Share your dreams!

Inveja-mal-secreto-Zuenir-Ventura

About three years ago, when we moved to Panama City, Panama, I met a Frenchman who worked for a North American company, both in the North and Central American markets. With a foot on both sides of the Atlantic, he told us he felt the French were an envious people.

As an example, he told us how success is seen in France: someone who is successful must have done something shady to get to where he or she is. In North America, on the other hand, one looked at success with a sense of competition: “if he reached that point, I will do even better”. Instead of envy, the feeling was of competitiveness, tinted as it may be with jealousy.

This observation struck a chord in me: in such succinct ways, he managed to paint a fairly accurate portrait of the Portuguese as well.

( I know these are all generalizations, but raise your hand if you have never, ever felt the sting of envy in your lifetime. I know I did.)

Around the same time, the book “Inveja, mal secreto” (roughly translates as “Envy, secret malady”, by Brazilian author Zuenir Ventura, got to my hands. I read it avidly. The author makes a wonderful distinction between jealousy and envy, the first having the jealous person recognizing the value of the subject; the latter being absolutely poisonous because of its lack of recognition of the inherent value. That’s why an envious person will attack a successful person, saying about her accomplishment that it wasn’t a big deal and who wanted that anyway, while the jealous person will say “I wish that was me”.

The envious does not recognize merit – and this is poisonous.

I always grew up being told that I shouldn’t stand out – my interpretation today is that it was a chronic fear of envious people. Standing out of the crowd in Portugal, before 1974, was extremely dangerous. Anything worked as an excuse to be taken away by the political police. So no wonder my parents’ generation passed on this idea to my generation.

I never realized how much I toned down my actions, thoughts or words to accommodate other people’s perceptions of me. Until one summer day in 2005, I was about to leave for a vacation in Macau, China, where I had spent nine years of my life when I was a kid. I was sharing how much I looked forward to it and suddenly I was asked to please not mention it in front of these people. I couldn’t believe it: I had worked so hard for it during the whole year in order to afford it, I was extremely happy for that accomplishment. I couldn’t understand why that would be offensive to anyone. But apparently my joy was not to be shared.

It’s such a pity to spend so much energy in protecting ourselves from the envious. And envying others, too. As people say, “haters gonna hate”, no matter our behavior. So why tone it down?

There is a learning curve for me in this: not changing my behavior to avoid offending others with my joy is something I have to practice.

So I want to invite you all to share one dream or accomplishment with me. Successes should be shared, despite the envious. Let me share one dream with you: to see my illustration on a Penguin book cover. I will let you know when that happens!

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Talvez já aqui tenha falado de uma conversa que tive há uns três anos, recém-chegada ao Panamá, com um francês que trabalhava para uma empresa americana, nos mercados norte e centro-americanos.

Muito habituado a transitar entre os dois continentes, contava-nos que achava os franceses um povo invejoso. Dava-nos um exemplo da diferença da atitude dos seus concidadãos em relação à dos norte-americanos: um francês, ao ver uma pessoa a ter êxito, pensava que “algo deveriam ter feito”, ou seja, havia ali falcatrua. Já o americano tinha outra perspectiva: em vez da inveja, era competitivo,) havia de fazer ainda melhor e ter ainda mais êxito.

Esta observação ficou comigo, acho-a brilhantemente sucinta muito aplicável a nós, portugueses.

(Generalizo, claro. Mas que levante o dedo quem nunca, nunca sentiu na pele o ferrão da inveja. Eu já.)

Mais ou menos ao mesmo tempo, li o fantástico livro “Inveja, mal secreto”, de Zuenir Ventura. Nele, o autor faz uma distinção que me parece muito importante: no ciúme, quem não tem e gostaria de ter reconhece que existe valor naquilo que o outro obteve (caso do americano). Na inveja, a história é outra: o invejoso retira o valor da coisa desejada ou do feito conseguido, e aí jaz o verdadeiro veneno. O invejoso diz que fulano teve êxito por uma qualquer razão obscura – e nunca pelo talento, trabalho, ou sentido de oportunidade.

Talvez pelo medo que temos do veneno dos invejosos, cresci sempre com esta sensação de que não devia sobressair. E por isso só dei conta deste mecanismo quando se tornou exagerado. Exemplo disso foi uma conversa há uns anos atrás, em que o meu interlocutor me aconselhou a não contar a ninguém que ia a Macau de férias. Fiquei siderada: depois de um ano inteiro a trabalhar e a poupar para pagar aquela viagem, não podia falar em algo que me dava tanta alegria?

É uma pena que nos consumamos tanto a proteger-nos de invejosos – e também, lamentavelmente, a invejar. Como dizem os anglófonos, “haters gonna hate”: os invejosos vão lá estar sempre, não há razão nenhuma para mudarmos o nosso comportamento só porque alguém pode não gostar do nosso êxito.

Para mim, contrariar esta aprendizagem tão interiorizada é um esforço: partilhar as minhas alegrias e os meus êxitos resulta-me difícil, por medo de ofender os outros. Uma parvoíce, não é? O mais importante a ter em conta é que as reacções dos invejosos só têm que ver com eles, não comigo. E por outro lado, não invejar também é um exercício. Almejemos, não invejemos.

E é por isso que gostava de vos convidar a partilhar algo de bom que vos tenha acontecido, algo que talvez até nem tenham contado a ninguém, com medo de ser mal entendido – ou invejado. Ou algo a que almejam, mas que ainda não conquistaram. Da minha parte, conto-vos que o meu sonho é ver uma ilustração minha numa capa de livro da Penguin.

(Na próxima sexta-feira não percas a surpresa especial no teu email! E se ainda não te inscreveste no Clube de Bordado, não esperes mais!)

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