Cavalheirismo existe

Ando há algum tempo para escrever um post sobre este assunto, o cavalheirismo, e agora, que estou a fazer uma pausa no trabalho, chegou o momento.

Da primeira vez que me deparei com isto, não percebi realmente o que se estava a passar, pareceu-me mais uma hesitação. Falo da fila para o autocarro. Os argentinos, um pouco como os portugueses, fazem filas para tudo, sobretudo nos supermercados. Neste cenário, o panorama é sempre assustador: meia hora de espera para pagar é algo bastante comum. Embora seja muito chato, compreendo que as pessoas tentem passar à frente…mas a tarefa não é nada fácil, porque quem espera desespera e quem desespera tem olho de lince, ouvido fino, pé leve e cotovelo aguçado para espantar os penetras.

Quando chegamos à fila do autocarro, talvez porque passem tantos e a oferta seja abundante, as coisas invertem-se. Os homens, pura e simplesmente, não sobem para o veículo (devia dizer “não escalam o veículo”, porque é disso que se trata) enquanto houver uma mulher à espera. É mesmo verdade. Deixam passar as senhoras t-o-d-a-s antes de entrar. E se calha a estarem em primeiro lugar na fila, olham para trás para ver se há mulheres à espera.

Da segunda vez que me aconteceu é que percebi bem o que se estava a passar. Ofereci ao simpático cavalheiro a passagem, mas claro que ele não aceitou. Confesso que me senti um pouco constragida, que isto das filas para os autocarros lisboetas deixam calo na consciência de uma pessoa. E agora, enfim, já me adaptei a esta situação.

Tenho duas teorias, mas desde já aviso que gosto mais da primeira: é cavalheirismo puro e duro e os homens fazem isso porque, a maior parte das vezes, os autocarros retomam a marcha antes de toda a gente subir e antes de poderem fechar as portas.

Ou então é para poder olhar para os traseiros das mulheres.

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