Nós e a crise

A minha amiga Fungagá disse-o muito bem: enquanto continuarmos a usar o crescimento (e o PIB, de caminho) como único sinónimo de crescimento, a coisa não vai lá.

Primeiro, porque nem só de PIB se faz a realidade. Sabiam que o PIB contabiliza todas as transacções, sejam elas por coisas positivas (como a venda de produtos transformados, por exemplo) como também negativas (despesas com acidentes de viação ou vandalismo)? De que forma é que o dinheiro gasto a limpar grafitis é positivo?

Na minha opinião, o progresso é mais que o crescimento. É mais que o somatório das transacções de um país. O progresso é bem-estar, é respeito pelo ambiente, é ar puro nas cidades e água potável nas torneiras. É um sistema de transportes públicos integrados, uma rede de cuidados de saúde pública (que, apesar das muitas queixas, existe, lembrem-se disso). O progresso é também poder trabalhar de casa, receber um salário que mereça esse nome e é também cultura, acesso a cinema, teatro e museus. É isso tudo, muito mais que um número, um déficit ou tantas outras percentagens que nos querem atirar à cara a todo o instante.

Não digo que não exista crise em Portugal. Existe. Mas é sobretudo uma crise de confiança. Nós, portugueses, choramos um bocadinho, mas também somos trabalhadores. Sejamos empreendedores, arrisquemos, lutemos. Se for preciso ampliar o mercado, ampliemo-lo: porquê limitarmo-nos a Portugal? Se for preciso emigrar, emigremos. Não vou dizer que não tenho saudades, porque tenho, mas viver fora faz muito bem. Se para mais não servir, dá para ver o país fantástico que temos, mas que tão mal amamos.

Para gostarmos um pouco mais de nós e do nosso país, vale a pena ler este texto, que já correu por e-mail e agora reli numa página de facebook. Fala de invenções, iniciativas e exemplos de êxito dos nossos, amplamente reconhecidos no estrangeiro mas pouco conhecidos dentro das nossas fronteiras.

Penso que mais auto-confiança, a nível nacional, nos vai fazer muito bem. Havemos de conseguir, com as nossas ideias, o nosso trabalho, as nossas iniciativas. Independentemente (ou devo dizer “apesar”?) das cores do futuro governo.

Queiram-me desculpar, caros leitores não-portugueses. Às vezes é preciso mudar um pouco o registo! Mas qualquer dia volto aos fait-divers da vida no Panamá.

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3 comments

  1. maio says:

    Concordo em absoluto contigo!

    Não consigo é ver o texto no facebook, pois o conteúdo está indisponível. Será censura ao optimismo? :))

    beijos!

  2. Anonymous says:

    Também não consegui ver o texto no facebook, mas tenho lido sobre alguns portugueses que têm sucesso, cá dentro e lá fora.
    Há revistas que se aplicam em fazer crescer o optimismo, apesar do desânimo que este desgoverno nos tem trazido.
    Claro que somos capazes! Havemos de vencer a crise!
    Beijos
    M.

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