Many different “passports”

Embroidery project for the month of May for the air Embroidery Club

Yesterday I had to wait for a doctor’s appointment – it happens every now and then. Although I don’t like to wait when I’m attending a private doctor’s practice, when, on the other hand, my appointment is with the public health system, I take things with a calmer mindset. I usually get ready to wait with snacks, water and my embroidery. The essentials, you know. And waiting becomes a lot easier.

Those of you who have been reading me for a while know that I specially love textiles, fiber arts, color, knitting and embroidery. After my teenage years, when needlepoint and anything handmade – specially cross stitch! – was forced on both my fellow class mates and me by the school curriculum, my adult years came, trends changed and finally traditional techniques became fashionable and more mainstream. Fortunately so, I believe.

In Argentina, knitting saved my life by giving me a means of connecting with new people, adapting to my new city and integrating in my new community. Through needles and yarns I made lasting friendships, despite the distance separating us today. In Panama, when knitting was not an option (it’s way too hot!), I turned to embroidery and taught myself the basics to execute the projects I had in mind.

One of the things I learned with embroidery is that each project can be as simple or as complex as we wish – that’s a good take away for so many things in life, I believe. I found out that what I feel when I look at a finished project is more than pride: it’s a kind of empowered satisfaction given by the realization that that one project was made by me, from concept to execution; it kept me company through good days and bad days, it kept me company when I waited. It’s a delicious feeling of creative power: head and hand cooperation at its best, I don’t send that project away for someone else to finish it, as it usually happens in my graphic design or in my illustration work when I send it to the printer’s or to the art director’s drawing board.

I suppose that this feeling of fulfillment is achievable through means other than embroidery or knitting: my friends say they feel similarly when attempting a new recipe, or rehearse and execute a perfect choreography.

For me, more than cooking, dancing or playing music, knitting and embroidery are my passports to feeling better, happier and fulfilled with my life. They accompany me through thick and thin, they are there in my moments of leisure. When I finish a project, I am proud of what I accomplished, and I love to wear and use everything I make. As I write these lines, I’m wearing a hoodie and a cowl hand knitted by me. I raise my eyes from my computer screen and I see, hanging on the walls, several of my paintings. My embroidery project, sitting right next to me, calls me for a break – actually, a work-break, as I’m currently finishing the Embroidery Club’s May project. It feels good to look around and recognize my “fingerprints” in this universe I have built around me.

And you? What are your passports? Share below, I would love to know.

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Ontem calhou-me esperar por uma consulta – às vezes acontece. Se é verdade que no sector privado fico doente com as esperas, no público levo a coisa com outra tranquilidade. Preparada já para essa eventualidade, fui munida de um lanche, água e bordado. O essencial, portanto. E a espera fez-se muito mais fácil.

Quem me lê há algum tempo sabe que nutro especial afecto por têxteis, fibras, cores, tricots e bordados. Depois da adolescência, em que os lavores estavam postos de lado – excepto talvez os obrigatórios bordados em ponto cruz da aula de Trabalhos Oficinais – a idade adulta chegou, a moda mudou, e as técnicas tradicionais voltaram a estar na mó de cima, e ainda bem.

Na Argentina, o tricot salvou-me a vida ao servir de veículo de adaptação e integração na minha nova comunidade. Foi através das agulhas e dos fios que fiz amizades que ainda hoje duram, apesar do tempo e da distância. No Panamá, à falta de comunidade de tricot, lancei-me pelos caminhos do bordado, de forma totalmente auto-didacta – e como tenho aprendido desde então!

Descobri que o bordado (como tantas outras coisas…!) pode ser tão simples ou tão complexo quanto nós queiramos. Descobri também que o sentimento que tenho ao olhar para um projecto terminado é mais do que orgulho: é uma espécie de poderosa satisfação ao perceber que aquele trabalho que ali está foi idealizado por mim, executado por mim, me acompanhou em vários momentos dos meus dias, e ali está ele, terminado pelas minhas mãos, em conjunto com a minha cabeça. É uma sensação deliciosa de poder criativo: não mando o projecto para ser impresso numa gráfica, como acontece no meu trabalho de designer gráfica e, muitas vezes, no de ilustradora. É feito aqui, num agora estendido no tempo, mas por mim, pelas minhas mãos.

Suponho que nem só pelo tricot e pelo bordado se possa alcançar uma sensação semelhante: diz-me quem experimenta confeccionar uma receita nova que o sentimento é semelhante. Ou quem ensaia até conseguir executar um andamento de forma perfeita, ou dançar uma coreografia complexa.

Para mim, mais que a música, a cozinha ou a dança, são o tricot e o bordado os meus passaportes para me sentir melhor, mais feliz, mais realizada. Acompanham-me em momentos difíceis e menos difíceis, acompanham-me nos momentos de lazer. E depois de terminadas as peças, orgulho-me do trabalho terminado e ponho-o a uso. Hoje, enquanto escrevo estas palavras, tenho vestido um casaco e uma gola tricotados por mim. Levanto os olhos do computador e vejo pinturas que fiz. O bordado, aqui mesmo ao lado, chama-me para um intervalo, que na verdade também é trabalho, já que estou de momento a bordar o projecto de Maio do meu Clube de Bordado. É bom olhar à minha volta e reconhecer as marcas da minha passagem neste universo que, com o tempo, fui recriando.

E vocês? Qual é, ou quais são os vossos passaportes?

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