“Que tristeza de país”

Post wildfire view, by Rui Lúcio Carvalho
(Image credits | Imagem: Rui Lúcio Carvalho)

On Wednesday, the sad news of the death of another firefighter (the sixth, this summer) left me even angrier than I was before. Last week, we had several fires on the Portuguese territory, many of them threatening urban areas and burning down centuries of forest.

I don’t watch TV, so I read the news on newspapers and social media. On newspapers, I read some people’s opinions; on social media, I read everyone’s comments.

And you know what? I am appalled with comments on social media. Commenters complain about “this sorry country we have”; I can imagine them virtually shrugging shoulders and brushing responsibilities off their respective shoulders. It’s so easy to make exceptions out of ourselves and point fingers at an abstract “them”. But, please, let’s innovate on this.

It’s no doubt sad that so many fires have been blazing down homes and trees; it’s impossibly sad that many have lost their lives to fire.

But the saddest, saddest thing of all is to keep doing exactly what we have always done and expect a different result.

Saying that Portugal is a sorry country because we have wildfires shows a terrible lack of information; at this very moment, there are fires all over the world. Think about the Yosemite National Park in California, on fire as I type. It makes me sad to think about the amazing giant sequoias, many more than a thousand years old, at risk of burning down.

We can always point our collective finger to the criminals who set fire to woods, on purpose. But what about the other fires? The ones caused by our neglectful behavior? By leaving trash behind us, or throwing cigarette butts out of our rolled down windows? Why can’t we seem to face the fact that global warming creates the conditions for a fire to exponentially spread? Why aren’t we brave enough to demand our politicians design and put into practice a prevention plan, not a contingency one?

(Why do we tend to forget about wildfires near the elections? Is it because they are not during summer?)

When are we going to have the courage to demand that the army watches forests and supports firefighters on the field? When will we be brave to demand that the unemployed, receiving a state unemployment subsidy, actually work for the state and preventively clean the woods?

Let’s all stop shrugging shoulders and start acting decisively: firefighters in Portugal (and elsewhere?) are in need of manpower and equipment; let’s learn and share information about endemic species and respective resistances to flames; let’s use the next electoral period (coming late September in Portugal) as leverage to demand prevention plans; and let’s all do our part in reducing carbon emissions and therefore fight climate change – public transit or car pooling, anyone?

There’s a lot that can be done. What concrete action will you take today?

(This post was first published here on September 2nd, 2013)

*

Como não vejo televisão, informo-me através da imprensa escrita e das redes sociais. Na imprensa escrita leio a opinião de alguns; nas redes sociais, as opiniões de todos.

Pasmo com os comentadores nas redes sociais. Queixam-se da “tristeza de país em que vivemos”, do fatídico “país que merecemos” e indigno-me com estas respostas já lidas e relidas cinquenta mil vezes. Por favor: inovem.

Não é triste: é tristíssimo que sejam já cinco os bombeiros mortos este ano. É tristíssimo vermos hectares e hectares de floresta ardida. É horrível saber que as chamas ameaçam parques naturais e zonas urbanizadas. Qualquer morte é demais; qualquer desalojado pelo fogo era dispensável.

Mas triste, também, é fazermos exactamente o que sempre fizermos e querermos um resultado diferente.

Dizermos que este é um país triste porque tem incêndios florestais demonstra uma imensa falta de informação: neste momento lavram inúmeros incêndios por esse mundo fora, nomeadamente em países desenvolvidos (vejam o incêndio no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, onde vivem sequóias gigantes com milhares de anos).

Não há dúvida de que há incendiários por esse mundo fora; mas e os outros fogos? Os que são causados por negligência? Os que são potenciados pelos clima extremo, e este pelo fenómeno do aquecimento global?

Até quando vamos encolher os ombros e falar da tristeza do país sem fazer absolutamente nada para mudar a situação? Até quando vamos continuar a atirar beatas pela janela do carro? A deixar lixo atrás de nós? A não exigir dos nossos políticos um plano real de combate aos incêndios?

(Por que será que na altura das eleições nunca nos lembramos de tal coisa? Será porque são fora do Verão?)

Quando é que vamos ter a coragem de exigir que o exército vigie as florestas e acompanhe os bombeiros no combate às chamas? Quando é que vamos ter a coragem de ocupar os desempregados que recebem subsídio de desemprego, pelo menos em tempo parcial, na limpeza preventiva das matas?

Paremos de encolher os ombros e ajamos decididamente: os bombeiros precisam de meios e de pessoal; conheçamos a floresta e informemo-nos sobre as espécies endémicas e as suas resistências ao fogo; utilizemos as próximas eleições para exigir planos preventivos, não de contingência; façamos a nossa parte para diminuir a produção de carbono (por exemplo, deixar o carro em casa ou partilhar boleias).

Há muito, muito que todos podemos fazer. Que acção concreta vão tomar hoje?

(Este texto foi publicado no Portugalize.me no dia 2 de Setembro de 2013.)

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