Bolívia parte I: La Paz

Não consigo imaginar um nome mais bonito para uma cidade: La Paz. Não consigo. Acho que se pode tratar da cidade mais feia do mundo e ainda assim ser bonita, só pelo nome.

Realmente, é disso que se trata. La Paz não é uma cidade bonita, bem longe disso. Mas tem um nome poético e um cume nevado por detrás, a enquadrá-la, e a dar-lhe o resto de beleza que cronicamente lhe falta.

A isto acresce a sua altitude: o aeroporto, na cidade de El Alto, que lá do alto vigia a paz, está a 4000m sobre o nível do mar. Descendo 400m por uma vertiginosa auto-estrada (atenção, “auto-estrada” aqui tem um significado diferente de “auto-estrada” em Portugal), entramos finalmente no burgo. E que há aqui? Um centro histórico mínimo mas relativamente bem conservado e um emaranhado de caos, trânsito e confusão generalizada. Vêem-se muitas mulheres vestidas com as roupas tradicionais, as cholas, muitas mulheres de jeans modernos, muita gente, muita confusão. O que há aqui que sublinhar é que se vê “muito”. Muito, muito, muita gente, muitos carros, muitos miúdos, muitas barraquinhas a vender fetos de lama e bebidas e talismãs e roupas de alpaca e roupas sintéticas a imitar alpaca. Ou seja: muito. E muito com tão pouco oxigénio é realmente fatigante. E atravessar estradas a correr com o ar tão rarefeito é ainda mais cansativo.

Quando chegámos já sabíamos que nos íamos sentir “cansados, com dores de cabeça e talvez também dores no peito”, dizia o guia. Mas sentir a dor de cabeça e o nariz que não se habitua ao ar seco, isso sim, é outra conversa. Comprámos logo os fantásticos comprimidos para o “soroche”, ou “mal de altura”, e foi realmente o que nos valeu. Irriguei o nariz com meia garrafa de soro fisiológico e levei a loção corporal mais gorda e hidratante que por cá tinha. E assim passámos uma semana, entre os 2800m e os 4200m e temperaturas entre os muitos graus negativos (-10º? -15º? Ao certo não sabemos) e os 25ºC.

Em La Paz, para além do centro histórico, há o mercado das bruxas – lugar de visita obrigatória – e a prisão – lugar agora de vista proibida, dizem. Mas, mais do que um lugar de visita, a cidade é um ponto de partida para outros lugares. Para nós, para o lago Titicaca.



Centro histórico de La Paz: a Plaza de Armas e o “El Prado”, o passeio público (que designação tão queirosiana!).

Não cheguei a perceber se o parque automóvel da cidade era “velho” ou “antiquado”. Quem andar à procura de exemplares antigos bem estimados, já sabe onde os procurar.



Emaranhado de ruas e fios na zona do Mercado de las Brujas, onde se compra de tudo para a adoração à Pachamama, a Mãe-Terra.


Como não podia deixar de ser, a secção “comida e bebida”: um ceviche que foi devorado antes de o conseguir fotografar e o imprescindível mate de coca, para ajudar a combater o mal de altura.

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