Month: May 2007

Misteeeeeerio


Não se sabe por que caminhos da Latinamérica andou este postal. Foi expedido do Rio de Janeiro, tal como outros em direcção a Portugal, no início do mês de Maio. Aparentemente, o caminho marítimo para a Europa é mais curto que o terrestre “intra-continente” entre países vizinhos, de maneira que só hoje chegou cá o postal de Ouro Preto!

Reparem a quem é endereçado… tem algum jeito? 🙂

Compartamos, compartamos

Ontem tocaram à campainha. Estranhei: não tinha pedido comida do restaurante da esquina, não tinha comprado mais nenhum livro da amazon, não estava à espera das compras do supermercado e, na verdade, não estava à espera mesmo de ninguém.

Vou antender, meio desconfiada. E ouço uma voz que me diz:

Hola, soy Pablo. Queiro compartir com vos un pensamiento bíblico.

Chiça, estão por todo o lado!

Cabeleireiro

Tal como andar de autocarro pela primeira vez, ir ao cabeleireiro é todo um ritual de passagem porteño. Ou talvez de todas as cidades.

Fui cortar o cabelo para celebrar a recuperação e erradicar as abundantes pontas espigadas e decidi, assim como se não houvesse amanhã, que era altura de mudança. Ainda hesitei um pouco e perguntei ao cabeleireiro o que ele achava. A resposta – não verbal – foi uma bela franja, cortada de imediato e antes de qulquer outra intervenção capilar.

Apesar da alegria que esta franja me tem dado nas últimas horas, não é dela que quero falar, mas sim do ritual que é a ida ao cabeleireiro. Nunca na vida me tinha um cabeleireiro feito tantas perguntas. Nem a menina que me lavou o cabelo, que conversou comigo todo o tempo, apesar de eu estar a fechar os olhos e a tentar relaxar enquanto me massajava a cabeça. Será que esperava uma resposta minha naquela posição?

Tudo começou com o já habitual “de acá no sos”, o desbloqueador de conversa mais conhecido dos argentinos. E por aí fora. O rapaz que me cortou o cabelo ficou a saber o meu primeiro nome, o meu segundo nome; disse-me o seu primeiro nome, revelou-me o segundo. Perguntou-me o meu aniversário e disse logo que adorava aquarianas, por serem tão… (o barulho do secador de cabelo camuflou esta parte; vi pelo espelho que continuou a falar, mas eu nada ouvi, um pouco como num filme mudo. Tratei de esboçar um ligeiro sorriso e emiti, de tempos a tempos, um “hmm, hmm”, para lhe dar segurança.).

E agora, superada a prova, começa o dilema: volto lá? Não volto? Se voltar lá, pode ser (vá, existe a possibilidade) que não queira repetir todas as perguntas e eu possa estar caladinha e tranquila, a franzir a minha miopia para ver no espelho o progresso do corte. Se for a outro diferente, será que tenho de passar pelo exame outra vez?

Chimichurri

Esta palavra é tão deliciosa!

Gosto de a dizer. E de a comer, eu seja santa.

Filipas de parabens

Hoje a Filipa R., amanhã a Filipa S.!

Na verdade, com a diferença horária, a Filipa S. não faz anos “amanhã”, mas sim daqui a uma hora… portanto podemos afirmar que as duas Filipas vão fazer anos ao mesmo tempo e que os dias 8 e 9 de Maio se vão sobrepor. Curioso…

(Acho que estou a sentir os efeitos secundários das anestesias gerais na minha capacidade de raciocínio…)

Pudim de espinafres

Pudim de espinafres: fácil e ultra-mnham
Na semana passada, o Paulo e eu fomos à estação de correios-alfândega buscar as três caixas que eu tinha enviado de Lisboa com roupas, sapatos e… um livro de receitas, oferecido pela minha tia Alcinda.

O livro está perto de ter caído do céu (a avaliar pelo estado da embalagem, caiu mesmo): tem várias dezenas de receitas com vegetais. Não são necessariamente vegetarianas, mas a base é um ou mais tipos de vegetais. Ideal para mim, certo?

Ontem, já me sentindo com mais forças, decidi presentear o Paulinho com a primeira refeição por mim confeccionada após o regresso a casa. Comecei com algo fácil, o pudim de espinafres. Como é costume, adaptei uma série de coisas da receita, substituí uns quantos ingredientes, usei o forno um pouco às apalpadelas (é a gás… como é que eu sei se está a 180ºC?)… mas o resultado compensou! O pudim é delicioso e o calorzinho do forno sabe mesmo bem agora que a temperatura lá fora começou a baixar. Mnham!

Limpezas de… Outono?

Estou a fazer a limpeza da minha biblioteca de fontes no computador. É uma tarefa chata, aborrecida, que consome muito tempo e pouco intelecto e que jamais é viável em épocas em que tenho muito trabalho.

Estou a ver ficheiro por ficheiro e a catalogá-las de acordo com algumas categorias que são padrão na tipografia (com e sem serifa, por exemplo) e por outras categorias que já vi que são necessárias no trabalho que desenvolvo (“infantis” ou com “aspecto digital”). E mando fora carradas de lixo, que digo “carradas”, pazadas de lixo, que digo “pazadas”, imenso lixo! Fontes com nomes diferentes e desenho muito semelhante, fontes que não têm todos os caracteres, algumas que são apenas feias e que não estão aqui a fazer nada.

E depois há as que têm nomes bizarros. Quando me deparei com uma chamada “AssCrack” nem pensei duas vezes. Lixo com ela. Não pode ser boa com esse nome.

Um vencedor

Sirop Folie, mnham mnham!

Ontem fomos jantar fora, para celebrar… ora, para celebrar qualquer coisa, que quando uma pessoa sai do hospital só tem vontade é de celebrar (mas devagarinho…).

Íamos experimentar um restaurante sobre o qual tinha lido uma boa crítica numa revista, um restaurante aqui pertinho de casa, para podermos ir a pé ao ritmo estonteante que eu consigo atingir. Quando lá chegámos, estava fechado para obras. Mas nesse mesmo becozito a oferta gastronómica não se esgotou numa porta fechada. E aí vimos o Sirop e, em frente, o irmão endiabrado Sirop Folie. Porque tinha um ar mais descontraído e uma iluminação mais clara, entrámos no Folie – e não nos arrependemos.

A decoração é simpática e o melhor de tudo é que tem sofás como cadeiras. Quem se senta do lado da parede, senta-se num sofá. Para mim, foi ouro sobre azul porque só desejava descansar as costas e encostá-las a algo confortável.

Passo a fase da ementa, que é resumida mas muito bonita, e passo directamente à comida. Vinho também não provei, portanto o ponto forte é mesmo, mesmo a comida.

Começámos com um “tapeo” em que o que os vencedores foram, claramente, as bolinhas de pão com gravlax (um salmão… curado, acho eu) e uns cogumelos dentro de uma massa frita muito delicada e saborosa. O resto era bom, sim, mas perto disto nem vale a pena referir. Mas o melhor estava para vir com o prato principal. Tanto eu como o Paulo escolhemos a corvina rubia a la plancha. E peixe, em Buenos Aires, é francamente um luxo. É tão raro haver peixe que até acho que eles não o cozinham bem, parece que o cozinham demasiado – pelo menos foi essa a sensação que tive no Chile, onde sim, há peixe, mas ultra-cozinhado. Mas o de ontem estava absolutamente de-li-ci-o-so. Dois lombinhos de corvina vinham acompanhados de uma salada de abacate e tomate e um arroz pilaf com uns toques de lima absolutamente divinais. Todos os sabores estavam equilibrados: os naturais dos alimentos com os complementares. Uma autêntica delícia.

A mim, soube-me pela vida, sobretudo depois de 15 dias a comer por via intra-venosa. Viva a comida verdadeira!

A Greener Apple

Estou muito contente com esta carta publicada um destes dias pelo Steve Jobs da Apple (cliquem no título em cima, que ainda não sei pôr hiperligações no texto). Aos poucos, podemos começar a partilhar o entusiasmo da Carolina quando vê a maçã no meu computador e exclama, excitadíssima: “mnham, mnham!”.