Quando um bom insulto vem mesmo a jeito

Quase todos os feriados panamenhos se concentram precisamente esta semana. Tudo, tudo fecha para celebrar as festas da nacionalidade, das independências primeiro da Espanha e depois da Colômbia.

Sabendo isso, no fim-de-semana passado fui comprar uns tecidos que tinha debaixo de mira para poder realizar uns determinados lavores femininos. Umas fronhas para as almofadas do sofá, uns guardanapos bem giros, enfim, coisas bastante adequadas às minhas capacidades costureiras inciantes.

De maneira que assim fomos os dois, alegremente, até uma loja num bairro do centro que tem estes tecidos com motivos tradicionais dos índios Kuna – não que a loja seja de índios Kuna, essa é outra história.

A compra processa-se assim: somos perseguidos por uma das assistentes enquanto escolhemos – se temos sorte, a perseguição é simpática. Escolhemos, ela corta, escreve o valor num papelinho, e deixa mercadoria e respectivo papelinho num balcão onde uma outra pessoa chama o freguês por “de quem são estes cortes de tecido?”. Pagamos, a pessoa ensaca a mercadoria e siga para bingo.

Ora parece que cá há uma certa tendência para enfiar tudo em sacos de plástico, mas daqueles que nem sequer têm asas nem nada, fechá-los, e agrafar-lhes o talão de caixa. Porquê? Porque la mercancía tiene que salir de la tienda así. Eu agradeci mas disse que não queria o saco de plástico, que tinha um saco perfeitamente aceitável comigo. Além disso, tendo o talão comigo já provava que tinha pago os tecidos, certo?

Que no, que no, que no. Seguiu-se uma tentativa minha de lhe explicar que não queria o saco porque não era ecológico nem fazia sentido, ao que ele respondeu a mítica frase:

Yo no soy ecologista. E soltou uma risada.

Embalou tudo, agrafou, e deu-me o pacote. Eu estava incrédula, só conseguia repetir que não era ecologista, que era palerma. O Príncipe segurava-me a mão e puxava-me gentilmente para fora da loja.

Como o próprio Príncipe disse nesse momento, não há como o espanhol rioplatense (leia-se: “argentino”) para insultar alguém. E se os anos em Buenos Aires me deixaram alguma coisa – para além do sotaque portenho -, foi esse tipo de vocabulário.

Ah, alívio.

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