Month: June 2007

Diz que e uma especie de uniformizacao

Só que sem ser.

Este post também podia ter como título “formatos há muitos, seu palerma”, porque é mesmo isso. É uma uniformização de formatos sem ser (qual A4, qual letter!) e a multiplicação da dimensão.

É que aqui na Argentina não há factura que tenha o mesmo formato que a seguinte. E que nem se pense que a largura máxima do envelope DL (esse sim, obedece à uniformização) constitui barreira à variedade de tamanhos. Cada folha é uma folha e, na sua autêntica unidade, tem um formato diferente da folha seguinte.

O dossier das facturas, que em Portugal fica tão arrumadinho (e gordo, pois…), cá é uma paleta de formatos de papel cujos modelos provavelmente nem nomes têm. A Telefónica, por exemplo, que é a mãe da Movistar (acho que não estou a cometer um grande erro, mas sabe-se lá!), tem uma factura com uma dimensão diferente da sua filha. Talvez porque a Movistar é filha e seja mais pequena? Não me parece. Uma é mais larga, a outra mais comprida. Ambas cabem no envelope, mas uma mais folgada, a outra menos.

Isto é um problema grande para uma designer! Eu gosto de ver as folhas arrumadinhas e com os furos para entrar no dossier no sítio certo, nem mais acima, nem mais abaixo! Mas não. Cá não. Agora a minha política é marcar-lhes o meio, a cada uma, e furá-las aí.

Quanto ao aspecto do dossier… nem vale a pena falar.

As maravilhas da tecnica

Tenho vindo a descobrir as maravilhas do leitor mp3 que os meus pais me ofereceram de forma algo progressiva. Primeiro, delirei com o facto de ter rádio. Depois comecei a gostar de lá ter música. E agora descobri a maravilha dos podcasts. Estou feliz com esta descoberta porque é um óptimo substituto para a leitura enquanto almoço. Muito mais ergonómico também: como não posso pôr o livro dentro do prato e tenho a chamada “miopia” (embora os anglófonos o digam muito mais explicitamente com o seu “shortsighted”), às vezes não consigo ver bem as letritas e tenho de repetir tudo até me cansar.

E aqui surge a descoberta do podcast. Neste momento, subscrevo uns podcasts do Nuno Markl, umas coisas curtinhas para a palhaçada, e um podcast sobre ilustração, ilustradores e ilustradores-designers. São entrevistas que demoram cerca de hora, hora e meia e que brotam uma conversa informal para dentro dos meus ouvidos enquanto me reabasteço. É quase como se estivesse a almoçar com eles, mas sem ter de me preocupar com ter boas maneiras à mesa. Também ouço nas viagens de autocarro, embora aqui seja mais difícil por causa do ruído de fundo dos motores e das buzinas. Ou enquanto estou no supermercado, tentando perceber a diferença entre ovos brancos e castanhos.

Quando chego a casa, vou espreitar as páginas dos entrevistados e ver os seus trabalhos, para construir uma imagem visual do trabalho referido na entrevista.

Estou absolutamente rendida e já decidi que o próximo passo é um audiobook.

Telegoelando

Estamos em Junho!

Junho, para mim, era sinónimo de manjerico, calor, dias longos, decorações de papel pelas ruas, santos populares, sardinha assada, bailaricos improvisados e a minha fartura anual (“fartura anual” é ambíguo… explico-me: refiro-me especificamente ao frito coberto de açúcar e canela, na única vez que o como durante todo o ano).

Este ano, Junho é mais parecido com Novembro ou Dezembro, com frio, casacos e camisolas. Sim, e sol, é verdade, e vento. E nada de castanhas, porque as que encomendei na mercearia e que paguei a preço de ouro vinham podres.

Este ano, Junho é televisão! A primeira semana (esta que começa hoje – ou talvez ontem) é marcada pela “semana clímax” do WB Channel, em que todas séries têm o seu último episódio. Portanto prevejo uma barrigada de sofá, televisão como se não houvesse amanhã (ou próxima semana… o que será que vão pôr no ar na próxima semana?). E até calhou bem, dado que o Paulo está no Chile.

Bau in Rio, estás preparada? Podemos sempre ligar-nos pelo skype e ir comentando tudo durante no intervalo, o que te parece?

Encontro de Empresas de Design

Enquanto escrevo isto, decorre em Lisboa, na Fundação Portuguesa das Comunicações, o Encontro de Empresas de Design. Organizado por quatro designers com grande espírito de iniciativa (força, Margarida!), este Encontro pretende fornecer um espaço de discussão (e esperemos que de algum consenso) em termos das questões éticas e deontológicas da profissão. Isto num país onde o design ainda é uma disciplina bastante recente, com uma imagem percepcionada pelo público talvez bastante afastada da “realidade”; ou, melhor dizendo, daquilo que para mim é o design.

Na minha opinião, o design é compreendido pelo público como um atributo “bónus” de certa peça, algo que lhe é exterior e que se limita a algo estético: se tem “design”, é mais bonito e, muito provavelmente, mais caro. Compreende-se então um objecto de “design” como tendo um certo carácter de obra de arte. Contudo, o design é uma disciplina que pretende a optimização da relação entre a forma do objecto e a respectiva função. De uma maneira simples, o design é uma disciplina de resolução de problemas. Tal como a arquitectura, diria eu, ou mesmo a medicina.

Claro que esta visão de “resolução de problemas” não combina em nada com a visão do design como luxo… Esta é a grande cisão dentro do design e entre designers. Mas adiante.

Voltando ao Encontro, que é o verdadeiro assunto deste post. Embora esteja longe de Portugal, acalento grandes expectativas em relação a esta ocasião de discussão de problemas que são comuns a todos os que praticam esta actividade em Portugal (e, quem sabe, noutras partes do mundo). Tenho esperança de que sejam consolidadas algumas directivas (ou sugestões de direcção!) que sejam consensuais na comunidade em relação a assuntos como a orçamentação de trabalhos ou a participação em concursos como forma de angariação de trabalho.

Estou curiosa por saber os resultados!

A descoberta da polvora ou talvez a maior invencao depois da roda

Os transportes colectivos em Buenos Aires são confusos. Sejamos justos: o metro (subte) não é assim tão confuso. Mas pode oferecer algumas armadilhas ocultas, nomeadamente em alguns acessos que só servem uma das direcções da estação em causa. Enfim, uma pessoa engana-se a primeira vez e depois já sabe.

O mesmo não se passa com os autocarros. Deve ser a rede de autocarros mais confusa que eu alguma vez vi na minha vida, embora devamos admitir que nem tudo é mau. O preço do bilhete, por exemplo, é ridiculamente baixo: custa cerca de 20 cêntimos de euro (oitenta centavos de peso); e a frequência de passagem também é surpreendente. Nunca se espera muito tempo.

Mas a verdade é que também há muitos aspectos negativos e eu demorei alguns meses a ousar entrar no mundo do autocarro porteño. E atenção que eu sou uma defensora do transporte público. A primeira vez mereceu um post aqui no blog. Sacudidelas, voltas pela cidade e o desconhecimento absoluto do itinerário e da localização das paragens de autocarro (saí na paragem “a seguir”, porque só depois de se passar por ela se sabe qual é a melhor paragem). Ainda demorei um pouco a recuperar, mas quando comecei as aulas de castelhano aproveitei para me colar à colega inglesa que sabia que autocarro apanhar. E assim recomecei. E assim tomei conhecimento daquela que é a maior invenção depois da roda, a verdadeira pólvora porteña.

Trata-se de um guia de bolso da cidade.

O Guía T, o melhor amigo do homem (e da mulher) que precisa de andar de autocarro em Buenos Aires

No início há um índice de ruas e a esquematização das plantas da cidade. Depois, em cada página há uma planta, que se subdivide em sectores definidos por uma grelha ortogonal. Para cada sector, existe na página ao lado a lista dos autocarros que aí passam (não se sabe bem onde, mas em alguma das vinte ruas do quadrado). Aí, encontrados os pontos de partida e chegada, procuram-se coincidências nos números dos autocarros que lá passam.

À direita, a planta subdividida em quadradinhos; à esquerda, as linhas de autocarro que passam por cada um deles.

E pronto, a partir daí é consultar o itinerário da linha ou linhas que estão assinalados em ambos quadrados. Ou seja: ou se conhece bem, ou aventura total. Isto porque a descrição que lá se faz do circuito não é particularmente clara, como também existem paragens por todo o lado, com algumas a servir só uma linha – mas nunca a que nós queremos.

Do que mais gosto é dos desenhos dos autocarros!

Resumindo. O truque é ir com quem sabe. Mais nada.