Creativity Series: Filipa Coelho

Filipa-Coelho

Imagem: fotomontagem com fotografia de Luís Pedro Bento e desenho de Joana, 6 anos.

Esta semana, vamos ler a perspectiva da Filipa Alves Coelho, uma urbanista empreendedora que se lançou a organizar, juntamente com uma parceira, o Projeto Com Voz. Ao notarem que havia pouca alternativa no que toca a actividades para a terceira idade, decidiu lançar cá em Lisboa um coro para vozes maduras com um repertório muito especial. Vale a pena acompanhar as actividades do Projeto Com Voz na preparação para o seu primeiro concerto!

E agora passo a palavra à Filipa, que nos conta como define criatividade.

*

cri·a·ti·vi·da·de


(criativo + -idade)

substantivo feminino
1. Capacidade de criar, de inventar.
2. Qualidade de quem tem ideias originais, de quem é criativo.


”criatividade“, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Foi o que eu pensei: capacidade de criar, de inventar, o que alguns reclamam só seu! E que, quando me pus a pensar, percebi ser uma capacidade extraordinária do ser humano, de todo o ser humano, sem excepção!

Todos temos capacidade de inventar, desde que nascemos, no íntimo somos capazes de inventar histórias, brincadeiras, mentiras, desenhos, piadas, etc. Alguns de nós, nesta nossa capacidade, somos mais elaborados, mais divertidos, mais inovadores, mais isto ou aquilo, mas todos temos esta qualidade.

Vejamos, quando somos crianças, dizem que é a fase mais criativa, será sem qualquer dúvida a fase mais livre, de preconceitos, de limites, de regras, de filtros e por isso a fase em que a criatividade é demonstrada mais livremente, aparentando ser a mais criativa, o sol é azul, a praia é cor-de-rosa e a irmã mais nova que foi deixada por extra-terrestres e devia ser colocada no caixote do lixo para os extra-terrestres a levarem de volta!!

Depois, ao longo da vida, a trama adensa-se e a criatividade vai sendo castrada, limitada, condicionada, para cabermos na sociedade sem problemas. E de vez em quando alguns, que permanecem à tona e não cedem, mantêm uns laivos de diferença, enveredam por caminhos artísticos em todas as suas formas e aprendem técnicas para organizar, estruturar e até aprender o processo criativo, e transformam-se eles próprios em criativos*.

E foi mais ou menos isto que se passou comigo. No entanto sempre me considerei uma pessoa pouco criativa na minha área de formação (urbanismo), tinha um bom domínio de algumas técnicas, e das disciplinas principais, o suficiente para fazer uma licenciatura e um mestrado (pré-bolonha) e iniciar uma carreira profissional.

Curiosamente, tendo boicotado demasiadas vezes a minha criatividade, ela tem teimado em dar sinais de vida. E surgiu com uma força tremenda, surgiu com o nascimento da minha primeira filha, surgiu com a segunda, surgiu e surge todos os dias! Todos os dias quando tenho que cozinhar, cantar, contar histórias, explicar como é que a fada dos dentes vai pôr uma moeda na almofada quando o dente que lá devia estar para a troca está perdido algures no quintal!! Surge quando o tempo, pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem e a resposta é invariavelmente que não tem tempo, que não há tempo, que é tudo a correr, cronometrado ao segundo!
Surge quando de uma conversa ocasional se juntam duas pessoas preocupadas com o seu futuro e o dos seus pais e num mês põem de pé uma ideia.

A singela ideia de criar um coro, mas não um coro qualquer, um grupo de vozes!, vozes séniores, vozes com vida para dar nova vida à música portuguesa, que música? Ao rock e ao pop português, à música que gostamos de ouvir, à música que pode juntar miúdos e graúdos, júniores e séniores! E assim fomos, assim estamos sob a direcção musical do Pedro d’Orey, somos o Projeto Com Voz!

Conseguimos juntar 15 criativos (séniores) com vozes maravilhosas e boa disposição para dar e vender, e que um dia destes vocês irão conhecer!

Portanto, em todas as formas e em todos nós a criatividade é imensa… e intensa!

*apesar de esta designação ser utilizada apenas por um grupo restrito de pessoas.

*

Obrigada, Filipa! Parabéns pelo Projeto Com Voz e desejos de muitos, muitos êxitos. Só alguém criativa, cheia de iniciativa e também de “acabativa” junta uma equipa e faz o sonho acontecer.

Este texto faz parte do projecto Creativity Series, onde peço a amigos que partilhem a sua definição de “criatividade”. Gostaria de participar? Escreva-me um mail. Para receber estes posts na sua caixa de correio, clique aqui.

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