Lopo Xavier, do Porto. Na sua versão original, esta gola seria suficientemente grande para dar duas voltas ao pescoço. Na minha versão, contudo, só vai dar uma.

Este é um exemplo onde ter feito uma amostra teria sido útil para perceber que adaptações à receita teria de ter feito para obter o resultado desejado. Mas não o fiz, e vou ter uma gola linda, mas diferente da que tinha imaginado. Para dizer a verdade, parece até que não aprendo a lição!

Mas sabem que mais? Sim, aprendi a lição; e da próxima vez que for tricotar uma peça em que o tamanho final seja fundamental para o seu êxito, irei voltar a ler este capítulo no mais completo livro sobre este assunto. A autora, June Hemmons Hiats, está de parabéns.

E que me diz o caríssimo leitor sobre amostras?

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