Noutro dia

Noutro dia fui despedir-me das minhas colegas da pintura, um grupo heterogéneo em termos etários. Há de tudo, como na feira, mas a maioria é mais velha que eu. E algumas, bem jovens por sinal, são ainda mais velhas que as mais velhas que eu.

Isto para contar que uma delas, ao saber que eu ia para o Panamá, me contou a experiência de viagem que lá teve. Pois que certo dia tinha visto uma carteira bonita numa loja e queria sair do hotel, tranquilamente, para a ir comprar. Na recepção, não a deixaram sair sozinha, assim sem mais nem menos, e chamaram-lhe um táxi para a levar, para a esperar e para a trazer de volta sã e salva.

Eu disse-lhe que agora já não era assim, que me tinha parecido um lugar pacato, tranquilo, com um ambiente de cidade pequena, e que os relatos dos conhecidos que lá viviam há algum tempo eram coincidentes com esta minha opinião. Ela então conta que isto já se tinha passado há coisa de quinze anos, que nessa altura era assim. Não neguei, óbvio, há quinze anos estava muito longe de pensar que algum dia iria viver no istmo.

Aí a minha colega fez contas, fez contas e depois mencionou, assim como quem menciona qualquer coisa que aconteceu “noutro dia”, que tinha sido em 1978.

Foi há 32 anos, portanto. No ano em que eu nasci. Diz que agora é diferente.

(E quão diferente é o Portugal de 2010 do de 1978?)

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One comment

  1. Muito! Muito, mesmo!
    Aí está: o meu pouco entusiasmo quando me disseste que iam para o Panamá teve que ver com informações antigas.
    Ainda bem que mudou e é mais pacífico do que antigamente.
    Boa sorte na vossa ida para o Panamá!
    Beijinhos
    M

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