Desapartado

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E pronto. Seis meses depois de o ter pedido, finalmente tenho um apartado na estação de correios mais próxima. Esta é a versão resumida da história; vamos à longa?

Quando cheguei ao Panamá e descobri a idiossincrasia local da não existência de números de portas, nem de distribuição de correio ao domicílio, percebi que ia ter de arranjar uma forma de receber correspondência, seja o ocasional postal dos amigos, seja a comprinha feita na internet.

Como as empresas privadas são muito hábeis em aproveitar as lacunas do serviço público, há mais que uma empresa a disponibilizar moradas postais nos Estados Unidos, por exemplo, para onde a correspondência é enviada e depois transferida para o Panamá. Por uma mensalidade um pouco além do módica.

Os correios nacionais, por seu lado, oferecem o serviço (também pago) de apartados de correios. Sabendo isso, fui lá assim que cheguei. Inscreveram-me numa lista de espera porque estavam, naquele momento, a “mudar as fechaduras”. E que para Agosto já devia estar o serviço concluído. Esteve em Agosto? Claro que não, nem em Setembro, nem em Outubro, nem em Novembro. Em Dezembro fui lá, mais por curiosidade que por esperança, e disseram-me que se o alugasse em Dezembro teria de pagar o ano inteiro de 2010 e, em Janeiro, pagar o ano inteiro de 2011. Assim sendo, e porque quem está seis meses à espera de um apartado também espera sete, lá fui eu assim que voltei ao Panamá. À terceira visita (em Janeiro), consegui.

Quando entrei, estavam duas pessoas à minha frente para serem atendidas. Quando saí, uns cinquenta minutos mais tarde, estavam sete pessoas atrás de mim. Tinha dois assuntos para despachar: o apartado e um envio. Esperei e esperei e, finalmente, chegou a minha vez. Entreguei os papéis do apartado preenchidos e disse que também tinha um pacote para enviar. Que não senhora, que tinha de voltar à fila, que ele só despachava um dos assuntos. Finquei o pé: voltar ao fim da fila não fazia sentido nenhum e que ele tinha de me atender.

O processo aqui é totalmente manual: por cada envio superior a 100g é preciso mostrar identificação pessoal (e bilhete de identidade local não é suficiente); o operador passa uma factura manual, onde copia tanto a minha morada (aquela aonde não chega correio) como a do destinatário (aquela aonde o correio chega um mês depois, com sorte). Dá-me cinco selos para lamber e colar no envelope e pede-mo de volta, para o carimbar. Devolve-mo e manda-me pô-lo numa fresta numa parede, que serve como marco do correio. Resumindo: um processo deveras ágil.

Caí no erro de perguntar quanto tempo demoraria a carta a chegar. A resposta? Um arrazoado mal disposto da chefe de estação. Tenho para mim que nem eles acreditam se vai chegar, quando mais quando!

Enfim, todo um processo deveras complicado, esse de cobrar um apartado e de processar um envio. Mas finalmente consegui.

Posto isto, estações de correios limpas e arranjadas, informatizadas, com sistema de senhas, algumas cadeiras, várias opções de serviços, desde envelopes pré-franquiados e entregas no dia útil seguinte? Parece-me praticamente utópico. Mas diz que existe em Portugal.

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3 comments

  1. Luca says:

    Uau!… Estou indo ao Panamá em abril, visitar parentes. Quero ver com meus próprios olhos como funcionam os serviços por lá. Compará-los aqui aos do Brasil… Lucas

  2. Billy says:

    Olá Lucas! Espero que a tua experiência cá no Panamá seja boa – ou seja, espero que não necessites fazer documentos ou tramitar o que quer que seja. Boas férias!

    Marianita, por quem sois, basta pedir!

    O meu nome, seguido de Apartado 0831-0385, República de Panamá.

    E vou adorar receber correspondência de quem me quiser escrever!

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