Que dificil e pagar

Na Argentina, o mais difícil no processo da compra é o pagamento. E não é que as coisas sejam particularmente caras. É porque é mesmo difícil pagá-las.

Ontem vivi mais um episódio que fortalece esta minha teoria. Fui ao supermercado (a escolha da hora não ajudou, é certo) comprar “umas coisinhas” que me faltavam para o jantar. Em dez minutos tinha reunido o que me faltava. Começou o dilema: qual das caixas escolher? Não só porque cada caixa aparenta ter uma especificidade (“pagamento com cartão? hmmm… não”; “envíos a domicilio? hmmm, também não, levo eu”, “embarazadas y discapacitados? pois, não estou nem sou, digo eu, mas ainda que estivesse ou fosse, seria para pagar com cartão ou dinheiro dava?”, “caja rápida, menos de 10 unidades? rápida não parece ser, tem filas até à charcutaria… e eu tenho para aí 11 unidades, não dá”) como também em nenhum lado há troco. É que não há troco de nada, não é propriamente de pagar uma despesa de 10 pesos com uma nota de 500 (nem sei se há nota com valor tão alto, mas vá).

Esperei, esperei… olhava para as pessoas e ninguém – repito, ninguém! – se enervava! Que mistério! Concluí portanto que quem vai ao supermercado em Buenos Aires à hora de ponta tem mais paciência do que quem aguenta o trânsito do IC19 ou da ponte diariamente. Aparentemente todos sabem o que vão encontrar pelo caminho (trânsito), mas a malta de cá é nitidamente mais tranquila.

Finalmente, após trinta ou quarenta minutos (!!!), chegou a minha vez. A minha despesa era de trinta e poucos pesos, dei uma nota de cinquenta. E aí compreendi a causa da demora:

“Algo más chico, tenés?”

Ora vamos lá ver, algo más chico do que uma nota de 50… então só se fosse 10. E 10 não dava para pagar a despesa de 30 e tal. E, bem, eu tinha dado uma nota de 50 porque – justamente – não tinha dinheiro trocado.

Chama supervisora, pede troco à supervisora. Esperamos supervisora, que é chamada por não sei quantos caixas ao mesmo tempo. Sim, porque há que relembrar que era hora de ponta. E à hora de ponta não havia troco nas caixas. Conclusão: quem trocou o dinheiro foi o cliente que estava atrás, que lá fez o jeitinho.

A coisa boa é que neste supermercado há queijo fumado. Só por isso, já vale a pena.

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