Diz que a adaptação é isto

Diz que sim, que a adaptação a um novo país é jogar com o que temos e não comparar com aquilo a que estamos habituados. Enfim, podemos ter um olhar crítico, mas não exageremos, até porque não se muda um país em dois dias – e nem sequer sabemos se o país quer ser mudado.

Ora toda esta conversa sobre adaptação porque hoje fui tentar alugar um apartado na estação de correios mais próxima.

Cabe aqui fazer um interlúdio para explicar que no Panamá não há entrega de correio porta a porta, até porque as portas não têm números e isso complica bastante o trabalho a um carteiro. Porque não há carteiro, nem distribuição porta a porta. Aliás, coisa bem curiosa, aqui as moradas são dadas com base em pontos de referência: “vá pela Via Espanha até ao Instituto X, vai ver a bomba de gasolina Y, na diagonal oposta vai encontrar Z e aí está o prédio Alegria de Viver. Contorne, e atrás vai encontrar a nossa loja.”.

Mas enfoquemo-nos no assunto em questão: a adaptação, vinda do episódio nos correios.

Eu já sabia, quando ia para lá, que o mais provável era não conseguir alugar o apartado. Seguramente estaria a esquecer-me de alguma coisa essencial, apesar de levar comigo os dois passaportes – no apartado só entregam a correspondência enviada aos nomes que eles têm registados como associados à caixa postal. E também tinha dinheiro. E, achava eu, paciência.

Estava um senhor a ser atendido e eu observava e observava, pensava em como achava as estações de correio argentinas de outro mundo – se antes as achava más, agora acho-as maravilhosas. Realmente, não há como baixar a fasquia para se apreciar o presente!, pensava eu, até que fui atendida.

A senhora que me atendeu foi muito simpática, respondeu a todas as minhas perguntas com um sorriso, explicou-me todos os detalhes, e pronto, vamos lá, faz favor quero um apartado.

Que não. Que agora estão esgotados (sim) porque lhes estão a mudar as fechaduras (tal qual estão a ler). Lá para Agosto, quem sabe, mas mais vale ficar em lista de espera e assim contactamo-la. Só tem telemóvel? Não tem número fixo?

Ui, se a senhora soubesse…

Pergunto-me: não será momento de pôr números às portas? Se calhar não querem, e tudo bem, eu é que sou de fora e tenho de me habituar.

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6 comments

  1. Vou ser a primeira a comentar!!!
    Não têm distribuição domiciliária de correio mas têm autobancos.
    O que é prioritário para ti?
    As prioridades dos panamianos são diferentes das tuas? Pois, adapta-te! (O Vitorino disse “Habituem-se!” e não sei se os jornalistas se habituaram…)
    Continua rindo que, dizem, é o melhor remédio.
    Beijinhos
    M

  2. Anonymous says:

    Estou a adorar o Panamá! Não sei, tenho um fraquinho por países com contradições giras e, às vezes, absurdas (também é por isso que gosto de Portugal…). Não te habitues, por favor, senão não temos mais posts destes!

    fungaga

  3. vmbm78 says:

    OU MÁI GÓDE! Mas isso é muito bom (para quem lê o teu blogue)!! He he!! Adoro essas idiossincrasias 🙂 Até fiquei com ainda mais vontade de visitar o Panamá! Hum… mas atão… e agora… e tu? Ficas sem apartado??… :-S

  4. MAR says:

    Adoro estes teus posts! Cada país tem as suas contradições efectivamente, eu só me lembro da dificuldade que era abrir uma conta bancária na Holanda… para já não falar no contrato de internet… aprendi rapidamente como é que se dizia “it is not possible” em holandês;-))

  5. Cris says:

    E quando a morada é baseada em referencias antigas, tipo ‘Antiguo edificio da Sony’? Ahn, desculpe???

    A verdade é que todos os Panamenhos se orientam bem assim; é a realidade que conhecem… Já nós, habituados aos nossos códigos postais de 7 dígitos em PT… 🙂

  6. Billy says:

    Tenho para mim que a cidade já é grandota e já era o momento de pôr números nas portas. Digo eu, não sei, ideias minhas, mas não parece assim tão complicado!

    🙂

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