On identifying as an artist

About dreams and what they're made of. A personal #embroidery project in progress. Right now I'm loving to use this metallic floss in a very intuitive, step by step, way. It feels a lot like painting, in the sense that there is no project, and there are n

For the past few weeks, I’ve been reflecting a lot on my work, and how I’m making a deliberate turn into a more artistic path. This turn is scary: how am I going to call myself an artist? How do I dare even think I can make a living out of an artistic pursuit? How can I apply such a big “label” (being an “artist”) to my humble practice?

(This may seem trivial, but my heart is racing while I type this. Please be patient with me.)

Coincidentally, this week I listened to two recordings with Lisa Congdon, a well known artist, author and blogger from the Bay Area, currently relocating to Portland. The first one, her keynote speech at Alt Summit; the second one, a conversation with Srini Rao from the Unmistakable Creative podcast.

In both recordings, Lisa addresses this difficulty of identifying as an artist, and how she felt an impostor because she hadn’t attended art school and was mostly self-taught.

This made me think a lot about whether attending art school was, for me, the necessary validation to identify as an artist. And I must say: NO. Attending art school was not a factor that made me feel confident about that, quite the opposite.

Now, I don’t know how artistic education is in other countries, or even in other universities, so I can only speak of my experience at the Fine Arts Faculty of the University of Lisbon. And my experience was not great. Let me be clear about this: I believe the curriculum was comprehensive and interesting; but in the end it is always about the people, isn’t it?

I had a few excellent professors, and excellent probably does not begin to describe them. They were so keen on having the students learn and explore, they gave their everything to see that happen. Then I had several professors who were good, but not great.

And I had a some very bad professors, who were envious of students’ talents, who saw us as competition, who made sure to show their power in a demeaning way. These were the minority, but unfortunately they were assigned a large part of the curriculum of the last portion of our five year education.

So, no, art school gave me a lot of tools and some very good friends, but it didn’t help me identify as an artist, quite the opposite. These few professors made me feel like I would never ever be good enough, whatever path I would choose. At that point I was already working at a design and illustration studio where my work was appreciated, so I put these men’s words behind my back and carried on working and exploring.

A few years later, in 2007, I moved to Buenos Aires, Argentina. After the initial turmoil, I started taking a painting class, with live model, a supporting group of students of different backgrounds and a wonderful teacher. In his classes, the experience of art was very connected to the enjoyment of making it, and he just assumed that all of us, independent of skill level, were artists. This experience turned out to be pivotal in my enjoyment of making art. I still didn’t consider myself an artist, but I felt wonderful and freer than ever when playing with color and paint. It was fantastic.

Fast forward to a few weeks ago, when I had lunch with a friend and we had a conversation that sparked something in me. In short, it made me embrace embroidery as my new creative medium. Her words made me feel a wave of creative energy and I rushed back to the studio, to start right away. I immediately felt “in the zone”, and felt that flow of stitches forming shapes and things happening both in my mind and on my embroidered fabric. I dared to try something new, and dared to stretch out of my comfort zone. And as much as I still struggle to identify as an artist, I am coming to terms with exploring this new, more “artistic”, expressive, personal path, with my beloved medium of embroidery.

As a kind of conclusion, but not exactly: Lisa ends up mentioning, in her Alt Summit speech, how she had a lightbulb moment when watching a documentary about a famous artist, who, at the apex of his career, still struggled with insecurity about his work. She realized, then, that there may never be a moment when she feels she has “arrived”. I’m glad to know this, because it frees me from pursuing an end, instead focusing on the process of creating and exploring.

*

It's growing, a few stitches a day. #airembroideryclub

Nos últimos tempos, tenho vindo a reflectir bastante sobre o meu trabalho e a fazer uma incursão deliberada num caminho mais artístico. Esta mudança de rumo é assustadora: como é que vou ousar assumir-me como “artista”? E como me atrevo sequer a pensar em eventualmente conseguir ganhar dinheiro e viver de projectos artísticos? Como é que sequer ouso pensar na minha prática como “artística”?

(Estas questões podem parecer triviais, mas o meu coração acelerou enquanto escrevia isto. Por favor sejam pacientes comigo.)

Coincidência (ou não), esta semana ouvi duas gravações com a artista Lisa Congdon, pintora, ilustradora, autora e blogger que vive na costa Oeste dos Estados Unidos. A primeira gravação é o seu discurso de abertura da Alt Summit, no Inverno que passou; a segunda é uma conversa com Srini Rao, do podcast Unmistakable Creative.

Em ambas as gravações, Lisa Congdon fala desta dificuldade de se identificar como artista, e como sentiu o complexo do impostor por não ter frequentado uma escola de artes e ser auto-didacta.

Isto fez-me pensar se, no meu caso, frequentar a Faculdade de Belas Artes teria contribuído de alguma forma para me ajudar a identificar como artista. E não, de todo, pelo contrário.

Como não sei como é o ensino artístico noutros países, aliás, nem sequer noutras universidades portuguesas, só posso falar da minha experiência na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. E a minha experiência não foi magnífica. Vamos ser claros: penso que o currículo era (já mudou) amplo e interessante; mas no final, o que é realmente importante são as pessoas, não é?

Tive alguns professores excelentes, sendo que “excelente” nem sequer lhes faz justiça. Eram tão empenhados e queriam tanto que os alunos aprendessem e explorassem, davam o tudo por tudo para que isso acontecesse. Depois tive alguns professores que foram bons, mas não óptimos.

E finalmente tive alguns péssimos professores, pessoas invejosas do talento e da juventude dos alunos, que viam os estudantes como concorrência e manifestavam o seu poder esmagando aqueles de quem não gostavam. Estes professores foram a minoria, mas infelizmente acabaram por ter um peso bastante grande na última parte do nosso curso de cinco anos.

E por isso, não, frequentar a Faculdade de Belas Artes não me ajudou a sentir mais segura das minhas capacidades artísticas e a identificar-me como parte do mundo da arte, muito pelo contrário. Estes poucos professores procuraram sempre esmagar qualquer impulso criativo que não fosse alinhado com as suas ideias, e sempre se esmeraram por fazer sentir os alunos como incapazes e insuficientes. Felizmente nesta altura já estava a trabalhar num atelier onde me sentia muito realizada e o meu trabalho era apreciado, pelo que consegui pôr para trás das costas a pesada herança destes homens e continuei a trabalhar e explorar pelos meus próprios meios.

Uns anos mais tarde, em 2007, mudei-me para Buenos Aires. Depois do rebuliço da adaptação inicial, comecei a frequentar aulas de pintura com modelo vivo, um grupo de alunos com diferentes experiências e um professor maravilhoso que fazia críticas objectivas e construtivas aos nossos trabalhos. Nas suas aulas, a experiência da arte ia de mãos dadas com o prazer pela arte; foi o primeiro professor que tive que simplesmente assumiu que os que ali estávamos éramos artistas, independentemente das capacidades pictóricas. Este período acabou por vir a ser fulcral no meu percurso, por me permitir contactar com um conceito diferente de “aulas de arte”, e por entender que o prazer ao fazer arte é, esse sim, parte fundamental da experiência artística.

E é aqui que avançamos no tempo até há umas semanas atrás, momento em que tive uma conversa com uma amiga que despertou qualquer coisa em mim: algo nas suas palavras me fez abraçar, sem medo, o bordado como meio de expressão artística. Senti uma onda de energia criativa enquanto falávamos. Regressei a correr para o atelier para começar imediatamente a bordar, para pôr no tecido as imagens que me estavam a surgir na mente. Ao bordar, senti logo essa sensação de fluidez que caracteriza esses momentos de criação; cada ponto, cada imagem parecia fluir através de mim, cabeça, mão, agulha, linha, tecido. Nesse dia, e desde então, tenho ousado tentar enveredar por caminhos desconhecidos para mim e esticar-me para fora daquilo que sei que posso fazer. E por muito que me custe ainda identificar como artista plástica, estou a ganhar a confiança necessária para explorar este caminho mais expressivo e pessoal, através desta técnica que adoro que é o bordado.

Em jeito de conclusão: Lisa Congdon acaba por mencionar no seu discurso na Alt Summit como teve um momento de clareza ao ver um documentário sobre um artista famoso, que, no topo da sua carreira, ainda sentia muita insegurança sobre o seu trabalho. Ela entendeu, nesse momento, que provavelmente nunca vai sentir que chegou a um patamar de segurança. Pessoalmente, parece-me que esta é uma constatação positiva, pois tal como a ela, também a mim me liberta de procurar esse momento longínquo em que vou sentir isto ou aquilo, e focar-me no processo, no que está a acontecer neste momento.

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