Some evidence that humanity is inherently good

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Lisbon is such a beautiful city. Since we moved back last March, I have been feeling the enchantment of being a visitor, all the while living here. Sure, the light, the tiles, the beautiful cobbled streets. But what I am most enjoying is to rediscover how tiny a village this city is.

After living in Buenos Aires, a large metropolis housing more than 2 million people (12 million in greater metropolitan area), Lisbon feels like a small village, where I can walk or take a seven-minute bus ride to get to my studio.

Last week, I was on my morning commute when I looked outside the window and saw another bus – same line, opposite direction – stopped in front of a pedestrian crossing. The driver was leaning forward, elbows on the steering well, looking attentively at the group crossing the street. It was a class from the nearest kindergarten, with three year olds covered with reflective gear, tiny legs sticking out beneath them. They looked like cartoons, and the driver could not help but smile a large, teethy grin. Behind his bus, traffic slowly built up, but no one honked.

My heart melted with the wobbly group. Seeing the driver taking his time, looking at these children with a tender look on his face made me smile for the rest of the day.

I had my cuteness factor for the day, right? So I didn’t expect to experience a second moment of the beauty of humanity.

Later that day, on my bus ride back home, there were a lot of us inside the vehicle. Let’s just there was no alternative but to intimately get acquainted with the next passenger – that’s how crowded it was. This is a small bus, with a small capacity; as it was delayed, it was picking up many passengers on every stop, so this wasn’t a particularly pleasant ride.

Seating on the reserved spots, a blind woman was asking, every time we stopped, where we were. On one stop, a backpacked teenager got on the bus. My brain – that’s how the brain works, isn’t it, quickly classifying information to help us better navigate the world? Also called prejudice, if I may add – my brain catalogued him as “hashtag teenager”, and didn’t give him a second thought.

We finally got to the blind woman’s stop. She asked for help to get through the crowd and the teenager, a polite boy, held her arm and led her to the way out.

One could say that this was not necessarily kindness, the boy was nothing but polite. But the story goes on. He asked the blind lady where she needed to go, and when he found out that it was on the diagonally opposite corner of that intersection, he offered to walk her there.

He proceeded to ask the driver if he would wait for him – and let me remind you that the bus was crowded with people who had waited a long time for their ride home – and he said yes.

Boy and lady got off the bus, crossed the two streets needed, he left the lady in a corner she already knew and ran back, thanking the driver.

On my face, a huge grin of happiness. I looked around and saw that I wasn’t the only one: everybody was happy to have seen this concrete evidence that humanity is inherently good, that the next generation is kind, attentive and polite and that life in the city does not have to be that of an urban jungle.

It was a very good day.

How about you? Share your “humanity-is-kind” stories below; it will make this a better day!

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Esta cidade é tão linda: a luz, o espaço, os azulejos, o Tejo. E também as pessoas, que por vezes lhe dão momentos de suprema beleza.

Frequentadora assídua de autocarros, tenho a sorte de viajar numa linha servida por um dos pequeninos.

Esta semana, ia eu sentada no autocarro para o atelier, quando olho pela janela e vejo um autocarro – da mesma linha, mas em sentido oposto – parado em frente a uma passadeira. O condutor estava inclinado para a frente, apoiado no volante. Olhava com muita atenção para o grupo que atravessava a estrada: uma turma da escolinha mais próxima, meninas e meninos aí dos seus dois, três anos.

Fiquei encantada a olhar para aquele concentrado de fofura: pernocas a sobrarem de coletes reflectores, pareciam tirados de um desenho animado. O meu coração derreteu, claro, e só depois de se recompor um bocadinho consegui desviar o olhar: o motorista sorria, enternecido, inclinado sobre o volante de onde tinha um lugar privilegiado para observar o grupo. Enquanto isso, atrás do autocarro foi-se acumulando trânsito… insólito foi não se ouvir nem uma buzinadela.

Depois de assim preenchida a quota semanal de fofura, já não esperava ser surpreendida nesse mesmo dia, ao voltar para casa.

Contrariamente ao que é costume, o autocarro atrasou-se e, como tal, vinha atafulhado. Estávamos tão apertadinhos que a nossa única opção era mesmo conhecer intimamente quem connosco viajava.

Uma das passageiras, invisual, ia perguntando a quem estava perto em que ponto da carreira íamos. Numa das paragens entrou um mocito jovem, de mochila às costas, cheio de calor como é próprio da idade. Ficou de pé, junto à entrada e perto da senhora – não havia muito espaço.

Na minha leitura apressada e preconceituosa – é assim que o cérebro funciona, não é? Cataloga rapidamente a informação para nos ajudar a navegar o mundo – arrumei-o na secção “hashtag adolescente” e não liguei mais.

Chegámos então à paragem onde a senhora queria sair, que calha ficar em cima de um cruzamento. Ela pediu para descer; o moço, no caminho, ajudou-a a encontrar o degrau.

Até aqui, gentileza normal, não é? Mas a história continua: o rapaz, querendo ajudar a senhora, perguntou-lhe de que lado da estrada queria ficar; ao perceber que era no ponto diagonalmente oposto do cruzamento, e tendo em conta que aquelas eram duas artérias sem semáforo, prontificou-se para a ajudar a atravessar a estrada. Pediu ao motorista se fazia o favor de esperar por ele, enquanto ajudava a senhora, e o motorista, para meu espanto, acedeu.

Com a devida calma de quem acompanha uma pessoa com dificuldades, desceu do autocarro, levou a senhora até ao ponto que ela já conhecia e voltou a subir. O motorista fechou a porta, arrancou e eu notei que se me colava no rosto um enorme sorriso; olhei à volta e constatei não ser a única.

Um dia com dois episódios fofos no autocarro é um dia ganho. Constitui prova provada de que a humanidade, em geral, até é boa.

E vocês? Que provas têm de que a humanidade à vossa volta é boa, gentil, amável?

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