Desmentidos e confirmações

Ora aqui vai a verdade verdadeira, o desmentido das três mentiras e a contextualização das verdades escritas neste post, em resposta ao desafio lançado pelo Pedro Aniceto (Pedro? Uma das minhas irmãs já se converteu à maçã!).

1. Tenho queda para as quedas. Que é como quem diz: quando vejo alguém cair, não consigo (é que não consigo mesmo) evitar uma gargalhada (ou mais). O mesmo se passa quando sou eu a cair: quando vejo o chão perto de mim, dá-me um ataque de riso ao pensar como posso ser tão desastrada ao ponto de perder a vertical.
Verdade. Não dá para resistir. A menos que a pessoa se magoe muito, claro. Para verem a extensão do fenómeno, uma das actividades do meu dia de aniversário foi proporcionada pelo senhor meu marido, também conhecido por “Príncipe”, que pesquisou filminhos do you tube que atendessem por “funny fall”. Estivemos uma boa meia-hora a rir às gargalhadas, eu pelas quedas que via, ele por me ver a mim a rir que nem uma perdida.

Realmente, sou muito básica.

2. Também tenho queda para as estrelas: aonde quer que vá, encontro sempre alguém famoso. Aqui há uns meses vi o realizador Francis Ford Coppola na Boca, bairro porteño, quando esteve de visita à cidade.
Mentira. Mentira desavergonhada, mesmo. Nunca, jamais, vejo conhecidos na rua, sejam eles famosos ou não. Para além da miopia, sou terrivelmente distraída. Desde que vim para a Argentina estou absolutamente convencida de que não conheço ninguém na rua (o que era verdade quando cheguei, agora já não é) e que portanto nem vale a pena estar com atenção. Quando alguém me encontra na rua, tem de me chamar, tocar-me no ombro, acenar até que eu dê por ela. E depois vem a parte de me lembrar do nome, o que também é divertido.

Deposito a minha esperança de mudança próxima na cirurgia laser que vou fazer aos meus olhinhos míopes. No vas a quedar la mujer bionica, disse-me o médico, mas desconfio que quando o Francis Ford Coppola voltar cá eu o vou encontrar, mesmo que ele esteja noutro bairro qualquer.

3. Apesar das muitas quedas, nunca parti braços, pernas ou cabeça. Nem sequer um dedinho do pé. Em contrapartida, a minha barriga parece a cara de um pirata das Caraíbas, tal é a quantidade de cicatrizes.
Verdade. A minha mãe acha que eu exagero, como aliás podem ler nos comentários, mas mãe é mãe e é fofinha e quer cuidar da auto-estima da filha. Ora, que fique bem claro, as minhas cicatrizes na barriga são muitas (duas grandes incisões, várias pequenas) e agora até já não me aborrecem. Como não há muita volta a dar-lhes, é “botar pra Deus”, como diz uma amiga minha, e fazer delas parte do meu “charme” (sim, o mesmo “charme” de quem se ri com quedas).

Em contrapartida, nem cabeça nem queixo partido, como as minhas duas irmãs. Nem pernas, braços, pés, dedos ou sequer a ponta do dente. Nada. Já tenho que chegue com a barriga!

4. O meu baptismo da vida em Buenos Aires foi feito com duas semanas de hospitalização, onde aprendi interessantes expressões em castelhano como dar de cuerpo.
Verdade. Directamente relacionado com a afirmação anterior, quando cheguei fui hospitalizada de emergência e operada duas vezes, para terem a certeza de que tudo tinha ficado bem. Como consequência fiquei com a barriga inchada durante meses a fio, o que se traduziu por muitas ofertas de lugar no autocarro e muitas mãos na minha barriga acompanhadas de então e é para quando?, por pensarem que estava grávida.

5. Adoro tudo quanto seja desportos radicais e atiro-me sem hesitar de uma ponte em bungee jumping, de um avião em sky diving ou de uma rocha de mais de 12m para uma piscina natural num rio.
Mentira. Não adoro. Bungee jumping está totalmente fora de questão e para vir a fazer sky diving vou ter de me mentalizar. Já atirar-me da rocha para a piscina natural, ah, isso sim. E gostei. Mas não repito.

6. A minha mãe já foi convidada a sair da igreja (e levar-me com ela) durante a celebração de uma missa. Não sei se faltou a luz ou se fazia parte da celebração, mas as muitas velas acesas levaram-me a cantar os “Parabéns”.
Verdade. E este era o momento em que a minha mãe entrava aqui e contava a história, um pouco ao jeito do comentário no post das mentiras… Ora reza a lenda que estávamos em certa pequena (mas seguramente a mais linda) aldeia de Portugal, dotada de coreto e igreja, onde se celebrava uma missa com muita vela acesa. Eu era pequenina (um ano? Dois? Mãe..?) e, ao ver tanta vela acesa, o que fiz foi espoletar um reflexo pavloviano que tinha sido gravado em mim: “velas, logo parabéns”. Assim foi. O celebrante (que felizmente ainda é amigo dos meus pais) não achou muita graça e a celebração não continuou enquanto a minha mãe não fez desaparecer a arruaceira em potência que eu era.

7. Já recebi propostas de prestação de serviços sexuais de uma tailandesa de nome (ou alcunha?) “Bee”, num arranha-céus em Bangkok. A dita senhora adorou sobretudo a coincidência dos nossos nomes e achou que devia ser “coisa do destino”.
Verdade. A história é curiosa e é mais um exemplo daquela estrelinha que tenho tatuada na testa e que me traz tanta alegria (sim, na minha mente simples, havendo disparate, há alegria). Encurtando muito, mas mesmo muito a história, a minha “quase-amiga” Bee ofereceu-se a páginas tantas para me fazer uma special massage (que, com o sotaque local, era “spéchá massááá”). No meu estado de torpor e de sinapses pouco cooperantes, perguntei-lhe o que era isso. A resposta foi elucidativa: massage heeeeeeeeeere

8. Nos idos tempos da primária, liguei para o programa de rádio infantil que dava à hora do pequeno-almoço, antes do começo das aulas. À pergunta “gostas da tua professora?”, eu respondi que “nem por isso”. E ela ouviu.
Verdade. Não foi fácil, esse ano. No ano seguinte entrei para o ciclo, que era leccionado numa escola diferente. Encontrei a então a ex-professora na rua e ela perguntou-me se eu estava a gostar da escola nova. E como eu não aprendo mesmo, respondi-lhe que adorava, sobretudo porque quando não gostava de uma professora a aula só demorava uma hora em vez de uma manhã inteira.

9. No início dos anos noventa, numa qualquer remota aldeia da China rural, propuseram ao meu pai o vantajoso negócio de me trocar por um valioso lote de sete cabras e um serviço completo de jantar em porcelana. O meu pai não aceitou (e pensar que antigamente os pais é que pagavam o dote para se desfazerem das filhas! Deve ser amor…).
Mentira. Que me lembre, o senhor ofereceu a filha dele para vir connosco para Macau para poder ter uma vida melhor e poder entrar na universidade. Apesar de todo o glamour que o Oriente aparenta ter para os europeus, a vida na China não era (e desconfio que continua a não ser) fácil.

E pronto, está desfeito o mistério (vá, já estava). Estou curiosa por ler os desmentidos nos outros blogs!

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6 comments

  1. prainha says:

    Eu prometo que escrevo e respondo ao desafio! O tempo tem sido pouco e avizinha-se outra viagem…
    Depois conto…

    (Acho que consegui acertar nas mentiras… Ha premio?)

  2. alcinda leal says:

    Apesar do atraso ainda penso responder ao teu desafio, aliás terei de responder a dois!
    No outro só são pedidas 6 situações, mas vai dar para as duas…
    só não vou desafiar ninguém…
    Bjs Tia Alcinda

  3. Bau says:

    Bi, acertei em todas as mentiras, mas ainda me conseguiste surpreeender! Nao sabia que, ja no ciclo, ainda tinhas “rematado” a historia da professora. Re-Billy, muito bom!

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