E vivam também os fins-de-semana prolongados!

O fim-de-semana prolongado argentino não foi tão prolongado quanto o português, já que só ontem, segunda-feira, é que foi feriado. Mas nem por isso foi menos desejado ou aproveitado que os cinco dias de mini-férias desse lado do oceano! Desde muitos tricots (no Sábado foi o dia mundial do tricot em público), a puzzle, estudo de alemão, cinema e uns quantos programas de televisão, estes três dias foram muito bem aproveitados. (E acho que me esqueci de mencionar as sestas!)

Ora poderíamos pensar que esta última alternativa, a televisão, era a menos interessante, mas, pasmem, nem por isso. E é precisamente de um dos programas que vimos que quero aqui falar.

A televisão argentina, regra geral, é uma piada de bastante mau gosto. O serviço noticioso, então, nem se fala. Nas notícias praticamente não passam temas internacionais, a menos que de alguma forma mais ou menos directa tenham repercussão local. Isto quer dizer que aqui ninguém ouviu falar de atentados bombistas no Paquistão, eleições no Irão ou até da guerra civil que houve no Sri Lanka. Não, aqui fala-se do assalto à casa de não sei quem, da colisão na estrada não sei quantas, dos jovens delinquentes no bairro tal e, claro está, nas guerras entre as facções que vão agora às urnas.

O que faz com que, sistematicamente, tenhamos de recorrer a outros canais noticiosos, o que felizmente não apresenta problemas. Entre a BBC, a CNN (nos canais em inglês e em espanhol) e a Deutsche Welle sempre vamos tendo uma série de perspectivas diferentes sobre as coisas que acontecem no mundo.

A BBC, especialmente ao Domingo de manhã, passa uma série de documentários muito interessantes, sendo que este Domingo passou um que realmente me agradou: Cocaine Diaries: Alex James in Colombia. Este documentário, realmente, é muito interessante. Nos primeiros minutos o apresentador, Alex James, dá-nos o fio condutor da hora que se segue – e este fio agarra-nos logo. Conta-nos que é agricultor, que numa vida anterior foi baixista do grupo britânico Blur e que, nessa vida anterior, era também viciado em cocaína. Entretanto, muitos anos depois, recebeu um convite do presidente da Colômbia para visitar o país e ver o que está a ser feito para combater o narcotráfico.

E ele lá vai. É recebido pelo presidente, pelo vice-presidente, vai à selva ver o que o exército faz para destruir as plantações de coca, aniquilar os laboratórios clandestinos que produzem cocaína, vê o processo (e só o processo já é bastante desencorajador, com todos os petro-químicos usados para extrair da folha o princípio activo), fala com uma “mula”, ou correio, na prisão, encontra-se com traficantes e assassinos a soldo em Bogotá… Enfim, o documentário é realista, multi-facetado, e, sobretudo, responsabiliza muito o consumidor, já que enquanto houver quem consuma, haverá tráfico.

O próprio narrador engole um par de vezes em seco com as respostas que ouve – e nós também.

Tal como Alex James descobre na sua viagem, também eu achei o mesmo quando fui à Colômbia, há dois anos: é um país fabuloso, rico e diverso, com as pessoas mais gentis e bem educadas que conheci, a falar o castelhano mais melodioso e poético que já ouvi. É um país que luta por avançar e, pelo menos em termos urbanísticos, que foram os que melhor pude observar, é um país que tem dado cartas a nível internacional com projectos de mobilidade (em Bogotá) e requalificação urbana (Medellín) de primeira categoria. Mas é também um país que sofre na pele e no dia-a-dia o efeito dos vícios dos consumidores ricos (porque a cocaína é cara e não é para qualquer carteira).

É um documentário a ver.

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