Embroidery and vulnerability

#embroidery for next month's #airembroideryclub project. So many things to say about this one. And so many French knots.

This may seem strange, but this project (available May 1st for air Embroidery Club members) was one that made me feel vulnerable and challenge my own usual way of embroidering. It is based on a pattern I designed a while ago, and if you look at it, you will see that what you have is leaves against a white background. If I were to ask you what was on that background, what would you say? That there was nothing, maybe. Or just space.

In this project, I thought a lot about the prompt my painting teacher back in Buenos Aires used to give us: to build the shape from the space that surrounds it. It sounds a bit like art-y mumbo jumbo, but it does make sense when you don’t think about it, and instead just act on it.

I love drawing and drawing has been my background for a very long time. I love lines, traveling lines on a surface, lines moving just so not only to show us the shape (the human body, for instance, or a building, or a flower), but also to show us the shape in an expressive way.

But how would I represent the space that surrounds the shape, and not the shape itself? The space was air, nothing to grab on to, nothing I could put down on my canvas with a line. That’s when I started using larger and flatter brushes, brushes that offer not a lot of detail but cover large areas. And that’s how I conquered my fear of letting go of lines.

Fast forward a few years to today. I haven’t painted in a while, and, as you know, I have been embracing embroidery as a creative and artistic medium, so the same challenge makes sense here too: how can I represent the space surrounding the shape? With satin stitch, for instance. But what if I want to take a larger detour and work with “handmade pixels”? That’s when french knots came in. They look and feel like little grains of sand, tiny bits of information, which, through repetition, have different meanings.

When I first looked at the design to be embroidered, my impulse would make me start covering the lines with backstitch, just like using a pen to trace them on paper. But then I forced myself to go against it, and threw myself into the challenge of adding mass to the air surrounding the shape. The very same air that is “nothing”, a “white background”. Let me tell you: the process was scary. What made me stick to it was the vision that I had, not what I was seeing on the hoop in my hands.

When I was done applying (many, many) french knots to what once was just a “white background”, and now was the heavily populated space around the leaves on the foreground, I felt tempted to add some defining stitches to the leaves as well. As if they needed something, because they happened to be the foreground, the shape.

I tried a few stitches, feather stitch, backstitch… and no. They looked good on one leaf, but not on all leaves. They would defeat the purpose (my purpose) of embroidering the space and not the shape. So I cut all the stitches and pronounced my experiment done. I’m happy about it, about the result, about having had the creative courage to follow my vision and to resist the temptation of my own usual path.

And now I invite you to come along this journey. Join the air Embroidery Club today: you’ll receive this pattern on May 1st, plus April’s embroidery pattern, free, because I know that once you join the Club you simply can’t wait to start stitching!

And a bit of unrelated news: my family and I are taking two weeks off, starting this weekend. I’m super excited about it, as it involves – yet again! – lots of emotions and memories of my childhood. If you want to follow along, sign up for the news (and access all the freebies I have for you). I will be sending some photo updates from the trip, directly to your email inbox. Yay!

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French knots in May's #embroidery for the #airembroideryclub. Thinking of #spring and enjoying the view over #lisbon #lisboa

Pode parecer estranho, mas o projecto de Maio (disponível no próximo dia 1 para os membros do Clube de Bordado air) foi um desafio que me fez sentir bastante vulnerável em termos criativos. Baseia-se num padrão que desenhei há algum tempo atrás, e se olhar com atenção, o que vai ver é um conjunto de folhas contra um fundo branco. Se lhe perguntar o que há naquele fundo, que me diria? Nada, talvez.

Este projecto fez-me pensar muito no exercício que o professor de pintura, lá em Buenos Aires, nos propunha: chegar à forma através do espaço. Soa estranho, é certo, mas é fácil de entender uma vez que se desiste de pensar no assunto e, em vez disso, se tenta pintar dessa forma.

Eu adoro desenho, adoro desenhar. Adoro linhas que viajam num papel, se movem de tal forma que não só representam uma forma (o corpo humano, por exemplo), como o fazem de maneira expressiva.

Mas como representar o espaço, e não a forma, usando linhas? O espaço tem ar, não dá para agarrar, como fixá-lo na minha tela com linhas? Foi aí que comecei a usar trinchas nos meus trabalhos. Não permitem muito detalhe mas cobrem áreas grandes. E assim conquistei o meu medo de deixar partir as linhas.

Há algum tempo que não pinto; de há algum tempo para cá, tenho abraçado o bordado como meio expressivo de eleição, de maneira que o mesmo desafio também faz sentido aqui: como representar o espaço? Com um ponto de enchimento, por exemplo. Mas e se quiser percorrer uma via ainda mais experimental (para mim) e usar algo como um “pixel manual”? Aí entraram os nós franceses. Têm um aspecto de grãos de areia. Tal como os bits de informação, colocados de forma diferente comunicam significados diferentes.

Quando terminei de transferir o desenho para o meu tecido, o meu primeiro impulso foi o de começar a bordar sobre as linhas com o ponto atrás, tal como se fosse uma caneta a desenhar sobre papel. Mas esforcei-me por combater esse impulso e atirei-me ao desafio de dar massa ao ar em volta das folhas, fazendo nó francês atrás de nó francês. O mesmo fundo que não era mais que espaço em branco passou a ser aquele que dá a informação que falta à forma. Mas não vou mentir: o processo foi um pouco assustador, e o que me fez manter-me na minha missão foi a visão de como eu imaginava que iria ficar o trabalho, uma vez terminado, e não aquilo que estava a ver à minha frente, no bastidor que tinha nas mãos.

Quando terminei de bordar os (muitos) nós franceses, ainda senti a tentação de bordar as nervuras das folhas, dar-lhes um pouco de informação… pois é assim que as formas que estão em primeiro plano costumam ser representadas. Tentei aplicar ponto de espinha, ponto atrás… e não fiquei satisfeita. Até gostava de ver numa folha, mas não em todas, e isso acabaria por contrariar a minha visão inicial de representar a forma pelo espaço que a rodeia. E por isso retirei todos esses pontos e dei a minha experiência como terminada. Estou feliz com o processo – de tentativa, erro, tentativa, medo, tentativa – e com o resultado também. Estou satisfeita por ter tido a coragem criativa de desafiar tudo o que é normal na minha forma de trabalhar.

E agora convido-o a si, caríssimo leitor, a aceitar este desafio e a juntar-se ao Clube de Bordado. Esta receita estará no seu email no dia 1 de Maio. Mas antes disso, e para que não tenha de esperar, envio-lhe o projecto de Abril, gratuitamente, pois sei que quem quer bordar não tem vontade de esperar duas semanas até que chegue o dia.

E agora, nada que ver: estamos prestes a ir de férias durante duas semanas, viva! Estou muito contente por ir passear para as bandas onde cresci. Para seguir esta aventura, basta assinar a newsletter (e ganha acesso a todos os conteúdos gratuitos que tenho para si). Vou enviar actualizações fotográficas da viagem directamente para a sua caixa de correio. Viva!!

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