Balonismo ou "Sempre quis fazer e nunca tinha surgido a oportunidade"

8. No fim do nosso passeio de balão de ar quente, depois de uma aterragem falhada, ficámos a pairar poucos metros acima de um cabo de alta tensão.

Também verdade!

Levantámo-nos antes das quatro da manhã, ou seja, muito antes das galinhas, e lá fomos a caminho de Mareeba, uma cidade a uns 80km de Cairns, situada no planalto de Atherton, no interior do estado de Queensland. Mareeba, aparentemente, é a meca do balonismo porque tem 300 dias por ano de condições favoráveis à prática desta actividade: pouca nebulosidade, pouca precipitação, ventos favoráveis e temperatura fresca o suficiente para o balão poder subir. E sim, “pela fresca”, em Mareeba, ganha todo um novo significado: quando saímos, apesar de estarmos no trópico, o fresquinho convidava a um casaco. Às dez da manhã, a torreira era tanta que me questionei muitas vezes sobre o que me teria passado pela cabeça para ter levado um agasalho.

Sempre tive vontade de experimentar o voo em balão mas nunca tinha surgido a oportunidade. Ali, em lua-de-mel, era o momento de fazer todas aquelas coisas que se calhar não voltaríamos fazer.

Levantar voo, num balão, é uma sensação… linda, mas não pelo que se sente. Não há sobressaltos, apenas um levitar ligeiro, que depois se vai aumentando à medida que ganhamos altura e nos afastamos do chão. Lá em baixo, víamos cangurus aos saltos, a fazer os seus afazeres de cangurus. Nunca tinha visto um canguru de cima, nem nunca me tinha apercebido realmente do tamanho de um dos seus saltos. Apanhar com um canguru a voar não deve ser coisa agradável, diria eu, porque aqueles bichos vão rápido.

Lá em cima, tirando o ruído do gás em combustão, apenas ouvíamos o vento, já que ninguém tinha vontade de quebrar aquele encanto. Em baixo, quadrados de terras cultivadas, bananeiras, mangueiras, tudo quanto é fruta tropical se dá bem ali.

Aterrar, tal como a própria rota do voo, é matéria de sorte: o balão vai para onde sopra o vento. Para mudar de direcção, tem de subir ou descer para apanhar uma corrente de ar que siga outro caminho. Por isso, a nossa aterragem teve várias tentativas: começou com a aproximação a um dos quadradinhos não cultivados. Paulatinamente fomos perdendo altitude e, por fim, batemos no chão. Só que o vento não cooperou e deu-nos um empurrão, não deixando ao nosso “skipper” (não sei se nos balões têm este nome…) outra alternativa senão a de ganhar novamente altitude. É que entre aquele quadradinho onde havíamos pousado e o seguinte havia uma estrada e uns cabos de alta tensão, obstáculos que não são de desprezar.

E depois… depois esperámos. Esperámos que vento nos acabasse de empurrar até à propriedade do lado, sem ganhar muita altitude. Logo ali abaixo estavam os cabos…

Aterrámos, suavemente como da primeira vez, já com muito calor, muita luz diurna, muita fome também. Afinal de contas, já estávamos acordados há várias horas e ainda em jejum! Mas ainda tivemos de arrumar o balão, tarefa facilitada pelo número de ajudantes. Quem diria, mas um balão pesa!

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One comment

  1. Bau says:

    Ai! Está visto que tenho que fabricar uma lua-de-mel para ir andar de balão – verdadeiramente, sempre quis fazer! Que lindo!!!

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