O pior de Lisboa

Há tempos pensei nas coisas da Argentina de que não guardaria saudades; hoje penso no pior de Lisboa, das coisas de que não vou sentir falta absolutamente nenhuma quando estiver em Buenos Aires.

Estava muito indecisa entre duas das maiores pragas lisboetas: os carros e os pombos. E depois de muito pensar, acho que o pior ainda são os pombos. Bem, os cocós de cão nos passeios também são uma valente praga. Mas os pombos… ui, os pombos.

Na minha varanda tentei semear amores perfeitos. Resultado? Pombos. Também tentei semear umas flores variadas que me trouxeram do Jardim Botânico de Nova Iorque. Resultado? Pombos. Experimentei manjerico – só lograram ver a luz do dia aqueles que estavam no vaso inacessível, ou seja, dentro de casa. A única planta que tem sucesso na minha varanda é uma trepadeira que herdei da anterior inquilina (pela razão óbvia de estar agarrada ao gradeamento) que tem como companhia no vaso uma urtiga. Esta urtiga deve picar os pombos… e a trepadeira subsiste.

Em Buenos Aires, certo dia comprei manjericão, que lá é vendido no supermercado, no meio das verduras, com pé, raízes e terra. Lavei e congelei parte e a outra plantei-a. No dia seguinte, tinham um ar perfeitamente moribundo e desolado. Apesar do aspecto, perseverei e hoje – conta-me o Paulo – estão enormes! (Embora o Paulo lhes chame “albahacas”… acho que já se esqueceu do nome em português!)

Lá, o pombo está onde deve estar: a fazer cocó na cabeça dos heróis da independência, não nas varandas das pessoas! Além disso, há para aí um pombo por bairro, não os vinte e três mil que infestam a minha varanda a arrulhar todo o dia e a bater com o bico nas janelas.

Pombo é rato com asas, yuck!

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3 comments

  1. fungaga says:

    Os pombos. E podias pensar que só os havia na tua varanda, porque moras num bairro onde, todas as manhãs, às 9h, há um funcionário da câmara que os alimenta. Pois digo-te que aqui, na minha varanda, no extremo oposto da cidade, também tenho pombos a comer a minha azália. Mas, para pior de Lisboa, eu votava mesmo nos carros, que não sobem à minha varanda mas quase…

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