Creativity Series: Mariana Ramos

Mariana-Ramos

Sobre as imagens: montagem feita com fotografias de três gravuras, as duas primeiras com técnica de água-forte e a terceira com técnica de papéis colados.

Esta semana, quem nos vem falar sobre criatividade é a Mariana, que “também calha” a ser minha Mãe. Posso então dizer que é “amiga de infância” e que “já a conheço há mais de trinta anos”, e não estou a mentir.

A minha Mãe é reformada, depois de uma carreira como professora de Românicas aos alunos dos 5º e 6º anos, com um intervalo macaense em que deu aulas de português na escola luso-chinesa.

Eu acho que a minha Mãe é uma pessoa muito criativa: por um lado, educou, distraiu e geriu conflitos entre três irmãs (nós) durante bastante tempo. Mais tarde, já eu estava mais virada para as artes, decidiu inscrever-se num curso de gravura, onde produziu obras muito interessantes.

Hoje em dia, para além das “responsabilidades de Avó” (e da gestão de conflitos na nova geração!), a minha Mãe voltou a dedicar-se ao tricot, que hoje é assunto que nos tem bastante ocupadas e sobre o qual trocamos muitas ideias.

Mas a criatividade da minha Mãe evidencia-se em muitos outros aspectos… Vamos então “ouvir” o que nos conta a minha Mãe sobre criatividade. Obrigada, Mãe!

*

Quando fiz a minha educação formal, a criatividade andava muito arredada dos currículos.

Durante muito tempo, não tive consciência de que existia…

Senti-lhe muito a falta durante o tempo de liceu, sem ter consciência disso.

Sobretudo na faculdade, a análise de textos levou-me a descobrir a dos outros…

Mais tarde, como profissional, incentivava a dos meus alunos.

Já na quarta década de vida, alguém me desafiou para exercitar a minha criatividade. Mas como, se eu não tenho nenhuma?, contrapus. Um erro! Toda a gente a tem!, responderam-me.

O âmbito em que a minha criatividade se iria revelar era o da gravura. E não é que a primeira obra, feita com a técnica de colagem de papel, foi logo muito bem sucedida, de acordo com a opinião da professora e de expertos que a apreciaram? Incentivada por este “sucesso”, continuei a fazer gravura, explorando outras técnicas. O par de anos em que tive esta actividade foi um tempo de felicidade. Até ao momento em que os meus conhecimentos de desenho me pareceram insuficientes e resolvi inscrever-me num curso específico. Contingências várias não me permitiram continuar, nem com desenho nem com a gravura. Mas ficaram obras… E a consciência das minhas capacidades criativas!

Hoje em dia, considero-me criativa. Por um lado, creio que alarguei o âmbito do conceito, por outro, o tempo que passa, as pessoas que conhecemos e nos marcam, as experiências que vamos vivendo permitem-nos a aquisição de capacidades e competências de cujo domínio nos julgávamos incapazes.

Dou por mim, muitas vezes, a criar as histórias de vida de pessoas com quem me cruzo na rua e que por qualquer razão me impressionam. Há uma senhora que às vezes está sentada num murete aqui mesmo, em frente de casa, e que outras vezes vejo no jardim, ou na igreja: interpela os transeuntes, muitas vezes com palavrões, outras vezes canta (tem uma linda voz). Há nela, manifestamente, um grão de loucura. O que o terá provocado? Como vive? Com quem vive? Foi sempre assim? Ou já foi uma cidadã responsável? Na minha imaginação, encontro respostas para todas estas perguntas e construo a personagem, contextualizo-a e crio a sua história de vida.

Também na cozinha me considero bastante criativa. Não, não pensem que sou (ou me julgo) uma chef gourmet! Mas gosto muito de inventar pratos! Sou incapaz de seguir à letra uma receita: nem nas quantidades, nem nos ingredientes, nem nas instruções. Leio a receita, tiro a ideia e faço-a ao meu jeito. Mas o melhor mesmo é quando não tenho a mínima ideia do que vou cozinhar, abro o frigorífico, vejo o que tenho e improviso. Como hoje, ao jantar!

*

Obrigada, Mãe! (Já agora que ninguém nos ouve, adoro os teus “improvisos” culinários!)

Este texto faz parte do projecto Creativity Series, onde peço a amigos que partilhem a sua definição de “criatividade”. Gostaria de participar? Escreva-me um mail. Para receber estes posts na sua caixa de correio, clique aqui.

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