Não é uma manta qualquer

Phoebus da Lopo Xavier

I have a close relationship with knitting. It lives in a chamber very close to my heart, mostly because my grandmother taught me to knit. Every time I grab my needles and yarn, every time I knit or purl a stitch, I feel close to her.

Knitting has been instrumental in my life in many occasions: once upon a time, when I was living in Argentina and knew not a soul in a city inhabited by millions, knitting saved me. After years away from the needles, I found a yarn shop near my home, bought myself a pair of needles and some yarn. Little did I know that that gesture was the beginning of a one way street to inclusion and adaptation to my then new hometown.

Through knitting I made friends with people of all colors and backgrounds, found my community over there and became part of a group. It was wonderful.

This last year, after having my twins and losing my baby boy, I didn’t feel like knitting. Or writing, or anything, really, apart from being a mom to my baby girl and mourning my baby boy. It was a wonderful and awful period, with the strongest, contradictory emotions at the same time. No wonder I felt my well dry up and absolutely no desire to knit.

A few months ago, though, I started to feel it. A subtle, gentle impulse to start knitting again, and it showed me that I was on the right path, that I was starting to see the light at the end of the tunnel. Impulse turned to action when a dear friend of mine gave me Lopo Xavier’s Phoebus yarn as a gift, an exquisite wool I was eager to try (but isn’t easy to find here in Lisbon).

I’m knitting a baby blanket for my baby girl. I chose the Purl Bee’s Colorblock Bias Blanket, which is a wonderful, mindless knit that allows me to just add a few stitches here and there whenever possible. It’s been great to get back to knitting, to get back to that wonderful feeling of making something with my hands, something that takes time to put together. I feel that every stitch brings me closer to my grandmother, as well as closer to my own daughter, who (I hope) will love the blanket and cherish it as much as I cherish the hand knits I received.

If you’re interested in learning to knit, join us next Saturday, January 24th 2015, here in Lisbon. We’ll be having a knitting workshop. Visit this project’s ravelry page.

*

knitting my baby a blanket

Tenho uma relação próxima, muito próxima com o tricot. A minha avó ensinou-me a tricotar era eu criança, e sempre que pego nas agulhas para fazer malha lembro-me dela.

O tricot tem um papel muito importante na minha vida: há uns anos atrás, a viver na Argentina e sem conhecer uma única pessoa numa cidade que alberga milhões, foi o tricot que me ofereceu uma forma de me integrar numa comunidade. No dia em que decidi comprar um par de agulhas e um novelo de lã, iniciei o caminho para fazer amigos de todos os cantos da cidade, para me sentir incluída e amparada na minha nova cidade.

Este último ano, depois de ser mãe de gémeos e de ver o meu bebé morrer, fiquei sem vontade de tricotar. Nem de escrever, nem de nada, na realidade. Todos os meus esforços se concentraram em ser mãe da minha bebé, ao mesmo tempo que chorava a morte do meu rapaz. Foi um período de sentimentos muito fortes e contraditórios; não admira que tenha sentido a minha “fonte” secar.

Há uns meses atrás, comecei a sentir um impulso: leve, subtilmente, a vontade de tricotar começou a regressar e eu constatei que estava no caminho certo, que o luto estava a ser feito e que já estava mais organizada na minha nova vida como mãe. O impulso fez-se acção com um presente delicioso de uma querida amiga do norte, que me trouxe várias meadas de lã Phoebus da Lopo Xavier, do Porto.

De momento estou a fazer uma manta tricotada para a minha bebé. Escolhi o Colorblock Bias Blanket da loja Purl Bee, de Nova Iorque. É uma receita muito fácil de uma manta quadrada, tricotada na diagonal. É perfeita para encaixar nos pedacinhos de tempo que vou encontrando aqui e ali, e é maravilhoso vê-la a crescer, ir mudando as cores, imaginar como ficará quando terminada. Será que a minha princesa vai gostar dela? Espero que sim, tal como eu adoro as peças tricotadas que a minha avó me ofereceu, e que guardo com muito carinho.

Para quem tiver vontade de aprender a tricotar, vamos fazer um novo workshop já no próximo dia 24 de Janeiro de 2015, Sábado.

A página da manta, no ravelry.

Join our community, start beautifying your life!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

CommentLuv badge